JESUS RANKEIA: Latinidades + Lesbiandades

O pico de lançamentos na indústria musical sul coreana em 2020 anda sendo sempre nas segundas-feiras, e isso infelizmente faz com que o JESUS USAVA CHANEL precise trabalhar nesse dia ingrato em prol de expor opiniões duvidosas aos nossos fiéis leitores. Felizmente a gente bolou a JESUS RANKEIA, essa coluna sem periodicidade bem definida por erros internos e que existe para que possamos fazer reviews rápidas de várias músicas enquanto poupamos um pouco os nossos neurônios.

Como o verão ainda tá em plena vigência na Coreia do Sul devido a sua posição privilegiada no hemisfério norte, fomos bombardeados recentemente por alguns lançamentos com um quê de latinidade ensolarada liderados por solistas gostosas e ocasionais madrinhas das gays, além de também um pouco de queerbaiting lésbico – algo que não pode faltar em uma indústria musical que vive pescando a atenção de garotas LGBT e fujoshis. Vamos às reviews?

Chung Ha – PLAY (feat. CHANGMO)

A onda de pop latino nunca pegou realmente na Coreia do Sul, mas de vez em quando essa sonoridade até que tem um momento ou outro dentro da esfera do K-pop. Pra mim isso é meio estranho até, ainda mais se levarmos em consideração que o pop latino é a cara do verão e seria um ótimo substituto pras faixas tropical house tenebrosas que povoam as rádios e plataformas de streaming coreanas nessa época do ano. De qualquer forma, a latinidade está sendo salva esse ano com “PLAY” da Chung Ha, segundo single de pre-release da gostosa antes do próximo álbum dela, que sai ainda em 2020. A Chung Ha já tinha flertado com as latinidades musicais na ótima b-side “Chica”, de seu mini álbum “Flourishing” (2019), e agora com “PLAY” ela nos traz… Chica Remix. A música é basicamente tudo o que a artista já fez até hoje mas com um instrumental repleto dos clichês latinos, um rap aleatório no meio e uma estética hispânica meio batida (mas que deixaria a Lee Jung Hyun orgulhosa). Isso tudo é precisamente ruim? Bom… depende. É fato que a música soa extremamente derivativa e feita no piloto automático, mas ao menos a Chung Ha conseguiu encontrar produtores que entendem como criar uma faixa que funcione com ela – aquela antiga reclamação sobre ela cantar com uma voz esganiçada finalmente parou de fazer sentido porque agora ela pelo menos anda cantando no tom certo. Eu até poderia perdoar um pouco a música alegando que ela é meramente um pré-lançamento… mas sinceramente “Stay Tonight” também foi um mero pré-lançamento e serviu bem mais (tanto que até ganhou um post completo aqui no blog, e não uma simples review xexelenta nessa coluna).

Nota: 2 de 5


IRENE & SEULGI – MONSTER

Enquanto o Red Velvet não dá sinais de retorno desde que a MC Loma do grupo se acidentou, as gêmeas lacração coreanas receberam a nobre missão de lançar algo como uma dupla no intuito de tapar o buraco que o girlgroup deixou no cenário musical sul coreano. Afinal, todos sentimos falta dos ótimos lançamentos das garotas, não é? IRENE & SEULGI surgiram trazendo uma proposta esteticamente interessante (com belos visuais de perfume de grife/produtos capilares recomendados pelo Celso Kamura), e tudo indicava que musicalmente a dupla iria apostar no R&B mais maduro que se tornou parte da marca sonora do Red Velvet e estilo favorito de uma parcela dos fãs das garotas – o infame “lado velvet”, cada vez mais raro nos lançamentos do grupo. Bom, “Monster” até que conserva bastante da sonoridade do R&B em sua construção, mas é uma mescla disso com um som eletrônico obscuro, parecendo uma mistura de “Bad Boy” com a atmosfera de “I Got Love” da Taeyeon. Boa parte da construção da música é feita por cima de um pianinho repetitivo e vocais distorcidos que se juntam a intervenções eletrônicas ruidosas de gêneros como o future bass e o dubstep, tudo feito para imprimir uma personalidade assustadora e misteriosa à faixa. Todos os elementos meio que funcionam aqui, mas ao mesmo tempo você sente que falta algo no negócio (e não estou falando do clipe, que foi misteriosamente adiado e só saiu 18 horas depois) – provavelmente uma pitada de atitude e um esforço maior da produção para destacar a faixa e não fazer ela parecer exatamente o que ela é: uma música tapa-buraco.

Nota: 3 de 5


Hwasa – María

Colocar essa faixa aqui é pura trapaça, já que ela saiu no início da semana passada e nós planejávamos colocá-la em uma edição da JESUS RANKEIA ainda naqueles dias juntamente com “Pporappippam” da Sunmi. A questão é que “Pporappippam” é tão boa que ganhou um post solo, já “María” não é lá muito boa, então o jeito foi remanejar ela para esta atual edição da coluna (sabemos escolher as nossas prioridades). Eu juro que não entendo muito bem o apelo das músicas do MAMAMOO e dos respectivos solos das integrantes do grupo, mas tentei ouvir “María” de coração aberto e ainda assim voltei bem menos entretido do que eu imaginava (e olha que as minhas expectativas não eram lá muito altas). Gosto bastante do fato dessa canção ser um raro momento no K-pop onde uma idol endereça um assunto pessoal – e a liberdade que a Hwasa teve para fazer isso com “María” é algo que eu gostaria de ver sendo repetido no pop sul coreano -, mas no geral a música é meio apática e não consegue atingir o objetivo pretendido com muita exatidão. “María” é uma conversa interna da Hwasa com ela mesma, onde ela enfrenta os seus próprios demônios e tenta se tranquilizar, tudo isso enquanto aborda as críticas pesadas que ela sofre do público… mas mesmo com essa ideia interessante, tudo é executado de forma ruim na faixa: você nunca sente direito a pessoalidade do assunto abordado nem na interpretação da Hwasa e nem nos outros elementos da música (como o instrumental, que é um K-pop regular com um break latino e nenhum fator surpresa efetivo). Como uma boa edição do JESUS RANKEIA não é nada sem uma rivalidade feminina e comparação gratuita, a Sunmi ano passado também lançou uma música endereçando as críticas que recebe do público e, apesar das músicas possuírem humores bem diferentes, ela conseguiu fazer isso de uma forma que a distingue totalmente da Hwasa: você consegue claramente sentir a personalidade da Sunmi na música.

Nota: 1 de 5

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