Penny Dreadful vs. Hollywood: Batalha de cacuras em Los Angeles

O retorno de Penny Dreadful é algo pelo qual uma horda de fãs esperava desesperadamente desde o fim prematuro da série em 2016 em um dos finais de série mais feitos nas coxas até hoje. Criada pela cacura John Logan (aqui carinhosamente referido como o Walcyr Carrasco dos gringos❤️) e televisionada pelo canal Showtime a partir de 2014, a série surgiu com o objetivo ambicioso de criar uma narrativa de terror mesclando personagens originais com personagens clássico das histórias de terror da literatura popular inglesa do século XIX e início do século XX… tudo com a obscura e pálida Inglaterra na era vitoriana como plano de fundo – um conceito pretensiosíssimo e que com certeza muita gente amou (assim como este blog).

O plano ambicioso deu certo: a série caiu no gosto de uma parcela ~madurannn~ do público, conseguiu surfar bem na onda do novo terror televisivo do início da década passada (iniciada pela inassistível American Horror Story) e fez justiça aos personagens famosos utilizados em sua narrativa, reimaginando grandes nomes como Drácula, Frankenstein e Dorian Gray de formas criativas e condizentes. O trunfo de Penny Dreadful não estava apenas nesses personagens clássicos, mas também em seus personagens originais, como o ex explorador Malcon Murray e sua busca sobrenatural pela sua própria filha, o americano Ethan Chandler e seus passado turbulento e, claro, a pirigótica, gostosona e misteriosa Vanessa Ives, interpretada com maestria pela atriz Eva Green.

Com visuais incríveis e diálogos extremamente bem escritos, a série durou três temporadas até ter aquele supracitado final miserável em 2016, continuando em três volumes de uma graphic novel aleatória da Titan Comics. Eis que em 2018 o público foi surpreendido com o anúncio de um spin-off da série intitulado “Penny Dreadful: City of Angels“. O anúncio da nova série veio junto com informações importantes sobre a sua ambientação: trocando a obscura e gourmetzona Inglaterra vitoriana, o spin-off se passaria numa ensolarada Los Angeles na década de 1930 *0* e teria como plano de fundo sobrenatural os cultos sincretistas da Santa Muerte, figura sagrada cultuada no México e, por consequência, pela população latina moradora dos Estados Unidos.

Recebida com altas expectativas pelos fãs e pela crítica, a estreia dessa delícia de spin-off acabou desapontando muita gente quando foi constatado que a nova série não possuia basicamente nenhuma ligação verdadeira com a série original. Visuais, diálogos, elementos sobrenaturais, tom geral da obra… nada remete à série de 2014 e, em certo ponto, ficou claro que a cacura John Logan meramente usou a marca “Penny Dreadful” para chamar a atenção do público para uma obra totalmente nova @_@. Como ela é safada caraaaa. A narrativa agora segue Santiago Vega (Daniel Zovatto), um detetivezzzzzz de origem latina que se vê no meio de tensões raciais em uma Los Angeles que está longe de exalar o glamour que a cidade exala hoje em dia. Essas tensões são exacerbadas pela rivalidade sobrenatural entre a divindade mexicana Santa Muerte e sua irmã obscura e misteriosa (e gostosona /o/), o demônio do caos Magda (Natalie Dormer), uma personagem que está disposta a assumir várias peles para colocar as pessoas umas contra as outras.

Hollywood, é fruto de um contrato de uma das maiores plataformas de streaming do mundo, a Netflix, com o escritor já famoso por seus trabalhos “novelões” desde a série-fenômeno “Glee”… ele mesmo, a cacura Ryan Murphy. Murphy (que aqui vamos apelidar de Aguinaldo Silva dos gringos❤️) é diretor/roteirista querido do canal de televisão FX: ele fez seu nome na empresa e ficou ainda mais conhecido por seu trabalho (assustadoramente ruim mas muito popular) na série/trainwreck “American Horror Story” – antologia que já contou com grandes nomes da indústria como Angela Bassett, Sarah Paulson, Jessica Lange, Kathy Bates e a depositadora de cheques Lady Gaga.

