As 50 Melhores Músicas de 2020

E finalmente VINTE-VINTE, o ano mais infame dos nossos ciclos temporais, chegou ao fim. Porém, antes de finalmente chutarmos essa urucubaca que foi o ano no geral, precisamos parar para uma indispensável e altamente culturalmente, socialmente, várias-coisas-mente relevante lista de 50 MELHORES MÚSICAS DO ANO pelo incansável JESUS USAVA CHANEL. Dessa vez reunimos todas as músicas em um post só pois simplesmente não havia tempo para postar a lista em partes separadas – o que é ótimo para você que entra no blog só pra dar uma conferida tão curta quanto a sua capacidade de se concentrar em qualquer atividade.

Como qualquer lista curada pelo JU2C, o ranking engloba músicas que entraram no radar dos quatro criadores do blog e é uma lista bem arbitrária, sendo formulada a partir dos nossos gostos musicais mesmo e do nosso exímio poder de discernimento e sensatez. Esse foi um ano de empoderamento, fecho em boys #lixo, disco music para aterrorizar os executivos da OMS e aquele bom synthpop pra fingir que você realmente sente nostalgia dos anos 80 sendo que você nasceu há meros 20 aninhos ou menos – e tudo isso está aqui nessa suculenta e longa colcha de retalhos musicais que une o alternativo, o pop farofa, o EDM e o K-pop em um lugar só.

Sem mais delongas, vamos ao raking e… bom… nos vemos em 2021! Obrigado a todos que acessaram o JESUS USAVA CHANEL nos últimos tempos e que apoiam incondicionalmente essa bagunça quente de blog. E não se esqueçam de sacar a playlist com todas as músicas no final do post.


50. Pabllo Vittar – Rajadão

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Que a drag popstar Pabllo Vittar é a maior artista do Brasil, já sabíamos. Só não sabíamos que em 2020 ela iria superar-se artisticamente para lançar o maior ato de LGBTQIA+ periférico da história. “Rajadão” é uma faixa refrescante, diferente e debochada. Baphônica, como diriam os gays com vocabulários mais inusitados e nostálgicos. A drag simplesmente juntou música techno com uma composição bem puxada pro gospel e criou uma fritação do bispo Edir Macedo. Ser “crente” – infelizmente – certamente fez parte de mais da metade da população LGBTQIA+, principalmente no nordeste, de onde vem Pabllo Vittar. Todas aquelas varoas cantando sobre pele de cobra, e a vitória de jesus, e a igreja subindo, construíram uma parte da persona drag star, uma bagagem que certamente poucas estrelas da música pop poderiam ter – e qual outra artista teria a bagagem de lançar um gospel extremamente BAITOLA como esse? “Rajadão” é o mix perfeito entre as gayzolas da rave, e as gayzolas da farofagem, todas saem ganhando já que além de tudo, Pabllo Vittar também é a mãezona que une a comunidade.


49. Weeekly – Tag Me (@Me)

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Weeekly é a nova aposta da PlayM Entertainment, empresa do famoso girlgroup Apink (as maiores da história) e é a resposta para a pergunta “e se o Pristin lançasse uma música boa?“. O septeto cativou bastante o JESUS USAVA CHANEL com o seu single de estreia, “Tag Me (@ Me)“, por renascer um conceito quase morto no k-pop e que foge muito dos padrões de girl crush quase que 100% impostos nos girlgroups de hoje em dia por atos como BLACKPINK e ITZY. Com a sua uma estética refrescante, os riffs de guitarra envolventes e um canto estridente que deixa a música parecendo um grito de líderes de torcida, “Tag Me” é a prova de que buscar inspirações em outras fontes fora do comum pode dar muito certo se feito da maneira correta. Destaque para a icônica e arrebatadora frase-chave da música: “toda a vez que eu faço login, a timeline fica boca de confusão”. Relatable demais para toda uma geração de twitteiros trolls da internet.


48. Grimes – You’ll miss me when I’m not around

Quem lembra dela? Sim, ela ainda está viva e permanece no mesmo planeta que nós, meros mortais. Enganou-se quem achava que a Grimes a essa altura da pandemia estaria em Marte junto ao seu marido Elon Musk e seu queridíssimo filho X Æ A-Xii, com sistema Android Lollipop, dentro do Cybertruck da Tesla. E, apesar de virar chacota entre a grande parte dos gays que não gostaram do seu último álbum, a gatinha e mãe de família conseguiu agradar o cast inteiro do JU2C e, em especial a cacura do Lucas, que vive em um loop eterno entre não esquecer o seu ex namorado e viver uma nova vida sendo o terror da OMS. “You’ll miss me when I’m not around” é uma faixa melancólica que flutua entre o Rock e Eletrônico, com batidas e arranjos tecnológicos que se mesclam harmoniosamente entre as diversas personalidades musicais da Claire Boucher (ou “C”, como ela se chama agora). Com uma letra totalmente depressiva, que esboça de leve uma possível nota de suicídio, Grimes aposta ao longo de todo “Miss Anthropocene” na melancolia e misantropia, mas que aqui acaba ganhando vida e se tornando arte para os amantes da música, assim como nós gays críticos de música formados no site Pitchfork.


47. BoA – Better

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Panela velha é que faz comida BoA – AH, SÉRIO, EU NÃO IRIA REALMENTE CONSEGUIR COMEÇAR A ESCREVER SOBRE ESSA MÚSICA SEM ESSA PIADA. Vinte-vinte marcou os apropriados vinte anos de carreira da popstar coreana BoA, e ninguém esperava que ela fosse fazer lá muita coisa relevante esse ano já que a carreira dela anda há tempos se escorando em legado e nostalgia. Pois bem, a gata ainda assim conseguiu soltar um (ótimo) álbum novo e com ele um single principal digníssimo de nota e que já entrou na nossa lista de melhores do ano mesmo tendo sido lançado há pouquíssimo tempo. “Better” é a volta da BoA àquele R&B classudo que combina tão bem com o estilo vocal e de dança da artista (e que andava em falta na carreira dela). É uma faixa madura, com um grave “deslizante” e uma atitude que realmente só poderia ser carregada por uma veterana do mercado, já que aqui a BoA soube encontrar a intersecção perfeita entre a melodia e uma atitude sassy, algo que é perfeito para a letra que, hora demanda fortemente, hora sugere sensualmente um esforço maior do interesse amoroso da artista.


46. Weki Meki – COOL

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Se tem uma coisa que eu amo no K-pop são essas faixas meio bratty onde as garotas cantam como são gostosas e não têm culpa de terem nascido tão bonitas e populares assim. Com uma atitude certa, essa temática pode ser transformada em delícias do neo-empoderamento como a clássica “So Hot” das Wonder Girls ou a fofa “Oh! My Mistake” do APRIL. Já o Weki Meki transformou essa temática em “COOL“, um grande farofão EDM em que elas proclamam sem nenhuma vergonha que são mais estilosas e legais que você e que a imprevisibilidade é o que torna elas tão solicitadas. Nos últimos tempos, o Weki Meki vem provando que com certeza é um dos grupos nugu (termo coreano para atos musicais que não são muito conhecidos pelo público geral) com a discografia mais divertida/apurada do mercado, e “COOL” é uma adição extremamente valiosa para os méritos injustiçados das garotas, trazendo de volta uma farofona alta e orgulhosa que a gente não ouvia no K-pop há alguns anos.


