Dogmáticas recomendações midiáticas JU2C – Setembro/2020

Enquanto os membros do JESUS USAVA CHANEL não estão caçando briga com youtubers na internet, falando mal diariamente daquela sua péssima girlband favorita, furando o isolamento social em busca de fresquíssimos ingredientes veganos ou fazendo um café coado na cueca pro namorado, eles também estão consumindo uma quantidade enorme de conteúdo midiático. E como a gente sabe que pros gays o simples consumo de conteúdo midiático não é o suficiente, estamos lançando uma nova coluna no JU2C para recomendar as melhores partes deste conteúdo para você querida mulher de família leitora do blog que se perde nos extensos e pouco apurados catálogos da Netflix ou Spotify.

Quer saber o que ouvir, assistir, ler ou jogar (já que você não tem muito tino pra decidir essas coisas por conta própria)? Então cola no “DOGMÁTICAS RECOMENDAÇÕES MIDIÁTICAS JU2C“, a famigerada coluna que a gente criou pra te passar indicações não-solicitadas e cujas descrições naturalmente sugerem que o nosso gosto é melhor que o seu. E não é mesmo? Como o título do post indica, esta coluna é mensal e vai dar as caras por aqui sempre nos últimos dias de cada mês – se os integrantes fizerem um esforço mínimo, é claro, o que nem sempre é fácil pois somos gatinhas SOLICITADAS. Você também tem recomendações que se encaixem com o conteúdo do blog e quer compartilhar elas? Expõe elas na nossa caixa de comentários e… com sorte talvez alguém leia. Enfim, chega de blá blá blá: dá scroll no post aí e se joga, parceira!


✴ MICHEL / @worshipoz

MÚSICA – 6 meses (?) de quarentena e eu já perdi a conta de qualquer coisa que me faça bem durante esse tempo todo. Até porque sou um boiola de fases e a cada piscada que alguém dá eu já entro em uma era diferente. Dentre vários objetos que eu já usei pra me distrair (não, eu não tenho um dildo), acho que nada superou o fato de que eu só me sinto uma grande gostosa enquanto ouço músicas chiques. Então, obviamente, irei de recomendação musical na inauguração desta coluna.

Primeiramente eu ia falar do Chromatica, mas old que todos nós estamos dando streams diários pra essa belezura de álbum (já fiz até review dele e você pode [deve] lê-la, quenga!!), então resolvi pensar na Jessie Ware, mas ela também está estouradíssima na bolha do twitter e dificilmente existe algum gay leitor desse blog que ainda não ouviu falar sobre ela. Sendo assim, óbvio que o que eu recomendo para todas é o CD das Pepê & Neném norte-americanas, “Ungodly Hour”. Chloe x Halle têm crescido horrores artisticamente, e esse é um dos melhores lançamentos desse ano sem grandes dúvidas. Destaque importantíssimo para as músicas “Busy Boy” e “Ungodly Hour” que são completamente perfeitas e que vão fazer vocês se sentirem como ninfetas apetitosas, boneconas manhosas prontas pra o abate. Stream Ungodly Hour!

[Spotify / Apple Music]


CAINO / @goticaino

SÉRIE – Oi, amigas. Resolvi trazer indicações suculentas para você que está querendo botar um pezinho fora do mainstream mas continuar com o outro lá dentro. A primeira é a série Schitt’s Creek, que ficou famosa quando acabou. Pra quem ainda não sabe, é uma comédia canadense que teve destaque no Emmy esse ano, levando as 7 categorias principais de comédia, um feito histórico na premiação. A história é sobre uma família milionária que perde todo o dinheiro e bens e acaba indo parar em uma cidadezinha chamada Schitt’s Creek, comprada anos atrás por eles como uma piada de aniversário (!) pro filho mais velho. 

Com 80 episódios divididos em 6 temporadas, a série engatinhou lentamente até alcançar o status de popularidade dos dias atuais e é fácil entender o porquê. A obra é leve, bem humorada e rende momentos icônicos. Todos os personagens funcionam bem e só crescem ao longo dos episódios, com um destaque especial para Alexis Rose (Annie Murphy), a filha mulher da família, claramente inspirada em socialites como Paris Hilton e Nicole Richie. Vale muito a pena de assistir e se apaixonar por essa família perfeita.

[Uol Play / Amazon Prime Video]

MÚSICA – Já no lado da música, eu estou extremamente viciado em Aly & AJ, as musas ex-Disney que agora são ex-famosas também (brinks). Depois de dois excelentes EPs, “Ten Years” (2017) e “Sanctuary” (2019), que marcaram a volta das irmãs para a indústria musical com uma repaginação de estilo, conceito e visual, dois novos singles foram lançados nesse ano. Explorando ainda mais com a diversidade de estilos de synthpop, “Attack of Panic” e “Joan of Arc on the Dance Floor” trazem experimentações novas e bastante refrescantes na carreira das meninas, servindo de prelúdio pro novo álbum de estúdio delas, ainda sem data de lançamento.

