BAÚ DA KAHI #2: As Quatorze-Nove Musas do k-pop

Em algum cantinho de Seul, na Coreia do Sul, mais um homem de meia idade e valores duvidosos não tinha ideia do que fazer com seu milhão de dólares na conta. O ano era 2010, e a única coisa que você podia fazer para lavar esse dinheiro era bem óbvia: montar um girlgroup. O homem em questão, CEO da Star Empire – gravadora de k-pop -, tinha dois hits domésticos em suas mãos (o boygroup ZE:A e a clássica girlband Jewelry), e pensou que poderia se aproveitar da grande onda de girlgroups pós-2007 para expandir seu “império” (trocadilho não-intencional). E para começar a grande jornada de experimentos do que você poderia fazer com um grupo, o homem em questão pensou “por que não fazer um grupo de idols modelos?”.

O Nine Muses nasceu desse cruzamento de ideias equivocadas, e mesmo que tenha servido constantemente em todos os seus singles, é impossível não dar atenção a todas as bombas que aconteceram durante a carreira surpreendentemente longa do grupo – que acabou se tornando um dos mais queridos entre certo nicho saudosista da audiência sul-coreana. Óbvio que as nove musas não foram um Girls’ Generation da vida, muito menos um After School, mas desde sua jornada árdua pelo sucesso, o grupo conseguiu números decentes e será pra sempre um dos melhores da sua geração de acordo com o mundinho JESUS USAVA CHANEL.

O conceito modeletes meets cantouras não tinha sido explorado antes, e por isso o CEO da Star Empire correu para procurar nove meninas altas, com o mínimo de talento mas muitos problemas pessoais. Pelo menos era assim que o Nine Muses soava no começo. A ideia era apresentar um conjunto fora da curva da indústria, mas foi uma derrapada imensa visto que a personalidade “serem altas” não conseguiu segurar nenhum sucesso para o grupo no seu debut e muito menos segurar as próprias integrantes dentro do grupo, mas eu já chego lá. Antes disso, é importante sabermos como elas primeiro apareceram para o mundo: no Dream Concert.

O Dream Concert é um evento bem grande da Coreia do Sul que une os maiores nomes da indústria em um estádio para cantar para milhares de fãs – palco de grandes brigas e falcatruas entre fandoms. Ter seu pré-debut no Dream Concert é uma coisa imensa, nem todo mundo consegue esse feito, e o Nine Muses estava fazendo isso (com uma trilha sonora de um dorama aleatório, “Give Me”, featuring com a ex-Jewelry, Seo In-Young… mas já era alguma coisa). O velhote que tomava as decisões sobre a imagem do grupo decidiu que o conceito delas seria “sofisticado”, “maduras” e “finas”, algo que realmente não era muito visto no k-pop até porque nenhuma mãe de família estava tão interessada em idols assim, mas até aí tudo bem. Agora na performance do pré-debut, o primeiro contato com o público, o velho caquético decidiu que seria ótimo colocar as meninas nas roupas mais baratas do sex shop mais xexelento na categoria “baseball” da Coreia do Sul, para cantar uma música transportada diretamente da old school do k-pop, com uma coreografia péssima, sofisticado não? Naquele momento, obviamente o velhote não estava satisfeito com o desempenho das meninas dentro do grupo, e a performance delas refletia muito bem toda pressão que ele colocava – ele queria causar um choque no público e escolheu a pior rota.

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“Cê acha que as pessoas vão achar perceber que essas roupinhas são da Marisa?”