45. HA:TFELT – Life Sucks

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HA:TFELT, nome de palco de Yeeun, ex-membro do Wonder Girls, que sempre surpreendeu com seus trabalhos extremamente coesos e com uma estética crua e verdadeira .Com o lançamento de “1719”, o seu primeiro álbum completo, as coisas não foram diferentes. Em seu trabalho mais honesto até o momento, Yeeun abre o jogo e nos conta um pouco mais sobre seus sentimentos, medos e anseios, e “Life Sucks“, faixa que abre o cd, é um dos melhores exemplos do que ela quis passar com esse lançamento. A música fala sobre o relacionamento com seu pai ausente, que acabou aparecendo muito na mídia em 2019 por causa de um escândalo, onde ele fez questão de envolver o nome de sua filha no meio para aliviar sua barra. Respondendo à situação toda através da música, escrita inteiramente em inglês, Yeeun envolve o ouvinte contando a sua história, com muito sarcasmo e bom humor, apesar da mensagem de que a vida é uma merda e é isso aí mesmo, querida =]. Em um ano regado de tanta positividade forçada e um falso sentimento de esperança, às vezes só o que a gente precisa mesmo é da verdade nua e crua, e é o que HA:TFELT nos dá em “Life Sucks”.


44. Selena Gomez – Rare

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Provando por A + B que o “Rare” não é um álbum esquecível apesar de todo mundo ter de fato esquecido ele após duas semanas de lançamento, o JESUS USAVA CHANEL faz justiça aos esforços da Selena Gomez rankeando a faixa-título do disco no nosso disputadíssimo e prestigiado Top 50 de melhores músicas de 2020. “Rare” é nada além de um pop levinho feito sob medida para ficar lá no fundo das nossas playlists quando a gente tá procurando por uma faixa de apoio emocional fácil de ouvir e de se degustar. Nela, a Selena Gomez reconhece os seus próprios méritos e chama a atenção de seu amado diante de uma clara falta de apreciação dele em relação a essas características. E quem nunca se sentiu assim antes? A faixa dá um ótimo enquadramento nesse assunto recorrente que é a falta de apreciação ou atenção geral que a gente sente nos relacionamentos, e aqui tudo é passado de uma forma singela e sem se apegar muito aos complexos existenciais que um tópico desse tipo poderia render. A Selena só quer… ser tratada como alguém especial. Ademais, Seleninha deixa de lado os sussurros e tenta um registro vocal mais presente porém leve e doce ao mesmo tempo, tornando essa música um dos melhores exemplos da discografia pós-Disney da moça.


43. Irene & Seulgi – Naughty

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Em uma Coreia do Sul devastada por batidões pesados, sem refrões e sem personalidade, a grande querida dos estilistas Irene e a sáfica gostosa Seulgi fizeram seu debut como uma unit. O Red Velvet vem tirando um tempo off desde que a Priscila Alcântara sul-coreana se acidentou ano passado, mas claro que a vida segue e o nome do grupo não pode ficar tão afastado assim da mídia, até porque se vocês bem lembram elas não são lá as melhores vendedoras de discos, pois todas estão na frente delas. Mas Irene & Seulgi serviram um prato cheio com sua unit. Apesar da faixa título (“Monster”) ser um tanto decepcionante, apostando no queerbaiting bem gelado e esquecendo de ser boa, a segunda aposta da unit com um single após o álbum foi bem mais certeira. “Naughty” é uma faixa despretensiosa, com um refrão catchy, sem muita forçação e o melhor: sem nenhum dubstep datado. O house noventista com fortes influências contemporâneas de EDM de “Naughty” nos pegou de jeito e agraciou os reveluvinhos um refresco no que poderia ser uma sonoridade mais madura para o grupo completo (afinal ninguém merece as pequenas tidinhas cantando UMPA UMPA quando estão já na beira da aposentadoria). Ah, vale também lembrar que, nessa faixa toda sensual e provocativa, as meninas ainda se jogaram num voguezão que serviu de inspiração pra surra no estilista que a Irene deu.


42. Dorian Electra – Gentleman

Quando ninguém esperava, Dorian Electra presenteou 2020 com uma das faixas mais estranhas, descaradamente dançantes e intensamente interessantes do ano, o brega-funk futurista-cyberpunk “Gentleman“. Com menos de dois minutos, a canção leva a outro nível as fantasias altamente visuais, referenciais e elaboradas de Dorian Electra, iniciando com uma viola e flauta que fazem parecer que a música saiu direto do repertório de um bardo da era medieval (ou de alguma playlist de bardcore), tudo isso pra cair em um trap espaçado (e que realmente parece brega-funk) com um som de saxofone provavelmente inspirado por aquelas faixas que abusaram desse instrumento na metade da década passada como “Talk Dirty” e “Worth It” – só que transformando essa sonoridade em algo totalmente novo. A letra brinca exatamente com essa imagem de cavalaria e cavalheirismo do medievo, onde Dorian proclama que é “o último cavalheiro ainda vivo” e corteja sua Lady em um número frenético e que, em um mundo justo, viralizaria sem muito esforço.


41. NATURE – Girls

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NATURE sempre foi um dos grupos nugu com a discografia mais gostosinhas do k-pop de 2018 para cá. Ambiciosas desde o debut, onde se divulgaram inicialmente com um projeto de covers de músicas pop e arriscaram até mesmo um cover de canto e dança de “Rhythm Nation” da Janet Jackson, o potencial delas sempre esteve ali, presente em todos os seus lançamentos. Após a excelente “I’m So Pretty” e a divertida “OOPSIE (My Bad)”, o NATURE surpreendeu esse ano vindo com um conceito muito mais maduro e sensual, algo que de uns tempos para cá tem ficado em falta no k-pop. Executado com muita naturalidade (no pun intended), as meninas parecem muito confortáveis no que é exigido delas em “Girls“, uma música que parece ter saído diretamente de um catálogo de rejeitadas do 9MUSES, e digo isso no melhor sentido possível. A música é obscura mas ainda assim repetitiva e gruda na cabeça, principalmente com seu refrão quase que onomatopeico e seu pós-refrão com frases deliciosas tipo “hot like chilly chilly” <3.


40. SZA – Hit Different (feat. Ty Dolla $ign)

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Essa é para as cornas de plantão que, mesmo com as massivas críticas e diversos conselhos do exército das fadas contra o machismo, ainda não superaram o chifre e estão disposta a aguentar mais um bom e velho par de cornões na cabeça. E por falar em chifre, essa sem dúvidas é uma pauta que a SZA tem muita propriedade para cantar – e é exatamente isso que ela faz em “Hit Different”, onde a gostosona do R&B entrega muitas lágrimas e um bom e velho drama de qualidade. Apostando em um rhythm and blues mais clássico porém repleto de batidinhas trap, SZA abre o seu coração vulnerável e canta sobre a não superação daquele rolinho de 2 semanas, mesclando todo seu sofrimento entre elementos da faixa junto aos vocais impecáveis da deusa racializada. O que fica de lição para a SZA é apenas aquele áudio da Márcia Fernandes gritando com algum ouvinte da Rádio Mundial (95,7FM): “PARA DE SER DOIDA!”


39. GWSN – Tweaks ~ Heavy cloud but no rain

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Conhecidas como as futuras sucessoras e herdeiras do legado do f(x), GWSN é aquele grupinho super flopado, mas cheio de estética e que serve não só conceito, mas também muito talento. “Tweaks ~ Heavy cloud but no rain” é um prato cheio para os fãs do finado f(x), com uma vibe eletrônica que mistura Pop + Disco de uma forma única e divertida. A faixa, que é produzida pelo lendário Daniel Obi Klein (responsável por “Eclipse” do LOONA), ainda se destaca pelos vocais delicados e harmônico das gatinhas ao longo da música, que se mesclam e tornam esta uma das melhores músicas de 2020. As nuvens podem estar carregadas, mas definitivamente não é um problema para esse grupo, que se depender dos 4 fãs vai se tornar o próximo f(x) e pegar Top 100 no Gaon Charts. Quer conhecer mais? Então dá PLAY no “The Keys”, último mini das meninas, que tem “BAZOOKA!”, que é outro pop perfection de qualidade para quem curte uma sonoridade mais eletrônica e dançante, mas sem perder todo conceito a aclamação.


