As 100 Melhores Músicas da Década – Parte 1 (100-76)

Em um plot twist digno de um monólogo da Andressa Urach, o JESUS USAVA CHANEL está de volta com força total: nosso blog e podcast estão devidamente restaurados para a alegria (ou não) da internet /o/. Aproveitando esse retorno quase triunfal (que ainda por cima acontece na páscoa, data em que Jesus ressuscitou.. ugh our minds!!), nós aqui do blog resolvemos que a melhor forma de nos reconectarmos com vocês é trazendo a nossa tão aguardada e quase cancelada lista das 100 MELHORES MÚSICAS DA DÉCADA DE 2010. Resolvemos dividir essa lista em 4 posts, cada um com 25 músicas escolhidas por meio de uma votação que nem nós mesmos lembramos como aconteceu – além, é claro, de algumas escolhas arbitrárias que fizemos por pura vontade de subverter o sistema.

Vale lembrar que essa é uma lista idealizada pelos integrantes do blog e, por esse motivo, ela reflete muito mais nossos gostos pessoais do que uma possível verdade absoluta, ok? Tentamos filtrar o que rolou de melhor na música que chegou aos nossos ouvidos nos últimos dez anos (apesar de que a ideia de início e fim de uma década é bem contraditória), deixando espaço para um pouco de tudo: pop, rock, música brasileira e obviamente aquela música asiática que não podia faltar aqui pois é a nossa especialidade e porque rende views. Prontos para conhecer a primeira parte com as posições de número 100 a 76? É só dar aquele scroll maroto!

100. Kyary Pamyu Pamyu – PONPONPON

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Foi muito difícil escolher um só ponto alto da carreira da Kyary Pamyu Pamyu nessa década para representá-la na lista – afinal, ela teve grandes momentos musicais/estéticos (mais estéticos do que musicais) especialmente entre 2011 e 2013 e quase todos eles seriam dignos de nota. De qualquer forma, a nossa escolha acabou sendo “PONPONPON” por tudo o que esse single representa: um momento psicodélico e catártico da cultura pop japonesa que colocou o j-pop novamente no mapa do público ocidental e que catapultou a Kyary para o posto de “face” da música asiática por boa parte dos últimos anos. Produzida pelo Nakata Yasutaka, lendário produtor por trás de toda a discografia do grupo feminino Perfume (e também por trás de coisas mais relevantes, como o Supreme Show da Ami Suzuki), PONPONPON é um technopop frenético e chiclete, com repetições quase intermináveis que deram a base musical para todo o visual 3D caótico e colorido que a Kyary quis introduzir ao mundo. Essa música inclusive registra bem a última boa fase sonora do Nakata antes dele virar um produtor barato de dubstep, EDM farofa e future bass de 2014 pra cá. RIP lenda 🙏.

99. Exid – Every Night 

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Esqueça tudo o que você ouviu falar sobre EXID e os incansáveis remixes de Up & Down. “Every Night” é a melhor música do grupo e a maior representante do talento da sobrinha do Jigsaw, LE. “Every Night” teve a graça de ter vindo ao mundo em 3 versões diferentes, antes conhecida como Phone Number quando foi lançada pela primeira vez, sendo essa lançada como single avulso e digital a melhor de todas. Composta por LE, sua primeira vez compondo sozinha, a letra é praticamente a “Disk Me” coreana, com LE dizendo que não aguenta mais receber ligações na calada da noite de seu namorado/ficante/peguete dizendo que sente saudades dela enquanto no outro dia ele esquece da existência dela. A diferença é que a letra pega muito mais pelo lado romântico da situação, com Solji gritando no refrão que não aguenta o telefone tocando sem parar mas não sabe o que fazer pois está apaixonada. Ter refeito essa música e relançado foi claramente a melhor escolha possível para o grupo, com o MV sendo o melhor do EXID até hoje, com todo aquele plot de espiã vampira sexy que não faz muito sentido mas pesa muito pela aesthetic, além de ter Hani antes de suas plásticas no rosto que a fizeram suceder como uma grande gostosa com sua bucetinha fancam de ouro. É uma pena que depois desse single elas tenham sumido completamente antes de voltarem e virarem a versão coreana e bem mais básica d’As Apetitosas, mas ainda assim continua um trabalho incrível por um grupo que merecia mais material desse estilo, emocionante, envolvente e relatable. ❤

