JESUS RANKEIA: WJSN, MOMOLAND e DIA em inspiradíssimos comebacks veranis

Em uma escassez dântica de pautas, o JESUS USAVA CHANEL resolveu pescar alguns dos comebacks recentes de girlbands coreanas para comentar, mas… esses lançamentos não estavam lá merecendo posts elaborados só para eles. Não sei se isso tem a ver com o fato de que 2020 anda sendo um ano amaldiçoado no geral, mas poucos esforços de grupos femininos coreanos (ou de artistas coreanos no geral) conseguiram chamar a atenção desse singelo bloguinho nos últimos meses – com raras exceções, o K-pop anda numa fase meio estranha: um limbo onde as novidades são desinteressantes e os grupos consagrados não atendem às nossas expectativas.

Se os lançamentos não mereciam posts únicos, resolvemos então juntar tudo em um post só e não apenas tecer nossos comentários sobre eles, mas também usar nossos poderes de formadores de opiniões (risos) para avaliá-los sob a luz de nossos critérios duvidosos /o/. Os objetos escolhidos para esse delicioso experimento social foram os mais recentes comebacks de verão de três grupos relativamente queridos dos fãs de girlbands coreanas (e que possuem ligações com fraudulentos reality shows da TV asiática): WJSN, MOMOLAND e DIA. Com históricos e níveis de sucessos bem variados – o DIA é um traiwreck sem fim, enquanto o WJSN é um grupo com fanbase sólida e o MOMOLAND é um ótimo exemplo de grupo que não soube segurar o sucesso -, as três girlbands retornaram em datas próximas e trouxeram conceitos veranis que transitam entre a falta de ambição, a má execução e a preguiça geral. Quer saber então quem foi menos pior nessa rodada de inspiradíssimos lançamentos de junho? Simbora analisar.

DIA – Hug U

O que diabos anda exatamente acontecendo com o DIA a gente não sabe, mas o fato é que esse último lançamento trouxe o grupo com uma formação totalmente desfalcada – e põe DESFALCADA nisso, já que a ausência nesse comeback é simplesmente da integrante principal do DIA, a lendária Chaeyeon… e ah, teve a ausência da Somyi também mas seria hipocrisia minha dizer que isso fez alguma diferença na situação toda. Em anos anteriores e menos obscuros, as garotas nos serviram com um miami bass ensolarado contagiante (plagiado da Tinashe sim mas a gente releva) em “Woo Woo” e um techno-pop retrô aos moldes do T-ARA em “WooWa“, mas agora os esforços delas em “Hug U” nem de longe lembram os áureos tempos de quando a empresa do DIA ainda tinha dinheiro pra comprar demos do Shinsadong Tiger. “Hug U” é, para todos os efeitos, uma música do GFRIEND: a letra parece com qualquer coisa cantada pelo GFRIEND, o instrumental poderia ser facilmente confundindo com o de algum single do GFRIEND, o produtor da faixa é o mesmo de várias músicas do GFRIEND e até o filtro horroroso que as gatas usam no clipe é o mesmo filtro que a maioria dos clipes do GFRIEND!!!! Como o DIA sempre teve sofridos comebacks espaçados e que nunca conseguiram esclarecer qual era a personalidade do grupo, elas meio que possuem a liberdade artística de simplesmente atirar pra todos os lados em busca de uma música de sucesso… mas esse estilo batido white aegyo que “Hug U” representa é meio desesperador – além de altamente derivativo, o conceito já foi feito de forma bem melhor por outros grupos com equipes criativas mais esforçadas. O clipe é o ponto alto dessa delícia, pois seus maiores cenários são um bosque e um píer (locais tão pouco inspirados que acho que você nem sequer precisa pedir permissão pra gravar neles… algo que deve ter sido estratégico para reduzir os gastos da empresa das meninas com esse comeback).

Nota: 2 de 5


WJSN – Butterfly

O WSJN é muito bajulado aqui nesse blog, e geralmente com bastante razão. Diferente do DIA, as garotas cósmicas possuem uma identidade sólida e a gente sempre meio que sabe o que esperar de um lançamento delas – mesmo quando elas voltam com algo mais diferentinho, como rolou com “Boogie Up” no verão do ano passado. Deixando as roupinhas da Riachuelo e as piscinas de condomínio de lado, nesse verão elas resolveram investir em um lançamento mais comum e mais alinhado com o brand do WJSN… mas que ainda assim não atende às expectativas que o público possui em relação ao grupo. Apesar de ter um ou outro momento agradável, “Butterfly” é uma música que parece ter sido feita no piloto automático: a temática da letra é extremamente batida (essa coisa de letra motivacional utilizando a frase “voe como uma borboleta” como mote foi usada ano passado por outro girlgroup coreano, e mesmo nessa época a ideia já soava pouco original), e o instrumental parece muito com as coisas que o IZ*ONE geralmente lança, com a diferença crucial de que o refrão de “Butterfly” é meio sem graça e em nenhum momento atinge o nível de catrástrofe farofenta do refrão de “Fiesta“, por exemplo. Nem os visuais – que volta e meia são a melhor parte dos lançamentos do WJSN – se salvaram dessa vez, e o clipe parece gravado em uma espécie de exposição de Designers de Interiores, tipo uma CASACOR da vida ❤️. Apesar dos pontos negativos, vale citar que o EP que as garotas lançaram dessa vez, chamado “Neverland”, é um dos álbuns mais legais do grupo, e trouxe ótimos momentos musicais que dariam bem mais caldo que essa música aí. Meh.

Nota: 3 de 5


MOMOLAND – Starry Night

É óbvio que eu guardei essa delícia pro final por ser simplesmente a pior coisa da lista e a música com a qual estou mais investido na ideia de falar MAL. “Starry Night” tem o histórico de comeback mais bagunçado desse ano: a música começou sendo anunciada como um comeback comum e que seria promovido normalmente (com inclusive um cronograma bem completo de teasers)… daí em seguida ela foi anunciada como um lançamento “especial” e “para os fãs” que não seria promovido de forma regular (perceberam que o migué de “música para os fãs” é sempre utilizado quando uma empresa coreana prevê o iminente fracasso de uma música? =])… daí que na prática nem os próprios fãs devem estar muito animados com a existência dessa faixa, visto que ela não adiciona exatamente nada à discografia do grupo. “Starry Night” é um city pop derivativo e com ares de b-side (daria uma ótima faixa sete de um mini álbum de sete faixas), sem muita ambição (ou força de vontade mesmo) rolando em seus elementos – algo que deve ser o ideal máximo do que é “uma música pros fãs”. O que deixa esse comeback pior é que nem sequer providenciaram um clipe, mesmo que de baixo orçamento, pra faixa, então nós tivemos que nos contentar com um “special video” onde as garotas cantam de forma desconfortável em um cenário feito em chroma key (que parece papel de parede da Samsung) e uma proporção de tela claustrofóbica… algo que os fãs do grupo provavelmente devem curtir (?). Desejamos tudo de melhor pras lendas nesses tempos difíceis.

Nota: 1 de 5

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