Enquanto “Joan” traz todo o glamour e finesse do synthpop junto com a música disco – que anda sendo bastante referenciada nos últimos meses na música pop (com alguns atos muito duvidosos, por sinal) -, “Attack” é barulhenta, puxando um pouco para o lado do synthwave e da música industrial, com a letra descrevendo, basicamente, um ataque de pânico, que corrobora muito com o instrumental psicodélico da música. Ambas as faixas são um deleite e merecem muito ser escutadas! Contem depois pra mim no Twitter o que acharam, mas lembrando que só engajarei socialmente nos elogios :*

[Spotify / Apple Music]


✴ ÓPIO / @supamedicine

MÚSICA – Sim, eu estou usando outro nome na internet e sim, é estranho recomendar coisas aqui no blog porque eu com certeza devo ter um gosto diferente do público-comum do JU2C. Eu sou difereeeeentchie. Enquanto os gays que acessam este relevante site estão se digladiando por girlbands asiáticas com produções cada vez mais inaudíveis ou comentando sem parar tardiamente sobre artistas do J-pop que eram assunto na minha bolha exatos 10 anos atrás, eu estou ouvindo obscuras bandas de hardcore do País Basco ou transformando a minha casa num inferninho enquanto ouço popstars plastificadas e gostosonas do leste europeu. Ou seja, nada que seja apelativo para o nosso público normie – e posso usar essa palavra a bel prazer pois sou quase um incel desde que a quarentena começou!

Ainda assim eu tenho que recomendar alguma coisa já que eu mesmo sou o responsável pela idealização desta coluna. Poucos álbuns recentes andaram me chamando a atenção exceto um, o último álbum do gay cristão (não assumidamente gay mas obviamente gay e assumidamente cristão) Sufjan Stevens. Pra quem não conhece, o Sufjan é uma espécie de divindade no universo dos gays brancos, um cantor-compositor multi-instrumentalista que já tem uma carreira bem sólida e que ganhou ainda mais popularidade entre os gays caucasianos após ter feito músicas para a trilha sonora do romance mela cueca (que eu amo!) “Call Me By Your Name” (2017).

“The Ascension” é o oitavo álbum de estúdio dele, um vagaroso mas suculento disco de 1 hora e 20 minutos que se debruça com densidade e sensibilidade emocional sobre temas como amor, intimidade e existencialismo. Enquanto a maioria dos álbuns do Sufjan possui uma sonoridade folkzuda delicada, o “The Ascension” é um pouco mais detalhado e eletrônico – mas sem deixar de ser downtempo -, parecendo uma espécie de versão mais madura e sonoramente centrada do “The Age of Adz”, álbum do cantor lançado em 2010. Destaque para as faixas “Run Away With Me” (não é um cover da lendária faixa da Carly Rae Jepsen, ok?), “Ativan” e “Sugar”.

[Spotify / Apple Music]

SÉRIE – Eu não assisto séries normalmente pois tenho um attention span tenebroso (pior inclusive que o do público do blog, que nunca lê os posts completos), então pra mim é simplesmente impossível ficar esperando por episódios de um programa semanalmente ou sentar no sofá e passar horas assistindo a mesma coisa. Ainda assim eu cato alguns animes pois a minha personalidade aqui no JU2C é ser meio que a otaka do blog. Um dos últimos que assisti é também o que eu considero o melhor anime de 2020 até agora e provavelmente um dos meus animes favoritos em tempos recentes: Dorohedoro.

A obra é a adaptação do mangá de mesmo nome (e meio antigo até) da autora Q Hayashida, e sua história se passa em um local cinzento e violento chamado “buraco”, onde a população é frequentemente atacada por feiticeiros. Lá, conhecemos o protagonista Caiman, um homem que misteriosamente teve a sua cabeça transformada em uma cabeça de lagarto (quem nunca?) e que não sabe nada sobre o próprio passado – algo que ele vai explorar juntamente com sua BFF Nikaido, uma Paola Carosella peituda, loira e boa de briga. O anime é feito com uma mistura de animação convencional 2D e CGI, o que pode afastar aquele público meio fresco de anime que se recusa a ver qualquer série com uma técnica de animação diferente do convencional… mas quem se importa com eles? Como é uma produção/distribuição conjunta do estúdio MAPPA com a Netflix, o anime está inteiramente disponível no tenebroso catálogo da gigante do streaming (mas sem dublagem em português porque saiu no meio da pandemia).

