As 100 Melhores Músicas da Década – Parte Final (25-#1)

Prometida para agosto, a parte final da lista de 100 MELHORES MÚSICAS DA DÉCADA DE 2010 do JESUS USAVA CHANEL finalmente está no ar /o/. Como estamos dando o kickstart na nossa temporada de listas de final de ano – que vêm aí listando melhores músicas, álbuns, acontecimentos e lançamentos no geral -, resolvemos começar por essa adiadíssima e quase esquecida lista que elenca as 25 músicas mais apetitosas da década passada.

Reafirmando isso pela última vez, gostaríamos de lembrar que essa é uma lista idealizada totalmente pelos integrantes deste blagh e obviamente ela reflete muito (!!) mais nossos gostos pessoais, vontades próprias e escolhas duvidosas do que uma possível verdade absoluta – é tudo deliberadamente decidido pelo nosso feeling musical, ok, girlies? Essa derradeiríssima parte traz como destaque: subestimadas músicas de cantoras alt-pop, girlbands defuntas, pop asiático e AQUELE synthpopzão nostálgico.

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Ansioso pra saber as posições mais agraciadas? Vamos ao ranking!

25. miss A – Hush (2013)

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Dá pra concordar que o miss A foi um grupo bem inconstante: ele nasceu como uma grande promessa da segunda geração do k-pop, já estreando com uma das faixas mais icônicas do nicho (“Bad Girl Good Girl”), mas com o tempo o hype foi sendo perdido, singles duvidosos foram sendo lançados e as pessoas por trás do gerenciamento das gatas resolveram que iam focar apenas na integrante mais gostosa: a Bae Suzy. Apesar das já citadas escolhas duvidosas de singles, o fato é que, quando o grupo acertava, ele acertava em cheio. Esse é o caso de “Hush“, faixa-título do álbum de mesmo nome lançado em 2013, que trouxe as garotas em um conceito sexy pouco óbvio: apesar das roupas de látex, o batonzão vermelho e a coreografia com dezenas de descidinhas até o chão (por vezes até molhado), “Hush” é uma música que se desenvolve de forma progressiva, toda construída com instrumentos bem incomuns pra uma faixa de K-pop da época, como violão, contrabaixo e bongos. Com seu desenvolvimento lento, a música traz as garotas revezando versos sensuais e cheios de uma ansiedade amorosa latente, gradativamente abrindo espaço para um refrão contagiante onde as gatas suplicam pelo atenção imediata do boy. A partir daí a música “rebobina” e vemos essa dinâmica entre os versos e o refrão ser repetida com a mesma entonação e a mesma letra – só que agora com integrantes diferentes revezando os vocais e uma bateria que confere mais “movimento” à canção. Com um equilíbrio perfeito entre a ousadia sonora e as boas características de uma música indiscutivelmente pop, “Hush” envelheceu como um boníssimo vinho e foi um passo essencial no amadurecimento da imagem do miss A (um amadurecimento que aliás nunca foi totalmente concluído visto que o grupo não durou muito depois desse single, RIP gals 🙏).

24. SZA – Drew Barrymore (2017)

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Em “Drew Barrymore”, a SZA Guimarães se despe de qualquer defesa interna e se expõe ao máximo para o ouvinte. O R&B mid-tempo da indicada ao Grammy de artista revelação expõe os fantasmas dela de uma forma identificável com uma sinceridade afável, onde a Solana, por meio de violinos chorosos e batidas espaçadas, confessa as suas inseguranças e desenvolve sobre como esses seus fantasmas resolvem atacá-la nas piores horas. A faixa é nada além de uma exploração interessante mas ainda assim absolutamente pop sobre insegurança e baixa autoestima – e é, principalmente, um estudo de conhecimento sobre si e sobre relações que você deve se afastar. SZA entrega vocais perfeitos em seu refrão, é a súplica por amor direto, por contato físico básico que nos assombra nas horas mais escuras de uma noite de inverno, “não é quente suficiente dentro de mim?”. Dessa forma, dá até pra dizer que a música é um take mais moderno e millennial em “How Soon Is Now?” do The Smiths, mas agora transformando esse sentimento universal da necessidade de ser amado em algo bem singular para a artista. “Drew Barrymore” é a balança de uma relação desbalanceada, onde SZA se entrega 80% das vezes, enquanto nos outros 20% traduz seus sentimentos em poesia, rendendo inclusive uma das frases mais pungentes da música recente: “por que é tão difícil aceitar que a festa acabou?”