Depois disso foi só ladeira abaixo. O começo das nove musas – originalmente um mito grego, mas que aqui tomava ares de tragédia grega – não estava promissor. Não parecia ser um caso de sucesso e nem mesmo uma questão desses grupos que começam ruins e terminam bons. Primeiro que antes mesmo desse pre-debut tenebroso – que eu amo inclusive – tínhamos um grande erro amador: colocar a quantidade de membros no nome do grupo. Isso também deixou as meninas amaldiçoadas para sempre. A aura do Nine Muses naquele momento era pura tristeza e decepção, quase como se um espírito obsessor de alguma ex-idol dos anos 90 estivesse assombrando os corredores do prédio de infra-estrutura duvidosa da Star Empire (mais sobre isso no documentário: 9Muses Of Star Empire). A formação do grupo no momento era: Jaekyung, Rana, Bini, Lee Sem, Eunji, Sera, Euaerin, Minha, Hyemi. E como um bom grupo de MODELAS e CANTOURAS, obviamente que esse grupo não poderia deixar de ser o nosso próprio AMERICA’S NEXT TOP MODEL, só que SOUTH KOREA’S NEXT TOP MODEL. Façam suas apostas, quem será que vai sobreviver aos próximos capítulos?

O próximo desafio seria o mais difícil até então, o tão esperado e sonhado debut. Essa última sentença parece ser irônica né, até porque milhares de jovens coreanos amariam ter essa oportunidade. Imagine, você tá só tentando aprender o alfabeto e do nada alguém te leva para o sótão do Dr. Kim e o bisturi já te reformula completamente e te transforma numa popstar gostosona pronta para o sucesso? Um sonho! Bom, não para nossas nove musas. Mesmo que todos os grupos tenham lá seus problemas durante o treinamento para sua estreia, por conta do documentário da BBC lançado em 2012, a gente ficou sabendo até demais sobre as dificuldades do grupo. Euaerin não sabia muito bem o que estava fazendo ali, Jaekyung era uma “lead vocalist” que estava 100% sem vontade de estar naquele lugar, e o resto do grupo estava tentando horrores, mas Sera – a líder naquele momento – parecia não dar conta das escapadas que várias das meninas davam para fazer unha e cabelo ao longo desse treinamento, tendo vários breakdowns porque ela realmente vivia para o palco – e era uma das únicas que realmente queria aquilo ali. 

A aura “tristonha” do Nine Muses continuou por muito tempo por trás das câmeras, mas como diria Tcheska Albernaz, é vida que segue, e “No Playboy” era lançada como debut single das meninas. Um descarte do JYP – o que é um privilégio de se ter para a indústria, confiem em mim -, gravado pelo 2PM que mais parecia uma “versão sexy” do smash hit sul-coreano do ano anterior, “Genie” do Girls’ Generation. E como se já não bastasse essa semelhança sonora, ainda tinha o fato de que o Nine Muses era um grupo de nove integrantes, número esse que na cabeça dos fãs doentes do Girls’ Generation naquela época era um número PATENTEADO pelo grupo de garotas da geração. Um completo desastre que aumentou ainda mais as forças do encosto que perseguia os corredores da Star Empire no nosso reality show mais badalado entre as modelos. Para piorar, a coreografia de “No Playboy” é de puro mau gosto, o que combinaria 100% com os outfits do grupo que consistiam em umas lingeries compradas no aliexpress e uns terninhos com pedras de cristais – elas sofreram mais que Jesus Cristo. 

O primeiro ano do Nine Muses foi um desastre total: de “Give Me” para o lançamento do single digital “Let’s Have a Party” – contando com as faixas “No Playboy” e “LADIES” -, nada mudava na situação caótica do grupo. Na realidade o interesse sobre elas inclusive decaiu tenebrosamente depois que o público pôde conferir o Nine Muses performando ao vivo, e os empresários por trás das garotas continuavam pressionando elas constantemente de formas nojentas como geralmente acontece nessas empresas pequenas de entretenimento. E óbvio que essa aura obscura nos bastidores refletia diretamente no desempenho das musas no palco: péssimas performances que pareciam que as garotas queriam morrer (o que dá pra reparar por essa deliciosa imagem abaixo do título de uma das performances mais vistas de “No Playboy” no Youtube).