Hollywood é uma minissérie de drama – formato que parece estar bem famoso por conta das premiações da indústria então óbviooo que a cacura investiu nele porque quer prêmios – parte ficção, parte real, que visa trazer Los Angeles de volta aos holofotes. A série se passa durante a era de ouro de Hollywood, onde tínhamos grande estrelas que começavam a sua história ao lado da história de grandes produtoras que estavam ainda explorando o significado do “cinema” (logo depois da transição dos filmes mudos para os filmes falados). Com um elenco de peso formado pelas mesmíssimas 10 pessoas com quem o Ryan Murphy sempre trabalha, a série também conta com a característica mais frequente do autor nos últimos anos, que é aproveitar da sua influência para trazer de volta atrizes e atores veteranos renomados para séries mais “modernosas”.

Hollywood não tem um protagonista, o enredo (se é que dá pra chamar disso) gira em torno de jovens sonhadores que são pilares do “american dream” daquele momento. Ela visa mostrar uma Los Angeles onde os sonhadores são recompensados pela audácia de sonhar: e não são sonhadores comuns, o foco aqui é nas minorias representativas, com mulheres, negros, descendentes de asiáticos (Darren Criss) e mais um cast diverso de LGBTzinhes. Em Hollywood™️, a cidade mais ambiciosa dos Estados Unidos se torna o epicentro da diversidade e uma exploração de como essa diversidade é pontuada por inúmeras situações de desigualdade.

Apresentadas as duas séries, o que o JESUS USAVA CHANEL planejou fazer com elas? Uma análise qualitativa das obras? Uma séria discussão sobre os tópicos sociais apontados em ambos os programas? Claro que não, vamos fazer uma RINHA DE VÉIO \o/. Com nada em comum além de serem séries de época que se passam em Los Angeles, Penny Dreadful: City of Angels e Hollywood vão passar por uma delícia de análise JU2C™️ sobre qual dos autores cacura conseguiu ser mais bem sucedido ao apostar nos elementos mais safados de estética e narrativa a fim de conquistar os espectadores com essas séries que são claramente meros caça-níqueis sem nenhuma substância.

Antes de prosseguirmos vale ressaltar que Penny Dreadful: City of Angels deve estar se encaminhando para os seus momentos finais quando esse post estiver indo ao ar, mas o coitado do bubblegumrave só conseguiu assistir míseros quatro episódios desse desastre antes de dropar e partir pra outra – e por isso talvez algumas coisas citadas aqui não estejam a par com os acontecimentos atuais da série. Já o worshipoz conseguiu a proeza de assistir todos os episódios de Hollywood em um binge watching assassino e desde então teve suas funcionalidades cerebrais temporariamente comprometidas.

Ok, vamos ao duelo. Aviso: há spoilers das séries e potenciais gatilhos no texto inteiro.


Se tem uma coisa que o Ryan Murphy consegue entregar em suas séries, é a estética. Ok que por vezes essa estética é roubada na cara dura como forma de “referenciar” outros grandes cineastas e diretores de fotografia da indústria, mas quando ele quer, Murphy consegue preencher seu currículo com grandes imagens que fazem bem à alma de uma cacura que adora meramente olhar coisas esteticamente bonitas. Hollywood se passa entre as décadas de 40/50, e a Los Angeles dessa época não poderia ser melhor representada visualmente do que foi.

Durante as (muitas) vezes que o roteiro não consegue entreter o suficiente, a estética da série prende o espectador com uma fotografia arrebatadora e figurinos maravilhosos. E é por esse apelo estético que a série faz questão de explorar a cidade de Los Angeles em seus ângulos mais glamourosos. Obviamente que poderíamos ter tido um pouco mais – por exemplo o personagem Archie Coleman é negro e gay, e quase nunca vemos o “lado dele” da cidade -, mas em geral Hollywood consegue explorar bem uma LA retrô e bastante fiel ao seu passado de glórias. A única questão ruim é a contradição que rola entre Hollywood ser uma série que preza pela diversidade mas que só mostra realmente o lado privilegiado da cidade – com poucos cantos “desprivilegiados” aparecendo, como um posto de gasolina que também é ponto de prostituição.

