CURADORIA JU2C: As Dance Tracks mais quentes dos anos 2000

O JESUS USAVA CHANEL é um blog que nasceu com intuitos educacionais, prezando por instruir os nossos leitores sobre os mais altos níveis de cultura. Como possuímos um público esmagadoramente jovem (42% dos ouvintes do nosso podcast possuem de 0 a 22 anos, incluindo pessoas menores de 18 anos que não sabemos por qual motivo estão consumindo nosso conteúdo), presumimos que nem todos que leem frequentemente os assombros textuais deste site viveram as delícias do pop dançante dos anos 2000. E é por isso que esse post, altamente educacional, visa introduzir vocês às melhores dance tracks da primeira década do novo milênio – uma época de extremo otimismo no futuro (risos) em que a expressão dance music não significava a sua diva pop americana apática favorita lançando nhénhénhé de música “disco”, mas sim hits inesperados de artistas farofeiros anônimos importados diretamente dos buracos mais variados da Europa.

Primeiro é necessário certo contexto para entender o que diabos foi essa dance music dos anos 2000. Entre o final dos anos 80 e início dos anos 90, a Europa se tornou o berço de um estilo de música dançante meio duvidoso mas altamente viciante derivado de outros gêneros como o Italo Disco, High-NRG e New Beat… sim, estamos falando do Eurodance. O Eurodance se tornou extremamente popular nos anos 90, com hits como “Rhythm of the Night” e “Mr. Vain“, e a partir daí vários produtores e artistas anônimos quiseram tirar casquinha do gênero – o que culminou no fato de que basicamente todo mundo (todo mundo mesmo) se jogou no Eurodance naquela década. Como acontece com qualquer gênero farofento, o Eurodance passou a apresentar certo desgaste com o tempo, perdendo bastante popularidade antes mesmo da virada do milênio. A questão é que, ainda assim, a Europa nunca parou de conceber artistas e músicas Eurodance, então lá pros anos 2000 o gênero virou um nicho um pouco menor mas se metamorfoseou em um grande pot-pourri de cafonices envolvendo gêneros modernosos da época, como o Techno e o House.

Essa mutação do Eurodance nos anos 2000 acabou sendo extremamente abraçada no Brasil. Enquanto o mercado musical internacional engolia majoritariamente o R&B, Hip-Hop e Teen Pop nos primeiros anos do novo milênio, nós brasileiros farofávamos com essa música dançante (agora conhecida apenas como “dance“, o som dos jovens) que era bombardeada por meios como a rádio Jovem Pan em seu saudoso (?) programa Planeta DJ, festivais como o Planet Pop Festival (que foi o Tomorrowland antes do Tomorrowland existir), coletâneas como o Summer Eletrohits e até em programas de auditório como o Sabadaço e o lendário Superpop (que fez um programa especial sobre isso em 2004 digno de recap). Para mais entendimento do assunto, sugiro esta leitura.

Mas enfim, mesmo que você seja um twink pós-púbere abusado que chama qualquer pessoa com +25 de “cacura” e não queira realmente se jogar nos pormenores desta #cena saudosa (que contou até com hits made in brazil), este texto está aqui para te mostrar quais foram as mais GOSTOSAS farofas que bombaram na época e que continuam com relevância até os dias de hoje. Cafonérrimos hits capazes de ativar todas as sensações mais degradantes de nostalgia dos seus amigos na casa dos 30 anos que mentem patologicamente a idade assim como a Alexa Demie. É sempre bom ganhar um pouco de bagagem cultural, não é mesmo? Então vamos nessa buzzfeedica e vertiginosa viagem direto do túnel do tempoannn.


