JESUS RANKEIA: Loja de departamento edition

Segunda-feira é dia de JESUS RANKEIA, o único post que ainda sai com regularidade no JESUS USAVA CHANEL. E se você sente plena saudade de demorados rolês na Renner ou na Riachuelo em busca daquela camisa de linho listrada que é o uniforme oficial do LGBT moderno™ enquanto é embalado pelo som ambiente formado por deliciosas faixas synthpop que parecem ter sido geradas por inteligência artificial, bom… esta edição da coluna é pra você!

Como demos muito foco aos lançamentos orientais nas últimas edições do JESUS RANKEIA, desta vez trouxemos uma curadoria mista, com uma ou outra diva pop ocidental aparecendo pois nem só de k-pop vive o público desse blog (será)? Ao criar o post, percebemos que todas as faixas poderiam facilmente ser a trilha sonora de qualquer loja de departamento caso não estivéssemos em uma situação apocalíptica – e isso nem de longe é ruim, afinal, a gente ama um Riachuelo Pop! Agora chega de balela e vamos aos rankings:

Katy Perry – Smile

Não importa se você ama ou odeia a Katy Perry, ela te fará rir com esse single. Talvez até gargalhar. Depois de investir em um pop intimista e com estética low key em “Daisies” (uma faixa sobre a plenitude da gravidez que qualquer popstar precisa ter no currículo), a puérpera mais plena da indústria musical está de volta com a faixa-título de seu novo álbum, que sai no próximo dia 14 de agosto. Apesar de ninguém ter prestado atenção, “Smile” já tinha vazado há algum tempo nos grupos de Telegram da vida e bom… é uma música gostosinha, fácil de ouvir pela estrutura familiar e pela sonoridade açucarada, mas parece ter sido feita totalmente no piloto automático ou por um grande algoritmo dedicado a gerar faixas da Katy Perry automaticamente. O instrumental soa como se “Birthday” e “This Is How We Do”, singles do álbum “Prism” (2013), tivessem sido jogadas num liquidificador – afinal os mesmíssimos elementos dessas duas faixas são reprisados aqui, talvez numa tentativa de remeter aos antigos êxitos radiofônicos da artista. A letra é uma bobageira sem tamanho sobre #gratidão e que traz a Katy contando como ela superou os seus momentos difíceis para agora finalmente poder abrir um sorrisão grande e sincero… meh. Literalmente não tem nenhum mérito na composição, que é de um nível abismante de pobreza imaginativa, ainda mais se levarmos em consideração que ela empregou nada mais do que nove compositores – levantar esse ponto sobre a quantidade de compositores de uma música pop é às vezes meio redundante, mas eu realmente preciso abrir essa exceção aqui porque os nove compositores só conseguiram render construções sonoras sem brilho e frases cafonas como “Agora eu tenho um sorriso como o do Lionel Richie / Tão grande e brilhante que você precisa de óculos escuros para me ver”. Tanta preguiça criativa faz “Daisies” até parecer algo revolucionário no mundo da música, e olha que a gente não foi lá muito com a cara dela também.

Nota: 1 de 5


Zara Larsson – Love Me Land

A carreira da Zara Larsson era promissora uns anos atrás, mas convenhamos que atualmente virou uma bagunça sem fim. Quando ela não está sendo uma integrante honorária da indústria do k-pop, ela está lançando singles avulsos e colaborações (ambos inexpressivos) que deixariam a Jennifer Lopez com inveja, algo que infelizmente vem acontecendo desde o fim do ciclo promocional de seu primeiro álbum internacional, o “So Good”. “Love Me Land” é mais um desses singles avulsos, mas ao menos dessa vez dá pra dizer com convicção que ele é decente, diferentemente de quase todos os singles avulsos anteriores. Com um time de composição que inclui Justin Tranter e Julia Michaels, colaboradores frequentes da Zara e que basicamente formam o mesmo time de compositores daquele desastre que foi “More & More” do TWICE, “Love Me Land” é um pop obscuro e sensual abertamente inspirado no clássico “Lay All Your Love On Me“, do ABBA (aliás, a Zara já deixou claro pra vocês hoje que ela é sueca?). Apesar de não ter 1/5 da genialidade da música do ABBA, “Love Me Land” segue bastante a receita dos veteranos da música pop: traz um refrão arrepiante em coro seguido de uma construção instrumental soturna – que aqui se desenrola por meio de batidas deep house muito bem produzidas pelo Jason Gill. Talvez o único problema real da música seja a sua estrutura mal pensada, pois em alguns momentos você sente que a faixa não está entregando tudo o que poderia entregar, especialmente por causa de sua duração curta e que parece simplesmente podar os momentos mais interessantes da composição e do instrumental. Tudo isso faz “Love Me Land” soar meio anticlimática – mas não menos interessante ainda assim.