38. fromis_9 – Feel Good (Secret Code)

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O formis_9 pode não ser o seu grupo favorito, afinal de contas você pode até não conhecer ele pois só 10 pessoas (contando com o pessoal do blog) o conhecem, mas é inegável que o tão esperado comeback das garotas depois de um ano completo compensou toda espera. “Feel Good (Secret Code)” pode não ser o que você espera de um grupo de K-pop nessa onda xexelenta de conceitos poderosos nada inovadores e repetitivos, que simplesmente são um recorte de músicas do ITZY. “Feel Good” nos remete à uma época em que girlgroups cantavam sobre bobeiras despretensiosas, em uma batida dance pop, com uma guitarrinha tocando por trás deixando o tom da faixa bem upbeat. Aliás quem aí não quer se sentir bem, não é mesmo? É sobre isso que o formis_9 quer cantar, sobre se sentir bem quando encontra o seu parceiro – e a gente ama quando o K-pop fica meio descompromissado assim, já que ninguém vem pra esse nicho procurar por seriedade demais. O refrão catchy da música, pontuado por onomatopeias mil, nos traz a lembrança de que meninas BADASS também podem querer ter os seus momentos leves e hedonistas e que, no fim das contas, lançamentos simplórios assim acabam se destacando muito mais do que o repetitivo conceito empoderado-feministão-garotas-má que anda inundando o mercado coreano o tempo todo.


37. Taylor Swift – no body, no crime (feat. HAIM)

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Evocando seu lado country, que faz bastante falta, e dando uma de Carrie Underwood, lançando a sua própria “Before He Cheats”, Taylor Swift acabou por lançar uma faixas que certamente é uma das músicas mais surpreendentemente divertidas desse ano. “no body, no crime” é uma colaboração de Taylor Swift e das irmãs HAIM, que aparecem na música basicamente para gemer no pós-refrão em harmonia (ou tocar no instrumental, sei lá, já que na verdade só uma delas canta). Ao decorrer dos 3:36 da canção, acompanhamos uma história de infidelidade se desenrolar e acabar virando uma história de assassinato. A narrativa que percorre pela letra de “no body, no crime” é muito boa e o fato de que os três refrões da música acabam todos tendo um significado diferente de acordo com o decorrer da história é extremamente criativo da parte de Swift, que escreveu a música sozinha e anda com um gás narrativo muito bem desenvolvido desde o “folklore”. É, sem dúvidas, a melhor música dentre os dois projetos que Taylor lançou esse ano.


36. GFRIEND – Labyrinth

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Por anos a carreira do GFRIEND foi meio… meh. Pontuada por momentos extremamente repetitivos, a discografia (e singlegrafia) delas variava só muito raramente – e quando variava geralmente era em busca de escolhas musicais bem equivocadas. Todo mundo está ciente de que a grande virada do grupo realmente aconteceu esse ano com o lançamento do single “Apple”, que deu um 180º na imagem do grupo, mas antes dessa maçãzinha proibida ser colhida do pomar, houve outra faixa que ajudou a pavimentar a mudança de atitude e sonoridade do grupo, a incrível “Labyrinth“, faixa-título do EP de mesmo nome e que estranhamente não foi a música de divulgação do trabalho (já que foi preterida em prol da horrorosa “Crossroads”). “Labyrinth” é uma faixa intensa que começa como um power pop e depois se transforma numa espécie de pop-rock estilizado, com um refrão urgente e um break formado por uma melodia pesada de sintetizador e momentos vocais fortes das garotas. A letra também é um prelúdio das temáticas mais misteriosas e alegóricas que o grupo veio abordando recentemente, e a música merece toda a aclamação possível por ter feito o JESUS USAVA CHANEL finalmente parar de fingir que curtia os mil remixes de “Time for the Moon Night” que o GFRIEND lançava – já que agora o material das garotas finalmente conseguiu ficar bom o suficiente para justificar a aclamação do grupo.


35. Yaeji – Waking Up Down

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Yaeji é uma gatinha coreana/novaiorquina do house que já apareceu por aqui em listas anteriores de melhores do ano. Em 2020 ela resolveu finalmente lançar um trabalho mais completo depois de experimentar um pouco com EPs e singles avulsos, e assim surgiu a deliciosa mixtape “WHAT WE DREW”, cheia de momentos surpreendentemente bons e, é claro, o house introspectivo que é o que a Yaeji faz de melhor. A faixa mais animadaça da mixtape é “WAKING UP DOWN“, uma música que ainda conserva muito da introversão da artista mas traz ela um pouquinho mais fora da concha, apostando em construções musicais mais chicletes e um instrumental que mescla o house com o miami bass e que foi feito meticulosamente mirando as pistas de dança que indiezudas nas quais a gente infelizmente não pôs os pés (assim espero) em 2020. Cantada tanto em inglês quanto em coreano, “WAKING UP DOWN” é uma faixa sobre viver um dia de cada vez, checando se você está fazendo tudo certo e se preocupando com as coisas mínimas porque, no fim das contas, viver não é mesmo uma tarefa fácil… e tem tema mais relacionável do que esse em 2020? Ouso dizer que não.


34. Kylie Minogue – Say Something

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Esse ano a Kylie resolveu investir no óbvio ao lançar um disco inspirado na disco music e apropriadamente chamado de “Disco“. A proposta deu certo, apesar de que talvez essa tenha sido uma decisão redundante em um ano em que várias outras artistas femininas investiram nesse tipo de sonoridade e com resultados melhores diante do público ou da crítica – como a Dua Lipa e a Jessie Ware, respectivamente. O primeiro single do “Disco” é a coisa menos ~disco~ que existe nele, e talvez por ter essa sensação diferenciada é que “Say Something” conseguiu se destacar tanto. A faixa tem um ou outro elemento em sua construção que remete realmente à disco music, mas de resto ela parece uma elaboração bastante inteligente por cima de alguma faixa do álbum “Ta-dah” do Scissor Sisters e também uma junção de várias ideias entrecortadas que encontraram um lugar confortável ao serem agregadas em uma única canção. O desenvolvimento da música é lânguido, meio progressivo, e ela guarda surpresas em cada parte, como os momentos instrumentais borbulhantes, vocais de fundo sussurrantes que surgem sem aviso prévio e até um refrão que quase chega a acontecer mas nunca acontece de verdade – e é substituído por outras milhares de ideias do que pode ser um refrão de fato na música. “Say Something” foi, em suma, a Kylie brincando com possibilidades musicais e trazendo finalmente algo animador diante do tanto de faixas meramente regulares que ela colocou na praça nos últimos tempos.


33. Megan Thee Stallion – Don’t Stop (feat. Young Thug)

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Em um ano onde a mais nova musa do rap brilhou muito, “Don’t Stop” acabou sendo um dos seus melhores lançamentos. Com uma produção muito mais eletrônica que suas outras músicas, inspirado na música industrial, como disse a própria rapper, “Don’t Stop” soa como um remix PC Music/hyperpop de seu próprio material e isso é incrível. Com seu rap afiado e inteligente e seu carisma transbordando durante a faixa, Megan acaba fazendo de Don’t Stop uma experiência muito prazerosa em seus poucos 3 minutos. O som de glitch que percorre durante boa parte do instrumental só ajuda a elevar a faixa a um nível máximo e prova como Megan consegue ser uma artista versátil sem precisar fugir de sua própria identidade. É um certified bop e uma das melhores faixas de seu álbum de estúdio e certamente mereceu o status de ter sido single.