Capturar

Sério, eu acompanhava o grupo no debut – inclusive tinha um fansite para acompanhar mais sobre elas – e era bem claro que muitas delas não estavam aguentando a pressão, o grupo estava passando por mudanças, o velhote caquético da Star Empire estava perdendo o interesse em investir nelas… felizmente a partir dali elas finalmente conseguiam achar um equilíbrio. Mas antes disso um momento para o memorial das eliminadas do nosso SOUTH KOREA’S NEXT TOP MODEL:

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Jaekyung foi a primeira desistente. A gostosa saiu ainda na época de promoções do debut, fugindo da sala de treino porque não queria estar ali. Vale ressaltar que o CEO da Star Empire cagou tanto pra saída de Jaekyung que ele nem esboçou uma reação… apenas colocou Moon Hyuna em seu lugar, uma grande gostosa persistente que ele achou num catálogo de trainees. Jaekyung eventualmente virou modelo de lojinha de bairro.
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Hyebin, ou Bini, foi a próxima desistente. A lenda era boa no vocal, mas não deu pro gasto no grupo. Destaque pra imagem que fala claramente que a gata “não sobreviveu ao grupo” HAHAHAHAH.
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A próxima eliminada foi a Rana (ou Lana nessa romanização horrível que fizeram do nome no documentário). Ela chegou a ser líder do Nine Muses por pouco tempo por ser a mais velha do grupo mas puts kkk’ desistiu logo depois. Na época a gata dizia que iria continuar na indústria mas não imaginava o que o destino reservava de fato pra ela.
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O documentário colocou “Hyemin” no texto mas essa gostosa aí que fugiu do grupo foi ninguém menos que a EUAERIN. Ela deixou as Nine Muses para tentar uma carreira no Japão mas óbvio que isso não deu certo e ela voltou com o rabo entre as pernas 3 meses depois.

Das eliminadas, apenas Bini continuou na mídia por um tempo e ainda disse em um programa de TV que não entendia porque só algumas meninas do Nine Muses eram promovidas e que saiu do grupo por causa disso. A gostosa se casou em 2014 com um jogador de futebol famoso. Rana tem algum tipo de sucesso hoje em dia, tendo virado o que quase todo idol faz quando desiste da carreira: DJ. Ela também é famosa por ter aparecido num programa de TV em 2013 dizendo que saiu do grupo porque “não sabia cantar” HAHAHAH. Olha só o nível dos flyers da gata que é simplesmente uma sensação em toda a Ásia:

Esse momento de #eliminações das nossas modeletes ainda nos rendeu essa cena perfeita do documentário onde Eunji fala isso aqui:

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“Eu vou me tornar mais popular que as outras [integrantes], chutar o grupo e virar uma artista solo” HAHAHAHAH

Depois dos sacrifícios para a Tyra Banks, o CEO da Star Empire acabou afrouxando sua pressão nas meninas. Ele não estava investindo tão pesado quanto antes e agora a line up estava completamente defasada: as nove musas eram na verdade…sete. Isso causou um fuzuê imenso no nosso reality de sobrevivência, e o velhote caquético do início do texto chegou a querer mudar o nome do grupo para SWEET CANDY para não confundir o público pela quantidade de membros… viu como não podemos indicar o número de membros no nome do grupo? O challenge da temporada agora era que as musas se transformassem em rainhas disco, e isso se deu com o lançamento de  “Figaro”, que veio depois de uma seca no deserto. O single foi anunciado em Agosto de 2011 e é uma das melhores músicas do K-pop da década (JU2C certified).

O pop sofisticado desse retorno das nossas sete-nove musas acabou rendendo o segundo top 100 das garotas, alcançando o peak de #66… queres Katy Perry? Ah, e o nome do grupo estava salvo graças a empresa ter o bom senso de decidir a entrada futura de outras duas modelos&cantoras. A aura das musas estava mais leve, a música combinava perfeitamente com a premissa do grupo e fez questão de mostrar o talento escondido de cada uma daquelas meninas. Coincidência ou não, pras coisas começarem a dar certo com o grupo foi só elas sacrificarem as outras modeletes para o mal da nação (Girls’ Generation) e desapegarem da formação com nove integrantes. A line-up estava perfeita, e os k-netizens começaram a gostar de verdade do grupo.

