PRIDE POST ATRASADO: Top 5 madrinhas das gays

O mês de junho chegou ao fim (há bastante tempo), mas o JESUS USAVA CHANEL não esqueceu que estivemos no PRIDE MONTH, mês destinado a celebrar a visibilidade da comunidade LGBT por conta do 28 de junho: o Dia do Orgulho LGBT. A data existe por causa da revolta de Stonewall, algo que você lgbtzinho médio deveria saber bem do que se trata (e também do fato de que ninguém morreu lá), e nós, como um blog GGGG LGBT que somos, não podíamos deixar de comemorar o Pride Month com estilo, pompa e bastante atraso.

No ano passado fizemos conteúdos mais “sérios” durante o mês de junho, com uma sequência de posts culturais sobre filmes, livros e personagens LGBT – mas este ano o blog está de volta com um conceito mais jocoso e descaradamente farofento, e é por isso que precisamos celebrar o Pride Month com uma série de posts estúpidos e meio bobocas pra alimentar o nosso público que clama por esse tipo de coisa <3. Pensando nesse intuito nefasto, elaboramos como pride post desse ano um ranking sobre uma parcela singular da comunidade LGBT (ou eu diria: GLS) que geralmente não tem tanta visibilidade mas que é a pedra angular dessa quadratura de siglas: as madrinhas das gays. Mas o que é exatamente uma madrinha das gays?

Muito mais do que uma classificação, madrinha das gays é um estado de espírito, um mood, mas que segue algumas regras (que podem ser subvertidas ou não dependendo do contexto). Geralmente são mulheres heterossexuais acima dos 40 anos, verdadeiras cougars que vivem rodeadas de homens gays ou, mais raramente, de demais representantes das outras siglas. A relação dessas mulheres com a comunidade LGBT segue uma hierarquia bem particular: a madrinha está em posição de poder, sendo bajulada como uma rainha, protetora e advogada da comunidade, enquanto os LGBTs em si estão na posição de bajuladores, chaveirinhos, alívios cômicos e tokens da madrinha. Para conquistar esse cobiçadíssimo posto, é necessário que a candidata se engaje minimamente em assuntos relacionados aos direitos dos LGBTs (gay rights!) e que tenha uma personalidade extravagante, divertida e com um ar de espontaneidade. Se ela curtir usar looks chamativos, melhor ainda. YAAAASSSSS!

Não podemos negar que esse estereótipo potencialmente problemático surgiu porque uma parcela dos homens gays sente que precisa de uma mulher poderosa pra bajular… e quem pode culpar eles, né? Uma vez reconhecida como madrinha das gays (ou “dinda“, para os mais íntimos), a mulher em questão passa a ganhar certos privilégios dentre a comunidade GGGG: 1. ela pode usar frequentemente gírias que são próprias da comunidade e que seriam vistas como xingamento caso utilizadas por demais heterossexuais (“viado” sendo a gíria favorita), 2. ela possui passe livre para soltar ofensas a outros LGBTs sem ser considerada lgbtfóbica e 3. ela ganha acesso irrestrito a espaços LGBTs – é muito comum acompanharmos madrinha das gays que são donas de empreendimentos voltados a esse público, DJs em festas LGBT, etc etc.

Foi pensando na importância cultural e na existência tão necessária das madrinhas das gays que nós nos engajamos na missão de pontuar quem são as 5 maiores dindas do mundo da música, mulheres que em décadas passadas foram chamadas de simpatizantes, aliadas e tantos outros nomes, mas que na prática estão sempre no mesmo papel: defendendo vorazmente os gays oprimidos em troca de eterna devoção. Para fugir do óbvio, evitamos personalidades como Madonna, Lady Gaga, Britney Spears, Koda Kumi e afins – afinal, essas já são dindas pra lá de consagradas. Vamos dar uma conferida em quem rankeou nesse suculento post?