5. Carolina Márquez – The Killer’s Song

Ano de lançamento: 2004
Por qual motivo é uma das dance tracks mais quentes dos anos 2000? refrão assobiado icônico e libidinosas apropriações culturais

Muito antes da Colômbia nos agraciar com gostosas do alt-pop como Kali Uchis e Tei Shi e com gogoboys do reggaeton como o Maluma e J Balvin, o minúsculo país latino já tinha lançado pro mundo a Shakira e, mais importante, a maior latina safada do mercado dance farofa europeu: Carolina Márquez. E falo safada porque ela literalmente debutou com um single chamado “S.E.X.O.“, um número spoken word onde ela geme enquanto fala coisas como “¿quiere masturbarte con la imaginación?”… sutil, não é mesmo? Mas o grande hit da gata, que é uma mistura visual da Deborah Blando com a Sabrina Parlatore, surgiu quando ela resolveu samplear “Twisted Nerve”, música da trilha sonora do filme de mesmo nome e que na época havia sido utilizada numa das cenas mais icônicas do filme Kill Bill, que virou uma espécie de meme ancestral na internet. Ou seja: pelo menos desde 2004 tem gente capitalizando descaradamente em cima de meme – e eu vivo por isso.

The Killer’s Song tem todos os atributos de um bom pump it up dos anos 2000: batidão farofento crescente, letra grudenta altamente genérica e um refrão ecumênico incapaz de ser esquecido tão cedo – o refrão é literalmente o icônico assobio de Twisted Nerve e posteriormente uma versão cantada dele. Mas os atributos de uma perfeita dance track não param por aí, pois o aspecto visual é extremamente importante quando se trata de um farofão europeu dos anos 2000. Aqui temos um clipe de baixo orçamento gravado em um porão escuro e que traz um styling duvidoso pra cantora, além de elementos clichês como um DJ aleatório tocando em algumas cenas e também o aspecto mais definidor desse tipo de obra do início do novo milênio: mulheres sendo sexualizadas a torto e a direito com looks do mais duvidoso gosto (mesmo pra época) <3.

Como a inspiração pra essa joça toda é Kill Bill, aqui as dançarinas gostosas saídas diretamente de algum programa de auditório das tardes brasileiras de domingo usam quimonos curtíssimos, exibindo generosos shots ginecológicos enquanto dão uma surra de sambica (ou de nunchaku) em homens engravatados – pode parecer que o visual é meramente uma apropriação genérica das estéticas samurai e yakuza japonesas, mas na verdade estamos lidando com uma elaboradíssima metáfora visual sobre a rendição do Japão à predominância dos aspectos culturais norte-americanos após a segunda guerra mundial e a consequente ocupação militar estadunidense no arquipélago. Isso NA SUA CARA enquanto você perdia a dignidade no meio da sala dançando esta apetitosa faixa em 2004.


4. Cascada – Everytime We Touch

Ano de lançamento: 2005
Por qual motivo é uma das dance tracks dos anos 2000? O riff inconfundível da música fez até a sua mãe dançar um techno por aí se bobear

O Cascada é um trio de Eurodance que surgiu em 2004 e que segue a importante tradição dos grupos de dance music da Europa dessa época: DJs anônimos criam as batidas enquanto o grupo é liderado por uma loirona gostosa caucasianérrima, assim como o grupo Ian Van Dahl e o saudosíssimo Lasgo (que não morreu de verdade mas eu considero que morreu depois que a lendária vocalista Evi Goffin saiu). A loira gostosa aqui no caso é a Natalie Horler, simplesmente a mulher que CUNHOU o cafonérrimo cabelo loiro com mechas pretas, visual que seria copiado por todas as mulheres quarentonas brancas de classe média e gosto duvidoso do mundo.

Dá pra dizer que o Cascada teve alguns hits mundiais em seu ápice na década de 2000 (sendo provavelmente o único ato dessa lista que charteava bem no mercado americano), como a chatíssima “Evacuate the Dancefloor“, que tocava em qualquer carro de malandro em 2009. Mas o fato é que nenhum dos hits do grupo marcou tanto quanto “Everytime We Touch“, um farofão techno de BPM descaradamente alto, com versos arrepiantes, um refrão efusivamente explosivo e um riff de sintetizador que qualquer pessoa deve reconhecer até hoje. A música tem na verdade o refrão todo chupinhado dessa delícia de música de tia aqui lançada nos anos 90… e tem algo melhor do que atos musicais que transformam músicas de tia em farofões eletrônicos?

