Os Melhores Clipes de 2020

Começando as (atrasadas) listas de fim de ano do JESUS USAVA CHANEL, não podíamos deixar de fora um dos alicerces mais importantes da indústria musical: os videoclipes. 2020 foi um ano com visuais particularmente bastante diversificados, e nós aqui do blog visamos reunir nessa lista uma boa quantidade de artistas dos mais diversos gêneros e locais do mundo que dialogam com o que o público do JU2C geralmente ouve.

E a nossa curadoria realmente congregou de tudo um pouco: desde grande produções quase hollywoodianas a clipes de orçamento de 100 dólares mas que fizeram um milagre videográfico com uma boa dose de criatividade. O que importa é o trabalho bem feito, nean? Então conecta aí o seu chromecast sua TV defasada e se prepara pra dar play nos 15 melhores clipes de 2020.


15. Luíza Sonza, Pabllo Vittar & Anitta – Modo Turbo

Nada melhor do que marcar o lançamento de um clipe com uma boa polêmica pra gerar views, não é mesmo? Foi exatamente isso que aconteceu com “Modo Turbo“, parceria da Luísa Sonza com a Pabllo Vittar e Anitta – bafafá patrocinado pela sempre incansável morena misteriosa e sua fanbase. Mas colocando as confusões à parte, o clipe trouxe as três gatas em um conceito futurista e gaymer meio Scott Pilgrim, meio Tron, meio RPG Japonês, todas com looks dignos de personagens de mangás do grupo CLAMP As artistas se jogaram cenas de ação repletas de efeitos psicodélicos de CGI que separam muito esse videoclipe de outras produções brasileiras mais simplórias e menos inspiradas, fazendo valer o alardeadíssimo orçamento de 1,5kk de reais do negócio todo.


14. 645AR – Sum Bout U (feat. FKA Twigs)

O rapper 645AR se juntou com a FKA Twigs no desconfortável hyper-hip-hop “Sum Bout U” – mas, apesar da faixa miada e de gosto um tanto duvidoso, os dois nos serviram um bem apurado conceito de sexo virtual onde a Twigs interpreta uma camgirl perdida em interfaces digitais enquanto brinca com as fantasias do público em looks elaborados e até um cosplay on-point da Asuka da franquia Neon Genesis Evangelion. É como se fosse a versão realmente bem feita de “Cyber Sex” da Doja Cat, outro clipe com uma temática parecida.


13. Katya – Ding Dong (feat. Trixie Mattel)

A Katya não precisou de muito orçamento pra fazer um dos clipes mais hipnotizantes (e aterrorizantes) desse ano. “Ding Dong” marcou o inesperado debut musical da drag com o EP “Vampire Fitness” e trouxe consigo uma produção visual cheia de referências, abrindo com uma frase de Simone de Beauvoir e passando por iconografias de grandes obras como The Rocky Horror Picture Show, Twin Peaks e Fargo (além da pontual intermissão da Trixie Mattel quotando uma frase de “O Silêncio dos Inocentes”). “Ding Dong” é uma baguncinha gostosa que exala a personalidade da Katya e congrega vários elementos da drag que já viraram marcantes na internet.


12. LOONA – So What

Em 2020 as gatinhas do LOONA resolveram virar garotas más e, para isso, precisaram de uma produção visual condizente. Se distanciando das faiscantes catalizadoras de epilepsia fotossensível que são as produções em tela verde de clipes do K-pop (e que a gente não tem absolutamente nada contra, é só que o excesso de produções do tipo saturou um pouco), “So What” trouxe o grupo em cenários abertos ou fechados grandiosos, como museus, estações de trens, topo de prédios e estacionamentos luminosos. Com uma direção impecável, as garotas se aproveitam das locações para demarcar a nova atitude do grupo, destruindo a lua e a terra (ou algo assim) no processo.


11. The Strokes – At the Door

O The Strokes presenteou o primeiro single do sexto álbum da banda com uma produção animada nostálgica e complexa. “At the Door” é um épico deprimido e eletrônico de 5 minutos que foi ilustrado visualmente com ares de animação dos anos 80, lembrando clássicos meio obscuros da época como Heavy Metal – Universo em Fantasia, A Longa Jornada e História Sem Fim. A estética complementa a música de forma sublime, trazendo aquela sensação de uma nostalgia que não é positiva e doce, mas na verdade triste e deprimente.


10. Joji – Run

Os clipes do Joji (Jorginho, para os íntimos) são sempre um show à parte e ele com certeza tem uma das videografias recentes mais invejáveis de todas. O opus visual dele esse ano foi “Run“, que traz um clipe meio claustrofóbico, em um tom de azul ofuscante, onde o Joji corre por dentro de uma limusine infinita, por um deserto escuro e depois se agarra no delicioso clichê de que foi tudo apenas um sonho.


9. NATURE – Girls (Uncensored Ver.)

Com “Girls“, o NATURE provou que são as netas das bruxas quando trouxeram uma proposta tenebrosa e um pouco inquietante para um visual daquilo que seria mais uma música comum de K-pop. Obstinadas a explorar o terror e os aspectos da beleza que existem dentro do gênero, as garotas aparecem dançando em amplos salões com um aspecto manicomial, presas em disposições de cenário fantasmagóricas e atacadas por intricadas armadilhas com pregos ou machados – talvez engenhadas por elas mesmas na narrativa.