Nota: 4 de 5


EXO-SC – 1 Billion Views (feat. MOON)

Bom… essa unit do EXO… existe. Congregando dois dos integrantes mais rola doce do grupo, EXO-SC é mais uma das táticas da empresa dos garotos para deixar o grupo em funcionamento enquanto parte importante dos integrantes está no exército. Desde meados de junho a sub-unit vem lançando alguns singles prévios, incluindo solos, mas só agora os garotos lançaram a verdadeira faixa de divulgação do álbum deles: “1 Billion Views“. Sou suspeito pra falar do EXO pois amo quando eles lançam umas faixas pop retrô com um quê meio funky, algo como os grandes hinos “Lucky One” e “Hey Mama!” (da unit EXO-CBX)… acho que é o som que melhor funciona com eles e geralmente é um espectro sonoro que me agrada pessoalmente mesmo. “1 Billion Views” é uma música extremamente parecida com essas faixas que eu acabei de falar – para o bem ou para o mal. O problema é que, enquanto ela é bastante confortável e agradável de ouvir, ela também parece meio derivativa e mais do mesmo nesse estilo. A letra metaforiza o vício que ficamos numa pessoa quando estamos apaixonados com o replay incessante num vídeo no youtube, o que parece meio idiota sendo descrita em palavras assim, mas juro que a letra funciona do jeito certo (tirando um momento cringe onde eles começam a citar palavras em inglês aleatórias como “ASMR” e “Web Drama”). Gosto muito como os versos são meio “falados” e depois desembocam em um pré-refrão mais melódico e um refrão bastante soft, e a participação da cantora MOON na bridge é a melhor parte de tudo, pois dá uma “quebra” na linearidade da coisa toda – além de que “1 Billion Views” pedia por uma voz feminina em algum momento, e a MOON tem uma voz ótima e contribui bastante com ad-libs bem colocados no último refrão.

Nota: 3 de 5


Anitta – Tócame (feat. Arcángel & De La Ghetto)

É mais um reggaeton da cantora Anitta!! YASSS!! Mas sendo justo, esse aqui até que dá pra escutar. “Tócame” tem um tiquinho mais de qualidade do que as tentativas anteriores de reggaeton da nossa reggaeton-star, e convenhamos que depois de uns quatro anos usando e abusando desse ritmo a musa de Honório Gurgel meio que já masterizou a arte de fazer um bom reggaetonzinho pronto pras playlists do Spotify. Não acho que as colaborações dessa música são altamente necessárias, na verdade uma das participações é até meio distrativa e certamente não deveria estar ali, mas no fim das contas essa questão não altera muito o resultado final. Ah, a capa nesse fundo fofo todo lavender também é meio chamativa, né? Acho que é… isso o que dá pra falar do single.

Nota: 2 de 5


Yukika – Yesterday

Pra quem ainda não conhece a Yukika Teramoto, ela é uma gatinha japonesa que tentou a sorte em reality shows musicais na coreia e recentemente conseguiu contrato com uma gravadora coreana, lançando em 2019 os ótimos singles “NEON” e “Cherries Jubiles“. Por ser japonesa, seu som é todo inspirado em um gênero do Japão que andou ganhando muita visibilidade na internet nos últimos anos, o City Pop, e suas músicas soft e com ar verdadeiramente nostálgico acabam sendo um sopro de ar fresco no mercado do K-pop (que é sempre cheio de faixas barulhentas e exageradamente produzidas… cof cof). Depois de um breve sumiço, a Yukika voltou na semana passada com “Yesterday“, primeiro single prévio de seu álbum de estreia, que sai ainda no final desse mês. Produzida pelo GDLO, do grupo de produção MonoTree (responsável por algumas das faixas mais suculentas da música coreana nos últimos anos), “Yesterday” é uma canção que se desenvolve de forma comedida, com tecladinos retrô, uma guitarra funky presente aqui e ali e uma construção que vai criando clímax até um refrão bem regular mas ainda bastante envolvente. O mais legal da música são as inserções intercaladas de instrumentos (com direito a um solo de guitarra no meio) e alguns detalhes vocais interessantes, como a própria voz adocicada da Yukika, os backing vocals bem presentes e o coral (!) que surge um pouco antes do início do refrão, entoando a frase “the blooming of youth love is blooming“. O coral e toda a atmosfera da faixa inclusive me lembram os álbuns clássicos de uma lenda do City Pop, a Taeko Ohnuki, especialmente as faixas de seu álbum “Mignonne”, como a lendária “4.A.M.

Nota: 5 de 5

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