23. GaIn – Paradise Lost (2015)

A gente costuma às vezes pensar no K-pop como uma indústria bem homogênea e onde rola muito mais-do-mesmo, mas o fato é que a música pop coreana tem algumas características bem “nichadas” e isso permite que de vez em quando alguma gatinha do mainstream lance algo extremamente avant-garde sem soar estranho ou forçado. Esse era o caso da GaIn quando ela ainda tinha uma carreira solo: a integrante mais nova das Brown Eyed Girls era uma artista com um conceito mais maduro e que não tinha medo de colocar estéticas e sonoridades mais obscuras e sexuais na mesa da família coreana. O ápice das experimentações conceituais da GaIn em sua carreira solo foi durante seu quarto mini-álbum, o “Hawwah”, de 2015, onde ela se colocou no papel de Eva e trouxe músicas repletas de alegorias e temáticas cristãs, como livre arbítrio e pecado original. O melhor pedacinho desse fruto proibido (risos) foi uma das faixas de divulgação do disco, a incrível “Paradise Lost“, que toma o poema épico de mesmo título do escritor John Milton como inspiração para contar a história de dois amantes que descobrem os prazeres carnais mas são cerceados por ideias cristãs limitantes como culpa e pecado. Aqui, GaIn interpreta uma Eva provocativa e que não tem medo de soltar frases de cunho obviamente sexual – afinal, “agora eu estou quase no paraíso” é a melhor metáfora possível pra orgasmo e que nunca sequer foi descoberta pelo público coreano. Não bastasse todo o conteúdo lírico, a faixa ainda carrega um instrumental extremamente singular, mesclando sons góticos de Órgão com batidas modernosas de trap e glitch-pop, o que cria uma base sensual e obscura o suficiente para representar de forma sonora toda a audácia da canção.

22. Röyksopp & Robyn – Do It Again (2014)

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Depois que lançou o magnum opus da música pop – o disco “Body Talk”, de 2010 -, a Robyn não queria voltar a lançar um disco novo nem tão cedo – e por isso ela se jogou em projetos paralelos e colaborações diversas, como por exemplo o ótimo grupo “Robyn & La Bagatelle Magique“. Mas o projeto paralelo dela que mais chamou atenção nessa década foi a união de forças da sueca com a dupla norueguesa de música eletrônica Röyksopp (num grupo convenientemente chamado de “Röyksopp & Robyn”). A dupla e a artista já tinham colaborado anteriormente na ótima “None of Dem” do “Body Talk”, mas dessa vez a colaboração deles rendeu todo um EP de músicas eletrônicas com intenções variadas – desde faixas mais “ambientes” a faixas bem diretamente dançantes. O destaque do EP é a faixa-título dele, “Do It Again“, um numerozão eurodance descarado e capaz de encher qualquer pista de dança. A faixa é toda criada para emular “dançantemente” aquele sentimento de prazer culposo que surge quando você se relaciona com aquela pessoa que você não deveria se relacionar e, apesar de saber que aquilo é errado, você quer fazer de novo. A composição e o instrumental são ambos criados para viabilizar uma montanha-russa de emoções da pista de dança, com uma sensação de forte expectativa nos versos, a sensação de choque dançante do início do refrão e a sensação catártica das frases-chave da música, quando a Robyn canta a plenos pulmões “não me importo com o que eles dizem / isso machuca de uma forma tão boa”.

21. Nine Muses – Figaro (2011)

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Com uma faixa funky-disco vindo diretamente dos anos 80, o Nine Muses fazia em 2011 seu primeiro comeback depois do um debut desastroso e que quase levou o grupo pro saco. “Figaro” pode ser considerada uma das melhores faixas do k-pop da década não só pelo seu refrão viciante com o coro de sete meninas cantando e nem pelo seu “gancho” repetitivo que cai como uma luva no ritmo uptempo da faixa, mas sim pela construção genial que o Sweetune – grupo de produção sul-coreano – teve a perspicácia de pôr junto em uma só faixa. O instrumental mescla batidas fortes, instrumentos de sopro, guitarrinhas funky e uma bassline eletrônica de uma forma tão bem acomodada que às vezes você nem percebe que todos esses elementos estão lá. Esse marcou o primeiro de uma série de singles incríveis que o Sweetune produziu pras Nine Muses, e “Figaro” em si é uma faixa que conquista sem muitos esforços. Todos os saxofones, todas as vozes em coro e todos os backing vocals te transportam diretamente para um clube disco chiquérrimo e lotado de personalidades avant-garde com selo Andy Warhol de qualidade, tipo um Club 3054, onde o Nine Muses é o equivalente de uma girlband formada por sete Donna Summers.

