JESUS RANKEIA: Lançamentos de Solistas coreanas Julho/20

A JESUS RANKEIA tirou uma semana sabática para limpeza de imagem, mas já está de volta para a alegria de quem curte acompanhar esse cantinho do amargor (que não era a intenção original da coluna, já que só queríamos abrir um inocente espacinho para comentar lançamentos… só que o tanto de coisa ruim que anda saindo em 2020 não nos dá outra opção além de criticar negativamente). Com duas semanas de acúmulo de lançamentos, essa coluna vai vir com mais reviews do que o normal – e poderia vir com ainda mais coisas, mas fizemos uma curadoria do que seria realmente relevante para trazer nessa edição.

Como estranhamente o K-pop anda rendendo um bom quantitativo de lançamentos… hm… interessantes de solistas esses tempos, nesse post nós vamos reunir apenas músicas recentes dessas solistas, indo de ex-quase-integrantes de ex-grupos poupulares a solistas indie e que não ganham o devido reconhecimento na comunidade/fandom da música pop sul coreana. Lembrando que discordâncias, críticas e eventuais surtos podem ser jogados na nossa fabulosa e inutilizada caixa de comentários. Vamos aos rankings?

HYO – Dessert (feat. Loopy & Soyeon)

Quando se trata de solistas, o finado Girls’ Generation é o exato oposto do que é um case de sucesso: apesar do grupo ter dado vida a carreiras musicais de seis ou sete integrantes (de nove), apenas uma (1) delas realmente vingou com o público e possui uma carreira solo consolidada. E essa integrante não é a HYO… mesmo. A carreira solo da HYO é uma bagunça sem fim e foi inteiramente construída com lançamentos esporádicos que atiraram para todos os lados (sério, ela até virou DJ numa época) e meio que nunca mostraram quem ela é como artista. Dito isto, “Dessert” é mais um desses lançamentos miseravelmente aleatórios da gostosa, dessa vez contando com participações um pouco mais consagradas como o rapper Loopy e a multiétnica integrante do (G)-IDLE Soyeon. E olha, por mais que esse blog tenha como hobby meter o pau na HYO e em seus lançamentos pífios (acho que já fizemos um podcast dedicado apenas a essa finalidade), é surpreendente o fato de que nós do JESUS USAVA CHANEL até que não odiamos “Dessert” – aliás, podemos inclusive dizer que a música é muito bem-sucedida no que se propõe: ser uma farofa de verão milimetricamente engenhada para fazer sucesso em aulas de Zumba e Fitance em academias da Coreia do Sul. “Dessert” é um trap/EDM energético e com tudo o que uma música farofenta desses gêneros pode apresentar: graves pesados, frases de efeito e breaks inacabáveis. A letra é propositalmente boboca e divertida, mas acho que em alguns momentos ela tenta ser divertida demais e fica meio cringe. A frase de efeito “você sabe o que eu mereço? sobremesa” soa ridícula e demais partes da letra, como raps e versos das participações especiais, não ajudam muito na impressão final (aliás, as participações parecem existir aqui só para desviar a atenção do público do tanto de balela que tá sendo dita na música). Em compensação o instrumental é extremamente competente e consegue fazer com que a música não soe ofensiva ou irritante – algo que provavelmente poderia acontecer dadas as ideias apresentadas nela.

Nota: 3 de 5


SOMI – What You Waiting For

O JESUS USAVA CHANEL nunca chegou a fazer uma review de “Birthday”, faixa de estreia da SOMI lançada no ano passado – mas caso essa review tivesse rolado, nós certamente teríamos dito que ela foi a pior faixa lançada por uma idol grande do K-pop no ano de 2019. Porém ok, estamos em 2020 e toda a enxurrada de mau-gosto de “Birthday” é água passada: agora a SOMI fez o seu primeiro comeback com “What You Waiting For“, faixa que ao menos trouxe uma promessa de evolução… que ficou só na promessa mesmo. Produzida pelo infame Teddy Park e também com inputs criativos da própria SOMI, a música é um tropical house “na média” e sem grandes novidades em relação às músicas desse gênero que são lançadas no K-pop. O fato de ser um tropical house por si só não é um grande fator de crítica para o single (afinal é até redundante reclamar de tropical house na música sul coreana), mas o que realmente pesa nessa música é o fato de que parece “faltar” algo em todos os aspectos dela: falta um grave mais presente para acompanhar o instrumental, falta uma letra minimamente mais interessante e, acima de tudo, falta uma personalidade artística mais forte na cantora pra levar uma música tão mediana assim (e convenhamos que o K-pop é uma prova viva de como idols com carisma e personalidades interessantes conseguem fazer músicas medianas ou ruins funcionarem). No fim, “What You Waiting For” soa como um ringtone da Samsung remixado e uma versão ainda menos gostosa da já não muito gostosa faixa “Don’t Know What To Do” do BLACKPINK. É, não foi dessa vez que a Giovanna Grigio asiática conseguiu convencer em mais uma tentativa solo.