32. Lee Suhyun – Alien

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Será que você é um “Alien”? Sim, você é um Alien! E todos vivemos no mesmo planetinha que a gatinha e-girl mais injustiçada e residente dos calabouços da YG Entertainment. Lee Suhyun é a irmã mais bem sucedida do duo AKMU, cheia de estilo e dona de uma das vozes mais doces e angelicais da Coreia do Sul. A gatinha entregou uma das melhores faixas do ano, deixando o BLACKPINK e a Somi chocados com o talento e o bom senso do irmão que faz uns bicos de compositor para a YG e outros artistas. Embarque nessa nave com a gente e divirta-se com essa faixa super gostosinha, cheia de batidinhas disco que se misturam com os vocais perfeitos da gata. Pontos altos para o MV e toda a divulgação por trás desse primeiro single: a própria Suhyun colocou a mão na massa e trabalhou duro para divulgar o hino. Já os pontos baixos são a falta de apoio da própria YG e dos coreanos que se negaram a viajar para outro planeta e decidiram ficar aqui na terra e se arriscar pegando o coronavírus.


31. Rico Nasty – IPHONE

2020 foi meio que o ano do hyperpop. Os atos desse gênero começaram a ter muito mais reconhecimento com os últimos álbuns da Charli XCX (totalmente formulado pelas sonoridades e produtores de hyperpop) e A.G. Cook, além também do boom de popularidade do 100 gecs. “IPHONE“, da rapper gostosona e avant-garde Rico Nasty, é um dos ótimos subprodutos do gênero, misturando ele com o rap violento da artista e com elementos do synthpop e do trap. A faixa é justamente produzida pelo Dylan Brady do 100 gecs e traz um ótimo equilíbrio entre refrões e ganchos descaradamente pop e grudentos com raps rápidos ou mais espaçados, distorções vocais, linhas de sintetizador cortantes e uma bateria forte e em energia alta. A letra, com o título sugere, lida com um pouco dessa dimensão de relacionamento no âmbito real-virtual, mas sem grandes exageros temáticos e servindo meramente como veículo para embalar a sensação de hedonismo extremo (e extremamente estilizado) que a música exala.


30. Ariana Grande – safety net (feat. Ty Dolla $ign)

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Muitos podem dizer que o álbum “positions” da princesinha ex-act Ariana Grande é algo similar a uma playlist de alarmes de celular da Samsung, mas é old que essa narrativa só é sustentada por uma minoria de gayzudos desempregados com inveja da pequena gigante dos streams. O álbum pode não ser seu copo de chá, o gênero talvez não seja pra você, as músicas podem soar praticamente iguais, mas é inegável que “safety net” com participação do rapper Ty Dolla $ign é maravilhosa e um dos pontos altos da carreira da Ari nos últimos anos. A música que fala sobre estar saindo da zona de conforto para confessar seus sentimentos, e desenvolve esse tema através de fortes influências trap e R&B. Embora não seja na mesma agitação de outras músicas da mesma safra, “safety net” ganha espaço exatamente por ser um respiro nas repetições do “positions” e, além de tudo, ela também é uma R&B perfection, algo que é sempre bem vindo na discografia da irmã do icônico Frankie Grande.


29. Shygirl – SLIME

Se você quer se sentir uma safadona completamente obscena, com seu harness de couro e seu chicote na mão, “SLIME” é a pedida perfeita para você. Shygirl é um cruzamento das melhores referências R&B dos 00s, e do eurodance noventista, uma gata desbocada e que lançou um dos melhores EPs desse ano, o “ALIAS”. “SLIME” mostra como a gatinha sabe se portar como uma grande fodona do rap, e ainda assim servir versos um tanto provocativos em um ritmo falado, não convencional. Shygirl é da mesma bolha que nomes como Charli XCX, Dorian Electra e A.G. Cook, mais uma criança do hyperpop, servindo música pop com batidão que deixa qualquer um contagiado. Em “SLIME”, produzida pela SOPHIE aliás, ela se certifica de mostrar como ela é o futuro da música com seu pop sujo, divertido, autenticamente empoderador e sem medo do ban, uma baixaria em inglês que a gente gosta e acha descolado. E toda esse “dirty pop” que Shygirl constrói na sua faixa, sampleando batidas noventistas de eurodance, dialoga diretamente com a composição que narra uma história de uma trabalhadora da noite, onde a rapper repete durante o refrão “ela é para as ruas, vadia”. Todo o projeto do seu EP, “ALIAS”, é baseado na personalidade marcante da artista, que constrói sua sonoridade sabendo exatamente o que ela quer. É quase como uma marca registrada sem cartório – “SLIME” nos dá a certeza de que se ouvirmos alguma música com batidas pesadas, letras profanas e uma estética pecadora, saberemos que é uma original da Shygirl. 


28. Aly & AJ – Attack of Panic

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No lado mais experimental da carreira da dupla Aly & AJ (amplamente aclamadas aqui no JESUS USAVA CHANEL por seus serviços ao teen pop e seu desenvolvimento em prol de um som mais maduro durante os últimos anos), “Attack of Panic” é uma música extremamente caótica, no bom sentido da coisa. Aqui, as irmãs descrevem o sentimento literal de um ataque de pânico, seus efeitos e como isso repercute na vida de uma pessoa, acompanhado do som de um sintetizador eletrônico, com batidas muito mais pesadas do que o som que elas fizeram nos seus dois EPs lançados recentemente (Ten Years e Sanctuary), que remetem bastante a música industrial e o synthwave. A música é ousada e funciona muito bem com sua proposta diferenciada e é uma ótima maneira das meninas se libertarem de seus anseios e de você ouvintezinho comum começar a se interessar pelo trabalho delas.


27. CHUNGHA – Stay Tonight

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Em uma longa jornada de pre-releases e releases que culminaria em seu primeiro álbum completo, Chungha passou 2020 inteiro na promessa, pegou COVID e não lançou esse bendito trabalho. Os singles “Stay Tonight” e “Play” são dois polos completamente diferentes. Enquanto uma é boa, a outra é completamente tenebrosa, forçada e puxa o tom vocal irritante que os produtores obrigavam Chungha a usar no começo de sua carreira. E claro que como não apoiamos sul-coreanos tentando ser latinos, vamos falar do que é realmente bom: “Stay Tonight”. Repetindo os acertos do ano de 2019, Chungha seguiu seu legado de continuar como uma das melhores solistas da Coreia do Sul ao soltar, no meio de um ano caótico, uma rala cuceta no chão para todos os boiolinhas quebradores de quarentena sul-coreanos. Stay Tonight é um house delicioso, com um refrão viciante e um break que basicamente te pega pela mão pra sair fazendo vogue pela casa. A faixa que consagrou a solista como uma verdadeira dinda dos gays, configura também a primeira vez que a gatinha foi direto no house dos anos 90 como forte referência. Certamente Chungha ainda brilhará muito na sua carreira, mas é como se ela pouco a pouco fosse se tornando uma nova Um Jung Hwa. Se cuida véia que a tua coroa tá ameaçada.


26. Arca – KLK (feat. Rosalía)

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É old que o KiCk I é um dos melhores lançamentos do ano. Nesse álbum tivemos o prazer de ver Arca contaminando o genérico com seu talento e a sua visão futurista do que uma música pode ser e até onde ela pode chegar. De todas as faixas lançadas, acredito que o maior destaque vai para sua colaboração tão esperada com a queridinha dos alternativos, farofeiros e reggaetoneiros, a latina honorária Rosalía. As duas empoderadas gritam aos quatro cantos sobre viverem como elas sempre queriam em “KLK” – uma brincadeira fonética com a expressão “que lo qué?”, que também significa um simples “e aí mona qual o babado?”. “KLK” está nessa lista exatamente pelo poder de convergência e contágio que Arca tem enquanto artista. A base da faixa é puramente um reggaeton, mas todos os elementos a seu redor fazem com que “KLK” seja muito mais do que isso, uma música pop que une o “ser comercial” com o “ser experimental”. Ela detém energia, ela une os vocais complementares de Rosalía e Arca, com as duas falando frases aleatórias ao longo dela, como se KLK fosse uma forma de manifesto da juventude – de fazer o que quiser e ser uma gatinha empoderada, bem ninfeta, bem safada.