(Boa parte do bem estar do grupo no palco pode ser notada e comparada entre esses dois vídeos, o primeiro de 2010 e o segundo em 2012, uma performance da mesma música)

O sucesso doméstico do Nine Muses como um grupo conhecido e subestimado estava garantido, afinal, no k-pop há um nicho de fãs que aaaaama um grupo com status de “subestimado”. Em 2012, com todas já com vontade de serem realmente estrelas do k-pop, mais uma musa era adicionada à foto do KOREA’S NEXT TOP MODEL, a que daria o que falar no país: a icônica Kyungri. E com as oito-nove musas, agora tínhamos o lançamento de “News”, um europop oitentista crocante  que mostrava finalmente que a Star Empire sabia o que estava fazendo com o grupo, pois era outro conceito realmente sofisticado sem precisar das roupas do sex-shop da tia Lee Hyori.

“News” rendeu o primeiro top 40 das Nine Muses, a maior posição até seu próximo lançamento: “TICKET” (single principal do primeiro EP das gostosas, o “Sweet Rendezvous”). A faixa mostrava que o grupo estava crescendo ainda mais, sendo a primeira vez que a Coreia do Sul ouviu o technobrega (muito antes do TWICE sequer existir para lançar “Cheer Up”), rendendo outro top 40. Mas o grupo NOVE MUSAS, não estaria completo sem uma nona musa, e essa era: Sungah, introduzida no final de 2012, prometendo começar uma nova temporada cheia de crocância. A line up agora era: Lee Sem, Eunji, Sera, Euaerin, Minha, Hyuna, Hyemi, Kyungri e Sungah. 

Era incrível ver como todas elas eram amigas e se gostavam genuinamente, o que não rolava antigamente por causa da tensão constante em que o grupo vivia – vale lembrar que as primeiras modeletes eliminadas do nosso reality show até postarem em suas redes sociais coisas como “eu nunca quis ser cantora mesmo” após suas respectivas saídas.  A gatinha Eunji tinha até achado um spot de rapper no grupo, e esquecido completamente sua carreira solo – kkkk. A nova temporada do nosso KOREA’S NEXT TOP MODEL, em 2013 contou com desafios ilustres. “Dolls”, o single do grande comeback do Nine Muses a uma formação de nove meninas, é uma faixa jazzy – na minha opinião a melhor delas – e cheia de trompetes, caminhando pela rota “retro-pop” que elas trilharam desde “Figaro”. O single, com produção incrível do Sweetune debutou em #35 na Gaon, mas seu peak foi #17, rendendo ao grupo um certificado de sucesso nacional. Na época as garotas até figuraram nos TV Famas sul-coreanos por conta das alegações de que o clipe teria “plagiado” uma cena fetichista do clipe de “Heavy Rotation”, do grupo fetichista japonês AKB48.

Logo depois disso, cansadas de jogar #safe, o challenge da produção pro grupo foi criar o primeiro conceito +19 de uma girlband, já que a Coreia do Sul tinha acabado de reformular as classificações indicativas dos clipes de k-pop e agora a putaria tava liberada. E elas conseguiram esse feito com: WILD. Saindo do ar retrô dos lançamentos anteriores, a música contava com um pop eletrônico frenético mas ainda com um ar de sofisticação. De “Dolls” para “WILD” foi um giro de 180 graus – e funcionou. O clipe “+19” trouxe um rodízio de fetiches bobocas que chocaram os coreanos, e o single debutou em #32, com as vendas físicas do EP de mesmo título jogando as nossas modeletes para o primeiro top 5 da carreira delas no chart de álbuns (o EP inclusive contem uma das faixas mais deliciosas do grupo, a b-side “Action“).

“WILD” foi mais que uma música, mas sim um grande grito de “GAY RIGHTS!” e também o marco inicial da estética das cock destroyers antes mesmo das cock destroyers existirem. E com isso “WILD” foi a primeira música a misturar pornografia com EDM a conseguir um top 5 na Coreia do Sul. Era um “revamp” de “No Playboy” e servia um conceito mais atual, visto que naquele momento os grupos que exploraram um lado “mais sensual” estavam surgindo de todos os lados. Tanto sucesso rendeu às nossas nove modelos da Marisa um álbum completo de estúdio: “Prima Donna” – servida marina? O sex appeal das meninas era estratosférico, e elas conseguiram se fantasiar de frentistas gostosas e sofisticadas para o single promocional “Gun” em Outubro. Enquanto o retro-pop do single garantia outros 200 mil downloads, o álbum físico garantia outro top 10 para o Nine Muses, mas vendendo apenas um pouco mais de 7 mil cópias. Conta até 7 mil pra ver se é pouco.

