CURADORIA JU2C: os 9 grupos fracassados que merecem viralizar após o sucesso das Brave Girls

Quem conhece um pouco do #nicho do K-pop sabe que a Coreia do Sul tem a duvidosa mania de “viralizar” faixas antigas (ou não tão antigas) de grupos desconhecidos e que já estão à beira do fracasso e disband, dando a esses atos musicais uma nova chance de sucesso e impulsionando essas faixas empoeiradas nos charts mais relevantes do país. A viralização acontece por motivos diversos: desde integrantes de girlbands dando aulas práticas de ginecologia em performances ao vivo, até grupos caindo de cu em palcos ensaboados no intuito de gerar pena no grande público.

As sortudas mais recentes a terem um viral efetivo na coreia são as Brave Girls, que viram a população sul-coreana dar uma atenção repentina à farofa perfection “Rollin” (#88 na nossa lista de 100 melhores músicas da década de 2010) depois de conferirem uma compilação do grupo performando essa farofa provocativa para homens sedentos do exército do país. Com base no feito incrível desse grupo que todos já consideravam totalmente esfarelado, nós do JESUS USAVA CHANEL fizemos um esforço mental incomum para listar nove grupos coreanos fracassados que também mereciam uma chance de viralizar após o sucesso repentino das Brave Girls. Listamos aqui só grupos desconhecidos e que realmente não tiveram a mínima chance de sucesso na Coreia, todos sempre com músicas que justificariam essa potencial viralização – hinos incompreendidos que estavam simplesmente à frente do tempo demais para serem compreendidos pelo público normie do K-pop. Então aperta o cinto aí mona que a gente tá prestes a viajar pelas áreas mais cavernosas do underground coreano em busca do crème de la crème do top 25.000 da Melon:


9. Tahiti – Love Sick

O Tahiti passou seis anos intensos na indústria fonográfica coreana e conseguiu o feito de ser conhecido apenas por causa do envolvimento da center do grupo, Jisoo, num escândalo de prostituição.

Com um catálogo recheado de músicas gostosas e que tem todo o potencial para viralizar novamente, como aegyo sexy “Oppa You’re Mine” ou a sexy e vulgar “Phone Number”, nós achamos que “Love Sick“, single de 2013, é a escolha ideal para capitalizar em cima do Tahiti. A música acabou tendo um burburinho na época em que foi lançada por ter uma melodia e estrutura muito parecida com “Potential Breakup Song”, hit da época teen de Aly & AJ. Como PBS acabou viralizando de novo de novembro para cá por causa do TikTok, o que impulsionou inclusive as meninas a lançarem uma versão nova da música, nada mais justo do que a sua versão coreana tenha o mesmo sucesso que ela.

Além disso, a música conta com uma coreografia extremamente sensual, com movimentos de deixar Karol Cândido na batalha contra Ludmillah Anjos com inveja, e ainda um striptease no meio dela, onde elas simplesmente arrancam o seu vestido já curto para trajar um conjunto top e short mais curto ainda. A vulgaridade e lascívia da música com certeza iria causar no exército masculino e levar a música para o topo de todas as paradas.


8. D.Holic – Color Me Rad

D.Holic foi mais um daqueles grupos fracassados que ninguém sabe muito bem de onde surgiu ou qual foi exatamente o seu fim. O grupo teve uma história conturbada e mudanças nine-muses-escas de integrantes até acabar (meio que) oficialmente em 2017, mas não dá pra negar que elas deixaram um legado importante no K-pop: as gatinhas simplesmente raised the bar no âmbito dos lançamentos de grupos desconhecidos, trazendo novas sonoridades, batidas futurísticas e um padrão de qualidade elevado pra grande terra sem lei que é o mundo das girlbands nugu sul-coreanas.

A coisa que realmente destacou o D.Holic no meio de milhares de outros grupos flopados não foi esse legado, mas sim o fato de que essa foi a primeira girlband a lançar mão da safadíssima estratégia de marketing de colocar uma misteriosa integrante mascarada no grupo cujo rosto só seria revelado em um futuro lançamento, algo que foi copiado na cara dura pelo PinkFantasy tempos depois (mas sem a mesma crocância, é claro). A integrante mascarada do D.Holic era a EJ, uma gata de cabelo rosa que manteve a máscara em ensaios fotográficos, clipes e performances – e como o grupo fracassou e acabou em 2017, a gostosa simplesmente nunca mostrou seu cirurgicamente lapidado rostinho em lançamentos oficiais!! Por esse motivo, fica claro que o D.Holic precisa ter um hit viral para que o grupo volte a lançar músicas e o mistério sobre o rosto da EJ seja finalmente solucionado. A música escolhida para esse viral poderia (deveria) ser a adstringente “Color Me Rad”, um farofão EDM barulhento obviamente inspirado por “Sugar Free” do T-ARA e que traz um clipe de orçamento baixíssimo capaz de despertar aquela epilepsia fotossensível que você não sabia que tinha e também uma coreografia marcante pelo famoso passo dos dedinhos rodando na frente da xavasca.


