JESUS RANKEIA: Fadas Sensatas Edition

O cenário musical anda igual o nosso site: parado. Mas recentemente o empoderamento de nações ao redor do mundo foi acontecendo quando nossas Fadas Sensatas da indústria resolveram levantar do sofá para acabar com a crise desempoderada que ronda pelo mundo, já que a pandemia não nos deixa #tombar ou #lacrar fora de casa com aquele look que quebra tabus. Miley Cyrus, Iggy Azalea e Tinashe, ITZY e a comandante do exército de fadas sensatas Manu Gavassi (ao lado da dragzona Gloria Groove), revivem o famoso #girlpower em músicas pop um tanto medianas, mas que fazem você, ouvinte na pandemia, desejar que o vírus nunca acabe para que você nunca corra o perigo de um dia escutá-las na pista de dança.

Entre acertos e erros, nossas fadas sensatas sem dúvidas colocaram suas mãozinhas no nosso queixo enquanto estávamos cabisbaixas e até incentivaram o JESUS USAVA CHANEL a voltar do seu mês sabático – procura na bíblia que com certeza Jesus descansou em Agosto. Então sem mais demoras, vamos aos hinos empoderados:

Miley Cyrus – Midnight Sky

Podemos dizer sem muita dúvida que a carreira da Miley Cyrus é mais bagunçada do que a frequência recente de posts do JESUS USAVA CHANEL. A gata empreende uma nova identidade visual e musical a cada lançamento, nunca demonstrando uma grande consistência temática e abrindo espaço para criativíssimas piadas sobre as suas milhares de personalidades. “Midnight Sky” é o primeiro single dela depois da abortada era “She Is Coming” (que consistiria em três EPs, só que parou ainda no primeiro) e, como era de se esperar, a música é mais um reboot imagético e sonoro na cansativa caminhada artística da Miley. A diferença é que dessa vez a música é surpreendentemente boa? E a imagem também surpreendentemente funcionou com a Miley??? E isso tudo é chocante porque geralmente o hobby desse blog é falar mal da ex-loirinha da Disney. “Midnight Sky” aproveita da atual popularidade do synthpop oitentista (que entrou mais fortemente na rota do pop mainstream depois do último álbum do The Weeknd) e traz uma composição rebelde e inconformista – temáticas que normalmente poderiam deixar qualquer música com um aspecto “forçado”, mas que aqui soam incrivelmente naturais -, cheia de partes líricas e estruturais que poderiam ser facilmente cantadas pelo Bon Jovi nos anos 80, mas com uma estética que remete diretamente a outros artistas mais sofisticados da época, como Prince e Debbie Harry.

Nota: 4 de 5


Iggy Azalea & Tinashe – Dance Like Nobody’s Watching

O synthpop não é o único gênero que anda fazendo a cabeça dos gays viciados em charts recentemente: ele divide espaço com o atual revival da disco music, um movimento que foi encabeçado esse ano por artistas como Doja Cat em “Say So” e Dua Lipa na desconfortável “Don’t Start Now”. Como a Iggy Azalea é capaz de pular em qualquer barco contanto que tenha uma garantia de sucesso, a gata se jogou de cabeça na disco music em “Dance Like Nobody’s Watching”, parceria com a eterna musa injustiçada Tinashe. A parceria entre as duas (capaz de estremecer todo o top 1500 do iTunes) não é exatamente uma novidade, já que elas colaboraram anteriormente num remix da faixa “All Hands On Deck”, mas a questão é que “Dance Like Nobody’s Watching” é a junção mais elaborada entre as duas até então, algo que sabíamos que aconteceria hora ou outra já que elas possuem estéticas relacionáveis. Em vez de investir na sonoridade disco com todas as pataquadas que o gênero pode oferecer – guitarrinhas funkeadas, baixo puxado e sintetizadores brilhantes -, a canção aposta em um instrumental disco mais simplório, minimalista até (e esse é o maior trunfo da música, pois assim ela se deixa ser preenchida por um refrão grudento levado principalmente pela voz da Tinashe e suas backing vocals). O rap, que preenche as áreas dos versos, não tem nenhuma novidade em sua letra, mas também não é ruim… óbvio que o fato de ser a Iggy Azalea entoando esse rap é o que estraga ele, já que a gostosa realmente não consegue convencer como rapper até hoje e a voz dela é simplesmente meio off. Tirando esses pormenores, “Dance” (cansei de digitar esse título enorme, pff) é um deleite de se ouvir – e se não for esquecida em 3 dias assim como tudo que a Iggy Azalea lança, eu até diria que tem capacidade de figurar entre as 100 faixas favoritas do blog esse ano ou algo do tipo.

Nota: 4 de 5 


ITZY – NOT SHY

No seu quarto single da carreira, as meninas do ITZY e grupo blackpink impersonator da JYP lança mais um pancadão empoderado com uma temática nada nova ao longo da sua carreira. Seguindo a narrativa do nosso tesouro nacional, Pabllo Vittar, e seu pagofunk “Tímida (ft. Thalia)”, o ITZY vem para afirmar que não são tímidas não. Mas dessa vez o hino empoderado das cinco páginas do livro da alexandrismos nos deixou um tanto desempoderadas. Os synths que se cruzavam com os saxofones e as palminhas, são todos bem comuns desse tipo de música, e a produção não oferece nada novo, mas ainda é uma faixa mediana que pode crescer ao longo dos seus anos. O clipe da música “NOT SHY” também não é lá essas coisas que prometia ser, em meio à uma narrativa de “procuradas” – talvez pelo crime do empoderamento -, o ITZY vive sua fantasia velho oeste onde só dançam um pouquinho e no final de tudo entram em um espaço que parece ser um contrabando de sobremesas congeladas, nada faz sentido, os visuais não salvam a música nem um pouco. Por enquanto, estamos desempoderados o suficiente para não voltar para ela mais de 5 vezes, esperamos como medida emergencial a listening party intensiva de “NOT SHY” para resolvermos esses problemas.

Nota: 2,5 de 5


Manu Gavassi – Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim (feat. Gloria Groove)

Depois de três meses presa dentro de um reality show recrutando seu autodenominado “exército das fadas sensatas”, Manu Gavassi lembra que sua carreira musical nunca teve um pontapé e que antes de entrar no programa ela ia de mal a pior com uma paródia sem graça e cafona de “sweet but psycho” da Ava Max. Com seu maior hit sendo o tema do ENEM (Exame Único do Ensino Médio), a “cantora” decide que quer mudar sua própria história lançando a nova “Deve Ser Horrível Dormir Sem Mim”, que eu vou mencionar como DSHDSM porque sinceramente que nome tenebroso de grande, e eu não tenho tantos neurônios assim. A música que conta com participação da drag rival de Lidio Matheus, Gloria Groove, é basicamente um quase-reverb de “Shape Of You” onde Manu Gavassi tenta emplacar essa sua identidade artística de ser aquela patricinha diferente e fora da curva, que adoooora coisas alternativas. Felizmente o verso da Gloria Groove salvou boa parte da música e inclusive a bagunça que foi o refrão “mistura de Rita (Lee) com Amelie”, sendo que a sonoridade disso é tão cacofônica que literalmente soa como “mistura de Hitler com Amelie”. Mesmo assim a faixa é uma grande melhora das últimas coisas que ela lançou, então parabéns? Eu acho. 

Nota: 3 de 5

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