25. ITZY – WANNABE

Quando a gente fala “Wannabe” no mundo da música, geralmente é porque estamos falando de um dos maiores hits do século passado das Spice Girls. Mas isso teve um ponto final. O ITZY, terroooooor do BLACKPINK, lançou no comecinho desse ano doido uma outra “WANNABE”. A faixa é um dance pop gostoso, “guitarrado”, com um refrão extremamente cativante e um break perfeito. O ITZY debutou em 2019, com uma música de tema parecido, e em 2020 elas continuam na agenda de empoderamento delas para adolescentes sul-coreanos. “WANNABE” do ITZY é a irmã gêmea malvada de “Wannabe” das Spice Girls. Enquanto as duas falam sobre empoderamento feminino – uma bem precursora para sua época -, elas tem a grande diferenciação em seu gênero. O pop noventista de Wannabe das Spice Girls não passa nem perto de WANNABE do ITZY. As cinco páginas do livro “Pare de Se odiar” da Alexandrismos deixariam o grupo lendário dos anos noventa orgulhoso pelo legado do nome, pois a música é um pedido para que as pessoas sejam como elas são, convidando todo mundo a tascar um belo foda-se para as críticas. Claro que tudo isso foi feito com os vocais deliciosos das meninas e os versos não-convencionais das músicas delas, que são quase falados, entrecortados e engolidos por instrumentais estridentes e bem in-your-face. Bom, após essa equação no texto acima, conclui-se que ITZY = novas Spice Girls, refutável apenas com outra fórmula matemática que traga uma contraprova.


24. Yukika – Soul Lady

A Yukika é uma gatinha japonesa que está tentando ter o seu grande momento no mercado coreano (que anda bem mais interessante que o mercado japonês, né?), e como sabemos que o Japão e Coreia possuem as suas tensões desde que o mundo é mundo, a artista não pensou duas vezes antes de se jogar na ideia de que ela é coreana SIM… nada mais do que uma garota de Seul. E assim surgiu a faixa “Soul Lady“, que em hangul pode ser lida como “Seoul Lady” e é a faixa-título do muito bem vindo álbum de estreia da garota. Apesar de se jogar de vez na ideia de que tem cidadania coreana e que as tensões bélicas Japão x Coreia são coisa do passado, Yukika é conhecida por requentar as sonoridades do japonesíssimo gênero City Pop, o que não é diferente nessa faixa, que é um número retrô saído diretamente dos vinis e fitas cassetes japoneses dos anos 80, com uma produção que lembra as músicas do Tatsuro Yamashita e uma composição e trabalho vocal remetendo a grandes idols oitentistas japonesas como Momoko Kikuchi ou Seiko Matsuda.


23. Park Hye Jin – Like This

Seguindo os passos de grandes nomes na cena eletrônica coreana como Peggy Gou, CIFIKA e Yaeji, Park Hye Jin vem ganhando destaque e chamando atenção de vários viadinhos tekadores ao redor do mundo, e não satisfeita com tamanha ascensão, a gatinha decidiu entregar uma das melhores dance tracks do ano, deixando a DJ e Socialite Paris Hilton no chinelo. Com uma pegada de house acompanhada de várias batidinhas certeiras e chiquérrimas, a gata serve em “Like This” um dance/eletrônico perfection e feito diretamente para você, que é um gayzinho padrão de apartamento assim como a cacura do @gwenxtefani, chapar e achar que está na primeira fila algum desfile famoso da Chanel, YSL, Balenciaga ou até mesmo da C&A. Sendo totalmente independente, a gatinha faz o próprio som e ainda produz os próprios vídeos, uma verdadeira millennial multitask que vem crescendo e se destacando ao lado das maiores madrinhas da pista de dança. E aí? Pronto para alimentar mais uma artista coreana? Então dá o PLAY nessa música na playlistzona lá no fim do post pra finalizar o seu ano com chave de ouro.


23. STAYC – SO BAD

Quando ninguém esperava, os produtores Black Eyed Pilseung soltaram basicamente um dos melhores debuts de girlgroups dessa década. O STAYC tem tudo que um girlgroup de K-pop deve ter, principalmente pelo talento das meninas – algo que já vinha chamando a atenção desde que elas começaram a lançar covers online. E com a música de debut não poderia ser diferente. “SO BAD” é cheia de maneirismos do K-pop da década passada, nos remete a produções do BraveBrothers e MonoTree. É uma junção das melhores referências posta na mesa de uma maneira bem direta. Com um refrão catchy, versos interessantes e um rap bastante gostoso de acompanhar, as gatinhas do STAYC soltaram o verbo na faixa e vocais que deram inveja em muitas. Sem contar que o grupo em si já é interessantíssimo pelos tons graves das caminhoneiras que compõe ele. Certamente “SO BAD” inicia uma nova era de lançamentos sul-coreanos, e esperamos que continuemos nessas produções genuínas, onde cada grupo consegue brilhar com sua própria luz e não em dejetos de grupos grandes – que nem são tão bons assim.


21. Bree Runway – Little Nokia

A energia de rockstar de Bree Runway tem trazido à ela cada vez mais reconhecimento no mundo da música, e nós do JESUS USAVA CHANEL achamos que o big break da gata está próximo (já recomendamos ela aqui num post muito legal, por sinal). “Little Nokia” é quase que uma Telephone pt 3 que a Lady Gaga não nos serviu e nunca nos servirá. O pancadão da música traz toda uma energia que nos remete a nomes como SOPHIE e Missy Elliot – que aparece como influência ainda mais clara nos versos. Toda a energia caótica da música traduz claramente o que Bree sente enquanto nesse relacionamento com o cara que só a procura para um sexo a nível “divino”. Com um refrão viciante, cheia de detalhes enriquecedores para os replay-players e uma guitarra rasgando no fundo, Bree Runway passa dois minutos sendo uma bucetuda decidida a jogar esse bofe no lixo e dar um #fecho nele com muita classe, é claro. E é essa energia que devemos levar para 2021, girlies.


20. WJSN – Pantomime

O WJSN já tem o seu próprio estilo bem demarcado no K-pop, lançando sempre músicas que são ao mesmo tempo dançantes e meio soft, com instrumentais eletrônicos inspirados pela house music mas que ainda assim encontram harmoniosamente elementos de um K-pop nostálgico. Muitos grupos, como o IZ*ONE, GWSN e até o Lovelyz recentemente tentaram uma abordagem parecida com o som do WJSN, mas ninguém trabalha tão bem essa sonoridade quanto as garotas cósmicas e seus produtores. “Pantomime” é como se fosse o ápice criativo dessa lane sonora do WJSN, uma viagem dançante e onírica, cheia de modificações de percurso que poderiam facilmente dar à canção a alcunha de “Bohemian Rhapsody do K-pop” (chocando “I Got a Boy” do SNSD). A música vai crescendo gradativamente até desembocar num refrão misterioso mas bastante grudento – e daí pra frente vai mudando de refrão, e mudando de novo, até virar meio que duas faixas em uma só, porém de uma forma extremamente coesa. A letra brinca com elementos teatrais, fantasiosos e narrativos para contar a história de dois amantes que estão predestinados a ficar juntos como se o destino fosse na verdade um grande teatro de fantoches, criando cenas elaboradas e um novo conto de fadas dentro da música em si.


19. LOVELYZ – Dream in a dream

Com uma atmosfera creepy, embora a música seja bastante animada, “Dream in a dream” é uma excelente adição ao catálogo de músicas do Lovelyz e também uma das b-sides do k-pop mais legais desse ano, contando com uma produção all over the place que funciona perfeitamente. Descrita pelas integrantes como “um pesadelo divertido” (e elas acertaram muito bem nessa descrição… estaremos contratando elas para o JU2C em breve), “Dream in a dream” possui um dos refrões mais agitados do k-pop desse ano, embalado com versos mais calmos, pontuados com os mais diversos sons, desde elementos de 8-bit até o som de caixas de música. A explosão na bridge e a transição para o refrão final são um deleite, pois acabam dando ainda mais dimensões à música (que já é complexa), especialmente com as high notes extremamente agudas e bem executadas das integrantes Sujeong e Babysoul. A música é prova de que o grupo é muito maior do que o que foi visto no QUEENDOM, que quase manchou a reputação de sua carreira por completo enquanto catapultou a carreira de outros grupos que andaram lançando coisas bem menos interessantes.


