JESUSFORK: BLACKPINK traz muita atitude e… só atitude mesmo no “THE ALBUM”

A espera finalmente acabou mas será que valeu a pena? Sim, estamos falando do BLACKPINK, a quentíssima e às vezes injustificada sensação do k-pop aqui no ocidente. Depois de quatro anos de debut, o grupo finalmente mostrou ao mundo um projeto de álbum completo – mesmo que as gatinhas tenham enfiado só 8 músicas nele e algumas com menos de 3 minutos -, depois de vários anos de limbo onde só lançavam EPs com pouquíssimas músicas e às vezes nem isso /o/. “THE ALBUM”, nome nada criativo e que já nos deixa com um pé atrás, vem com a missão de unificar tudo que os fãs do grupo mais gostam nos seus lançamentos: beats étnicos, orquestras sem sentido, letras fodonas e raps com batidas que foram formadas por algoritmos, algo que a produção transcendental do TEDDY PARK tem especialização. 

Com uma discografia que duraria apenas cerca de 40 minutos de show ao vivo, o mito de que o BLACKPINK ainda parece não ter amadurecido para o status de “maior girlband” do K-pop parece ser cada vez mais verdade. Você até pode colocar todos os recordes das gatinhas aqui nos nossos comentários, e até achamos que elas merecem isso – independentemente de alguns boatos que achamos a Jennie preguiçosa -, mas vamos ser sinceros: por que um girlgroup que era para ser O MAIOR da indústria tem uma discografia tão escassa? Independente disso, “THE ALBUM” prometia vir aí para mudar esse título, o que parece até uma piada visto que esse primeiro grande lançamento na carreira delas tem apenas 20 minutos de duração e 8 faixas – contando com dois singles já postos na mesa.

Muita gente pode até achar isso baboseira, mas o primeiro álbum de uma girlband sul-coreana é geralmente um ponto importante na carreira dela – significa que a girlband em questão possui demanda para um lançamento mais ambicioso e têm o que vender, já que as vendas físicas de girlgroups são infinitamente menores do que de boygroups. Já parou pra pensar em quantas girlbands desconhecidas nunca chegaram a sequer cogitar a ideia de lançar um álbum completo e viveram apenas de singles e EPs? Pois éan. Voltando ao BLACKPINK, o primeiro álbum das suas antepassadas, 2NE1, também voou pela mesma estratégia: 3 singles de divulgação e mais algumas poucas faixas inéditas, o que nos coloca a questão: seria a YG realmente apenas uma máfia de demos descartadas do BIGBANG e do 2NE1 e que nunca cria uma quantidade grande de música nova…? Uma grande facção criminosa que amedronta até a Cardi B (que teve que pedir desculpas publicamente pelo surto no twitter)? Ficam aí os questionamentos.

Entre batidões de trap e frases de efeito que a Lisa aprendeu em algum vídeo de memes no Tik Tok ou no grupo LDRV, o “THE ALBUM” sobrevive por aparelhos. É um disco até divertido mas, para um lançamento desta estirpe, a YG com certeza poderia ter trabalhado um pouco mais nas faixas. O tempo é curto, as produções são repetitivas e não existe um elemento surpresa no meio da coisa toda – é como se o material fosse moldado para corresponder exatamente às expectativas mais básicas que o público pode ter em relação às músicas do BLACKPINK.

Iniciamos o CD com “How You Like That”, o lead single (que já recapeamos o clipe aqui) cheio de impacto e feito para situar o ouvinte da vibe bossy e empoderada do BLACKPINK – mas que a gente já sabe bem que é meramente um requenta dos hits passados do grupo, pois segue a exata mesma fórmula e estrutura de “Kill This Love” e “DDU-DU DDU-DU”, só trocando os trompetes e flautas por outros elementos étnicos aleatórios e trazendo versos com instrumental que soa exatamente como alarmes de celular da Samsung (cata o patrocínio das monas!!). A seguir lidamos com uma parceria inexpressiva com a Selena Gomez em “Ice Cream”. Aqui as gatinhas acertam nas metáforas sexuais divertidas e em todo o clima bobo e colorido da faixa, mas erram em todo o resto: nas melodias pouco criativas , especialmente no instrumental, que se resume a uma batida seca, grave pesado e sons de chocalhos. Após essa abertura bastante divisiva, somos introduzidos às faixas realmente inéditas™ do registro e bom…