98. Cardi B – Be Careful

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Cardi B, a uma das grandes revelações do rap da última década – todas as piadas de lado por favor -, pede para que seu amado tome “cuidado” em uma faixa passivo-agressiva que serviu Mary J. Blige meets Lauryn Hill e clássicos do r&b dos recém-nascidos 2000s. A batida mid-tempo de “Be Careful” contrastando com a gravidade de um bass ao fundo, quase nos faz esquecer que essa música é a mesma da rapper que vinha falando “eu vou te pegar na esquina, eu sou a Cardi B” com seu hit viral. “Be Careful” é mais artística, mais divisiva e divisora, mais “out-there”, e nos serviu de aviso para o que a rapper poderia servir, deixando claro que a carreira dela não seria feita só de raios que caíram em um lugar apenas uma vez. Cardi B avisou “Be Careful” e com isso figura tranquilamente essa lista. (Destaque pra performance incrível da música no Saturday Night Live).

97. Primary – Don’t Be Shy (feat. Choa & Iron)

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O nome “Primary” não é muito conhecido nem na própria Coreia do Sul, mas no top 3500 do JESUS USAVA CHANEL, “Don’t Be Shy” sua colaboração com a ex-AOA Choa e o rapper atualmente condenado por agressão Iron, conseguiu uma aclamação crítica inigualável. A faixa que mistura o reggae com um bom refrão chiclete, e a voz suave de Choa não teve muito burburinho para além do que ele podia, mas sem dúvidas é uma das produções mais ousadas de um dos países mais conservadores da Ásia. O músico de hip-hop e r&b, compôs uma faixa que envolve os sentimentos de uma mulher provocadora e um homem um tanto tímido. O que vale em “Don’t Be Shy” são os vocais secretos de Choa, antes só notada pelos seus gritos nas faixas do AOA, onde ela dita o tom da música em uma atmosfera envolvente. 

96. Shinee – View

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Mesmo que nascido e criado dentro de uma sonoridade totalmente baseada no r&b dos últimos anos da década de 1990, o SHINee provou que estava pronto para quebrar suas correntes ao lançar “View”. O EDM industrial infectado por synths deliciosos misturados em um grande experimento com os vocais da única boyband que se esforçava o suficiente para criar algo fora da curva, totalmente criativo e inovador. SHINee pode ter tido seus erros aqui e ali, mas o grupo-irmão de f(x) sempre fez valer esse título, prova disso é como a música que te faz viajar em uma trip de lsd pode ser contagiosa e ainda estar 100% dentro da curva pop sul-coreana, mas fazendo coisas que ninguém tem coragem ali dentro, com uma composição do saudoso vocalista principal da banda Kim Jonghyun. EDM não é muito abraçado, EDM para homens na Coreia do Sul é menos apreciado ainda, mas o SHINee disse “essa é a nossa visão e nós ficaremos com ela”, e seu legado continua vivo enquanto o gênero é ainda mais popularizado por conta de compositores ousados como foi Jonghyun ainda em vida. 

95. Namie Amuro – NAKED

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Se despindo de todas as suas crenças políticas e religiosas, não olhando para trás e não se deixando levar pelo que está no noticiário – principalmente quando esse noticiário te persegue apenas por ser um dos maiores nomes do Japão -, Namie Amuro lançou “NAKED/Tempest/Fight Together”, um single triplo pontuado por uma balada inesquecível e uma infame música pra abertura do anime. Mas no meio de tudo isso, na faixa principal, “NAKED“, a Namie finalmente se deixar levar pelas bandas do pop-experimental-synth-edm que andava pairando o underground do Japão – ao mesmo tempo que crescia em seu mainstream. As batidas que cheiram à latéx-líquido de MONDO GROSSO, ou Shinichi Osawa – nome por trás das melhores produções do After School (“Shh” e “Heaven”) -, combinaram perfeitamente com a persona revoltada de Namie Amuro que canta as palavras de VERBAL, o grande produtor e compositor de “Tokyo Drift” e rapper também conhecido pelo nome m-flo. A junção de três nomes icônicos de todas as áreas do Japão, nos rendeu a obra inigualável de NAKED que até hoje soa como um lançamento recente de uma dessas garotas do pc music, também conhecida por ser a última música onde a intérprete esboçou alguma emoção em sua voz.