20. Beyoncé – Formation (2016)

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A primeira vez em que os estadunidenses perceberam que a Beyoncé não era um instrumento de afirmação branca, um token, eles se chocaram. “Formation” foi responsável por boicotes e uma má reputação de Beyoncé no meio de uma sociedade norte-americana que é descaradamente despreocupada com os desafios diários da população negra, mas foi o chamado ancestral e o momento mais musicalmente revolucionário da artista durante essa década (e olha que ela não teve só um momento revolucionário durante os últimos anos). Beyoncé simplesmente pegou todas as suas referências negras e as colocou de forma ordenada em “Formation”, uma faixa genial, que em sua versão inicial abre com samples indagatórios de personalidades como Messy Mya e Big Freedia, se desenvolve pontuando momentos importantes na história da comunidade negra dos Estados Unidos e culmina na mensagem otimista e apropriadamente ambiciosa que a Beyoncé solta para a população negra: qualquer um deles pode ser um “Bill Gates negro em formação”. Dentro do lead single do “LEMONADE”, temos um encontro do hip-hop, R&B e trap pulsante, em uma faixa uptempo e com a atitude certa de uma dona de 22 grammys que deixa tudo ainda mais cativante. “Formation” é Beyoncé como a sociedade nunca viu antes, é a nova faceta da cantora, é o passo mais profundo na sua carreira como uma verdadeira artista de impacto cultural – e é absolutamente viciante ainda assim. 

19. Sky Ferreira – Everything Is Embarrassing (2012)

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Alguém sabe por onde anda a Sky Ferreira? Um Beijo pra Sky Ferreira! O ano era 2012 e a Sky era uma aspirante fracassada a estrela pop que foi intencionalmente esquecida pela sua gravadora e agora se preparava para lançar um EP com uma nova imagem e uma mudança de direcionamento sonoro. O tal EP provavelmente seria ignorado pelo público geral caso não tivesse sido precedido por uma decisão muito acertada: ao anunciar o EP na Pitchfork, o empresário da artista mandou junto uma faixa demo como download gratuito, e essa faixa era nada menos do que “Everything Is Embarrassing“. A música era na verdade uma demo do artista Dev Hynes, conhecido pela alcunha de Blood Orange, e acabou sendo gravada “sem querer” pela Sky Ferreira em uma colaboração dos dois em estúdio através do intermédio do produtor Ariel Rechtshaid. O resultado dessa colaboração inusitada e despretensiosa acabou caindo no gosto do público, já que a faixa é um número oitentista meio Lo-Fi, com guitarrinhas que remetem ao Dream Pop e todo um clima de nostalgia e melancolia que é passado especialmente pelo vocal soft da Sky Ferreira e pelos sintetizadores “nebulosos” do refrão. Mas o grande destaque aqui é a letra, uma confissão de amor não-correspondido passada com provavelmente o maior nível de sinceridade emocional que uma música pop já conseguiu reunir. Ah, e a demo é bem melhor que a versão oficial que foi lançada posteriormente.

18. Red Velvet – Ice Cream Cake (2015)

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Uma questão interessante sobre abordagem do K-pop em relação à música pop em si é que o nicho está sempre aberto a umas intervenções estruturais meio doidas nas canções. É muito comum você escutar faixas pop coreanas que soam como um quebra cabeça, que misturam diversos ritmos em menos de 3 minutos ou que dão guinadas bastante viajadas dos versos para os refrões. “Ice Cream Cake“, das quase-finadas Red Velvet, é um dos exemplos mais apurados dessa capacidade divertida e às vezes meio descarada do K-pop. A música abre com um canto hipnótico e um tanto assustador de “lalalala” enquanto um som de Glockenspiel toma conta e nos envolve em um ritmo soft, que parece com o som de uma caixinha de música sendo absorvido por batidas de hip-hop e ruídos de eletricidade. Após uma breve transição de baixo, somos jogados em uma volta de 180 graus pra dentro de um refrão todo eletrônico, barulhento, cacofônico e meio glitch-pop. Com esses elementos unidos, a faixa é nada menos que uma montanha-russa pop animada e adocicada, que fica ainda melhor com a letra não-tão-inocente metaforizando o sabor do sorvete com o sabor de… lábios (brincadeira, a gente sabe que a metáfora na verdade é sobre fluidos corporais… tomariam esse sorvetão de creme?).

17. FKA Twigs – cellophane (2019)

A FKA Twigs sofreu mais do que Jesus, e “cellophane” é uma das faixas que mais documentam os sofrimentos amorosos aos quais a dinda foi submetida. A música é obviamente sobre o fim do relacionamento dela com o ator Robert Pattinson, uma relação onde a Twigs sentia que se doava bastante mas não recebia carinho e proteção na mesma medida, especialmente diante de certa perseguição online que a artista sofria pelas fãs do então noivo. É claro que a faixa não conta esses rolês em detalhes, mas ela resume, de uma forma sentida, cheia de pesar e vulnerabilidade, as repercussões que esses acontecimentos tiveram no emocional da Twigs. Não bastasse a temática, a performance vocal da artista é o que transforma “cellophane” em um épico sentimental moderno, onde a Twigs interpreta a letra com uma entonação cheia de entrega, uma devoção extrema à sinceridade do desabafo. O instrumental simples de balada, feito quase que majoritariamente com piano e umas percussões vocais “vivas”, serve como uma tela neutra para que a cantora possa jogar seu sofrimento por cima, sendo a protagonista por direito de todos os três minutos e 24 segundos da obra.