Nota: 2 de 5


SOYOU – GOTTA GO

Saindo de um tropical house xexelento para um tropical house bem mais decente, quem voltou usando e abusando de uma forma bem mais interessante desse gênero foi a SOYOU. Para quem não conhece a gostosa, ela é uma das ex-integrantes do ex-grupo de gostosas SISTAR, agora se lançando novamente por hobby em uma carreira solo relâmpago feita apenas para reafirmar que ela é uma gostosa. O SISTAR foi o girlgroup coreano que cunhou o “conceito de verão”, sempre ralando o cu anualmente em ensolaradas faixas lançadas nos meses de junho a agosto (quando é verão no hemisfério norte), e sendo assim a carreira solo da SOYOU não poderia deixar de fazer jus a essa bagagem veranil de seu finado grupo. “GOTTA GO“, seu lançamento mais recente, é um single feito especificamente para ser tocado em pool parties clandestinas e aulas de dança aeróbica na orla de praias do litoral sul-coreano. Sua batida é envolvente e genérica na medida certa para pôr em prática o hino dançante pretendido pela composição, que é totalmente sassy e utiliza muito bem os ótimos vocais da gata. Óbvio que a gente vai esquecer que essa faixa existiu em umas duas ou três semanas, mas sinceramente quem se importa? Hyolyn que se cuide.

Nota: 3 de 5


Yukika – SOUL LADY

A Yukika ja foi aclamada com um single de pré-lançamento na última edição desta coluna, mas a gente não se importa em aclamar ela mais uma vez por aqui. A pirralhenta, que é nada mais do que uma japonesa infiltrada na indústria sul-coreana, acabou de lançar o seu primeiro álbum completo, o “SOUL LADY” (chocando grupos de empresas grandes que não tiveram álbuns completos até hoje). A faixa-título do disco serve também como principal música de divulgação dele, e é um número bem direto de city pop com direito a todas as pataquadas que uma boa canção de city pop pode ter: o instrumental é todo funky do início ao fim, os backing vocals são cafonas de uma forma positiva, a composição é nostálgica, vários instrumentos de sopro atingem nossos ouvidos aqui e a ali e o refrão – extremamente competente – é uma explosão oitentista grudenta e facilmente reconhecível. Não tem como a gente não dar 5 de 5 estrelas sempre que a Yukika pinta por aqui, não é?

Nota: 5 de 5


Song Ji Eun – MIL (Make It Love)

Há muito tempo, quando o K-pop ainda começava a engatinhar seu caminho para se tornar uma sensação global, existiu um girlgroup chamado Secret. Embora esse grupo tenha rendido alguns hits e se provado relativamente popular, ele é muito injustamente um dos grupos mais esquecidos da segunda geração de girlgroups sul-coreanos. Mesmo tão ignorado, o Secret até chegou a render duas carreiras solo interessantes: a da center gostosona Hyo Seong (que tá aí tentando até hoje) e a da vocalista boboca e fofa Song Ji Eun. A carreira solo da Song Ji Eun inclusive é um caso complexo, porque começou em 2011 com o hit “Going Crazy” (que barrou até o BIG BANG nos charts da época) e depois teve um desenvolvimento bem irregular, dando uma pausa enorme por causa do fim do contrato da gata com a empresa que agenciava o Secret. Felizmente a cantora resolveu suas pendências legais (?) e agora em 2020 pôde voltar com a carreira solo de vez e um novo mini álbum. A música escolhida para o seu comeback é “MIL (Make It Love)“, [mais] um tropical house manufaturadíssimo produzido na coreia, mas que dessa vez traz uma ênfase maior nas características refrescantes e carismáticas do gênero em vez de apostar diretamente na farofagem. Eu particularmente não curti tanto a faixa (parece b-side daquele álbum trop-house que a Taeyeon lançou em 2016), mas fico feliz com o retorno da artista e espero que daqui pra frente ela solidifique novamente o seu nome na indústria e tire proveito de seu rostinho que parece um mashup da Chuu do LOONA com a Naeun do APRIL.

Nota: 2 de 5


LEE HI – HOLO

Dentre todas as carreiras solo bagunçadas desse post, a carreira da LEE HI é de longe a MAIS bagunçada – mas isso é entendível diante do fato de que a gata foi por muitos anos contratada pela YG Entertainment, a empresa que é basicamente o maior cartel/máfia asiática em atividade. Resolvidos os seus problemas ao sair da empresa, LEE HI agora está de volta com sua carreira tomando um direcionamento mais alternativo e indiezudo. Ela sempre teve uma voz bem soulful, e agora pode usar esse atributo da forma certa na faixa “HOLO“, primeiro single lançado por ela em um ano. “HOLO” é uma faixa mais orgânica e feita para ter um tom intimista e um desenvolvimento mais carregado pela voz da artista mesmo, mas isso não significa que ela é simples e boba: seu refrão é um dos refrões mais bonitos de faixas do K-pop esse ano, arrebatador e cantado em um tom de emoção que poucas vocalistas do nicho conseguem conceber. A letra é basicamente uma ode ao amor-próprio, uma afirmação sobre a importância de aprender a se colocar como prioridade, o que torna ela basicamente a “Fucking Perfect” coreana – só que bem menos cafona.

Nota: 4 de 5

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