5. Taylor Swift

Primeira vez que reconheceu a existência dos LGBTs: fevereiro de 2008, no single “Picture to Burn”
Maiores hinos LGBT: “You Need To Calm Down”, “Welcome to New York”
Gíria ou expressão favorita: “amadoooo! nossa mana que tour”
LGBT que faz de chaveirinho: Todrick Hall

Tudo bem, a Taylor Swift não é exatamente o que a gente pensa quando acionamos o estereótipo de uma madrinha das gays: ela tem apenas 30 aninhos (ou seja, está longe de ser uma cougar), seu estilo é até bastante comportado e sua personalidade é divertida mas não consegue abarcar toda a efusividade que a personalidade de uma dinda convencional abarca – mas quem pode negar que ela é sim uma madrinha das gays depois de seus lançamentos recentes?

Embora tenha um passado nefasto em relação aos LGBTs, quando em 2008 lançou o single “Picture to Burn” ameaçando, na letra, espalhar que o ex-namorado era gay só para se vingar dele (afinal, qual coisa pior do que ser taxado como gay por aí? <3), a dinda conseguiu se despir de seus preconceitos e se redimiu. Esse caso infeliz só aconteceu porque a moçoila foi criada em uma família conservadora e redneck americana (afinal a gatinha cresceu como uma artista country… sim, ela cantava country até um tempo desses!), porém para a nossa sorte ela abandonou esses valores cafonas quando fez uma transição para a música pop, já que entrar de cabeça no mundo da música pop significa também reconhecer que minorias representativas existem.

Assim, no primeiro álbum pop de fato da artista, o “1989”, ela finalmente referenciou gays de uma forma positiva na canção “Welcome to New York”. YASSSS! Mas é claro que o maior momento dinda das gays de Taylor Swift aconteceu em seu apoteótico clipe de “You Need To Calm Down”, cujo roteiro (que não deve ter mais de 2 parágrafos) deixou explícito que a gostosa precisava ser retratada como uma GRANDE madrinha das gays saída diretamente do LDRV – e assim foi feito: com direito a todas as estéticas LGBT mais batidas da história, coloridos cabelos MaíraMedeirísticos, subcelebridades GLS, quengas do Drag Race fazendo cosplay de divas pop e até um momento milkando rivalidade feminina no final, o clipe GABARITOU todas as exigências que uma artista precisa pra ser reconhecida como uma verdadeira santidade do universo guei, e é por isso que a Taylor rankeia aqui neste imaculado top 5. SHANTAY YOU STAY OKURRRR.


4. Björk

Primeira vez que reconheceu a existência dos LGBTs: em algum momento nos anos 90 quando tirou fotos com esses club kids daí, porém mais oficialmente em outubro de 2004 numa entrevista para a DIVA Magazine
Maiores hinos LGBT: qualquer coisa em parceria com a Arca
Gíria ou expressão favorita: “yäg”
LGBT que faz de chaveirinho: a Arca, claro

Pra quem não conhece a Bibi, ela é uma musa islandesa conceitual e com visuais exagerados – e tem coisa que os gays amem mais do que uma véia conceitual com visuais exagerados? Apesar de não referenciar abertamente LGBTs em seus trabalhos, ela é tida como um ícone queer pela forma como incorpora em sua arte elementos fora da caixa, imagéticas que desafiam as convenções de mera humanidade e letras que exploram temas como sexualidade e sentimentalismo (com muito mais nuance do que qualquer simples diva pop heterossexual cantando sobre sua queda por homens caucasianos conseguiria).

Björk reconheceu a existência dos LGBTs meio que indiretamente por meio de um entrevista de 2004 onde ela afirmou que acha “que todo mundo é bissexual a certo nível”, deixando a entender que ela própria é, não só uma aliada dos gays, mas também uma LGBT por si só! Óbvio que eu sei que isso é uma quebra de protocolo, já que o padrão de uma dinda das gays define essa entidade sempre como uma mulher hétero, mas podemos abrir essa exceção para a Bibi simplesmente por ela ser a Björk, não é?