18. Sunmi – Pporappippam

2020 foi um ano muito bom para a carreira da Sunmi, mesmo que ela tenha continuado a lançar músicas num esquema de conta-gotas (cadê o álbum novo dessa mulher?). Além de ter lançado o ótimo dueto “When We Disco” com a cacura JYP (que não rankeou no nosso Top 50, mas com certeza rankearia em alguma posição no nosso Top 100 caso tivéssemos tempo livre pra fazer uma lista tão extensa), a gata trouxe o pop perfection em sua melhor forma com o single “PPorappippam“. Depois de ter se arriscado em uma sonoridade diferente na injustiçada “Lalalay“, aqui a Sunmi resolveu investir em um pop nostálgico mais safe, porém ainda assim cheio de méritos e pontos positivos. Dentre as várias faixas emulando o City Pop que surgiram no mercado sul-coreano, “Pporappippam” é a que mais foi bem-sucedida exatamente por não tentar emular o gênero tão literalmente, já que ela tenta na verdade traduzir o gênero para os dias atuais, reformulando ele e transformando seus elementos em uma coisa própria. Isso culminou em uma faixa funky leve e que soa como uma brisa de ar fresco no caótico e enclausurado verão de 2020, trazendo uma construção de versos misteriosos que culminam em um refrão singelo mais cheio de entrega, além de ótimas intermissões de instrumentos como um inesperado e suave solo de guitarrana metade da música.


17. APRIL – LALALILALA

O April sempre foi um grupo com uma carreira extremamente bagunçada e nada coesa, algo que é até bastante comum para grupos que debutaram em 2014-2016, um período que eu considero de transição para o kpop (pois foi quando os grandes nomes atuais da cena estavam começando a surgir). As meninas sofreram bastante com mudanças de line-up e falta de comeback por um tempo, até que do nada a integrante Naeun ficou famosa e a DSP resolveu fazer algo que deveria ter feito há anos: limpar o catálogo de demos do KARA e dar para o APRIL. Com “LALALILALA“, o grupo continua em seu crescimento e amadurecimento de som e estética, se aproximando muito do som que o KARA fazia. Finalmente fazendo valer a pena o título de irmãs mais novas do KARA (e consequentemente do Rainbow), o APRIL surpreendeu muito com uma das faixas mais gostosas do ano e com um dos refrões mais legais também. O fato de que “LALALILALA” foi o maior sucesso do grupo só prova que o público sente falta desse tipo música e que precisamos de grupos que convençam quando lançam esse tipo de material – e, surpreendentemente, o APRIL é um desses e esperamos por mais hits assim no futuro do grupo.


16. Dua Lipa – Levitating

Querem levitar? A fada sensata te ensina como! É mais do que old para todos que a Manu Gavassi do Kosovo/Reino Unido lançou um dos melhores álbums desse singelo ano azarado. O “Future Nostalgia” é cheio de bops, rico em influências e, principalmente, cheio de composições chiclete que ainda vão grudar nos nossos ouvidos por um tempão. O álbum que quer transportar o passado para o futuro (ou presente), traz grandes influências da música dance, e da música disco dos anos 70, com faixas que poderiam ser hits atemporais de tão clássicas. “Levitating” é uma dessas faixas. A música que fala sobre levitar como metáfora para a sensação de que aquele seu crushzinho faz você ter, conta com um refrão extremamente viciante, e Dua Lipa na sua melhor forma, encarando com seriedade o fato de ser uma popstar e, ao menos por enquanto, a popstar mais quente do momento. Uma pena não termos conseguido levitar em algum clube em 2020, afinal não somos The Weekeiras e não apoiamos a aglomeração – a Dua Lipa apoia. 


15. Kali Uchis – quiero sentirme bien

Se tem uma coisa que todo gay quer é se sentir bem, né? E como mamacita de todos os viadinhos latinos, Kali Uchis agracia todos da melhor maneira possível e entrega uma das melhores tracks do ano em “quiero sentirme bien“, juntamente com o seu segundo álbum de estúdio “Sin Miedo”, proporcionando uma das melhores experiências de 2020. Cheia de questionamentos e dúvidas sobre como seria viver uma vida tranquila nas montanhas, longe de tudo e de todos, Kali traz uma mistura de jazz colombiano + reggaeton, acompanhado de backing vocals que te levam para outra dimensão, fazendo com que você seja absorvido para dentro da música de uma forma suave e deliciosa. “quiero sentirme bien” reflete o ano de 2020 da melhor maneira possível, e nos joga nua reflexão de que, no fim, não somos nada de muito relevante e por isso devemos aproveitar a vida da melhor maneira possível. E aí? Pronto para bolar aquele beckzinho de leve e se sentir bem?


14. Allie X – Susie Save Your Love (feat. Mitski)

Ninguém deu atenção, mas no início de 2020 a Allie X lançou aquele que virou um dos álbuns mais legais desse ano, o subestimado “Cape God”. Repleto de bons momentos, o álbum nos presenteou com aquilo que também é uma das melhores faixas do ano – pelo menos para o JESUS USAVA CHANEL, um blog muito mais cheio de discernimento do que qualquer outro veículo musical em atuação atualmente. A faixa em questão é “Susie Save Your Love“, colaboração da artista com a sempre muito aclamada Mitski. A música é um indie pop em tempo médio e com um ar retrô, pontuado por um baixo bem presente e intermissões de sintetizadores, trazendo uma letra que é basicamente um exercício em narrativa, além de uma boa dinâmica/química das duas cantoras em versos declamados e um refrão feito para ser cantado junto – e é difícil pontuar um momento mais legal na música pop esse ano do que a parte em que a Mitski começa a cantar seu verso e bate uma sensação divertida de entusiasmo e alegria em vê-la participando de uma colaboração tão inusitada mas tão certa.


13. Cardi B & Megan Thee Stallion – WAP

No ano em que todos estavam prestando atenção nos lançamentos musicais e no que cada artista faria – afinal, estávamos todos trancados em casa sem muita coisa pra fazer -, Cardi B, a principal responsável pelo meme “corona virus, this shit is real”, resolveu que faria o seu retorno. Goste ou não da corna mais famosa dos Estados Unidos, a verdade é que “WAP“, mesmo com todos os seus problemas, conseguiu ser uma das melhores músicas do ano pela sua sinceridade e pela sua grande coragem de não se desculpar pelo que fala #unapologeticbitch. Claro que em um ano completamente polarizado, uma faixa tão unapologetic teria um grande destaque, e a adição da revelação do rap, Megan Thee Stallion, não seria diferente. A cavalona da indústria serviu os melhores versos, sendo nua e crua com o público, e foi isso que realmente conquistou todos os seus ouvintes. A coragem de falar EU PRECISO DE UM PAUZÃO QUE ME ENGASGUE transformou Cardi B e Megan Thee Stallion em grande porta-vozes de todos os indivíduos que não transaram desde o início da pandemia (alguns do blog, inclusive) e continuam desesperados até hoje. Talvez isso não tenha chocado você, leitor do JU2C e usuário do twitter, mas é só pelo fato de vocês serem completamente baixas 24 horas por dia, o que torna “WAP” apenas mais uma música normal em um dia normal para as menos puritanas!