7. CHI CHI – Don’t Play Around

Você provavelmente não sabe quem foram as CHI CHI, mas tudo bem querido leitor, poucas vezes falam os nomes dos nossos heróis nas escolas, e de tempos em tempos prendem um Lula. O CHI CHI era um grupo de gatinhas safadas que ninguém conhecia ou fazia ideia de onde surgiu, tanto que nenhuma delas continuou no show business, mas é aquilo néan, mártires da arte sul-coreana chegam, fazem seu propósito e depois somem. “Don’t Play Around” tem a perfeita coreografia para viralizar no tik tok – aquela que sua irmã de 12 anos faria aleatoriamente a coreô num almoço de família (se você fosse asiático), e isso seria algo totalmente orgânico! A música mostra como as meninas do CHI CHI não gostam de ser meros brinquedos nas mãos de homens safados, para vocês verem como elas foram revolucionárias na sua forma de feminismo antes mesmo de todo mundo tentar, e dialoga totalmente com a situação da Coreia do Sul. “Don’t Play Around” certamente seria adotada por todas as adolescentes sul-coreanas que iriam fazer o favor de viralizar a música no aplicativo de nome da música da Ke$ha em challenges como “não sou uma boneca challenge” ou “adoleta challenge”, brincadeiras de crianças que dialogam totalmente com o nome da música. Por isso, as ninfetinhas do CHI CHI ainda vão nos dar muito orgulho e finalmente entrar nos charts da MelOn. 


6. Skarf – Oh! Dance

Um debut icônico e um dos poucos aegyos que citaremos aqui nessa lista. “Oh! Dance” é extremamente bem polida, tem uma coreografia fofa e um MV bem produzido que parece até mesmo um comercial de sabão em pó de tão limpa que a imagem é. Mesmo com táticas extremamente divertidas, como ter distribuído LENÇOS personalizados pelas próprias integrantes no seu álbum de debut (que vendeu menos de 800 cópias e um de nossos membros do blog tem um ❤️), o grupo acabou amargando no flop até mesmo com o seu comeback que contou com mudanças na line-up e que ocasionou um disband silencioso 2 anos depois. O que deu errado então? Nem nós sabemos dizer ao certo, mas com certeza as gatinhas merecem um viral para tentar recuperar todo o tempo perdido e nada melhor do que um grupo com uma história comovente como a da integrante TASHA, gatinha de Cingapura que tenta desde então um sucesso em sua carreira musical, sem tanto sucesso, tendo sido eliminada no Idol School (que formou o fromis_9), no Dancing 9 (que nem sabemos como ela foi eliminada) e no Lady Bees (um reality chinês que também não fazemos ideia do que rolou). Nós sabemos que o público adora gente que faz papel de vítima e Tasha é perfeita para isso, além de ser gata & gostosa e estar com tudo em cima com seus 27 aninhos de idade.


5. BESTie – Love Options

O BESTie simplesmente surgiu de uma colisão que aconteceu no EXID, mas vocês não saberiam disso porque ninguém acompanhou o EXID durante o debut nean? ….de qualquer jeito, as gatinhas do BESTie sempre serviram gritaria, coreografia boa e uma pitada de pose de marrenta que todo mundo acha muito baphonicor’.. O problema é que, como sempre acontece com os grupos nugus mais legais do mercado, as gatinhas nunca tiveram sua chance de brilhar. Aliás, fica aí a grande ironia do destino que rolou com o BESTie: enquanto as integrantes que saíram do EXID pra formar o grupo eram extremamente talentosas, as integrantes que continuaram no EXID eram as MENOS talentosas… mas adivinha quem viralizou? As gostosas sem talento, é claro! Tsc tsc, Coreia.

