As 100 Melhores Músicas da Década – Parte 2 (75-51)

Demorou quase DOIS MESES completos mas ok, o JESUS USAVA CHANEL finalmente está dando continuidade à incrível e não-solicitada lista das 100 MELHORES MÚSICAS DA DÉCADA DE 2010 /o/. Nessa parte 2 (de uma delícia de série de quatro posts que nem nós mesmos sabemos se vamos dar conta) nós abrangemos músicas das posições 75 a 51 escolhidas por meio de uma votação feita internamente pelos nossos integrantes – cheia de escolhas duvidosas e adições arbitrárias que fizemos a torto e a direito porque o blog é nosso e não seu ❤️. BRINCS. 

Como dissemos anteriormente, essa é uma lista idealizada totalmente pelos integrantes do JESUS USAVA CHANEL e, por esse motivo, ela reflete muito mais nossos gostos pessoais do que uma possível verdade absoluta. Nessa segunda parte trouxemos um pouco de tudo: K-pop, J-pop, música pop de cacura, b-side de artista que ninguém liga, adições pitchfórkicas e até umas escolhas que cronologicamente nem deveriam estar aqui. 

Enfim, chega de lenga lenga e vamos às próximas 25 posições!

75. Rosalía – MALAMENTE (Cap. 1: Augurio)

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O pop hispânico com twist flamenco de Rosalía dominou (algum)as paradas em 2018 e 2019. Sendo um nome repentino a surgir no cenário pop e que com certeza é atualmente um dos atos mais quentes da música europeia, a cantora espanhola transformou seu trabalho de conclusão da faculdade em um álbum pop e uniu o melhor dos dois mundos com o aclamado disco “EL MAL QUERER”. “MALAMENTE”, seu smash hit europeu, é aquela faixa que você escuta quando acha que já criaram todas as combinações possíveis. Os gênios El Guincho e Rosalía uniram-se para mostrar como é possível desmistificar a música pop, quebrar padrões e avançar para novas sonoridades . O pop-flamenco de Rosalía é a prova viva de que toda a criatividade artística é bem vinda, e quando ela é bem pensada temos um resultado ainda melhor.

74. Jorja Smith – The One 

600x600bb-25No sexto single do seu álbum de debut, “Lost & Found”, Jorja Smith nos mostra um romantismo quase controverso. “The One” é um soul carregado, daqueles que parecem grandes clássicos da música, com a voz da cantora nos pegando pela mão e passeando pela duração dela. O refrão da faixa simplesmente nos abraça com um auge musical composto de violinos com a bateria mais impactante que já ouvimos. Se você nunca ouviu “The One” sem dúvidas você um dia irá ouvir, já que essa música ficou gravada na carreira da cantora e se prova, com o passar do tempo, como um desses clássicos r&b/soul que vão viver pela eternidade ou ganhar popularidade gradativamente, comendo pelas beiradas. Em momentos, “The One” parece algo em que Amy Whinehouse estaria envolvida, e isso vale muito mais do que qualquer aval crítico, ao mesmo tempo que Jorja Smith se encaixaria facilmente em uma trilha sonora de James Bond. Essa aura misteriosa nos prova que a intérprete, compositora e co-produtora da faixa, está apta para qualquer desafio.

73. Luna – Free Somebody

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O primeiro EP solo da Luna veio para surpreender à todos que a tinham como uma grande vocalista de um grupo de k-pop e só isso. “Free Somebody”, seu lead single e faixa título, pegou todos se surpresa por ser um grande e suculentíssimo synthpop. A faixa escrita pela própria Jojo – sim isso mesmo a nossa eterna MC Too Little Too Late -, com produção do time sueco “The Family”, faz parte de uma leva de demos compradas pela SM Entertainment que visavam o synthpop/edm para agradar ou não agradar o público sul-coreano. O que realmente importa é que o time, e Luna, experimentaram novas águas de produção com “Free Somebody”, que foi responsável inclusive por uma grande onda de músicas do mesmo tipo de produção. Além disso, Luna também foi comparada  à artistas como Carly Rae Jepsen e outros nomes da música pop alternativa no nosso mundinho JESUS USAVA CHANEL. Hino. 