12. Christine And the Queens – La Vita Nuova (feat. Caroline Polachek)

As sapatões foram poderosíssimas em 2020, afinal, elas não aglomeram pois não precisam sair para flertar devido ao fato de que contam com um extenso networking de esqueminhas amorosos. Mas uma sapatão que aglomerou (antes da pandemia, pelo menos) em 2020 foi a Christine And the Queens, que chamou a miss covid-19 Caroline Polachek pra formular um pop perfection vampiresco e oitentista na incrível faixa “La Vita Nuova“, faixa título do EP que a gata lançou no início desse ano. Com uma ótima dinâmica entre as artistas – os vocais airy da Christine complementam com naturalidade a voz mais profunda e ressonante da Caroline -, a música traz inspiração no trabalho do poeta Dante (sim, de A Divina Comédia), e por isso é cantada tanto em inglês quanto em italiano, contando uma história de amor avassalador e tensão sexual diretamente inspirada pelo livro “Vita Nuova” – mas não deixando de ser uma faixa extremamente pop e contagiante apesar da inspiração rebuscada.


11. Róisín Murphy – We Got Together

Falamos muito nessa lista sobre a ironia que foi a inundação de discos de dance music lançados em um ano onde ninguém pôde de fato sair para dançar sem ser chamado de Terror da OMS ou virar um possível foco de matança de avós. O fato é que nenhuma das artistas desse seleto grupo teve um álbum tão meticulosamente engenhado para ser tocado do início ao fim nas pistas de dança por aí do que a Róisín Murphy no seu frenético “Róisín Machine”. A epítome do disco é “We Got Together“, um épico dançante de 5 minutos que parece ter saído direto de alguma playlist de deep house cru dos anos 90 ou, mais especificamente, saído diretamente do set de algum DJ que botava os club kids pra dançar freneticamente sob influência de ecstasy em alguma boate xexelenta do Peter Gatien. Com uma letra repetitiva e descompromissada, Róisín incorpora o melhor da Grace Jones em seus vocais e se desenvolve entrecortada e sampleada por cima de um instrumental com doses potentes de fritação e uma produção reverberante mas sólida.


10. LOONA – Voice/Star

O LOONA teve um ano polarizante, cheio de faixas “ame ou odeie”, mas o fato é que elas agraciaram demais o público com um dos discos de K-pop mais redondinhos de vinte-vinte, o simpático “12:00”. Junto com o disco, ganhamos uma faixa secundária em duas versões, “Voice” para a contraparte coreana e “Star” para a contraparte anglófona. “Voice/Star” foi uma das canções de divulgação dessa era do grupo e com certeza é o ponto alto musical das garotas nos últimos anos, trazendo um synthpop retrô mas bastante “onírico”, carregado daquela sensação de “cosmicidade” (por falta de outra palavra melhor) que tem muito a ver com a energia do LOONA e que é geralmente o que o público espera do grupo sonoramente. Com uma boa divisão de partes, um bom trabalho vocal e uma letra extremamente interessante – nas duas versões, mas aqui eu destacaria a fluidez interessante da versão em inglês e seu refrão fofíssimo que inicia com “starlight, starlight” -, a faixa nos fez recuperar um pouco a esperança quase perdida no grupo e com certeza trouxe de volta um pouco daquele ar musical interessante que o LOONA desenvolveu nos primeiros anos do projeto.


9. Little Mix – Sweet Melody

Falando em grupos femininos nos quais o público quase perdeu a fé, o Little Mix andou em baixa nos últimos tempos, inclusive no início de toda a fase promocional do álbum mais recente das garotas, o “Confetti”, que não convenceu muito com singles medianos como “Break Up Song” e “Holiday”. Eis que, no momento certo, o grupo deu uma virada de 180º em sua sequência de lançamentos mornos com o inesperado single “Sweet Melody“. A canção é um número pulsante, uma farofinha feita com esmero por um dos produtores pop mais competentes do mercado e colaborador frequente do Little Mix, o MNEK. Nessa pulsação toda, temos espaço para um refrão singalong, versos espaçados e sensuais, harmonias bem colocadas e construções musicais “onomatopeicas” que dialogam diretamente com o instrumental como poucas canções fazem. Não bastasse tudo isso, a magia da canção surge especialmente pela sua letra, que cria uma narrativa #relatable de amor e decepção com metáforas musicais on point.


8. Charli XCX – forever

A Charli XCX foi provavelmente a primeira artista decentemente conhecida a se jogar na ideia de criar um cd colaborativo durante a quarentena que assolou 2020. Trancada em casa, a gatinha requentou umas demos, chamou os migos da PC Music pra sessões de escrita via Zoom e requentou alguns beats mandados pra ela por produtores diversos para criar o ótimo “how i’m feeling now”, que é meio que o álbum definitivo da pandemia sem pensar duas vezes. No meio desse cd meio frenético e reflexivo ao mesmo tempo, temos o incrível primeiro single “forever“, que possui essas duas características de forma maximizada. A canção é uma música de fim de relacionamento bem sensível, cheia de pesar e um sentimento que mescla um pouco de decepção com uma noção otimista de que, mesmo com o término, ela vai continuar amando a pessoa eternamente do seu próprio jeito. Pra deixar essa temática mais interessante, temos um instrumental alto, barulhento e eletronicamente viajado produzido pelo A.G. Cook que dá um upgrade enorme em “forever” – de mera faixa de término para um acontecimento pop reverberante e arrepiante, provando que a robótica do hyperpop também pode evocar o emocional.


7. Chloe x Halle – Ungodly Hour

Não tem para mais ninguém, pois sem dúvidas o ano de 2020 foi carregado nas costas pelas gêmeas da Beyoncé. Sim, porque além de filhas da Queen B, as dindas ficaram conhecidíssimas aqui no Brasil como sucessoras naturais de outro duo muito famoso na nossa terrinha, as queridíssimas irmãs Pepê e Neném. E além de serem as favoritas de vários viadinhos ao redor do mundo, elas nos agraciaram não só com uma das melhores faixas do ano, mas também com um dos melhores álbuns de 2020. “Ungodly Hour” é muito mais do que apenas uma faixa do disco, é também uma obra de arte sonora. Com uma pegada clássica e moderna de R&B, a música se destaca pelas batidas e pelo seu crescimento acústico do início até o fim. Além disso os vocais são um dos pontos altos desse trabalho muito bem feito – Chloe e Halle podem não ser gêmeas e possuírem diferentes tipos de personalidade, assim como habilidades vocais, mas juntas elas conseguem expressar harmonicamente suas particularidades e excelência. Não é à toa que as gatinhas abocanharam três indicações ao Grammy deste ano, incluindo a de Melhor Álbum de R&B Progressivo, e concorrendo na mesma categoria que a madrinha Beyoncé. É talento que vocês querem? Então solta o PLAY e curte esse R&B gostosinho e perfeito para colocar aquele boy lixo no lugar dele (a milésima música de #fecho dessa lista), e que fique de lição para a cacura do @gwenxtefani que ex bom é ex morto.


6. Lady Gaga – Replay

A era Chromatica foi uma das coisas mais indiscutivelmente polarizantes desse ano, já que há quem ame ou odeie tudo o que envolve esse lançamento e o disco aconteceu e desaconteceu várias vezes, atordoando um pouco o público e a própria fanbase da Lady Gaga. O fato é: a narigudinha nos serviu com um trabalho meio simplório mas ainda assim cheio de números dançantes com um charme bem particular – e ouso dizer que várias músicas do Chromy poderiam ter aparecido aqui nessa lista e só não apareceram porque prezamos por um ranking diversificado e sem grandes favoritismos em relação a essa mulher que é a maior artista pop viva (brincs). A escolha do JESUS USAVA CHANEL acabou sendo “Replay“, uma faixa bem subestimada do “Chromatica” (talvez por por vir quase no final dele e em uma posição desprivilegiada), mas que provou pouco a pouco ser o pedaço mais suculento desse prolapso cromático cyberpunk que é o disco. Construída por cima de um inteligente sample instrumental de “It’s My House” da Diana Ross, a música é um house dançante e meio obscuro que narra uma conversa da gaga com ela mesma em uma reflexão meio pesada sobre gatilhos mentais e atitudes psicologicamente afetadas (ainda escondendo easter eggs curiosos sobre como a artista enxerga a sua própria persona profissional em trechos como “your monsters toture me”). Apesar da temática, é uma faixa irresistivelmente pop e imediata, muito bem servida dos vocais da gaga em sua melhor forma.