Já nesse quesito, Penny Dreadful até que reconstitui com fidelidade elementos da Los Angeles dos anos 30, mas opta por mostrar a cidade com um filtro amarelo horroroso que todo diretor americano adora usar quando resolve retratar algum país de terceiro mundo /o/ (sério, essa pataquada já virou até um meme ruim no 9gag). O filtro amarelo é obviamente usado porque grande parte do foco da série na comunidade latina de Los Angeles – logo descendentes de mexicanos e que precisam obrigatoriamente carregar consigo essa estética amarelada por trazerem o fardo de terem suas raízes ligadas a um país subdesenvolvido como o México xDDDDD.

Os cenários frequentes da cidade na série também são hmmm pouco imaginativos: um bairro latino pobre que mais parece cenário de faroeste, uma delegacia, uma igreja e algumas passagens aleatoríssimas em penhascos… meh. A boate “Crimson Cat”, reduto da vida noturna e boêmia de latinos marginalizados, com cenas de dança arrebatadoras e alguns dos momentos mais estilosos da série, é o único local digno de nota aqui – e infelizmente aparece com destaque somente no terceiro episódio.

Hollywood vence DE LAVADA essa primeira categoria e nem precisamos discutir isso. PRÓXIMA.


Nesse crossover despretensioso, temos Patti “Vera Holtz” LuPone interpretando a viúva gostosona Avis Amberg em Hollywood. Notem que a atriz em questão era a queridinha da outra cacura do nosso duelo, participando de Penny Dreadful em duas temporadas e fazendo personagens distintas, isso tudo depois de ser um grande ícone da Broadway, do cinema, e dos palcos… tudo para uma grande cacura se deleitar né? Pois bem, em Hollywood temos essa personagem que eu acredito ser mais protagonista do que as outras aspirantes a atrizes que aparecem. Cansada de um relacionamento fadado ao fracasso com o diretor do Ace Studios – produtora mais famosa dentro da série -, Avis aparece já no primeiro episódio contratando um GP da “dreamland” – lembram do posto de gasolina? – para satisfazer suas maiores necessidades.

Ao longo da série, ela se apresenta como uma mulher determinada, cheia dos melhores bordões que o Ryan “Glória Perez” Murphy já conseguiu pensar, e servindo todos os melhores looks que uma viúva sassy poderia servir – destaque ao crocante look que ela usou um dia depois do marido dela cair duro no hospital. Avis Amberg tem destaque por ser uma “dona de casa” que é transformada em uma produtora de respeito, sendo ambiciosa e confiando nos seus instintos. Tudo bem que os rumos da série parecem fáceis demais porque o Ryan Murphy não consegue lidar com roteiros muito complexos, mas a personagem é deliciosa e Patti LuPone encarnou totalmente o espírito dessa cougar, sugar mom, milf, coroa gostosa!! que eventualmente nos serviu a melhor storyline de Hollywood.

A personagem feminina gostosona de Penny Dreadful: City of Angels é uma “demônia do caos” chamada Magda (impossível levar muito a sério esse nome com a relação que o público brasileiro tem com “Magda” néan), que é uma irmã da Santa Muerte e interpretada pela bucetuda Natalie Dormer. Originalmente a Santa Muerte não tem irmã nenhuma, então a Magda é meramente a criação livre do John Logan por cima de uma cultura e religião que não são dele [/quebrando o tabu] a fim de tentar “adensar” a fraquíssima e previsível mitologia da série.

Eu AMO a Natalie Dormer e acho que aqui em Penny Dreadful, mesmo com o roteiro tosco que é apresentado, ela dá 100% na interpretação sempre que aparece em cena. O John Logan usa a Magda pra satisfazer seus desejos de cacura mais básicos quando se trata de personagens femininas, já que a demônia consegue se metamorfosear em várias pessoas e, na prática, a Natalie Dormer faz uns quatro a cinco papéis no seriado – talvez em busca daquele reconhecimento que a crítica deu pra Tatiana Maslany anos atrás. Daí vemos ela como uma vilã gostosona que anda destruindo coisas pela cidade com uma fetichistíssima roupa de látex, como uma housewife loira e inocente com um sotaque alemão pior do que as inserções linguísticas de novelas da Glória Perez, como uma véia nerd com peruca duvidosa e até como uma chola latiníssima (!!!) que faria a Kali Uchis (que é a maior latina com “personalidade = ser latina” da história) chorar no atendimento.