[Netflix]

HQ – Eu não sou apenas otaka: também sou uma nerdoca tímida, desajeitada e sexualmente disponível. Por esse motivo estarei indicando também Histórias em Quadrinhos e Graphic Novels nesta coluna apesar de saber bem que isso não tem nada a ver com o perfil do leitor culturalmente desinteressado do JU2C. A última coisa nessa esfera que eu li e gostei muito foi Tokyo Ghost, uma HQ da Image Comics (a editora FODONA das HQs alternativas americanas) roteirizada pelo Rick Remender e desenhada pelo Sean Murphy – e apesar de estar dropping names aqui, eu não conhecia nenhum dos dois antes. A obra é um cyberpunkzão daqueles, e lida com temas como a onipresença da internet – que na história vira uma espécie de ópio (risos) pra população, que está sempre hiperconectada e não tem interesse em viver a vida offline. Junte isso com personagens bem-construídos, ação violentíssima e um roteiro muito bem feito e *booom*, temos uma das leituras mais indispensáveis no universo recente da banda desenhada!! Tokyo Ghost teve duas edições paperback lançadas originalmente e que foram compiladas em um só volume aqui no Brasil, lançado pela Darkside Books e que pode ser encontrado naquele precinhoan em lojas de livros online com pouca ética de mercado por aí.

[Amazon]


✴ LUCAS / @gwenxtefani

MÚSICA – Gente, tipo assim, 2020 foi o ano em que me descobri como uma grande influencer digital e, apesar de esbanjar simpatia na frente das câmeras, por trás delas eu sou apenas uma mera camponesa cheia de sonhos e que passa grande parte do seu dia ouvindo músicas tristes – dessas que fazem eu me sentir em um grande filme de drama dirigido pelo Paul Thomas Anderson.

Desde o início da Quarentena tenho descoberto artistas como Alfie Templeman, Meltt, Aquilo e vários outros, mas os destaques deste ano nas minhas playlists maravilhosas sem dúvidas foram o “Ungodly Hour” (álbum que a vaca do Michel já indicou lá em cima) e o “New Me, Same Us” do Little Dragon – este que é um disquinhos mais gostosinhos de se ouvir durante um domingo chuvoso ou pedalando por aí em busca da felicidade. Falando assim eu pareço ser uma gayzona muito conceitual… e sou mesmo! Mas enfim seguimores, deliciem-se com essa obra de arte sonora, seja se divertindo enquanto ouvem “Hold On” e “Are You Feeling Sad?” ou curtindo aquela vibezona triste enquanto ouvem “Another Love” (essa última é a música da minha vida sim e ponto final).

[Spotify / Apple Music]

SÉRIE – Bom, e não é só de músicas indies que uma grande gostosa conceitual vive, hein meninas? Ela também assiste televisão nas horas vagas ou quando tem tempo mesmo… o que é raro. Mentira! Na real nesses últimos tempos eu me tornei uma grande preguiçosa como a Jennie, e não me esforço nem para falar oi nas intros do Podcast do JU2C, mas abafa! Agora voltando ao assunto que de fato interessa: a série que vou indicar é Westworld da HBO, que está na sua terceira temporada e, apesar de parecer muito devagar, a série consegue se desenvolver muito bem e segurar o público. É isso meninas, se vocês, assim como eu, curtem essa pegada mais cyberpunk (vide ao jogo Cyberpunk 2077, em que a cantora ciborgue Grimes faz ponta), ou aguardam ansiosamente pela era em que as máquinas irão se revoltar contra os humanos e tocar um belíssimo foda-se, Westworld é a série pra você. Já vai preparando aquele torrent suculento (já que série da HBO não tem nas plataformas mais acessíveis né) e se prepara pra maratonar e ficar totalmente perdido na linha temporal louquíssima do programa!

[HBO Go]

FILMES – Já que eu falei de televisão né, não ia perder a chance de indicar também um filminho estilo blockbuster e cheio de sustinhos maravilhosos para vocês que curtem um terror trash bem produzido. Neste caso eu to falando de Aterrorizados, filme argentino de terror que, apesar de parecer trash pra porra, consegue te fazer pensar e te deixar desconfortável do começo ao fim.

Outra indicação é Host, um filme que é pra você que curte o rolê com espíritos e ainda acha interessante aplicar aos meios de comunicação atuais. Não vou me delongar explicando sobre sinopses porque no caso de filmes de terror a graça toda é exatamente vocês saberem o mínimo possível do enredo e apreciarem os filmes sem saber o que vem pela frente.

[Netflix / Shudder]

CANAL – E pra fechar essa lista maravilhosa de recomendações feitas por mim, uma grande influencer que impacta o seu público, irei finalizar da melhor maneira possível, indicando o canal da YouTuber Yuri, famosa por ser uma ex-integrante do ex-famoso grupo SNSD. Hoje em dia a gostosa atua como cozinheira e tem um canal onde recebe personalidades da mídia coreana e fica lá, bebendo e cozinhando, ao mesmo tempo que fica falando da vida alheia e enchendo o cu de cachaça. Destaque para o último episódio em que a Tiffany, ex colega de palco, fica bêbada de mimosa e sendo uma leonina por 10 minutos.

[Youtube]

É isso amoreees, quem curtiu bate palma e quem não curtiu que se exploda, mas sem extremismos por favor! Depois compartilhem comigo nas redes sociais o que vocês acharam das recomendações, usando a #olucasarrasa. E até a próxima edição dessa coluna com nome impossível de se decorar no mês que vem. BEYJOANS parceiras.

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