94. Sulli – Goblin

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Como fã da Sulli desde que eu conheci o f(x), é muito difícil escrever alguma coisa que eu ache que seja remotamente bom para poder fazer jus ao material que ela nos deu de presente no ano passado. O EP com 3 faixas é um trabalho incrível e artístico e mostra um pouco de Sulli em sua forma mais crua e verdadeira. A faixa título é fruto de tudo que Sulli sofreu, na maioria das vezes calada, durante todos esses anos e é mágico o como ela conseguiu transformar experiências tão ruins em um pedaço literário tão bonito, homenageando ainda o seu gatinho “Goblin“, que era tão criticado quanto ela por simplesmente existir. É uma experiência no mínimo catártica para quem acompanhou a Sulli por tantos anos ver ela compartilhando música que ela mesmo criou e “Goblin” é fruto de todo o seu talento como a grande artista que sempre foi. Escolhi a 94ª posição para a música, mesmo no meu coração sendo muito maior, porque a Sulli nasceu em 94 e ela é uma grande estrela e merece essa homenagem.

93. WJSN – Secret

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O ano é 2016. Um grupo debuta, com um conceito cósmico envolvendo signos e constelações. São 12 meninas e ok que é bastante gente mas tudo faz parte do conceito, mesmo que algumas nem abram a boca e só sejam bonitas mesmo. O debut é ok, nada espetacular, vendas medianas, afinal o grupo acabou de começar… Daí vem um reality show chamado Produce 101 que resolve colocar 101 meninas para disputar por uma vaga em um grupo temporário. Ok. Uma das trainees da empresa desse grupo novo, que não debutou, é jogada pra esse reality pra ver se rende alguma coisa e acaba que ela rende muito mais do que o próprio grupo. Qual a solução pra isso? Claro que destruir todo o conceito do grupo e adicionar uma 13ª integrante mesmo pra ver se elas conseguem hitar de alguma forma. “Secret“, o primeiro comeback do WJSN, acabou funcionando muito por continuar no conceito cósmico e aproveitar de Yeonjung para servir de centro desse sistema solar, sendo a grande vocalista, chutando as main vocals anteriores, e protagonista da porra toda. Não só por isso mas também pela música ser icônica, por todas as razões citadas acima e por ela ser incrivelmente boa mesmo, uma releitura moderna do pop/R&B de girlbands do final da década de 90. Um upgrade gigantesco do debut para cá e que fez com que o nome de WJSN finalmente chegasse na boca do povo. Até hoje é a signature song do grupo e não por acaso merece esse lugar no nosso top100 da década.

92. Stellar – Vibrato

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E quem diria que Stellar acabaria se tornando um nome tão grande a ponto de lançar uma música tão BOA como “Vibrato“? A mudança drástica de conceito do grupo acabou sendo o que colocou o grupo nos holofotes e mesmo sabendo de tudo o que as meninas tiveram que passar dentro da empresa horrível delas, não há como negar o quão boa “Vibrato” é. Desde a batida disco, algo bem 80s e funky, que inicia a música, passando pela bridge que dá um slow na música e adiciona um pouco mais de sensualidade e glamour com o final que fecha com chave de ouro, “Vibrato” é uma música excelente e é uma pena que não tenha sido reconhecida da maneira que merece. O MV icônico (dirigido pelo Digipedi, os maiores produtores de MVs da Coreia sem dúvidas), que explora bastante a sexualidade de uma maneira extremamente divertida e cheio de duplos sentidos, foi o suficiente para eclipsar a música já que a mente dos sul-coreanos é pequena e retrógrada. É uma pena que uma obra de arte dessas não possa ser apreciada da maneira que merece.