Infelizmente o clipe desse single não segue o padrão de sexualizações criativas dos clipes de Eurodance dos anos 2000, optando por mostrar uma historinha aleatória onde a Natalie Horler tenta… mamar um boy bibliotecário…? Eu entendo o fetiche mas não sei, não dá pra ver nada direito porque o clipe é meio escuro e ele só existe até hoje em uma saborosa qualidade 480p no youtube (e a versão mais visualizada tem apenas 240p <3).


3. Mason vs. Princess Superstar – Perfect (Exceeder)

Ano de lançamento: 2007
Por qual motivo é uma das dance tracks mais quentes dos anos 2000? Foi o maior ato da estética safada da dance music na época e uniu a música eletrônica com o pop

Lá pelas idas de 2006 o DJ holandês Mason lançou “Exceeder“, uma faixa instrumental electro house que logo “viralizou” (pros padrões da época) com vários mashups pela internet por ser uma faixa com som distinto e que os DJs perceberam que combinaria com vocais de outras músicas. “Exceeder” meio que virou um clássico contemporâneo da música eletrônica e, com a popularidade da faixa nas pistas de dança pelo mundo, logo algum figurão da indústria musical reparou que seria lucrativo criar uma versão da faixa para atingir também o mercado da música pop.

A versão no caso é também um mashup, dessa vez com a faixa “Perfect” da cantora trash Princess Superstar, uma gostosa que é uma das pioneiras na cultura das rappers brancas e também meio que uma versão menos subversiva da cantora Peaches. “Perfect (Exceeder)” é a versão superior das duas músicas, que combinaram tão bem que às vezes mal dá pra lembrar que são faixas separadas. Além de ser um farofão enérgico e tão viciante que funcionou fácil na pista de dança e nas rádios, eu digo sem nenhuma dúvida que “Perfect (Exceeder)” é uma das dance tracks mais safadas dos anos 2000, competindo páreo a páreo com “Satisfaction” do Benny Benassi e seu clipe (que é basicamente um pornô numa serralharia com várias metáforas visuais sobre penetração).

No caso do clipe de “Perfect (Exceeder)”, também temos todo o visual cafona e inventivo do que seria um filme pornô super estilizado, dessa vez se passando em um clube de ginástica esportiva, onde três gostosas dublam a música – já que a Princess Superstar tava provavelmente véia demais pra participar dessa pataquada. São elas:

As três fazem sensuais movimentos pélvicos em gym balls e eventuais caras e bocas que apenas grandes nomes do mundo pornográfico poderiam fazer, mostrando que no fim das contas uma chave de buceta sempre será a melhor ginástica. Caso você não tenha reparado, a Kylie Minogue DESCARADAMENTE plagiou essa delícia de clipe em seu péssimo “Sexercize“, tirando todos os itens camp de “Perfect” e mudando também a paleta de cores – simplesmente minando toda a graça da coisa. Ademais, as periguetes do clipe usam seus curvilíneos corpos e fartos seios para desestabilizar seus competidores ginastas homens durante a obra… FEMINISMO!! Ah, e falando em homens, o clipe também tira um tempinho pra objetificar uns machos porque ninguém é de ferro, né?


2. O-Zone – Dagostea Din Tei

Ano de lançamento: 2003
Por qual motivo é uma das dance tracks mais quentes dos anos 2000? Deu uma carreira pra Rihanna e criou o único hit do Eurodance em português

De todos os bueiros europeus de onde as músicas daqui saíram, “Dragostea Din Tei” tem a origem mais bueirística possível, já que a música é um single em romeno lançado por uma boyband da Moldávia – locais que você nem sequer saberia identificar num mapa. O single é provavelmente o único hit mundial em romeno que você já ouvir por aí, e foi uma febre incontestável para muito além de sua época de lançamento, se tornando um hit chiclete especialmente pelas suas partes icônicas, como a repetição do “nu ma nu ma iei” (que fez a música se tornar conhecida como “The Numa Numa Song”) e a intro com a repetição do “mai-a hi, mai-a hu”.