72. La Roux – Bulletproof

600x600bb-27Lançada em 2009 mas incluída safadamente nessa lista que teoricamente só devia contar com faixas lançadas de 2010 pra frente, “Bulletproof” foi o terceiro single do álbum de estreia da então dupla La Roux, e marcou um dos primeiros suspiros mais definidores do synthpop nas paradas musicais na famigerada última década. A faixa é imediata e infecciosa (atenção, vou usar exaustivamente esses dois termos na lista toda) ao mesmo tempo em que soa “futurista”  e fora da caixa – especialmente perto de outros exemplos de música pop que andavam em alta rotação no começo da década. Os synths “cortantes” da música, juntamente com a voz agudíssima e ainda assim andrógena da lésbica futurista Elly Jackson dão vida a uma letra de superação de relacionamento que é tão empoderada quanto atrevida e malcriada, nos jogando em um dos refrões mais simples e genialmente ressonantes dos anos 10.

71. Goldfrapp – Dreaming

600x600bb-28Goldfrapp sempre procurou se reinventar em seus lançamentos. O duo de synthpop sempre trouxe novos materiais com um apreço enorme e todos os seus álbuns são grandes exemplos do que o UK pop da década de 2000s conseguia produzir com excelência (se você não conhece eles por nome, com certeza já deve pelo menos ter ouvido a farofa glam “Ooh La La” por aí em alguma loja de departamento). “Dreaming” é uma das melhores músicas do álbum “Head First”, lançado no início da década passada, que traz um pouco da euforia da música disco dos anos 80 com um pouco da densidade do som do “Supernatural”, o 3º album de estúdio do grupo, mas com uma roupagem bem mais animada e acalorada. Infelizmente não lançada como single, a música é uma das b-sides mais queridas do Head First por ser uma das músicas mais simples e eficazes do álbum, completamente linear e viciante.

70. Fever Ray – To The Moon And Back

600x600bb-29Em 2017 a Fever Ray fez um comeback que nenhum dos 8 fãs dela imaginava que poderia acontecer, lançando de surpresa o álbum “Plunge”, uma peça musical queer saída diretamente do Quebrando o Tabu e pontuada por uma estética futurista em comunhão com uma sonoridade que remete aos primeiros álbuns da saudosa dupla The Knife. “To the Moon And Back” foi o primeiro single do disco e já chegou com um impacto visual ímpar, trazendo um clipe subversivo que foca na legitimidade dos desejos e fetiches de uma pessoa queer, elencando para isso figurinos cheios de arreios e até uma cena de golden shower. A música é um synthpop borbulhante e que parece uma versão contemporânea e mais animada de Pass This On, só que com um desenvolvimento mais progressivo e uma letra que é nada mais que uma mensagem simpática de retorno Fever Ray. O mais divertido de “To the Moon And Back” é que, em suma, toda a construção da música parece ser apenas um aquecimento para que a artista encha o peito e cante a plenos pulmões a frase “eu quero meter meus dedos na sua bucetinha” nos minutos finais da canção. 100% MANA DO VALE CERTIFIED. 

69. Nicki Minaj – Anaconda

capa_de_anacondaPercussora do gênero pornhub pop, “Anaconda” na real não fez nada de muito inovador: não é particularmente a melhor faixa da carreira da Nicki Minaj, não foi muito bem recebida pela crítica especializada e nem sequer deu a ela o tão esperado #1 na Billboard (que a gostosa só veio conquistar agora em 2020 HAHAHAHAHAH)… mas tem como negar que essa música foi um dos poucos pontos altos daquele grande limbo de música pop decente que foram os anos de 2014 e 2015? Claro que não! Feita quase que inteiramente com samples da música “Baby Got Back” do Sir Mix-A-Lot, com apenas um ou dois elementos diferentes no instrumental, “Anaconda” vendeu objetificação descarada com uma embalagem de empoderamento feminino e reviveu no meio da última década o hip-hop apelativo, goofy e que não se leva muito a sério, seguindo os ensinamentos de lendas como MC Hammer e Khia. A música fica ainda mais divertida por causa de todas as forçações de autoafirmação da Nicki Minaj (autoafirmação é o assunto favorito dela né), as incríveis partes faladas feitas sob medida pra transformar a música num hit viral e o clipe patrocinado pela Brazzers que quebrou a internet na época – apesar de que hoje em dia talvez ninguém queira muito lembrar que ele existiu.