16. Katy Perry – Teenage Dream (2010)

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Em 2020 a Katy Perry meio que morreu, mas em 2010 ela estava vivíssima e pronta pra lançar algumas das faixas pop descompromissadas mais legais da década. A melhor canção dessa boa fase dela foi a faixa-título de seu definidor segundo álbum, a açucarada e saudavelmente boboca “Teenage Dream“. A música retrata em seus versos simples o ápice daquela sensação de encantamento meio exagerada e extremamente idealizada que rola quando nos apaixonamos por alguém, traduzindo isso em um pop bastante efetivo, imediato e bem delineado pela voz ondulante e meio esganiçada da Katy Perry. “Teenage Dream” tem as boas características de uma música de comercial de refrigerante ou de bala Halls – ela consegue refletir esses momentos de felicidade jovem que viraram um clichê do capitalismo, embalar tudo com um refrão viciante e ainda trazer uma sensação meio nostálgica (ainda mais hoje em dia, visto que ela envelheceu surpreendentemente melhor que a maioria do resto das canções pop da época). E o que dizer do verso de abertura (“você me acha bonita / sem nenhuma maquiagem no rosto / você me acha engraçada / mesmo quando eu conto mal uma piada”) que meio que reflete com fidelidade os fascínios bobos por coisas totalmente simples que surgem quando a paixão bate? 10/10.

15. Marina And the Diamonds – I Am Not A Robot (2010)

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10 anos atrás a Marina and the Diamonds (hoje só… “Marina”. pff.) era uma fumante compulsiva que morava numa quitinete e estava se lançando no mercado musical com um álbum de estreia pontuado por produções meio grosseiras e inacabadas mas compensadas por uma sinceridade lírica notável. O potencial musical da grega-galesa-japonesa Marina já podia ser sentido em um dos primeiros singles do disco, a catártica “I Am Not A Robot“. Usando metáforas de uma forma interessante, a música é uma conversa da Marina consigo mesma, em que ela repreende seu próprio comportamento meio grosseiro e autodestrutivo, reconhece que ela tem um pouco de vergonha de quem ela é, entende as suas vulnerabilidades e tenta transformar isso em algo positivo. Ela age como uma pessoa durona pra tentar se convencer de que a sensibilidade dela não é um problema, mas no fim das contas não tem nada de errado em ser uma pessoa sensível e dar importância para os seus sentimentos – sejam eles bons ou ruins. Pare de se odiar! Aceitar os próprios defeitos e expor eles de forma tão direta numa música não é uma tarefa fácil, mas aqui a Marina conseguiu imbuir tudo com uma sensação poderosa de libertação… e qual frase resumiria melhor o movimento de reconhecer a própria vulnerabilidade além de “quer saber do que mais? eu não sou um robô!”? E bom, vale lembrar que o impacto dessa música foi tão grande que anos depois a Marina até que tentou uma carreira no mundo da psicologia (!).

14. Lady Gaga – Born This Way (2011)

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O manifesto da “mamãe monstra” arrebatou milhares de pequenos monstrinhos no início dessa década, quando ser um Little Monster era o equivalente a pertencer a uma tribo sagrada, a um grupo de pessoas com quem você podia se identificar como nunca antes e perceber que você não estava sozinho no mundo. Toda essa devoção meio exagerada em cima da Lady Gaga levou a cantora a um patamar quase intocável desde então, e “Born This Way” marca o ápice desse movimento de devoção e essa mentalidade de “tribo”, já que a música é a grande declaração de pertencimento da artista, feita para reverberar com os seus fãs já conquistados e também com o público geral. “Born This Way” é um amontoado de referências oitentistas-noventistas (assim como boa parte das outras faixas do álbum de mesmo título) e revive ícones da década passada como Michael Jackson, Madonna e Janet Jackson para emular novamente o momentum pop da era pré-digital. Além de ser a primeira música pop de um grande artista a inserir menções bem diretas a nomenclaturas de diversidade sexual e de gênero, “Born This Way” foi para muitos uma palavra de conforto em forma sonora e eletrônica, um manifesto de bravura e uma mensagem positiva para os anos que ainda chegariam. Pelos synths metálicos que perduram por toda a duração da faixa, à spoken word de Lady Gaga ecoando por várias partes, ou por sua bridge que parece muito mais o passado se encontrando com o futuro, a música alcançou milhares de pessoas e conseguiu vencer essa década como um dos grandes marcos da artista antes de suas venturas camaleônicas que viriam a seguir – mesmo que o futuro anunciado em “Born This Way” meio que não tenha acontecido no fim das contas.

