O LOONA só quer se divertir em “Why Not?” e quem poderia culpar elas por isso?

A relação do JESUS USAVA CHANEL com o LOONA é bem extensa: já divulgávamos o grupo fortemente desde o primeiro semestre de 2017, quando éramos apenas um singelo podcast e nem todos os integrantes dele conheciam o projeto direito. De lá pra cá, o grupo concluiu um projeto de pré-debut extremamente memorável e estreou oficialmente na indústria sul-coreana, lançando várias ótimas músicas – seja em empreitadas solo, em duplas, sub grupos ou como grupo completo – no meio do caminho. Mas aí após o primeiro comeback delas em 2019, com “Butterfly”, as coisas ficaram… estranhas. Os lançamentos passaram a demorar um pouco mais, uma das integrantes precisou se ausentar e, em fevereiro desse ano ao lançar o pancadão  empoderadoannn “So What”, as meninas provavam que estavam a trilhar uma carreira meio duvidosa, se jogando de cabeça em tendências meio cansativas do pop sul coreano. 

Uma das explicações mais óbvias para isso é que rolou uma dança das cadeiras nos bastidores do grupo: saiu o Jaden Jeong, diretor criativo por trás de toda a ideia do “Loonaverse” e que hoje em dia trabalha com o grupo OnlyOneOf, e entrou Lee Soo Man, ex-CEO da SM Entertainment e que já foi a mente criativa por trás de lançamentos de vários grupos powerhouse da empresa, como Girls’ Generation, f(x) e Red Velvet. “Why Not?”, single mais recente do LOONA, continua a seguir a trilha de “So What” em se distanciar do padrão sonoro antigo do grupo, abraçando de vez um som mais eletrônico e imediato em voga no K-pop, mas isso não quer dizer que o grupo não esteja atrás de algo que as diferencie musicalmente mesmo que agora elas sigam um pouco as tendências propostas pelo nicho – e isso se comprova quando o grupo foca em uma letra interessante sobre inconformismo com normas de comportamento, encontrando uma maneira inventiva de expressar a batidíssima mensagem de “seja você mesmo”. 

A mensagem expressa de forma menos óbvia e toda a personalidade da música – que é com certeza bem mais divertida que “So What” apesar de compartilhar um pouco da temática e ainda por cima não se leva tão à sério – ajudam o LOONA a dar o seu próprio “take” na tendência de músicas “progressistas” e cheias de poder feminino que são comuns entre os grupos femininos do K-pop hoje em dia. A vibe “girl crush” que nasceu lá em meados de 2016 ou 2017, continuou fortemente pela indústria até os dias de hoje e não mostra nenhum sinal de que vai parar tão cedo. Músicas com os temas sobre “sermos únicas”, “sermos livres” e principalmente “sermos garotas malvadas” estão mais em alta do que nunca por conta de grupos como BLACKPINK, ITZY e, se o LOONA está tirando uma casquinha disso, pelo menos agora elas estão fazendo da forma certa. 

Mas enfim, chega de discutir sobre tendências atuais da Coreia do Sul e sobre o espaço do LOONA no meio de tudo isso: vamos falar diretamente sobre os aspectos musicais objetivos de “Why Not?”. De primeira você pode até estranhar tudo que está rolando na faixa e pensar “bom… eu já ouvi isso antes” – e você não vai estar errado, já que a construção dos versos lembra muito qualquer coisa que um ITZY ou CLC já deve ter feito na vida, com um instrumental eletrônico pulsante, frases de efeito, integrantes cantando com vozes mais agressivas, etc. Até que tudo é quebrado por um break que, apesar de ser previsível em partes – pela estrutura da música dá pra prever que ele vai acontecer – nos pega de surpresa por outro lado com uma composição estranha mas altamente grudenta, onde as garotas entoam a parte-chave da música, um “dim dum, dum di dum, dim dum dum di dum” com voz infantil. Essa parte é… bem… uma escolha: com certeza ela pode funcionar com um público amplo já que é um trecho chiclete e que destaca a música no meio do mar de lançamentos do K-pop, mas em compensação pode causar um grande estranhamento em ouvintes que se julguem mais exigentes – especialmente pelo fato de que o LOONA sempre vendeu uma imagem sofisticada como grupo e o “dim dum dum di dum” dispensa com firmeza qualquer ideia de sofisticação, já que é um trecho descaradamente boboca.