68. ASEUL – Sandcastles

600x600bb-30A ASEUL é uma gatinha underground coreana que já apresentamos em outra encarnação desse blogzinho em várias de nossas listas de melhores do ano em 2018. Em “Sandcastles“, uma das melhores músicas saídas do excelente EP lançado por ela em 2018, o “ASOBI,” lidamos com a fragilidade e a melancolia, extremamente presentes no trabalho da cantora, em uma produção dreamy que brinca com a sua letra, onde ASEUL compara os momentos frágeis e delicados de sua vida com um castelo de areia colapsando. “Sandcastles” transita com facilidade entre o dream-pop claramente inspirado por artistas como Cocteau Twins, mas aqui com um tom bem mais ensolarado, e o pop eletrônico glitchy mais atual, rendendo uma das construções musicais mais bonitas dos últimos anos em seu drop sussurrado e vulnerável que nos arremata com um kick repetitivo e um forte ar de introspecção pop. Uiiiiii.

67. Doja Cat – Mooo!

600x600bb-31A estrela das webcams Doja Cat teve vários falsos inícios de carreira nessa última década, mas foi com “Mooo!”, faixa lançada de brincadeira em 2018, que a cantora e rapper emplacou um hit viral e finalmente caiu no gosto do uma parcela do público. “Mooo!” tem todos elementos pra ser uma música odiável: a produção é capenga e feita com um pack básico de bateria de hip-hop do FL studio, a letra é ridícula e navega vertiginosamente entre o divertido e o vergonhoso e, por fim, todo o visual da coisa se assemelha a uma esquete tosca da finada MTV Brasil, com um clipe que, analisando hoje em dia, parece um vídeo feito de improviso diante de limitações da quarentena. Estranhamente esses são os exatos elementos que tornam “Mooo!” um deleite auditivo (e visual), já que, uma vez que você dá o braço a torcer e ouve a canção de peito aberto, todo o clima meio troll dela começa a fazer sentido e o instrumental capenga, letra duvidosa e visuais baratos se encaixam perfeitamente. Doja já abre a faixa repetindo a frase de efeito “quenga, eu sou uma vaca =]]]”, e daí pra frente somos agraciados com incríveis versos que descrevem como ela é uma vaca peidorrenta (@_@) que solta metano no ar o tempo todo… e coisas desse naipe… pra baixo. Mesmo com todas essas aloprações, a música é meio que uma homenagem (!) à história do hip-hop e R&B, sampleando e interpolando clássicos como “Move Bitch” do Ludacris, “C.R.E.A.M.” do Wu-Tang Clan e o imortalizado hino das cool moms “Milkshake” da Kelis.

66. Sunny Hill – The Grasshopper Song 

e700695584c2316f7d72438136711723.1000x1000x1Sunny Hill sempre foi um dos grupos mais maduros do K-pop antes da própria empresa que gerenciava ele optar por descaracterizar totalmente o que o Sunny Hill era (mas isso é história pra outro post). Trazendo músicas definidoras como “Pray” e “Midnight Circus” anteriormente, o grupo não parou de surpreender – e o último lançamento como quinteto antes do líder e idealizador Janghyun ir para o exército foi um dos pontos altos do K-pop na última década. O violino logo no começo de “The Grasshopper Song” já dá o tom para o resto da música, que segue com uma vibe de pop russo. Com versos rápidos e agressivos das rappers intercalando com os versos calmos e suaves das vocalistas, a música trata da fábula da formiga do gafanhoto. Um dos refrões mais pegajosos de todo o k-pop, era impossível escapar do LINGALINGALIN que ecoa por toda a música, ainda mais com as performances especiais ao vivo que contaram com participações de gente como IU e Miryo do Brown Eyed Girls substituindo Janghyun.

