A tempestade pop de Lady Gaga e Ariana Grande

A agenda de Lady Gaga tem como item principal se curar através da dance music. “Rain One Me”, a parceria da cantora com Ariana Grande serve as medidas certas para essa mistura perfeita. Pedindo por chuva, se curando através das gotas que caem em seu rosto, as duas descendentes de italianos se complementam perfeitamente, servem um bom pop, com uma produção cheia de elementos do house, puxando Grande de volta para suas raízes pop e Lady Gaga clamando a pista de dança mais uma vez. 

Há muitos anos atrás, antes de “Shallow”, houve uma Lady Gaga puramente pop, com a iconografia, o momentum pop e as produções perfeitas. Mesmo que essa Gaga tenha aparecido com “Stupid Love”, o novo single da “mamãe-monstra” reconstrói a imagem da artista com tudo que mais gostávamos. Imagens marcantes, parcerias grandiosas e momentos da música pop, pois Gaga sempre foi sobre isso. “Rain On Me” é tudo isso embrulhado em um pacote de música house, um tipo de “Be Alright” – música de Ariana Grande – totalmente repaginada para os tempos em que vivemos, aliás, para os tempos que vivemos é uma tristeza imensa não podermos fazer chover na pista de dança de algum dessas casas noturnas lgbtq-friendly

Mas o que importa é que: Lady Gaga e Ariana Grande mostraram para o mundo como uma verdadeira colaboração pop tem que soar. Divertida, viciante, alegre e catártica, a colaboração que saiu exatamente no aniversário de um atentado terrorista que ocorreu no show de Grande – mesmo que por conta de atrasos -, conta um pouco para nós como as duas artistas acharam um lugar em comum no meio da confusão toda que “Lady Gaga&Ariana Grande” soa. Primeiro por serem opostas no que propõe em suas carreiras, segundo pelo gênero de suas músicas, mas Gaga é bem sucedida em puxar Ariana para fora do seu buraco-trap, de volta em uma faixa completamente pop e dançante. 

Rain On Me” é um house que mostra as duas cantoras superando traumas pessoais, a metáfora de se banhar nas águas mandadas do céu para se curarem completamente, ela te convence que músicas dance podem ter um sentido mais profundo do que você pensa, e não são apenas batidas repetitivas para fazer seu corpo mexer em um buraco qualquer do centro da sua cidade na madrugada do final de semana. “Eu prefiro estar seca, mas ao menos estou viva/Chova em mim, chova, chova”, elas pedem por essa cura no meio de um refrão viciante, pontuando como essa explosão de instrumentos e synths é um portal de cura para elas. É a perfeita balança entre a edginess de Lady Gaga e a personalidade de Ariana Grande, upbeat com linhas subliminares de tristeza.

O segundo single da era #Chromatica segue a agenda perfeita tentando ser implementada por Lady Gaga, entregando batidas completamente viciantes, e mostra como nós podemos ter várias camadas, como a música continua sendo um instrumento de cura. Ah, e claro, mostra também que a cantora consegue entregar grandes momentos na indústria mesmo depois de 11 anos dentro dela.

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