13. Lykke Li – Sadness Is A Blessing (2011)

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Cada país tem a rainha da sofrência que merece, e a rainha da sofrência dos suecos é ninguém além da icônica Lykke Li. Disposta a capitalizar em cima dos sofrimento amoroso dos outros, a artista surgiu com simplesmente uma triologia completa de álbuns sobre relacionamentos mal resolvidos entre 2008 e 2014, com o melhor pedaço dessa série sendo o seu segundo álbum, o “Wounded Rhymes”, de 2011. Com uma belíssima seleção de músicas de bad e até um grande hit (como um remix de gosto duvidoso) que foi “I Follow Rivers“, o disco conta com aquela que é a melhor música de sofrência já lançada por uma escandinava gostosa e deprimida: “Sadness Is A Blessing“. Entre um instrumental orgânico e meio retrô, a artista canta bem diretamente sobre mais um relacionamento fracassado seguido do abandono, idealizando a sofrência como a única razão da sua vida e única coisa que está constantemente presente no se dia a dia. De tantas faixas com temáticas parecidas que você encontra por aí, “Sadness Is A Blessing” se destaca por ser fortemente visceral, com a voz da Lykke bradando súplicas roucas e urgentes, quase choradas, fazendo o ouvinte sentir quase na pele uma tristeza que talvez nunca consiga ser expurgada.

12. 2NE1 – I Love You (2012)

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Existe muito debate sobre a questão da discografia do 2NE1 ter envelhecido bem ou mal, e isso é um assunto que o JESUS USAVA CHANEL ainda quer capitalizar em uma futura matéria pois a gente não joga pauta assim de graça. O fato é: mesmo que a discografia das gatas farofeiras do K-pop tenha realmente envelhecido mal, o single “I LOVE YOU” é uma grande exceção, já que a faixa continua tão fresh e interessante hoje em dia que nem parece que ela foi lançada há mais de oito anos. No longínquo ano de 2012, “I LOVE YOU” foi responsável por dar uma grande balançada nos lançamentos do 2NE1, já que o grupo até então era muito acostumado a trabalhar majoritariamente faixas hip-hop/swag e cheias de atitude de bad girl. O single trazia para o grupo um som mais noturno, misterioso e diretamente mais sensual, com um instrumental que mescla house music com o Trot (um gênero musical tradicional coreano) e que certamente é uma das maiores conquistas do Teddy Park como produtor. Com um desenvolvimento meio “progressivo” (risos), a música retrata aquela sensação estranha de se sentir apaixonado e não querer exatamente mergulhar nesse sentimento por medo dele, e a parte final, o “outro” da música, retrata a explosão desse sentimento quando ele domina você de uma vez, e é aí onde a canção fica mais rápida, as batidas fluem de forma direta e as emoções se tornam bem mais urgentes.

11. Wonder Girls – I Feel You (2015)

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Quando um grupo de K-pop começa a perder várias integrantes, isso é um claro sinal do começo do fim – mas com o Wonder Girls isso virou a força motriz para que as integrantes restantes reformassem o grupo como uma banda formada por sex symbols oitentistas, readmitindo a antes ex-integrante Sunmi e lançando um álbum muito apropriadamente intitulado de “Reboot”. O único single do álbum é o synthpop dançante e sensualzinho “I Feel You“, uma música diretamente retrô e que fez a tarefa de casa oitentista no K-pop muito antes de termos uma “La Di Da” ou uma “I Can’t Stop Me” da vida. Produzida pelo J.Y. Park (vulgo JYP) e sendo de longe uma das produções mais sem arestas dele, a canção possui um break instrumental bem característico e catchy, uma composição simplista emulando com fidelidade composições de grupos oitentistas e um refrão lânguido e meio ASMR – ou seja, todos os elementos mais que necessários para se engenhar um pop perfection. Além disso, a faixa ainda subverte expectativas com alguns momentos que quebram o seu aspecto convencional, como a icônica paradinha após os refrões que parece uma intermissão intencionalmente feita para pegar o ouvinte desprevenido.

10. Ariana Grande – Into You (2016)

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O segundo single do “Dangerous Woman” é uma faixa divertida, puramente pop, flertante e bastante sexy. Ariana Grande conseguiu elevar o seu nome para muito além de ser uma “ex-act” da Nickelodeon, e “Into You” – co-escrita pela própria – é um hit instantâneo que prova a evolução gradual da gostosa, com um refrão viciante e todos os vocais característicos da princesa do pop. Grande conseguiu conciliar sua melhor personalidade artística, produzida por Max Martin e nos serviu uma das melhores músicas do ano em que foi lançado. A cantora e compositora, nos descreve um flerte que aos poucos vai se incendiando tal qual as batidas synthpop da música, no começo elas são suaves e contidas, mas assim que chegam ao refrão nos deparamos com um clímax repentino cheio de linhas cortantes de synth, floreios de backing vocals e, claro, a voz inconfundível da nossa trapstar. “Into You” é uma faixa uptempo que não poupa suas ferramentas para cativar o ouvinte, se tornando um “hit cult” entre o nicho LGBTQ e marcando o primeiro grande passo de Ariana Grande para longe do R&B sem personalidade que ela era obrigada a lançar até aquela época. 