Então eu proponho o #PenaChallenge, pois a Coreia do Sul precisa finalmente se tocar de que o BESTie merece uma chance de viralizar tanto quanto o EXID. As pessoas só precisam prestar atenção no fato de que “Love Options” é uma das farofas mais safadas do K-popie servindo uma produção retrô com um refrão chiclete, uma coreografia memorável e uma junção de batidas oitentistas com as melhores qualidades dos anos 2000. Vai ser nesse momento que vão ter vários challenges de maquiagem com a música “Love Options”, onde as pessoas vão fazer aqueles truques 3d que mudam completamente a face da pessoa, pra mostrar que são as OPÇÕES do amor, sacaram? A viralização da música também ajudaria a trazer o saudoso Brave Brothers de volta aos holofotes – e quem não ama um bom BraveSound Drop It! numa boa e suculenta faixa de K-pop, hein?


4. Elizabeth – Ppappa Pierrot

Em 2011 o K-pop ainda era um universo relativamente inexplorado, então as agências coreanas atiravam para todos os lados em busca de emplacar um grupo ou projeto de sucesso – e, como o EDM estava em alta na época, essas agências não precisavam de muita coisa pra marketar o próximo grupo desconhecido do momento além de uma farofa produzida com as configurações mais básicas do FL Studio e uma boa dose do plug-in auto-tune baixado por vias ilegais. Eis que, usando como base essa máxima, surge a dupla Elizabeth, formada pela bombástica e visualmente icônica combinação de uma integrante loira e outra morena, sendo elas a Zeni Kim (um twist fonético suculento que previu o nome artístico da Jennie Kim) e S-CAT (HAHAHAHAHAHA, SIM, O NOME DA GATA É LITERALMENTE ESSE), que almejavam o posto de Lady Gaga do K-pop ou alguma merda do tipo.

Ninguém sabe muito bem o que rolou com essas gostosas, já que elas só lançaram um único single e depois sumiram, mas a questão é que esse single é nada menos do que uma das farofas fracassadas mais viciantes já lançadas na Coreia do Sul, a ecumênica “Ppappa Pierrot”. A música merece viralizar por dezenas de motivos: seu refrão viciante em níveis estratosféricos, a aura campy das integrantes do grupo, o clipe ridiculamente cafona que tiveram a coragem de lançar pra esse single (sério, ele deve ter tido um orçamento total de 5 reais e um guaravita), e também o fato de que “Ppappa Pierrot” virou um hit cult naquelas coletâneas/playlists safadas de hits dance do K-pop, como a “DJ Central KPOP Vol. 3”. Em tempos de quarentena em que a diversão noturna está proibida ou limitada, nós do JESUS USAVA CHANEL temos certeza de que “Ppappa Pierrot” seria o viral certo para o momento em que as boates vão poder reabrir no pós-pandemia, relembrando a toda a população sul-coreana o espírito de hedonismo e catarse que é perder a dignidade na pista de dança ao som de alguma música dance tão salafrária que nenhum ato atual do K-pop teria a perspicácia de lançar.


3. Fiestar – One More

Pra quem não conhece essa #gem da Coreia do Sul, as garotas do FIESTAR eram as antigas afilhadas da IU. Isso mesmo, a IU chegou a produzir e aconselhar o grupo (até mesmo em um feat.) e nem assim as gatinhas vingaram. E por esse motivo, num longínquo cenário do K-pop onde as girlbands estavam indo para o lado vulgar e infeliz da vida, o grupo resolveu despirocar e apostar nessa nova imagem toda trabalhada na vagabundagem. “One More” é uma produção disco de excelência bem típica do gênero, misturando influências atuais com um refrão carregado de agudos e uma sonoridade perfeita, deixando as outras músicas safadas de saxofone que as girlbands lançavam na época no chinelo. Nesse momento de #feminismo que a Coreia do Sul vive, com as meninas idols fazendo conceito girl crush em todos os lados, acreditamos que o timing é perfeito para que “One More” viralize e traga o grupo já separado para os holofotes mais uma vez. Pensem comigo: se a segunda onda do feminismo é agora na Coreia, a libertação sexual vem logo depois. Todas as mãezonas cansadas do seu relacionamento vão amar receber um ricardão ou um jong kimzão na cama delas, os sul-coreanos novinhos vão conseguir falar aquela mentira ensaiada para a namorada só pra transar com outra menina, e além de tudo, nada melhor do que um 3some para dar aquela #apimentada no relacionamento, segundo as próprias FIESTAR. Então Coreia, abrace essa ideia, chame um outro parceiro para seu relacionamento, se rendam ao ménage-a-trois e façam essas gatinhas corajosas, que deram a cara a tapa para revolucionar o sexo normie sul-coreano, viralizarem! 