65. SOPHIE – Immaterial

600x600bb-32A gente teve que pensar MUITO em qual música da femmebot SOPHIE colocar aqui nessa lista, afinal, a gostosa foi realmente uma artista que definiu a música underground na década em 2010 com seu pedantíssimo bubblegum bass e sua associação com os artistas da também pedantíssima gravadora PC Music. Dentre as opções, uma coisa ficou clara: “Immaterial” era a música que mais bem representava o que o som da SOPHIE é até então. Com uma sonoridade EXTREMAMENTE animada e açucarada, synths ricocheteantes e vocais hiper-femininos (às vezes naturalmente, às vezes digitalmente) da vocalista Cecile Believe, “Immaterial” é um dos pontos altos do álbum de estreia da SOPHIE, o variado e sensorial “OIL OF EVERY PEARL’S UN-INSIDES”. A faixa tem aquela essência de conquistar ou repelir o ouvinte logo nos primeiros segundos, e sua construção maximaliza a experiência da música pop a níveis extremos daquilo que poderia ser considerado “música chiclete” – não é à toa que, apesar de ser beeeem clichê, o som da SOPHIE quase sempre recebe a alcunha de “futuro” do pop (pc-music-5-anos-tentando-ser-o-futuro-do-pop-beijos).

64. Orange Caramel – Lipstick 

600x600bb-33O Orange sempre foi a unit excêntrica do After School e a liberdade delas poderem testar conceitos que não dariam para ser explorados com a mesma maestria pelo After School era imensa. A aposta em uma mistura de fofo e bizarro ao mesmo tempo deu muito certo e os primeiros singles das gatas fizeram muito barulho na Coreia do Sul. Foi então que em 2012 o primeiro álbum completo da unit foi lançado, trazendo a faixa-título “Lipstick” como o grande destaque. Com uma pitadinha de conceito reciclado dos singles passados (especialmente Bangkok City) e ainda misturando isso tuodo com outro sabor, o europop adocicado de “Lipstick” é extremamente viciante, cativante e chicletão. Sempre foi muito fácil você distinguir uma música de After School do Orange Caramel, e Lipstick fez com que a marca do subgrupo ficasse ainda mais viva. Tudo funciona muito bem e a música continua sendo uma das produções mais gostosas do K-pop até os dias de hoje, sem contar com o clipe que deve ser um dos melhores usos do baixo orçamento possíveis.

63. M83 – Midnight City

600x600bb-34O JESUS USAVA CHANEL ama um SYNTH e deu pra perceber isso pelo tanto que a gente repete a palavra SYNTH nas reviews dessa lista, então nada mais justo do que falar agora da faixa que foi mais possivelmente definidora pro synthpop na última década: “Midnight City“… uma faixa que aliás nem tem nada a ver com o público-comum desse blog mas que merece ser citada aqui. A canção é o primeiro single do aclamado álbum “Hurry Up, We’re Dreaming”, do projeto eletrônico do músico Anthony Gonzalez, o M83, e soa como um sonho tomando vida em forma de música, com uma instrumentação formada por grossas camadas de sintetizadores, grandes viradas de bateria eletrônica, vocais vocoderizados e entrecortados e até um incrível solo de saxofone (!!!). “Midnight City” é um momento musical grandioso, noturno e que transita entre um aspecto misterioso e um refrão capaz de engajar qualquer pessoa – mesmo que nenhuma palavra esteja sendo realmente dita nele. 

62. MC Tha – Rito de Passá

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Bom a gente tem que aproveitar esse espaço aqui pra enaltecer também a música nacional. Abrindo os caminhos com um turíbulo defumador, MC Tha – a grande revelação da música brasileira em 2019 – anuncia sua chegada e seu título de dona dos caminhos. Os arrepios com a voz acapella de Tha no início da música não são passageiros, você terá eles mais uma vez ao fim da faixa e outra vez quando voltar a escutar-lá. “Rito de Passá” é o presságio do tempo que virá, a lembrança do tempo que já foi e a marcação do tempo que já está aqui. MC Tha (que já foi entrevistada pelo JESUS USAVA CHANEL em 2018) e seu “funk macumbeiro”, com uma pitada de mpb clássica e tambores provenientes das religiões de matrizes africanas, vai fazer qualquer um querer voltar instantaneamente para a música, não só pela qualidade do seu refrão cativante mas também por tudo que ela fala mesmo falando tão pouco: MC Tha quer abrir os seus caminhos, os meus caminhos e os caminhos de todo mundo, nada mais inteligente do que simplesmente deixá-la. 