8. Dua Lipa – Break My Heart

Para o clipe do segundo single do seu aclamado álbum “Future Nostalgia”, a Dua Lipa resolveu que ia vestir um Chanelzinho (inspirada pelo JESUS USAVA CHANEL, é claro) e se aventurar pelas maravilhas da edição digital. Essa ideia rendeu o melhor clipe da gata, “Break Your Heart“, um divertidíssimo amontoado de situações amorosas sem muito sentido ligadas por transições com técnicas meio datadas mas ainda assim altamente criativas. Além disso, o visual da coisa toda é bem apurado, comfy e casa totalmente com a vibe Loja de Departamento Tunes™ que “Break Your Heart” carrega.


7. Arca – Nonbinary

Nonbinary” é um clipe quase estático, um passeio panorâmico por cenas semi-pausadas surreais, cyberpunk e cromadas resultantes da incrível colaboração da Arca com o fotógrafo e artista 3D Frederik Heyman. E as imagens com movimentos contidos falam por si só, demonstrando o desenvolvimento interessantíssimo do uso da técnica de fotogrametria no contexto da arte e trazendo, é claro, visuais que anunciam que o futuro já está acontecendo. Ah, e não podemos esquecer da aleatoríssima mas suculenta cena da Arca discutindo com ela mesma no final.


6. SZA – Hit Different (feat. Ty Dolla $ign)

Para marcar o seu esperado (mas meio dramático) retorno ao mundo musical, a SZA lançou mão de um filtro de baixa saturação e se embrenhou no meio de um ferro velho e de uma fazenda, tudo isso com uma única missão: mostrar que ela tá servindo rosto e corpo. “Hit Different” nem precisava de muito mais do que isso para ser um clipe incrível, mas a melhor parte do negócio todo é quando ela surge no final com um dos visuais mais hipnóticos de sua carreira em uma cena intimista para um trecho da música “Good Days”, complementando toda a obra e mostrando que a autodireção do clipe foi uma escolha acertada pois a SZA sabe trabalhar bem a própria imagem.


5. Christine And the Queens – La Vita Nuova

Ao lançar o EP “La Vita Nuova“, a Christine And the Queens trouxe junto um curta-metragem feito para marcar esse momento da sua carreira com muita pompa. Os 13 minutos do visual nos surpreendem com cenários grandiosos, danças elaboradas e fantasias oníricas (como o rola doce do Félix Maritaud vestido de fauno). Tudo isso ainda é regado com altas doses de drama teatral, além de vampiros e lesbianismo – esses elementos aliás são a cereja no topo do bolo e surgem no fim com a faixa-título do EP juntamente com a Miss Covid-19 Caroline Polachek.


4. Sevdaliza – Rhode

Como a Sevdaliza consegue captar recursos para criar clipes tão incríveis sendo uma cantora extremamente desconhecida a gente não sabe, mas o fato é que esse ano a gostosa irani-holandesa juntou as parcelas do auxílio emergencial e fez o clipe de “Rhode“, uma piração audiovisual espaçada que começa em zero gravidade no espaço e termina com a Sevy (para os íntimos) trajando uma armadura e montando num touro mecânico em forma de punhal gigante e com um aspecto meio… fálico? A gente não entendeu nada mas amou mesmo assim.


3. FKA Twigs – sad day

Com “sad day”, a FKA Twigs resolveu que ia deixar a música em segundo plano para dar vasão às suas fantasias acrobáticas de luta de espadas vinda diretamente do Wushu chinês. E essa ideia deu certo, já que o resultado foi basicamente um curta-metragem de sete minutos que destaca a luta frenética – mas ao mesmo tempo sensível da artista – com o também lutador de espada (e g*stoso) Teake. Destaque para o momento onde a Twigs é partida ao meio e inunda o público com linhas de interpretação em uma das cenas mais marcantes das produções videográficas desse ano.


2. Beyoncé, Shatta Wale & Major Lazer – ALREADY

Não dá para negar que os visuais da Beyoncé andam imbatíveis nos últimos anos, e a artista maximizou isso ao lançar esse ano o filme musical “Black Is King”, um tratamento estético completo para o a trilha sonora “The Lion King: The Gift”, dissociando (felizmente) o álbum de seu filme original. Uma das melhores partes do filme é “Already“, que impressiona pela estética africana estilizada e os visuais étnico-futurísticos marcantes da Beyoncé em cenas externas ou internas pontuadas por coreografias meticulosas ou por cenários e elementos de cena surpreendentes.


1. Lady Gaga – 911

Em 2020 a Gaga logou no letterboxd e disse: “vou jogar um clipezinho arthouse pra alimentar os gays”. E assim foi feito com “911“, que trouxe o diretor Tarsem Singh (“A Cela” e “Dublê de Anjo”) usando suas influências do cinema armênio para trazer à vida as alegorias de uma intrincada fantasia psicótica e desastrosa da nossa narigudinha favorita. Inspirado por clássicos como “A Cor da Romã” e “Oito e Meio”, o clipe jogou uma faixa descaradamente pop como “911” em um conceito um tanto impensável e deu uma nova dimensão às ambições visuais “futurísticas” do álbum Chromatica, sendo, sem muita dúvida, o material visual mais interessante que a Gaga já concebeu em pelo menos sete ou oito anos.

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