O ápice da vivência da Björk como madrinha das gays veio quando ela amadrinhou a artista experimental Arca por volta de 2014. A Arca é simplesmente a gatinha trans mais quente e talentosa do mercado musical, e ela logo se tornou o grande chaveirinho da Bibi ao produzir um álbum de dor de corno da senil cantora nórdica. Desde então a Björk vem postando gírias como “YASSS” no facebook e as duas vivem andando por aí servindo looks e dando às ruas da Islândia uma cara de corredor do curso de ciências sociais da UFRJ, como exemplificado pela imagem abaixo.


3. Katy Perry

Primeira vez que reconheceu a existência dos LGBTs: novembro de 2007, com o single “Ur So Gay”
Maiores hinos LGBT: “I Kissed A Girl”, “Firework” e “Peacock”
Gíria ou expressão favorita: “okurrrr” e estaladas de língua
LGBT que faz de chaveirinho: qualquer um que tenha virado meme e que ela possa usar em seus vídeos e/ou performances

Seguindo à risca a cartilha de sua ex-nemesis Taylor Swift, a Katy Perry também possui um passado nefasto em relação aos gays. A gata simplesmente estreou no mercado pop com “Ur So Gay”, uma canção que passa um sermão no namorado dela citando que os trejeitos e hábitos irritantes dele seriam características gays – já que ser gay é uma coisa ruim, claro. Isso é tão gay! Como os gays não conseguiram ajudar a emplacar essa péssima tentativa de single viral, Katy partiu para outras atitudes nefastas em relação à comunidade LGBT quando atraiu o público lésbico em “I Kissed a Girl” (enquanto falava nas entrelinhas que as lésbicas são umas pecadoras sem vergonha).

Até hoje a gostosa provavelmente não se desculpou por esses momentos de homofobia descarada (que nada têm a ver com a criação conservadora que ela teve em um lar religioso), mas qual madrinha das gays precisa se justificar por seus atos lgbtfóbicos? Afinal, uma DINDA é praticamente parte da comunidade e tem aval pra isso!!

Eventualmente os lgbtzinhos foram pescados pela cantora quando ela lançou o icônico álbum Teenage Dream em 2010, e desde então ela basicamente tem sido uma madrinha das gays em todos os aspectos possíveis: colocando gays se beijando em clipes aqui, colocando gays fazendo voguing em clipes acolá, chupinhando todos os memes LGBT possíveis e fazendo colaborações com rappers recém-saídos de polêmicas de homofobia… OPA. Ela é TÃO madrinha das gays que até incorpora todas as gírias gays possíveis em seu vocabulário, OKURRRR? E ah, tem esse vídeo aí abaixo que prova por A + B que ela merece mais do que tudo um lugar neste top.


2. Ayumi Hamasaki

Primeira vez que reconheceu a existência dos LGBTs: desde o início da sua carreira quando se firmou como um ícone gay, mas oficialmente em abril de 2010 com o álbum “Rock’n’Roll Circus”
Maiores hinos LGBT: “How Beautiful You Are” e “Lady Dynamite”
Gíria ou expressão favorita: “kicha kota”
LGBT que faz de chaveirinho: Timothy Wellard

Em um país com uma sociedade tradicionalíssima e que marginaliza extremamente a sua população LGBT como o Japão, a gostosa (e ex-fodona do J-pop) Ayumi Hamasaki sempre esteve na vanguarda quando o assunto é gritar “gay rights!” o mais alto possível. Ela jogou a primeira pedra em SUTONUWARU.

Na verdade a Ayumi Hamasaki nem precisava fazer muita coisa pra ser considerada uma grande DINDA, já que ela vem desde o início da sua carreira sendo considerada um ícone gay… mas ainda assim ela FEZ: a gata copiou traduziu os visuais das nossas divas pop ocidentais favoritas para o oriente, colocou as monetes em seus clipes e também objetificou homens a torto e a direito para o nosso deleite. YASSSS!