5. Apink – Dumhdurum

Eu exijo justiça por “Duhmdurum” pois esta música deveria estar em uma posição muito mais alta neste ranking e espero que todos concordem. A questão é que essa lista do JESUS USAVA CHANEL é feita por votação e alguns integrantes do blog simplesmente não apreciam a ARTE incontestavelmente no nível divino/perfeito do Apink o suficiente. O Apink vem servindo, ano após ano, as melhores faixas do K-pop – e em 2020 isso não foi diferente com o lançamento de “Dumhdurum”, um pop com ares de melancolia mas que mistura isso com uma atitude animada e uma produção instrumental sofisticada e classuda. As garotas, que passaram boa parte da carreira cantando sobre primeiro amor e bobeiras desse tipo, agora elencam sempre temas um pouco mais fora da curva dentre as letras de canções do K-pop, e aqui elas falam sobre aquela sensação de medo ou nervosismo que surge quando você está deixando para trás alguém que você já amou, um misto de vontade de superar a situação, fingimento de que está tudo bem e uma inundação desconfortável de sentimentos conflitantes de amor e desprezo. A melodia principal da música aliás, um sintetizadorzinho insistente e muito bem colocado entre os refrões, é o trecho musical mais grudento desse ano e consegue dar uma identidade extremamente própria à faixa, que com certeza é o melhor momento do Apink nesses 10 anos de carreira do grupo (uma marca notável de se chegar, ainda mais com esse nível de qualidade).


4. Rina Sawayama – XS

Dum dum dum dum dum. Quando começou a entrar no radar do público em 2017 com o seu lendário EP “Rina”, a Rina Sawayama trazia uma singularidade que era a sua forma de reutilizar ritmos do início da década de 2000, com músicas que poderiam ter sido facilmente produzidas por figurões da época como Max Martin ou The Neptunes/Pharrell Williams caso eles tivessem um pouco mais de ousadia sonora. Com o lançamento do álbum de estreia da gata nippo-britânica, ela abraçou novos gêneros musicais e abandonou um pouco essa abordagem… menos em uma faixa: a inesperada e grudenta “XS”. A construção instrumental de “XS” é diretamente inspirada pelo pop/R&B da virada do milênio, com elementos facilmente encontrados em clássicos da época como “Bills, Bills, Bills” das Destiny’s Child, “Overprotected” da Britney Spears ou “Valenti” da BoA, juntando tudo isso com uma roupagem mais contemporânea e um elementos surpresa no meio – riffs pesados de guitarra que aparecem sempre nas viradas de seção da música. Como a Rina não é limitada apenas a sons muito bons, ela também serve aqui uma letra muito boa, que parodia e ironiza o consumo desenfreado e aquela necessidade pungente e cada vez mais constante que a gente sente – ou demanda – de ter tudo. Se a ruína do capitalismo vier aí no próximo ano, a gente já sabe bem quem foi a responsável por isso.


3. Jessie Ware – Ooh La La

A Jessie Ware foi, para muitos, a grande descoberta de 2020. Tudo bem que a gata já tinha uma boa bagagem de discos (ouçam o Glasshouse!!), mas nenhum chamou tanto a atenção do público lgbtzinho como o “What’s Your Pleasure”, o quarto álbum dela que saiu na metade desse ano. De forma totalmente não-surpreendente, o JESUS USAVA CHANEL, que está sempre à frente das tendências, apresentou a Jessie no blog antes desse big break dela com os gays, e essa apresentação se deu justamente com essa faixa que está rankeada em #3 na nossa lista, a suculenta “Ooh La La“. Construída com claras inspirações no new wave dançante de grupos como o Blondie e com leve inspirações disco vindas direto do grupo Chic, a canção é toda formulada com um baixo presente, sons estranhos de distorções de guitarras, hits de sintetizador, cowbells e até barulhos de buzina. A Jessie decide inteligentemente não dar um destaque próprio à sua ótima voz – que consegue segurar qualquer música sozinha – e, em vez disso, opta por cantar em um coro com um bom número de backing vocals, emulando o que seria realmente um grupo feminino de new wave ou disco dos anos 80 , o que dá um sabor ainda mais nostálgico à música. A euforia causada pela faixa é até um pouco criminosa: dói demais ter que ouvir uma canção dance tão perfeitamente criada assim em um período em que simplesmente não podemos sair para dançá-la nos salões de dança mais chiquérrimos mundo afora.


2. GFRIEND – MAGO

Já falamos sobre “Labyrinth” no começo da lista, mas a música que realmente fez o GFRIEND dar aquela guinada no estilo delas e abraçar de vez o estimado posto de DINDAS dos gays não foi “Labyrinth” e nem “Apple”, mas sim a cintilante “MAGO“. Se tem uma coisa boa que a influência recente da disco music fez no K-pop, essa coisa foi a era “Walpurgis Night” do GFRIEND. As garotas simplesmente partiram de vez daquele som mais misterioso que fizeram na era “Song of the Sirens” e abraçaram um som descaradamente dançante, mas com um toque sofisticado de nostalgia muito bem viabilizado pelo ótimo produtor Frants. E se a sonoridade misteriosa ficou de lado em prol de algo mais em voga, a temática de “MAGO” ainda assim se encaixa no estilo mais soturno e alegórico que o GFRIEND começou a desenvolver nos últimos tempos, criando uma narrativa imediatista de uma noite de hedonismo pontuada por magia e #sedução. Por cima de tudo isso, ficamos extasiados com os belos vocais das gostosas desenvolvendo os versos e refrões catchy da faixa, que é “deslizante” e “maleável” – é tudo usar adjetivos assim pra descrever coisas que a gente não sabe explicar. Mesmo com todo o semblante animado da música, seus aspectos dançantes são feitos não pra você liderar a pista de dança, mas sim para dançar sozinho no seu quarto com um globo disco só para você.


1. TWICE – I CAN’T STOP ME

A metamorfose do TWICE foi uma das coisas mais interessantes de se acompanhar no K-pop. Presas em um ciclo quase interminável de músicas simpáticas e bobocas – mas extremamente redundantes – entre 2015 e 2018, o grupo abraçou com força uma amadurecida no seu conceito e sonoridade com a faixa “FANCY” em 2019 (a melhor lançada naquele ano), e continuou solidamente nesse caminho desde então. Esse amadurecimento do grupo até que encontrou alguns problemas de percurso em 2020 (como a escolha duvidosa do single “More & More”), mas tudo fez sentido depois que as garotas lançaram o seu magnum opus, o álbum “Eyes Wide Open” – e sua subsequente continuação com o single “Cry For Me”. A melhor faixa do “Eyes Wide Open” é o seu single/faixa título “I CAN’T STOP ME“, um número de synthpop que parece ter saído direto das playlists de alta rotação das rádios americanas dos anos 80. Com uma letra que relata a vontade avassaladora e culposa de se jogar de cabeça em um romance proibido , mas que pode ser lida de diversas formas – inclusive os próprios fãs tratam como se fosse uma letra extremamente dual e filosófica sobre limites e autocontrole… e eles não estão errados -, “I CAN’T STOP ME” congrega todas as qualidades do TWICE em um número carismático, extasiado e com absolutamente todas as suas partes possuindo pelo menos algum elemento bem marcante. Os gritões, ad-libs e distensões vocais absolutamente formuladas em estúdio e impossíveis de serem reproduzidas ao vivo (e quem se importa?) da música ajudam a dar um gás na interpretação dela, tornando o single no grande épico-retrô obscuro que o K-pop sempre quis ter mas nunca encontrou um grupo com cacife para lançar.


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