Uma pena que nenhuma das milhares de inserções da Magda nos vários núcleos da série consegue salvar a City of Angels de ser MUITO RUIM – porque na prática a personagem é espremida no meio de dramas novelescos sem graça, casais heterossexuais soníferos e forçadíssimas tensões raciais que tentam ser profundas e acabam sendo extremamente cringe. Por causa dessas questões, infelizmente nem todo o amor deste blagh pela Natalie Dormer é capaz de interceder pela Magda nessa rodada, e quem ganha é a Avis Amberg – afinal, entre duas personagens gostosonas é ÓBVIO que o JESUS USAVA CHANEL sempre vai optar pela véia gostosa meramente pelo fato dela ser uma véia gostosa.


Nem Hollywood e nem Penny Dreadful são séries lacre free. E estou usando essa expressão da cultura boomer porque ambas as séries militam MUITO – o que por sinal não é algo ruim, mas a militância em alguns momentos é tão over que você pode dizer claramente que ela tá sendo feita por uma gayzona branca +50. Nada contra, alguns integrantes desse blog até são.

O mote principal de Penny Dreadful: City of Angels é “tensão racial”, e como já foi citado mais acima, essas tensões raciais são abordadas de uma forma meio vergonhosa – fato que se dá pela extrema forçação de barra com que o John Logan joga essas questões no roteiro. Em suma, a série retrata especialmente o preconceito sofrido pela população latina de Los Angeles e como esse preconceito se reflete em mazelas sociais como brutalidade policial e até a destruição de lares latinos em prol do ideal de progresso da população branca. Outra clara tensão racial/social se dá com os personagens judeus e personagens de origem alemã, que refletem em menor escala nos Estados Unidos a ascensão do Nazismo na Alemanha entre as décadas de 20 e 30.

Tudo isso é desenvolvido sem nenhum parâmetro de sutileza e com aloprações sem tamanho. Por exemplo: enquanto nos deparamos com o Richard Goss, um personagem de origem alemã que é partidário do Terceiro Reich e claramente um dos vilões da série, também lidamos com o Peter Craft (interpretado pelo Rory Kinnear), outro personagem que também possui um contexto relacionado ao nazismo (ele é simpatizante do Terceiro Reich até desfila com suástica por aí) mas que é abordado com uma luz dramática relativamente positiva… quase como que a série falasse: olha tem nazista ruim sim mas tem uns nazis do bem também ok!! PUTZ.

Os vilões brancos que vivem tentando massacrar a população latina são óbvios e mal construídos, como o policial Rod McLachlan, um bully unidimensional que protagoniza cenas deliberadas de abusos diversos, e também o ambicioso vereador Charlton Townsend, que apesar de ser um racista sem escrúpulos capaz de passar por cima de várias residências latinas pra construir uma estrada, esconde um segredo imperdoável que é: ser homossexual. Afinal, a frustração de um homossexual no armário é sempre a origem de todo o mal para autores de novelões \o\.

Fica claro que o problema aqui não é a intenção, que é sim válida e renderia uma boa discussão em um momento em que esses assuntos estão mais em pauta do que nunca… mas na real a execução de todas as tensões raciais aqui é porca e não contribui em muita coisa pro debate – além de se utilizar de vários momentos de valor de choque durante os episódios.

Enquanto Penny Dreadful, foca no contingente latino da cidade, Hollywood tem como objeto de estudo (expressão que fica horrível nesse contexto) pessoas negras e asiáticas – poucos latinos são citados (se é que são) na coisa toda. O Ryan Murphy já tem um histórico de se banhar nas águas dos social justice warrios do tumblr para criar um roteiro com palavras-chaves que geram engajamento e servem um bom gifset – vide a série Glee (2009) -, e com Hollywood não poderia ser diferente.