Aliás, seus maiores atos como uma madrinha das gays não foram meros atos simbólicos ou simples entrevistas, mas sim grandes atos musicais. O primeiro ato foi o clipe de “Lady Dynamite”, que traz ayu em uma boate LGBT com direito a todos os deliciosos estereótipos gays batidos dos anos 2000 juntos: drag queens, club kids, cultura fetichista do couro e até algumas sugestões de um saudável banheirão! O segundo ato foi a balada “How Beautiful You Are“, basicamente a “Beautiful”/”Fucking Perfect” do Japão e cujo clipe traz casais de diferentes etnias e orientações sexuais expressando seus amores livres de fronteiras preconceitos – o elenco inclusive conta com a participação do famoso ator pornô gay e ativista Koh Masaki, que morreu em 2013.

Mostrando que é uma dinda para todas as letras da sigla, Ayumi também apoiou a comunidade trans ao acolher a dançarina LICO e contracenar com ela no cougarzíssimo clipe de “XOXO.” A gostosa também já demonstrou apoio publicamente aos LGBTs no twitter (sofrendo até certas reações negativas de heterossexuais raivosos), performou na parada LGBT de Tóquio em 2018 e ajudou a batizar uma drag queen fuleira que competiu no Drag Race. Quer mais gabarito pra ser uma dinda do que isso? Vale lembrar que a Ayu é tão madrinha das gays que até os seus ex-namorados viram gays, como o Maro, que após o término com a Ayu chegou a posar com pouca roupa pra uma revista guei japonesa e teve uma cena de sexo gay como grande chamariz de sua estreia no mercado cinematográfico (infelizmente não foi no pornô).


1. Jojo Maronttinni

Primeira vez que reconheceu a existência dos LGBTs: dezembro de 2017, em seu ecumênico single de estreia “Que Tiro Foi Esse?”
Maiores hinos LGBT: “Que Tiro Foi Esse?” e “Arrasou Viado”
Gíria ou expressão favorita: “gayrotash“, “samba na cara das inimigas”
LGBT que faz de chaveirinho: todos os gays do Brasil

Precisa dizer mais alguma coisa? Jojo Todynho (ou Maronttinni, para melhor expressar suas raízes ítalo-brasileiras) atingiu a comunidade LGBT com uma tempestade de representatividade e close certo quando estreou no final de 2017 com o single “Que Tiro Foi Esse?”. Jojo basicamente cunhou o termo “viado” (inexistente antes de seu debute) e instantaneamente se tornou a grande madrinha das gays que a população brasileira precisava há muito tempo e nunca pôde se orgulhar de possuir.

O mais interessante é que, dentro do estereótipo de uma madrinha das gays, a Jordana é inovadora e ao mesmo tempo tradicional. Enquanto inova por ser uma DINDA das gays extremamente jovem (a mais jovem desta lista, com 23 anos!), desafiando o clichê de que toda madrinha das gays tem que ser uma quarentona, ela também tem apego ao tradicionalismo quando usa seu privilégio de dinda para soltar um ou outro inocente xingamento lgbtfóbico (como quando xingou um usuário do instagram de “baitola” em 2018).

Suas músicas são os maiores símbolos pró-LGBT já registrados no Brasil, e ela até explica isso em entrevistas por aí. O single “Arrasou Viado” por si só é o maior ato político a favor dos LGBTs na história da nossa música popular – algo que se comprova não só pela composição complexa da música, cedida pela eterna aliada dos gays Anitta, mas também pelo clipe da faixa, um verdadeiro momentum de LGBT pride que é recheado de suculentas participações de personalidades relevantes ligadas às siglas, como David Brasil e Narcisa Tamborindeguy. Os segundos finais do clipe com certeza são de arrepiar!

E é isso gayrotas. Espero que tenham gostado dessa listinha e corrido pra arranjar o amadrinhamento de uma dinda das gays caso ainda não tenham uma. Deixa um comentário, m afago, uma crítica ensandecida aí na caixa de comentários e nos vemos no próximo mês de junho, manas do vale! Beijoans.

Menção honrosa: Hilary Duff com este vídeo.

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