61. Kreayshawn – Gucci Gucci

600x600bb-36A Kreayshawn foi o grande nome do trash pop na última década e se você não concorda com isso eu peço que você se retire desse blog agora ❤️. A gostosa é uma ex-rapper e atual internet personality (putz) conhecida por encabeçar um famigerado movimento do hip-hop “Gangue das garotas branquelas” (sério) e também por ter emplacado uma das notas mais miseráveis de álbuns no metacritic, com o disco “Somethin’ ‘Bout Kreay” amarelando um 42 na plataforma e recebendo uma nota 3 de 10 no queridíssimo site do público normie Pitchfork (sim, aquele site que o JESUS USAVA CHANEL cospe o shake em cima diariamente). Mas nenhum desses percalços vergonhosos impediu “Gucci Gucci” de ser um dos maiores números musicais da última década – uma música que aliás foi essencial para que o público engolisse branquelas tosquérrimas fazendo rap como Iggy Azalea, Bhad Bhabie e, em menor escala, a Charli XCX. A iconicidade de “Gucci Gucci” não está em sua batida inovadora, com um som que premeditou o surgimento da música trap e sintetizadores “alienígenas” futuristas, mas sim em sua letra sem eufemismos que tira sarro de todo o tipo de marca de luxo e transforma os rappers ostentadores dos Estados Unidos em uma grande piada, além de trazer intensos versos de autoafirmação que fazem os raps da Nicki Minaj sobre ser uma vadiazona gostosa, rica e poderosa parecerem um discurso sem sentido da Tati Piriguete (e são). Tudo isso, é claro, vem temperado com a incrivelmente terrível voz de valley girl da Kreayshawn – e ah, vale lembrar que “Gucci Gucci” foi a música que colocou a expressão “vadia básica” no mapa, hoje em dia reduzida apenas para “básica” e utilizada por qualquer gay do twitter que use colar de cadeado. 

60. Koda Kumi – Pink Spider

R-6466789-1419942970-3648.jpegPink Spider” é (mais) um roubo nessa lista, visto que a música faz parte do álbum “Color the Cover” de Koda Kumi, que consistia em ter apenas músicas covers que ela fez junto com visuais confusos pensados pra agradar o público jovem E a velharada do Japão. Mas é exatamente por esse “revamp” na faixa que achamos perfeito para a lista. Koda Kumi trouxe de volta um lançamento quase-clássico do Japão e deixou a música tão a cara dela que às vezes é até difícil dizer que foi um cover de verdade. “Pink Spider” foi um single do saudoso cantor hide, que também fez parte da banda X Japan, e quando comparamos a versão – tirando a letra exatamente igual – não vemos quase nenhuma semelhança. Kumizão reformulou, refez, ressignificou completamente essa música para uma narrativa de empoderamento que cabia à sua “brand” no j-pop (que é ser essa uma cantora messy e uma lenda da putaria em terras nipônicas). Nossa Sabrina Sato J-idol nos alimentou constantemente, e “Pink Spider” marcou uma geração inteira por ser abertamente unapologetic e um farofão daqueles que o J-Pop nunca mais conseguiu render.