A esse ponto, Kyungri já estava garantindo seus contratos com marcas duvidosas de alguma água mineral, e nosso reality show de modeletes estava no seu ápice da qualidade… a vida era boa. Prova disso é o lançamento do single “Glue” bem no finalzinho de 2013, um lançamento completamente imprevisível com uma faixa oitentista deliciosa, mas que rendeu apenas um top 30 pela divulgação pobre da Star Empire e o baixo orçamento da coisa toda (algo que a própria ex-integrante Sera falou abertamente). Claro que a vida não poderia ser 100% boa né. Lembram do velho caquético? Pois bem, ele até que fez o Nine Muses trabalhar em 2013, mas deixava as meninas de fora de vários programas da TV coreana, e só “música” infelizmente não sustenta a carreira de um grupo idol. O Nine Muses passou dois anos de sua vida entregando singles, EPs e álbuns completamente deliciosos, um atrás do outro, não tem um grupo que tenha feito isso desde então… mas para a Coreia do Sul, isso não é suficiente. E agora começam as eliminações! 

Em 2014, Lee Sem e Eunji foram eliminadas do nosso reality show pois queriam buscar outros rumos – a última virando “influencer” do Facebook. Logo depois, a nossa líder Sera, que tinha sofrido tanto, também era eliminada do grupo, optando por uma carreira #intimista de cantora cover do Youtube e artista indie que entrega CDs feitos em casa nas mãos de seus 5 fãs. Anos depois a gostosa viraria também youtuber de reactions, inclusive fazendo reaction dos clipes do Nine Muses. O grupo agora tinha seis musas, mas logo a Star Empire enfiou a Kyungri em uma unit com 15 dólares de orçamento que visava replicar o sucesso da dupla  “Trouble Maker” – dos atuais desempregados Hyuna e JS -, ao lado de Kevin do ZE:A e da futura musa, Sojin. Era basicamente o Trouble Maker só que com um conceito de ménage à trois, sabe. Só no ano seguinte que tivemos um novo lançamento das meninas, a formação do reality era:  Euaerin, Minha, Hyuna, Hyemi, Kyungri, Sungah, Keumjo, Sojin. As duas últimas citadas eram as novatas no pedaço, bem mais jovens que as outras e bem menores… o conceito modelos havia morrido?

A música nova, “Drama” veio no início de 2015 e é uma faixa que nos remete aos tempos de ouro do grupo. Para um ano de seca não foi tão mal, ficou na portinha do top 10 dos singles, mas seu EP – de mesmo nome – acabou ficando no top 5 das vendas físicas. “Drama” foi a que mais serviu a dualidade do grupo, visto que era uma música “fofinha” mas que abria com a nossa rapper, Euaerin, em uma lingerie da Victoria’s Secret. Ainda em 2015, o Nine Muses serviu mais outros dois singles “Hurt Locker” e “Sleepless Night”. O primeiro acabou caindo no conto da farofa coreana de verão, e é um dos melhores singles do grupo sem dúvidas. A faixa foi merecidamente #1 na coreia… se você tirar todas as 31 músicas que estavam na frente dela. Já “Sleepless Night” marcou primeira vez que o Nine Muses chutou o Sweetune em anos e pediu ajuda de BraveBrothers para a faixa – lembram deles? só ir no Baú da Kahi #1. “Sleepless Night” é uma música sultry que acentua totalmente o lado sexy-melodramático das nossas nove musas, que lançavam então seu quinto mini-album, “Lost”, rendendo boas posições para elas superando o lançamento passado. Inclusive as roupas de “Sleepless Night” pareciam uma previsão do challenge “moda de funeral” onde elas velariam o próprio caixão futuramente.