Não dá para tirar um grande proveito desse (mini) álbum quando quase todas as suas músicas apresentam algum tipo de… digamos… problema. Se não é um instrumental mal produzido ou uma melodia repetitiva, é uma estrutura confusa ou uma letra ruim. Nada parece estar certo, e olha que a gente jura que foi ouvir essa pataquada de coração aberto… a questão é que é tudo tão básico ou mais do mesmo e simplesmente nada empolga. “Pretty Savage”, uma das inéditas mais populares entre os fãs e que aparentemente era a música cotada para ser o grande single de divulgação do disco por exemplo, parece que saiu exatamente desse vídeo aqui (how to create a blackpink title track).

Mesmo abaixo de nossas expectativas (se é que tínhamos alguma), é óbvio que o álbum tem seus momentos de brilho, como a cuíca que entra do nada em “Crazy For You”, e até mesmo a grande comemoração de que “Lovesick Girls” é o primeiro single das meninas em muito tempo a TER um refrão (!). Acredito que essas duas são as melhores coisas sobre o “THE ALBUM”, pois são músicas que não contam com a mesma fórmula de sempre e que mostram um BLACKPINK que evoluiu desde “AS IF IT’S YOUR LAST” – que é basicamente a melhor música delas. Apesar desses pontos positivos, não é exagero afirmar que esse material falha muito no quesito coesão (e olha que é um disco de 20 minutos) e também parece bastante incerto no seu objetivo de mostrar exatamente onde a girlband quer ir. O featuring com a sensação do rap e memeira de plantão, Cardi B, é tão esquecível que basicamente nem temos o que pontuar além das deliciosas partes onde as meninas ficam repetindo indefinidamente  “aposto que você quer….”. Mas o que é nós queremos, BLACKPINK? O que é bom para o moral, meninas? Bom, o que o JU2C queria era pelo menos algumas faixas com instrumentais e vocais não tão barulhentos e gritantes a ponto de serem desconfortáveis, mas não foi exatamente isso que rolou aqui.

Claro que as proporções desse lançamento seriam muito maiores se o grupo tivesse apostado em uma vibe mais pop – ainda mantendo seus traps étnicos aqui e ali, mas limitados a breaks, por exemplo. Mas infelizmente os batidões exagerados caracterizaram o grupo e colocaram elas em uma caixinha, impedindo que a criatividade dos produtores siga para outro lado e relegando elas a uma imagem e sonoridade meio over de garotas más do hip-hopzzzz. Quando elas deixam um pouco de lado as fórmulas prontas, a gente consegue realmente ver o brilho de um girlgroup de K-pop que tem tudo de bom do mercado asiático para oferecer ao mercado ocidental, e não apenas um monte de faixas bombásticas – no pior sentido – como acontece com a sensação culto-adolescente BTS (armys queremos views!!!). 

Partes da produção da faixa “Love To Hate Me” deixam isso expresso acima bem claro, onde as meninas até fazem uma brincadeira no pós-refrão, o que me lembra algumas faixas da trapstar Ariana Grande em “Thank U, Next” – ou seja, uma união perfeita do pop com uma atitude mais hip-hop de uma forma centrada e sem exageros. É uma das poucas faixas onde o grupo consegue mostrar o brilho de querer entrar por essa via hip-hop/trap sem todas as pataquadas farofísticas dos seus lead singles (singles esses que só conseguem emular essa sensação de serem coisas épicas pela ajuda de partes orquestras aleatórias completamente fora do lugar, e não por mérito real de suas produções). 

Mas é isso aí que temos para hoje, já que o álbum é tão curto e momentaneamente inespecífico que simplesmente não abre espaço para comentar sobre nada mais. “THE ALBUM” é regular, mas vai fazer sucesso como qualquer lançamento de um grupo high profile como o BLACKPINK. Então vamos somente desejar que os fãs não enlouqueçam quando elas sumirem por mais 1 ano, já que a YG deu tudo e mais um pouco (nas condições doidas deles) para o grupo nesse fatídico 2020. Quem sabe nesse período de férias o TEDDY não busca umas inspirações diferentes e traz algo realmente inovador para aumentar o catálogo das gatas com mais 1 digital single? Rezaremos para que não venha mais nada onomatopeico pois honestamente nenhum grupo consegue segurar carreira apenas fingindo que está fazendo música de verdade.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s