59. Katy B – Katy On A Mission 

600x600bb-37Por onde anda a Katy B? Um beijo pra Katy B! A ruivinha (cuja personalidade é realmente apenas ser ruiva, visto que ela até lançou um álbum sobre isso) do Reino Unido anda realmente desaparecida, mas ela é conhecida por ter feito o público reparar temporariamente em gêneros musicais do underground britânico como o UK garage, UK funky, drum’n’bass, grime e breakbeat – todo mundo já deve ter cheirado muuuuito ao som desses batidões mas ninguém lembra porque foi tipo em 2010. Dentre esses gêneros, só o horroroso e datadíssimo dubstep conseguiu emplacar de verdade e ganhar a atenção do público por alguns anos, e a Katy B tem um papel consideravelmente importante nisso, já que o sucesso do seu single de estreia “Katy On A Mission” ajudou a tornar esse barulho numa febre entre as rádios pop. “Katy On A Mission” é toda construída por cima do incrível beat cru de “Man On A Mission” do produtor Benga (@_@), e soa como um produto “bruto” que foi pescado diretamente do underground e jogado para um público mais amplo ouvir. Essa identidade faz a canção ser animadora, com uma essência eufórica e misteriosa ao mesmo tempo, além de, na época, ter se diferenciado por soar totalmente dissonante de tudo o que o universo da música pop tentava emplacar nos charts. 

58. Blood Orange – You’re Not Good Enough

500x500O Blood Orange é um nome relativamente conhecido do R&B hoje em dia, mas em 2013, quando ele estava lançando seu segundo álbum, o artista era meramente um queridinho da crítica especializada e eventual produtor de cantoras favoritas dos gays como Solange Almeida e Sky Ferreira. Foi nessa época que ele lançou “You’re Not Good Enough“, o ponto alto de sua discografia e basicamente uma das faixas seminais da onda de requenta das sonoridades da década de 80 que nos atingiu em cheio nos últimos anos. A faixa é toda cantada em um dueto com a incrível e subestimadíssima cantora Samantha Urbani (namorada do Blood Orange na época), e traz uma espécie de desabafo amoroso cheio de remorso mas que em momento algum soa como algo pesado. Aliás, bem pelo contrário: a faixa é leve e até bastante bem-humorada, mesmo quando solta frases que soam como verdades inconvenientes e vergonhosas (já que a frase de efeito dela é literalmente “eu nunca estive apaixonado por você / você sabe que você nunca foi boa o suficiente“). Não bastasse a letra farpante e grudenta, o ritmo funky da faixa  faz o ouvinte se render rapidamente, sendo uma das produções mais certeiras do cara (queria enfiar a piadinha do “blood orange? it’s fucking red” aqui no post mas não encontrei espaço pra isso).

57. Apink – Eung Eung (%%)

600x600bb-38De vez em quaaaando o pop chicletinho sul-coreano abre espaço para pontuais experimentações. E por “experimentações” eu não estou falando daquelas bizarríssimas faixas de K-pop que mais parecem colagens, e sim de leves e quase imperceptíveis experimentos de direcionamento dentro do gênero, como a incrível “Eung Eung (%%)” do Apink. Produzida pela dupla de musicistas coreanos Black Eyed Pilseung, “Eung Eung (%%)” ainda preserva muito do pop chiclete comum entre as girlbands de K-pop, mas brinca com uma textura musical mais soturna e que se desenrola de uma forma envolvente e nada óbvia. A música é uma mistura incrível de um ar meio obscuro com elementos sonoros adocicados e coloridos, e isso é perceptível em sua própria letra, que brinca com essas convenções em versos como “eu sou como um sorvete, colorida por fora mas um pouco fria” (juro que a tradução pro português deixa esse verso bem mais brega do que é de verdade). Sintetizadores “granulados” e uma bateria de synthpop com leves elementos do trap – como graves bem marcados – complementam o instrumental, que é dançante e agradável aos ouvidos ao mesmo tempo em que sobressai dentre qualquer coisa gerada pelo K-pop nos últimos tempos (não que isso seja difícil). 

56. Kylie Minogue – Get Outta My Way

600x600bb-39Uma música pros gays!!! A Kylie teve várias encarnações nessa última década: ela se jogou num conceito cafona (mas aceitável pra uma diva pop) de deusa do amor no “Aphrodite”, veio com um pop low key basiquinho e sem brilho no “Kiss Me Once” e até navegou num tenebroso e desnecessário álbum de country dançante (que muita gente até gosta) no “Golden” Shower. Dentre essas encarnações, a primeira COMO UMA DEUSAAAAAAAAAA delas foi de longe o melhor momento da Kylie na década, e é dessa fase sexy e helenística da véia que vem uma das delícias mais infecciosas da músicas pop dos últimos anos, “Get Outta My Way“. O single é nada mais do que uma faixa de empoderamento antes de empoderamento ser um termo-comum no nosso vocabulário Mídia Ninja, com a Kylie dando aquele chega pra lá num machiscrotohhhh entediante e mostrando pro cara que ela é uma chefona gostosa que consegue pegar coisa bem melhor /o/. Tudo isso é cantado por cima de synths crocantes de produtores aleatórios de europop que a Kylie foi catar em países ainda mais aleatórios tipo a Dinamarca e a Noruega. Cougar Perfection.