Eu acho que “Dragostea Din Tei” meio que dispensa apresentações porque provavelmente todo mundo conhece ela por suas versões. A música foi sampleada no hit “Live Your Life” do T.I. com a Rihanna e também ganhou uma versão brasileira extremamente mais cafona que a original (se é que isso é possível) na voz do cantor Latino, a desprezível “Festa No Apê” (que é tão ruim que não serviu pra virar um número nostálgico trash… mas pelo menos me ensinou o significado das palavras “libido” e “orgia”). Mas ainda assim a versão original de “Dragostea Din Tei” merecia ser mais apreciada, afinal é a versão superior de uma música que com certeza não deixa nenhuma alma viva parada até hoje dada a iconicidade de todos os seus trechos.

Como o O-Zone era uma boyband de twinks dos anos 2000, o clipe entrega todo o tipo de estética baranga que os twinks dos anos 2000 usavam: cabelos com luzes e gel, tosquíssimos óculos estilo máscara ou com lentes coloridas da época, suspensórios, t-shirts tie dye coladinhas e camisas de botão abertas até o umbigo… eu sinceramente VIVO por isso. Por sinal o clipe também tem umas cenas com uma belíssima iluminação meio amarelada e com os integrantes do grupo em poses sexualmente sugestivas que lembram literalmente aqueles pornôs de twink bem fuleiros dos anos 2000 – quem é ávido conhecedor do nicho vai entender o que eu tô falando ao conferir a obra.


1. Alex Gaudino & Crystal Waters – Destination Calabria

Ano de lançamento: 2006
Por qual motivo foi uma das dance tracks mais quentes dos anos 2000? Ela foi provavelmente responsável pela sua primeira ereção

“Perfect (Exceeder)” não é o único mashup presente nessa lista, já que a nossa primeira posição também é uma mistura de duas faixas dance aleatórias reimaginadas como um farofão jovempanístico. Em algum momento de 2006 o DJ Alex Gaudino achou que seria legal mesclar “Calabria” do DJ Rune, um farofão das pistas de Ibiza, com a faixa “Destination Unknown” da lenda da dance music Crystal Waters, cantora responsável por um dos hits mais definidores da música house nos anos 90. O resultado disso foi simplesmente A dance track mais quente dos anos 2000, “Destination Calabria“, um house cheio de saxofones intercalados com a voz forte e inconfundível da Crystal.

A música obviamente foi um hit instantâneo, emplacando um top 5 no Reino Unido e bombardeando o público brasileiro através da supracitada Jovem Pan no seu período pré-veículo estatal fascista e também da coletânea/artefato divino Summer Eletrohits 4. Mas é claro que seu sucesso não aconteceu meramente porque a música é boa, mas também por causa de seu catedrático clipe, que resolveu colocar diversas quengas em minúsculos trajes de banda marcial dançando uma elaborada coreografia enquanto recebem vários closes anais ou apenas mostram generosamente a calcinha enfiadaça. E quem poderia julgar elas?

Não satisfeito em nos fazer cheirar calcinha por uns três minutos seguidos nessa experiência televisiva feita para causar ereções no telespectador-comum, o clipe de “Destination Calabria” ainda usa instrumentos musicais, como trompetes e saxofones, em metáforas visuais fálicas enquanto coloca as modelos em situações ainda mais sugestivas, simplesmente levando a estética safada de qualquer clipe dance dos anos 2000 ao NEXT LEVEL.

E nem precisamos começar a falar que a estética de “Bang!” do After School é literalmente uma versão MENOS gostosa deste clipe, com um visual de bandinha marcial meio parecido mas sem a distinta vibe intravaginal que “Destination Calabria” nos oferece.

E aí, gostou da seleção deste post e quer conhecer mais ou mergulhar na nostalgia desse cafonérrimo nicho da música de uns anos atrás? Siga a minha playlist SUMMER ELETROQUENGA para melhores resultados e a gente se vê num próximo post quando eu estiver com saco pra escrever de novo. (ノ^_^)ノ

4 Comments

    1. Sim hahahah, mas ele me ganhou por causa do uso de várias técnicas filmográficas. Tem tanta coisa rolando no clipe que nem parece um vídeo só (e de quebra ele inventou o lyric video)

      Curtido por 1 pessoa

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