Essa estabilidade deu ao Nine Muses um concerto próprio chamado “Muse In The City”, que aconteceu em Fevereiro de 2016 no Wapop Hall no Seoul Children’s Grand Park. Por mais que o nome espante, foi um show com boa estrutura e um palco decente, não foi em uma pracinha a céu aberto, e é melhor do que nada, visto que muitos grupos morrem sem nem conseguirem isso. O Nine Muses também teve dois fanmeetings na China, que fizeram grande sucesso. Essas foram as últimas respiradas do grupo, e a falta de ar não foi por COVID-19, e sim pelo fato da Star Empire nem saber mais o que estava acontecendo no nosso reality show.

As eliminadas dessa nova season seriam Euaerin, Hyuna e Minha. As gatinhas não queriam mais participar do nosso KOREA’S NEXT TOP MODEL e não renovaram seu contrato. Um silêncio grande se instaurou sobre o grupo de 5 musas. Mas já que estamos lavando roupa suja, Sungah estava completamente desinteressada, arranjava uns bicos de DJ e estava namorando… queria ser uma dona de casa moderna e despretensiosa, o que levou a Star Empire a formar uma sub-unit chamada Nine Muses A (ou Nine Muses – A próxima vítima), para esconder esse fato. Agora o grupo teria só quatro participantes, oficialmente extra-oficialmente. “Lip 2 Lip” e seu mini-álbum foram os únicos lançamentos da unit, e deram um top 5 na Gaon para as garotas e um top 50 no chart de singles… apesar de parecer fraco, o single quase rendeu o primeiro prêmio das Nine Muses em um programa de TV coreano. O melhor disso tudo ainda vem aí: o álbum da sub-unit foi tão cara de pau para tapar buraco que se chamava “MUSES DIARY” e os próximos lançamentos do Namyu se chamavam “MUSES DIARY PT 2.” e “MUSES DIARY PT. 3”. O grupo continuava como um quarteto – nunca esteve tão vazio assim – e ainda assim “Remember”, primeiro single de retorno delas em 2017, garantia outro top 5 no chart de álbuns para o Nine Muses, já “Love City” (elas blackpinkzaram total nessa), o relançamento do EP, não ganharia tanta atenção assim. 

O Nine Muses teve nove anos de atividade (êta número amaldiçoado) e ficou bem perto de finalizar como um dos poucos girlgroups coreanos que atingem a marca de 10 anos na labuta. Foi muito suor, muita falcatrua e rebeldia dentro do reality show de sobrevivência que acabou com 4 modeletes apenas. Kyungri, Hyemi, Keumjo e Sojin. Uma delas (Kyungri) ainda teve um single solo com clipe e tudo, a icônica Blue Moon (#10 na lista de melhores músicas de 2018 do JU2C), mas as outras simplesmente continuaram na geladeira, até a Star Empire ter a pachorra de anunciar o disband com uma balada mela-cueca “Remember” (sim o mesmo nome de outro single, só que em coreano), que anunciou o fim do grupo em fevereiro de 2019. 

O Nine Muses nunca mais vai voltar, mas estará sempre nos nossos corações. As meninas ainda mantém contato umas com as outras, são amigas até mesmo do CEO da Star Empire que tinha o Jewelry em suas mãos mas não conseguiu fazer o mesmo por elas. Uma jornada de honras, mas que infelizmente acabou. RIP Nine Muses 2010 – 2019. E obviamente que a vencedora do SOUTH KOREA’S NEXT TOP MODEL é a Hyemi, por ser a única integrante da line-up original que sustentou sua ficada no grupo até o decair dele, parabéns gata você ganhou alguns royalties por sua aparição e amigas para sempre. Ao todo o Nine Muses teve QUATORZE participantes e nenhuma expulsão midiática escandalosa, o que já separa elas de outros grupos aí que também criaram fama por cima do número de nove integrantes.

2 Comments

  1. Eu adoro esses posts de vocês principalmente com a playlist pra complementar, sempre sigo e escuto todas. Ansiosa pela do t-ara inclusive!

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