55. M.I.A. – XXXO

600x600bb-40Você poderia pensar que a musa anti-vacinação M.I.A. apareceria nessa lista com coisas como “Bad Girls” ou alguma outra música do álbum “Matangi”, mas somos subversivos e trouxemos ela aqui com uma composição aleatória pra Christina Aguilera na primeira parte e agora com uma música bem menos popular entre o público (porém muito mais deliciosa que qualquer outra tentativa dela de pagar a multa do Superbowl), o single “XXXO“. A estética de orkut, o som synthpop extremamente dark e a letra cheia de tensão sexual e virtual tornaram essa canção um clássico no mundinho JESUS USAVA CHANEL, e por isso ela merece ser deliberadamente enaltecida aqui embora provavelmente não tenha sido lembrada em absolutamente nenhuma outra lista (ou pelo menos listas sérias) de melhores da década. Produzida pelo Blaqstarr e pelo produtor de dubstep Rusko, “XXXO” é o primeiro single do álbum “/\/\ /\ Y /\” (que eu /\ /\/\ O de p /\ I X /\ O) e tem um tom sintético mas ao mesmo tempo cheio de emoção reprimida e frustração, saindo um pouco do tom político das outras músicas da M.I.A. nesse álbum e apresentando uma temática mais íntima contraposta com um contexto social/tecnológico de redes sociais e hiperconexãozzzzzzzz (isso soa muito pior textualmente do que em pensamento). O desespero sutil na voz hiper-anasalada da cantora durante o refrão “ríspido” é o ponto alto da faixa, que eu garanto que é futurista até hoje!!! Mais que qualquer cocozinho PCmusic por aí.

54. Oh My Girl – Closer

600x600bb-41O primeiro comeback oficial do OH MY GIRL pode não ter sido o maior sucesso nos charts coreanos (pegou #75 porém dá pra considerar que foi #25 se virarmos a tabela da Gaon de cabeça pra baixo), mas é vista até hoje como uma das melhores e maiores músicas lançadas pelo grupo. Em um giro de 180º de CUPID, sua música de debut, o grupo apresentou uma música muito mais madura, com um conceito etéreo e angelical e que funcionou muito bem com as então 8 meninas. “Closer” foi responsável por finalmente colocar o nome das gatinhas inocentes na cena, mesmo que de fininho, e todas as que vieram depois dela na discografia do grupo (“Secret Garden” ou “SSFWL” são alguns exemplos) beberam da mesma fonte. O que faz “Closer” funcionar tão bem é a linearidade e como todo o conceito parece amarradinho, do começo ao fim. YooA, em seu momento mais angelical, é a center perfeita para essa música e a combinação da letra com a melodia emocionante e ainda alguns adendos importantíssimos, como a coreografia em formações de constelações, são o suficiente para fazer de “Closer” a melhor música do grupo e uma das melhores da década.

53. MONDO GROSSO – Labyrinth

600x600bb-42Depois de 14 anos lançando produções e discos assinados com nome próprio, o DJ japonês Shinichi Osawa retornou em 2017 à #cena musical japonesa com uma alcunha nostálgica: MONDO GROSSO, nome do seu projeto solo criado em 1992. “Labyrinth“, que conta com a participação vocal da atriz e eventual cantora Hikari Mitsushima, é uma composição delicada que mistura solos melodiosos de piano e batidas house já características do artista. A música tem um tom meio agridoce, misturando melancolia e esperança, uma atmosfera que é determinado logo em sua frase de início: “não olhe fixamente para a direção da tristeza”. “Labyrinth” te convida gentilmente para dançar e esquecer do peso da vida em centros urbanos – imagem mental que é inclusive reforçada com a estética Wong Kar-Wai do videoclipe – e faz este trabalho de elevação espiritual tão bem que ela sem dúvidas pode ser considerada como o momento mais uplifting do J-Pop na última década.

