JESUS INDICA: Bree Runway é um furacão musical fora da curva

Pense em um cruzamento de Azealia Banks, Missy Elliot e todas as popstars dos anos 2000? Bree Runway se declara como uma gangsta glamurosa que faz música pop sem gênero para grandes gostosas como nós, não aceita ser posta em uma caixa. Ela faz rap, mostra seus vocais, e faz jus à sua infância que segundo ela foi cheia de Britney Spears, The Neptunes e Lil Kim. E ela não fez nada de errado em mesclar todas as suas referências criando sua própria identidade. Prova disso é sua música estar recebendo reconhecimento de ídolos da sua infância como Grace Jones, Kelis e ainda ter uma fada madrinha: Missy Elliot

Pop, trap, dance, r&b, hip-hop, pc music tudo em um mesmo apartamento. Essa é apenas uma rápida descrição do que a não tão extensa discografia do nosso objeto de estudo soa como. Ela não gosta de ser posta em uma caixa, e inclusive diz que isso seria como vestir a mesma peruca para sempre, impossível. Não é exatamente possível entender Bree Runway, é uma daquelas coisas que só olhamos e apreciamos, entendemos aonde ela quer chegar. Mas vamos começar pelo começo.

Bree Runway, nascida em Hackney, em Londres, fez seu primeiro EP independente embalando-nos em um bedroom trap/pop – se é que essa definição existe -, tudo isso resultado do seu primeiro salário de 200 euros. Desde então, suas tentativas foram consecutivas, e seu “culto” de seguidores aumentou ainda mais.

Em 2017 a história não era muito diferente, mas seus frutos sim. Sua música “What do I Tell My Friends?” com uma sonoridade extremamente pop nascia para indicar que a artista era merecedora de grandes holofotes. O single rendeu à ela um contrato com um subgrupo da Universal Music, a Virgin, e desde então ela vem lançando trabalhos excelentes que aumentam ainda mais a projeção da rapper, cantora, modelo. What do I Tell My Friends?” é uma dessas bops que você escuta os primeiros segundos e fica animado com o que vem depois. Seu refrão consegue nos transportar para um outro estado de espírito, o empoderamento de Bree Runway é palpável, e essa música transborda o feeling principal que ela passa enquanto artista: ser independente.

Bree não liga em se enquadrar, sabe suas referências e usa as dificuldades do passado como arte, tem um espaço especial na música pop, aliás, com a grande falta de mulheres negras na música pop, Bree Runway é mais do que necessária para todos nós. 

O primeiro EP de Bree Runway, “Be Runway”, é um grande catalisador de traumas do passado. Bree pegou todas as pedras que jogaram em cima dela e transformou isso em um projeto bem montado, esculturado do jeito que ela imaginava antes. Daí surgiram músicas como “Big Racks (feat. Brooke Candy)”, onde a vemos vestir de fato a skin “gangsta do pop”, em uma dessas letras de super-empoderamento. O EP também mostra Bree Runway em uma de suas formas mais “sexys” até então, “All Night” é exatamente o que seria um featuring entre Beyoncé e Britney Spears, um r&b com elementos de pop, onde os vocais de Bree nos levam para um motel com má iluminação. É “Naughty Girl” com “Breathe On Me”, executadas de forma perfeita. 

Calma, eu sei que pode parecer overwhelming pela bagunça sonora que as descrições parece, mas apesar do parecer, Bree Runway surpreende todos nos servindo um EP bem redondo e consistente. Ela nos mostra que é possível reviver os 2000s unindo duas sonoridades extremas da época, muito parecido com a rota de Rina Sawayama que vem conquistando o mundo desde seu bedroom pop “RINA (EP)”, e ainda joga um pouco da sua “black girl magic” no meio de tudo.

Ainda veremos muito sobre Bree Runway esse ano, a gata nos promete dois EPs e já começa os trabalhos com “APESHIT” onde ela revive o legado de Missy Elliot das décadas dos 2000s, transportando a faixa diretamente dessa época com um solo de guitarra no meio e no final que deixa tudo mais crocante, cheia de referência dos anos 90 nos seus versos. Além dela, “Damn Daniel” seu novo single com Yung Babe Tate, uma que bebe das fontes do hip-hop e da dance music, com a versatilidade perfeita de Bree que liga perfeitamente esses pontos. E ficamos aqui imaginando um álbum com 12 faixas, ou 9, dessa explosão de personalidade artística com mais músicas de gangsta glamurosas para grandes gostosas.

https://open.spotify.com/playlist/2oss3Z5wJCfSzJthUQ0Rtc?si=en0T4gxWTdSnoeUX2LCSrw

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