09. Rina Sawayama – Cyber Stockholm Syndrome (2017)

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Uma garota sentada no canto do sofá numa festa e contando as horas para ir embora se refugiar no seu próprio universo online parece um lugar-comum e algo que não renderia nada… poético… não é? Mas se essa garota for a Rina Sawayama, o assunto é completamente diferente. A nova sensação do indie-pop-alternativo acabou de lançar seu aclamado álbum de estreia, mas no distante ano de 2017 ela apareceu no cenário como uma preciosa e subestimada descoberta, e “Cyber Stockholm Syndrome” é o manifesto de toda sua grandiosidade artística. O R&B-pop de Sawayama nos remete à produções mainstream da década de 2000, como materiais com dedo do Max Martin ou The Neptunes. No meio de tantos synths oitentistas e referências dos anos noventa que andam povoando o mercado pop, é engraçado que uma artista como Rina Sawayama tenha escolhido exatamente o caminho oposto. O que pode ser considerado ultrapassado por muitos virou uma pérola nas mãos da cantora-compositora, especialmente por ela ter espremido essas sonoridades Y2K em uma exploração solitária mas bem sincera sobre como a internet e os dispositivos eletrônicos (coisas que se popularizaram ali na virada do milênio) ditam nossos relacionamentos interpessoais e nossas personalidades. O cruzamento de todas essas referências, junto com uma bridge tão bem feita e animadora que parece de outro mundo, faz “Cyber Stockholm Syndrome” se destacar como um estudo incrivelmente pop mas nada banal das relações online, e essas características da música foram essenciais para fazer a Rina brilhar nas bolhas virtuais por aí e finalmente despontar como um dos nomes mais legais da música nos últimos anos.

08. Grimes – Oblivion (2012)

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Sim, se você nunca ouviu “Oblivion” da Grimes e está conhecendo a música agora por essa lista do JESUS USAVA CHANEL, saiba em primeiro lugar que sim, a cantora é realmente fanha. Em segundo lugar, a Grimes meio que comete erros musicais enormes ou acertos incríveis, então essa década pra ela foi repleta de faixas notáveis e que poderiam facilmente dar as caras nesta lista. A questão é, não só “Oblivion” é a música mais popular dela, como também a música mais misteriosa, estranha e contagiante que a gata canadense tem em seu catálogo até hoje. Com uma produção synthpop que só pode ser bem descrita como “uma névoa noturna de sintetizadores”, uma batidinha que fica entre o Lo-Fi e o tecnobrega e vocais meio sussurrados, cantados na lei do esforço mínimo, “Oblivion” é um número meio desorientador, uma faixa sintética curiosa onde a Grimes canta sobre seus traumas quase que sem se levar muito à sério, criando todo um universo onírico em um dos instrumentais com certeza mais interessantes que o mercado musical rendeu nos últimos anos. A concepção um tanto “futurística” da faixa não torna ela isenta de momentos pop chiclete, com suas repetições grudentas da frase “see you in the dark night“, cantos descompromissados de “la la la la la” e o momento lírico embaraçoso mais icônico em que ela canta “eu preciso de alguém / para olhar nos meus olhos e me dizer ‘garota, você sabe que precisa cuidar da sua saúde!’“, certamente o trecho mais memorável de qualquer letra da artista.

07. Carly Rae Jepsen – Run Away With Me (2015)

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O eletro-pop escapista de Carly Rae Jepsen em “Run Away With Me” é o primeiro passo da cantora na sua transição de bubblegum pop do álbum “KISS” para o verdadeiro synthpop retrô que a consagrou como a dinda dos gays. A faixa, que faz parte do seu segundo álbum, “EMOTION”, mostra Rae Jepsen mais madura, interessada na estrutura de suas músicas e fazendo muito mais pelo nicho alternativo-cult sem intenções. “Run Away With Me” entrega uma letra sentimental em voz alta, completamente apaixonada e devotada a fazer esse amor acontecer, tudo por cima de synths acelerados, uma bateria pulsante como o coração de uma pessoa amando, um grave massacrante e, claro, um característico saxofone (que até transformou a música em meme). Carly Rae descreve a faixa como “a sensação de dois amantes distantes passando um tempo juntos”, e mesmo que esse tempo seja pequeno, mas eu consigo ver – pelo contexto que ela representa – muito além disso. “Run Away With Me” é a forma que Rae Jepsen convida a todos ao seu novo som, à sua nova estética, inspirada nas mais fortes figuras europeias da música alternativa-pop (com inspiração na Robyn até!). Aqui ela nos convida a esquecer daquela “Call Me Maybe” – nada contra, ainda acho a música extremamente viciante – para que possamos passar para o próximo capítulo da sua carreira. E, ainda mantendo um pouco daquela sua essência de “garota pop”, ela consegue nos captar para essa nova fase ao nos jogar de cabeça em um dos refrões mais perfeitinhos já realizados nos últimos anos, que acende em qualquer um aquela vontade de gritar a letra para fora de nossas gargantas.