52. Mariya Takeuchi – Plastic Love

10593434_618159141638758_1560438507_nSe você pensava que a maior safadeza que o JESUS USAVA CHANEL poderia fazer nessa lista era enfiar músicas de 2009 no meio de canções de uma década que começou em 2010 você se enganou: vamos usar esse espaço agora pra enfiar na lista uma JURÁSSICA faixa do ano de MIL NOVECENTOS E OITENTA E QUATRO. BOOOOOOOOOOOOOOOOM. Ok, tem uma explicação (também meio safada mas até que coerente) pra isso: “Plastic Love” da Mariya Takeuchi pode até ter sido lançada em 1984, mas ela só veio ter o seu momentum na cultura pop a partir de 2017 e, sendo assim, é uma das melhores músicas da década pro quarteto de sadfags que administra este blahg. O motivo dessa marmotagem toda é que, além de “Plastic love” ser basicamente a música pop mais perfeitamente construída, cantada e arranjada da história, a canção também abriu os olhos do público ocidental para o city pop, lendário gênero da música contemporânea japonesa que teve seu auge entre os anos 70 e 80 e que soa como a coisa mais afável e nostálgica que a música pop já criou. O fato de que uma faixa tão antiga e obscura viralizou aleatoriamente na internet a ponto de desenterrar todo um gênero musical (e até ajudar na formulação de outros gêneros, como o future funk) é um feito impressionante e uma das coisas mais legais que rolaram no mundo musical na última década, e por isso a entrada desse single na listinha é de um merecimento ímpar. (Link)

51. AKB48 – Beginner

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“In your position, set!!”. O ano é 2010 e o AKB48 apresenta sua melhor formação até então, contando com idols icônicas como Tomomi Itano, Minami Takahashi, Atsuko Maeda e Yuko Oshima – além de outras que também são tão lendárias quanto. O sucesso do grupo é cada vez mais notável, a fanbase é crescente e tudo o que elas precisam para se tornarem o maior grupo do país é aquela música certa no momento certo. É aí que entra “Beginner“. Sendo o décimo oitavo single do grupo,  “Beginner” foi a música que levou o AKB48 ao topo da música idol japonesa e deu a elas uma projeção mundial maior do que já tinham naquela época. A faixa sucedeu o smash hit “Heavy Rotation” e trouxe uma imagem completamente diferente ao grupo de milhares de meninas: deixando de lado os vídeos coloridos e animados, o clipe de “Beginner” se passava dentro de um game onde as integrantes encarnam grandes lutadoras em batalhas sangrentas e tão chocantes que acabaram rendendo a censura do material no Japão (sério, hahahah, o clipe original foi banido e não existe *oficialmente* no youtube). E por que não né? Aliás, a música é quase um grito de rebelião perante à indústria idol japonesa (uma pena que essa rebelião ficou só na letra mesmo), contando com um instrumental pop-rock agressivo aos moldes de “All the Things She Said” do t.A.T.u. e uma composição que é dramática e grandiosa mas ainda assim extremamente chiclete em suas repetições já icônicas de “Change-change-change-change-change your mind”. Os fãs do AKB provavelmente odeiam a música por causa da projeção que ela deu o grupo, mas o ódio deles só deixa mais certo que “Beginner” é o maior material que as calouras infantis do Raul Gil já lançaram. (Link)

Como sempre a gente avisa que se você curtiu, discordou ou concordou com a lista, a caixa de comentários tá aberta e você pode opinar nela!! Exerça seu direito democrático enquanto a democracia ainda tá valendo no Brasil ok. Aproveita e dá play também na playlist desse primeiro post – dessa vez um tanto quanto incompleta pois as músicas “Plastic Love” e “Beginner” não estão disponíveis no spotify… ai esses japoneses – e não esquece de compartilhar o post E a playlist… a gente quer os views e likes, claro!

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