91. Sabrina Claudio – Belong To You 

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Devotamente entregue à um igual, Sabrina Claudio entrega um r&b bastante suave acompanhado de seus vocais quase-sultry em “Belong To You”. O refrão da música do álbum “Truth Is” trata-se não só de uma canção de amor cego como essas que vemos no topo das paradas, mas sim uma conversa honesta com seu reflexo no espelho, onde Sabrina Claudio se despe completamente de suas inseguranças para partir em busca de uma relação concreta com ela mesma. É quase como fôssemos convidados a entrar em um quartinho espelhado, obrigados a nos encararmos nesses espelhos e ouvindo a Claudio nos fazendo prometer que cuidaremos mais de nós mesmos.

90. Rihanna – Needed Me

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Muitos podem dizer que o “trap” não é um gênero muito criativo, e que Ariana Grande foi a responsável por colocá-lo definitivamente no mapa das cantoras pop com o seu álbum “thank u, next”. Mas três anos antes da ascensão da a-list relâmpago estrela pop ex-teen, a Rihanna trouxe o r&b-trap pro topo com “Needed Me”, onde a dona de grandes hits manda um “pequeno recado”. Rihanna convoca toda sua atitude despejando nessa faixa o codinome “bad gal riri” – “a bandidona riri” em português – e mostrando que ela não é ruim em um relacionamento, mas ninguém pisa no é dela. A música da dona de quatorze #1 no Billboard Hot 100 nos relembrou do que o trap precisava e deu o pontapé inicial para que ele finalmente voltasse no final da década.

89. Kim Petras – I Don’t Want It At All 

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Entre o funky europeu dos anos 1980, e os grandes synths eletrônicos dos anos 1990, o nascimento de Kim Petras acontece. Claro que quatro décadas depois do que realmente foi o funk dos anos 80, “I Don’t Want it At All” nasce como um verdadeiro hino “sugar-baby” para toda uma geração. A música invoca todos os grandes trejeitos de uma patrícia saída diretamente de uma das produções cinematográficas dos 2000s, com um riff do passado mas que falou muito sobre o que iria ser tendência no futuro. Os synths da faixa de Kim Petras fizeram de seu nascimento um momento icônico na sua carreira, com direito a um hit cult clássico que poderia ter sido lançado pela própria Paris Hilton por tantas menções à grifes e marcas caríssimas citadas.

88. Brave Girls – Rollin’

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Que o Brave Brothers é um dos, se não O, maior produtor do k-pop todo mundo já sabia. Mas que ele se reinventaria depois de ficar conhecido por ser one-note e por consequência traria tantos hinos nos anos seguintes aos de suas signature songs isso ninguém esperava. E “Rollin’” acaba sendo fruto disso tudo. Ninguém dava nada pelo grupo, mesmo elas sendo da gravadora do próprio Brave Brothers, porque elas eram um grupo que pareciam que só sabiam entregar leftovers o tempo todo e não tinham uma personalidade própria. Mas se antes elas ficavam com restos de peido eletrônico que o SISTAR não queria, aqui elas mostram que cresceram bastante musicalmente e conseguiram superar as expectativas de todo mundo trazendo o maior ato de sua carreira e uma das melhores músicas do k-pop de 2017, com um dos melhores refrões atuais do k-pop em uma época onde refrão já tinha virado algo tão obsoleto, e ainda contando com uma coreografia icônica que envolve cadeiras e gostosas rebolando em cima delas de salto alto. Te desafio a ouvir uma vez e não ficar com o LOLLY LOLLY LOLLÉ na cabeça por horas. Simplesmente viciante.

87. Brown Eyed Girls – Sixth Sense

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O Brown Eyed Girls sempre foi muito bom e “Sixth Sense“, junto com “Abracadabra”, é uma das signature songs do grupo por um motivo. A melhor demonstração de como você pode mostrar para todo mundo que sabe cantar sem precisar ser numa balada e sem precisar ser sem graça (cof cof Mamamoo). O delivery vocal em Sixth Sense é claramente o destaque da música e todos os gritos de Jea, Narsha e Gain soam tão desesperadores, especialmente na bridge, que acabam funcionando tão bem dentro de todo o contexto. Não tem como ouvir sem querer gritar o POP! junto com elas. É uma música icônica por si só mas o MV acaba por adicionar mais camadas de interesse na música e toda a crítica social foda exposta funciona muito bem sem parecer forçado nem nada. Afinal, não há nada mais sexy do que ver Gain molhada e presa numa cadeira ou a Narsha fingindo que é uma gatinha manhosa e rolando na areia, né?