2. Unicorn – BLINK BLINK

Com o crescimento absurdo do fenômeno do TikTok, muito no k-pop hoje em dia tem sido feito para poder agradar esse nicho de fãs – e agora quase tudo está sendo feito para tentar gerar um viralzinho, até o Zico e a Jessie conseguiram hitar seus esforços milimetricamente “viralizáveis” no TikTok recentemente né. Por conta disso, achamos que o single de disband do UNICORN (que infelizmente faleceu após 2 lançamentos icônicos e que fizeram um enorme barulho apenas em nossos Lastfms), “Blink Blink“, deveria ser um forte nome para viralizar no futuro. Prevendo essa tendência desde 2016, as meninas estavam uma livestream no AfreecaTV e fizeram uma das únicas performances ao vivo da música diretamente de um cubículo menor do que o porão da TS Entertainment que o Secret dormia na época que elas não tinham dinheiro nem para comer. O espaço era tão pequeno que elas viviam se cuidando para não se bater ou bater nas periclitantes cadeiras e ventiladores que formavam o cenário (já que obviamente a empresa delas não tinha dinheiro pra bancar aparelhos de ar-condicionado). Agora, em 2021 e com o TikTok, que usa dessas dancinhas feitas em espaços menores, as meninas com certeza iriam achar o seu espaço apertado no meio da indústria, com o potencial de viralizar por já promoverem a dança em espaços pequenos para poder caber na tela de um celular (um pensamento extremamente forward). Ia ser hit na certa!


1. DIA – My Friend’s Boyfriend

As gatinhas do DIA tinham tudo pra fazer sucesso na Coreia do Sul sem precisar de um desesperadíssimo viral: o grupo traz uma formação com gostosas que servem beleza exótica, possui uma integrante famosa (a estóica Chaeyeon, que participou do badaladíssimo e fraudulento programa Produce 101) e, acima de tudo, o DIA é declaradamente o grupo sucessor natural do T-ARA, já que nasceu na mesma empresa que lançou as MC roly-poly para o mundo. A questão é que o DIA desde sempre foi um fracasso catatônico, já que a Coreia provavelmente nunca entendeu direito a (falta de) personalidade artística do grupo, sem contar no fato de que a discografia delas é a coisa mais 8 ou 80 do K-pop, intercalando músicas virginais sobre primeiro amor com farofas techno de piranhagem na pista de dança. Depois de um bom tempo sem vingar, o grupo precisou até de certos stunts pra se manter em evidência, com sua fanbase regularmente soltando boatos de que o DIA estava prestes a disbandar – apenas para fazer o público ter pena delas e… sei lá… dar streams nos sofridos lançamentos das monas. 

Com esse histórico apurado, é até estranho o DIA não ter viralizado até agora pelo simples fato de ser a maior hot mess já vista no K-pop. Mas, se for para o grupo viralizar algum dia, que seja com a faixa “My Friend’s Boyfriend”, provavelmente a música do DIA que mais representa a grande bagunça quente que elas são e sempre foram. Produzida pelo Shinsadong Tiger (e provavelmente tirada do fundo do baú das demos mais baratas já criadas pelo produtor), a faixa é uma mistura datadíssima de elementos que já estavam datados na época do seu lançamento (2015), parecendo um mashup de “Run the World” da Beyoncé com alguma música uninspired do David Guetta. Mas óbvio que eu não estou reclamando disso: o instrumental horrível é um elemento essencial para que essa música consiga funcionar e, como o mercado musical é algo cíclico, em breve o EDM volta a cair nas graças do ouvinte e quem sabe isso até ajude a música a viralizar! Apesar do instrumental fazer sua parte, o elemento principal no potencial de viral dessa música é sem sombra de dúvidas a sua letra, que, como o título sugere, fala abertamente sobre talaricagem e traição, com as gostosas cantando trechos deliciosos como “desculpa mas eu roubei seu namorado de você” ou “eu sou a sua OUTRA namorada”, arrebatando tudo com um “adoro” ao final dos refrões. Com o feminismo ainda engatinhando na Coreia e sem o terreno preparado para discussões mais profundas, “My Friend’s Boyfriend” tem tudo pra trazer aquele pot-pourri de falta de sororidade, rivalidade feminina e desespero por atenção de homem que todo bom entretenimento despido dos cinismos do feminismo liberal deve trazer. 


Menção honrosa: Switch – Fiesta Loca, faixa que merecia viralizar meramente por causa do título suculento.

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