06. LOONA/Kim Lip – Eclipse (2017)

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Escondida nas sombras, a primeira integrante loirona do time de doze garotas do LOONA apresentava seu single solo de uma forma bastante despretensiosa. A suave e (positivamente) anasalada voz de Kim Lip, seus doces ad-libs e o R&B sintetizado da faixa “Eclipse”, elevaram o LOONA para um novo patamar na época do famoso projeto de pré-debut do grupo. Claro que outros lançamentos também foram importantes para solidificar a popularidade internacional que o LOONA possui hoje em dia, mas “Eclipse” segurava em si um nível de produção e um refinamento sonoro incomparável no K-pop. Recuperando o R&B sul-coreano dos anos 90 e reformulando ele em uma roupagem moderna, com entrecortes de sintetizador e uma vibe funky, “Eclipse” tinha tudo para parecer apenas qualquer outra produção do Daniel Obi Klein, mas a voz sultry da representante da cor vermelha mudava tudo – era como se a produção fosse a lua e a menina o sol, finalmente juntos para o lançamento de uma das melhores faixas do pop sul-coreano. Talvez nomes como S.E.S. ou até mesmo o f(x), pudessem lançar uma faixa tão madura como essa, mas o fato era que “Eclipse” foi parar nas mãos de Kim Lip e sua atitude misteriosa adicionava a cereja ao bolo.

05. Tinashe – 2 On (feat. Schoolboy Q) (2014)

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Falando em R&B, se tem uma gostosa que não quer deixar o gênero morrer de jeito nenhum, essa pessoa é a Tinashe. Após algumas mixtapes como artista independente, a cantora lançou “2 On” como seu primeiro single oficial com gravadora em 2014, conquistando o seu primeiro (e talvez único) hitzinho nos charts com uma faixa que é diretamente um R&B perfection. Produzida pelo DJ Mustard, que é quase um perito em produções de R&B extremamente competentes, “2 On” é um ode ao hedonismo por cima de batidas compassadas, graves contidos mas reverberantes na medida certa e estalos frequentes. Tinashe costurou por toda a canção uma personalidade pop bem latente, só que traduzida em um gênero muito mais interessante do que o electropop que fazia sucesso na época ou o trap que estava começando a engatinhar. E se “pulsante” é um adjetivo que esse blog usa em excesso, “2 On” é a música que mais se encaixa com essa palavra. Sensual, descompromissada e grudenta, uma das características mais legais da canção é que o rap do Schoolboy Q não está ali por acaso, adicionando na mistura toda e matando basicamente todos os outros raps-de-meio-de-música que geralmente só existem para quebrar a vibe.

04. f(x) – 4 Walls (2015)

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Quando a SM Entertainment resolveu investir em material dos produtores LDN Noise em 2015, se debruçando sobre ritmos eletrônicos até então não explorados no K-pop, a empresa acabou sem querer criando uma tempestade perfeita ao fazer com que os produtores trabalhassem com o girlgroup mais subestimado da casa, o f(x). Em 2015 o grupo passava por sua primeira grande turbulência após a saída da sempre saudosa integrante Sulli e, assim como rolou com as Wonder Girls, houve o entendimento de que a girlband precisaria reformar sua conceituação para seguir em frente após uma mudança de formação. Essa reforma também deveria passar pelo âmbito sonoro, e foi assim que surgiu a ideia de jogar o f(x) em uma aventura mais eletrônica, fazendo o grupo retornar aos olhos do público com uma faixa deep house e uma atitude totalmente diferente do que elas já haviam apresentado antes: “4 Walls“. A canção é um número dançante delicado, que começa com vocais singelos por cima de um instrumental também simples e que vai crescendo com o passar dos segundos – tudo isso pra cair em um refrão com instrumental noventista, saído diretamente de algum clube UK garage/garage house daquela década. Não dá pra dizer que o f(x) foi pioneiro com esse tipo de sonoridade, já que “View” do SHINee saiu um pouco antes e é do mesmo gênero, mas digamos que “4 Walls” é como uma versão melhorada de “View” e, além da música ter surpreendentemente caído como uma luva para o grupo, ela firmou de vez o deep house no K-pop (que viria a repetir à exaustão o padrão sonoro dali pra frente em outros girlgroups, como o GWSN).