Aí entramos num dilema: é ok ser exigente com o LOONA visto que o grupo elevou muito o patamar com os lançamentos do seu projeto de pré-debut (que até hoje são vistos com muito carinho e saudosismo por qualquer pessoa que teve contato com as garotas na época), mas ouvir “Why Not?” com muita seriedade e exigência faz com que o apelo da música seja ignorado pelo ouvinte ou pelo menos bem menos apreciado do que deveria ser – e o apelo de “Why Not” é exatamente ser uma música divertida e carefree, balanceando a seriedade de conceitos do “lore” do LOONA com uma atitude mais leve e um senso forte de diversão… afinal o tema do atual álbum do grupo não é “festival” apenas por acaso. O vazamento da música por sinal foi um fator que acabou ajudando nesse comeback em vez de piorar a situação toda: com o tempo de uma semana entre o vazamento e o lançamento oficial, parte dos fãs que já tinham ouvido “Why Not?” conseguiu sacar o intento da música e não se deixou abater pelo choque da estranheza… mas vale lembrar que esse blog em nenhum momento apoia a pirataria apesar de já ter tido um integrante pirateador de música digital, ok?

O refrão da faixa recorda um pouco de grupos da SM como o f(x) e Red Velvet no começo de suas carreiras, o que explicaria a mão do Lee Soo Man no backstages dessas produções… mais… “experimentais” (risos) e fora da curva, mas sem exatamente sair da curva, entendem? E isso é fácil de se notar quando entendemos que “Why Not?” é assinada por alguns dos mesmos musicistas que trabalharam em “I Got A Boy” do Girls’ Generation, outra música bem divisiva e com ideias doidas rolando o tempo todo. 

Apesar do estranhamento, os versos e refrões de “Why Not?” são até bem sólidos – o que peca um pouco mesmo na música é que não há um trabalho para deixar a bridge grandiosa como aconteceu em “So What”… a bridge tinha tudo para ser o ponto alto da música mas é só… curtinha demais. Em compensação o refrão final é intenso na medida certa: quando singles do K-pop tentam criar uma sensação de intensidade e dinâmica no refrão final, isso nem sempre dá certo por conta de produções meio pecáveis (vide “Bon Bon Chocolat” do Everglow e “HELICOPTER” do CLC), mas em “Why Not?” há uma atenção especial na produção desse momento de encerramento, onde a música se transforma de um pop mais comunzinho em um house music animadão e com toda a pompa – isso depois da faixa já ter explorado gêneros como o hip-hop e o nu disco. 

“Why Not?” é de longe o lançamento do LOONA que mais vai dividir opiniões, e só o diabo sabe se ela vai envelhecer como um daqueles clássicos cults de grupos desconhecidos ou como só mais uma faixa estranha que rolou no K-pop por aí. De qualquer forma o LOONA conseguiu vender bem o conceito “seja você mesmo!” [/alexandrismos] e a noção de diversão extrema desse single ao misturar tudo com um pouco do “folclore” do grupo – o que faltou um tanto em So What e que os fãs AMAM. É uma mistura do que a versão feminina do NCT 127 faria, se elas fossem produzidas pelos mesmos produtores do ITZY. “Why Not?” é confusa, barulhenta, vende uma proposta estranha, mas que a gente compra porque ela consegue misturar bem as ideias originais do grupo com elementos da indústria e apresenta um avanço nessa intenção (já que a gente não ia aguentar o LOONA sendo só mais um grupo de roupa militar e coturno cantando sobre serem muito más por aí).

Notas extras:

  1. Aquele grave no começo da música COM CERTEZA lembra os barulhos que a barriga faz quando a gente tá com fome.
  2. A Vivi finalmente teve um número relativamente decente de linhas nesse comeback, mas a qual custo?
  3. Alguém viu a Kimberly Lipton no clipe? Ficou com deus a nossa menina. 🙏

2 Comments

  1. O vazamento realmente fez bem para a música! Junto com o clipe, fez (me fez, pelo menos) ter a mesma sensação de juvenilidade rebelde e completamente idiota que tinha com as músicas do Pristin, que no fim das contas eram divertidas sem exigir nada de ninguém.

    Por outro lado, eu detesto a bridge de So What, que meio que todo mundo ama (?) e adoro essa daqui. Acho que porque ela conseguiu usar os elementos já inseridos da música para desacelerar e voltar para um tchau, enquanto com So What é um carro morto no meio do trânsito ativo. Acho que aquela música peca por não se levar “veloz” o tempo todo, com a ponte servindo para te fazer pensar “será se?” ao invés de reafirmar que elas são más, que elas não levam a sério e tals.

    Curtido por 1 pessoa

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