Na série nós temos o infame Fator-Ryan-Murphy – uma expressão que eu gosto de utilizar com toda série dele – que é quantas vezes o autor consegue denominar uma minoria meramente por ser uma minoria. É quase como os personagens dele tivessem como personalidade “ser tal minoria” (o impacto da Kali Uchis), produzindo um amontoado de frases prontas dessas imagens de autoajuda que a gente acha no google images. E é ainda mais tenebroso o fato de que, dentre o cast de Hollywood, o único que tem um ponto a mais na sua personalidade é um personagem interpretado pelo Sheldon de The Big Bang Theory (o Jim Parsons) chamado Henry Wilson – um agente da vida real que recrutava atores masculinos e fazia o teste do sofá com todos -, que é literalmente um homossexual abusador.

Não para por aí. A militância em Hollywood™️ é tão vazia que no último episódio somos transportados para uma cerimônia do Oscar, marcando a segunda vez que Murphy faz um trabalho em torno dessa premiação (vejam Feud) pra suprir o fato de que está longe do dia que ele vai receber uma estatueta dessas. Nas cenas, dedicadas a refletir “uma realidade utópica onde minorias receberiam seu devido reconhecimento por suas contribuições ao mundo do cinema”, tudo acontece tão rápido e de forma tão jogada que o encerramento da minissérie parece mais uma propaganda de alguma empresa safada que prega a diversidade no mercado de trabalho apenas como forma de ficar com uma imagem positiva perante ao público… tipo o Itaú.

Bom, as duas séries têm, de fato, militâncias muito toscamente escrachadas, mas é tudo tão ruim que nenhuma delas ganhou esse round e na real o que elas merecem é uma ZERADA no placar como retaliação por isso /o/


A gente citou Aguinaldo Silva e Walcyr Carrasco, mas o Ryan Murphy é basicamente o Manoel Carlos da gringa: os trejeitos de diretor que ele tem, as técnicas repetitivas que aparecem em todas as suas séries, os temas recorrente em seus trabalhos – como referências à cultura do entretenimento americano nos anos 50 -, os atores que estão sempre no seu elenco… é tudo TÃO Manoel Carlos que dói (só faltou a Sarah Paulson se chamar Helena). Acho que em Hollywood é bem óbvio que o tema em si só pode aparecer pelo fato de Murphy ser o extremo do que é uma cacura no mundo do entretenimento. Quem mais teria a audácia de representar uma época tão longínqua e demodê desse ramo se não fosse uma cacura com sede de representar grandes looks e reviver grandes nomes do showbiz? ¯\_(ツ)_/¯

Outro ponto importante nisso de “elementos para agradar uma boa cacura” são os boy-toys, que o Ryan Murphy tem aos montes e que parecem não mudar nunca. Antes, em American Horror Story, tínhamos o Evan Peters que sempre aparecia nem que fosse para uma figuração qualquer pra mostrar a bunda e também o Zachary Quinto, que eu honestamente pensei que apareceria nessa série nova (visto que esse gayzão tá sempre no radar do Ryan Murphy). Depois desses dois tivemos nomes como Matt Bomer, Cheyene Jackson, Wes Bentley, Dylan McDermott, Darren Criss e David Corenswet. Obviamente os três últimos estiveram presentes em trabalhos mais recentes do nosso diretor: o cuzinho de ouro™️ Darren Criss é um nome de sucesso na firma do sofá do Ryan Murphy, estando com ele desde Glee e recentemente levando um Emmy pelo seu papel em American Crime Story. Ou seja, em Hollywood, assim como em qualquer série dele, o Ryan tem um grupo seleto de homens brancos com cabelo preto idealizados pra serem os bonecos de prazer de qualquer gay +50!!

O John Logan por sua vez nunca foi lá muito de boy-toys. Ele até que sempre traz um belo elenco masculino em todas as suas séries, mas nunca objetifica muito bem macho nenhum – o que é uma pena já que isso nega ao público a oportunidade de apreciar o cuzão do Daniel Zovatto, por exemplo. O que o autor de Penny Dreadful faz para alegrar o público cacura mesmo é trazer personagens femininas em belíssimos trajes de época: na série original éramos bombardeados por espartilhos e figurinos impecáveis da era vitoriana, e em City of Angels as cacuras podem se deleitar com os vários lewks de época servidos pela Magda e também pelos figurinos angelicais e todo o visual de radio star retrô da personagem Molly. Toda a narrativa da série também é desenvolvida com um ar de drama semelhante às Telenovelas latinas, e qual público ama mais as telenovelas do que a população maricona, né?