03. Nicola Roberts – Beat of My Drum (2011)

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Em 2011 o Girls Aloud já tinha morrido e as integrantes se revezavam entre trabalhos como personalidade da mídia enquanto a mais gostosa do grupo, Cheryl Cole, colhia os frutos de uma bem-sucedida carreira solo. Foi aí que a Nicola Roberts resolveu que também queria debutar solo e mostrar um pouco do que ela era capaz – afinal, ela sempre foi a integrante mais subestimada do grupo, constantemente perseguida pela mídia britânica por ser uma branquela desengonçada, mas agora estava mais madura, gostosa e pronta pra deixar claro que ela tinha algumas cartas na manga. Ciente de que não ia repetir o sucesso comercial da colega Cheryl, Nicão focou na criação de um legado pop-perfection e assim confeccionou o icônico álbum “Cinderella’s Eyes”, cheio de músicas pop chiclete que poderiam ser lançadas hoje em dia e ainda soariam totalmente fresh. O primeiro single do disco é a infecciosa “Beat of My Drum“, uma música produzida pelo Diplo e que certamente foi algo que ninguém esperava vir de uma carreira solo da Nicola Roberts na época. Cheia e entrecortes vocais a la “Pon De Floor” e com uma letra divertida (que basicamente conta uma historinha sobre a Nicola ser uma branquela desengonçada que não sabe dançar), a música joga você em um refrão alto e animado, meio cheerleader, onde a cantora entoa um soletrado “L-O-V-E / dance com a batida do meu tambor!” que sem dúvida alguma serviu de base para a faixa “Give me All Your Luvin’” da Madonna (uma versão menos gostosa, diga-se de passagem). Outros elementos como a vibe funk carioca futurística do instrumental, tambores rufáveis durante a metade final da música e o tecladinho analógico que envolve a soletração do refrão ajudam “Beat of My Drum” a se tornar um dos momentos pop mais icônicos da década passada. Spelling is fun nesse caso em específico.

02. Robyn – Dancing On My Own (2010)

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Existem momentos misteriosos da criação musical em que todos os elementos de um grande hino chegam ao mesmo tempo. Com “Dancing On My Own”, Robyn descreve que foi exatamente assim, e é incrível ver como esse momento quase mágico ajudou a artista a criar uma das faixas mais certeiras que o nosso vocabulário pop já conheceu até hoje. Essa década foi marcada por figuras extravagantes, ancestralidades fortes e músicas de todos os continentes possíveis chegando até públicos variados. “Dancing On My Own” não tem nove minutos, não reverencia nenhuma figura histórica em particular, mas com o seu relato de solidão e confissão pop a Robyn arrebatou uma leva de pessoas ao redor do mundo. Não é só uma música de quatro minutos, é um encontro majestoso de boa composição com boa produção, onde os acordes de synth, encontraram uma jovem mulher no canto de um clube remoendo aquele momento embaraçoso e inevitavelmente triste de ver alguém que você gosta com outra pessoa em um lugar tão público e que deveria ser um canto focado em diversão. É a prova de que para cantar sobre momentos tristes você não precisa simplesmente sentar-se ao piano e jorrar a melancolia de uma forma óbvia – dá pra explorar esses sentimentos através de uma boa música pop, com um refrão marcante e a vontade de dançar a noite inteira. Robyn expande as formas como podemos lidar com a tristeza, expande as formas de como a música pop pode se traduzir e avança sua sonoridade para ramificações que ficarão para sempre na história. “Dancing On My Own” pode não ser o maior hit pop em números (inclusive o péssimo cover do Calum Scott fez mais sucesso nos charts), mas seu impacto é inegável, seus primeiros acordes podem ser identificados em outras músicas ao longo da década e com certeza nós ouviremos o impacto dela em ainda mais músicas por aí.

01. Azealia Banks – 212 (feat. Lazy Jay) (2011)

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No início da década, muito antes de ter sua carreira engolida por inúmeras polêmicas e virar uma espécie de fantasma virtual que só aparece nas nossas respectivas timelines através dos mesmos cinco LGBTs que ainda possuem energia para se indignar com os absurdos que ela fala, Azealia Banks era simplesmente o momento. Munida de um senso musical apurado, um vocal singular que a diferenciava de suas outras concorrentes no ramo do rap feminino e, claro, um talento inegável como rapper, a gostosa aportou nos nossos ouvintes direto com o poderosíssimo single de estreia “212“. Construída por cima da faixa “Float My Boat”, um electro house cheio de percussões, “212” é uma faixa rude, desbocada (já parou no tanto de vezes em que a Azealia repete “cunt/puta” na música?), despida de qualquer sentimento de arrependimento e, acima de tudo, uma faixa intensa do início ao fim, que te pega pelo ouvido logo nos primeiros raps auto afirmativos em que Banks deixa claro que ela é uma vadiazona má desde o berço. Mas é claro que não dá pra falar em “212” sem citar o incrível build up seguido do drop da faixa, simplesmente o momento pop mais unânime e perfeitamente pensado da música mainstream na última década, capaz de fazer qualquer pessoa sair do chão e também de infestar o universo pop com uma atitude clubber e underground que nunca antes casou tão bem com o âmbito daquilo que é popular.

Demorou, mas a lista finalmente está concluída. E aí, concordam ou discordam com as posições. Tem algo que ficou em falta? Conta aí nos comentários, faggotinho! Confiram a playlist com as músicas desse post abaixo (dessa vez em ordem decrescente) e até a próxima.

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