Na real faltou um pouco de esforço pra City of Angels encher o prato dos gays +50 com os elementos bregas que eles gostam, e eu culpo isso na falta de uma identidade firme que a série demonstra. Afinal, ao assistir os episódios desse desespero televisivo eu só conseguia pensar: “tá… mas essa série tá sendo feita exatamente pra quem?” Pff.

MERECIDÍSSIMA vitória de Hollywood nesta categoria. Próxima.


Hollywood é sem dúvidas uma série sobre diversidade e sonhadores de várias etnias e identidades, subvertendo o american dream puramente caucasiano e heterossexual. Até aí tudo bem, mas apesar dessa intenção aparentemente nobre, a série simplesmente JOGA um arco de redenção pra um personagem gay ABUSADOR. Eu não estou dizendo que não deveríamos ter homens gays, ou qualquer outra sigla da comunidade LGBTQ, em diversos papeis – inclusive os ruins -, aliás apoio totalmente isso visto que a maioria da comunidade é formada por gays do mal… mas REALMENTE não precisava ter esse MALDITO arco de redenção porraaaaaaaaaaarrrgh.

Murphy é mestre em criar finais felizes puramente pra agradar o público (a cacura já desistiu há muito tempo de tentar finais ambiciosos e ambíguos), mas não adianta fazer um final feliz sobre a cidade dos anjos, onde todos os injustiçados se dão bem, e inserir na sua narrativa justificativas para o comportamento de um gay abusador. O fato se torna ainda mais chocante quando você para e percebe que o autor simplesmente deu esse arco de redenção a um personagem controverso que existiu de VERDADE – Henry Wilson nasceu em 1911 e morreu em 1978 num acidente de carro. Então você tem um roteiro de diversidade completamente desvalidado pela vontade imensa dessa bicha velha de tornar personagens ambíguos em arquétipos positivos para o público que vai assistir suas séries. Mau gosto nível 1000000000000000000000000000.

O mau gosto em Penny Dreadful: City of Angels se reflete no fato de que a série é nada mais nada menos do que o MAIOR caô televisivo da história. Eu não sei se expressei o suficiente no início do texto a minha frustração sobre como a série não tem nada a ver com a sua antecessora, mas esse é o sentimento que impera quando se trata dessa obra. NADA em City of Angels consegue comunicar direito e você meio que não sabe o que a série está tentando ser. É uma série de detetive? É uma série sobrenatural? É um drama social? É um caríssimo programa falso feito apenas para ser incluso no portfólio artístico da Natalie Dormer? (sim).

Indo para além disso, o mau gosto do seriado também está presente na já citada abordagem duvidosa das tensões raciais e ESPECIALMENTE na forma com a série retrata o culto à Santa Muerte, descaracterizando totalmente a santa folclórica mexicana, criando backgrounds históricos incoerentes com a figura religiosa e até forçando uma identidade ruim pra esse símbolo cultural de uma ampla população marginalizada. Mais sobre isso pode ser conferido neste texto (em inglês) sobre a apropriação errônea da Santa Muerte pela série… e, bom, eu não preciso nem falar que isso representa um mau gosto geral em City of Angels tão grande ou até maior que Hollywood, o que transforma a disputa dessa última categoria em algo acirradíssimo.

Então, assim como o Ryan Murphy criando personagens simplórios pra não precisar quebrar a cabeça com roteiros muito complexos, nós do JESUS USAVA CHANEL decidimos encerrar essa disputa etarista EMPATANDO os placares dessas delícias de séries!!!

Parabéns Hollywood e Penny Dreadful, vocês ganharam e NÃO VÃO LEVAR, até porque são séries tão ruins que, se o mundo for justo, cairão em breve no esquecimento. O JESUS USAVA CHANEL agradece imensamente a qualquer leitor desocupado que enfrentou esse texto de 41 parágrafos (!) até aqui. Beijinhos e até o próximo dueloannnnn.

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