86. CLC – NO

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Soyeon, a indiana e egipcia mais cobiçada da Coreia, resolveu fazer uma caridade com o pobre do CLC, o grupo irmão do GIDLE, que nunca teve a oportunidade de ter um hit na vida (enquanto o GIDLE faturava horrores em cima da personalidade perdida delas) e entregou “NO” como um presente de camaradagem e boa vizinhança. Não é icônico quando uma artista em ascenção e talentosa acaba fazendo uma música melhor para outro grupo que não o seu? “NO” acabou sendo o trabalho mais coeso de Soyeon em questão de produção e conceito, principalmente, e casou muito bem com a imagem que o CLC estava tentando manter firme e forte desde “Black Dress”. É uma música icônica e com a marca do CLC, mesmo não tendo tido a participação de nenhuma das meninas na parte de produção da música. Destacou bem todos os pontos fortes do grupo e deixou o grupo finalmente com imagem de fodonas e destemidas da internet que a CUBE tanto queria desde que forçaram “Hobgoblin”. Um marco na carreira delas e certamente no kpop também.

85. CSS – CITY GRRRL (feat. Ssion)

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O CSS (ou Cansei de Ser Sexy para os puristas) foi o maior experimento internacional brasileiro do século 21 até surgirem as nossas próprias cantoras pop com desesperadas ambições globais. Tendo conquistado popularidade, comerciais de iPod e entradas em charts americanos e britânicos nos anos 2000, a banda paulistana chegou na década de 2010 já meio desgastada por brigas internas e uma sonoridade acidentada que em vários momentos parecia bem perdida. De qualquer forma isso não os impediu de servir um dos melhores números electrorock da década, a subestimadíssima faixa “City Grrrl“, presente no álbum “La Liberación”, de 2011 – último com a presença de um dos maiores nomes criativos da banda, o produtor Adriano Cintra. Combinando os beats eletrônicos do Cintra com guitarras e cornetas (e até um voiceover cinematográfico do músico Ssion), “City Grrrl” traz uma letra autobiográfica da vocalista Lovefoxxx sobre o seu sonho de infância de viver numa cidade grande e poder ser tudo o que ela queria ser sem julgamentos ou olhares tortos, afinal, numa cidade grande, para o bem ou para o mal, ninguém se importa com o que você é.

84. Sunmi – Gashina 

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No meio da explosão tropical house na Coreia do Sul (que, convenhamos, durou muito mais do que devia), Sunmi restaurava as esperanças de todos que achavam que ela não daria um twist no gênero ao lançar “Gashina”. Desabrochando como uma rosa, a ex-wonder girl nos mostra sua maneira de lidar com um término, mostrando que toda a dor daquele rompimento não a abalaria, muito pelo contrário, a fortaleceria. Ela não quer mais voltar a estar em um relacionamento, ela está cuidando de si em uma “ponte” para o último refrão anti-climática – de uma maneira incrível – que deixa tudo mais interessante. O comeback de Sunmi, após anos sem estar sozinha, nos serviu uma faixa tropical house, com elementos eletrônicos e uma bass drop no refrão que várias outras tentaram replicar no kpop.

83. Natalia Kills – Problem

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A Natalia Kills sofreu mais do que Jesus e isso é old: ela foi bombardeada por comparações com a Lady Gaga desde que debutou, foi extremamente julgada pelo público (que nunca havia dado uma chance pra ela) por causa de um acontecimento infeliz na tosquíssima franquia televisiva The X Factor e teve todas as suas oportunidades de sucesso negadas. A coitada teve que inclusive mudar de nome (!) e embarcar em projetos musicais mais discretos pra continuar fazendo aquilo no que ela sempre foi boa: música de qualidade. Ao menos podemos dizer que seus dois álbuns, o “Perfectionist” de 2011 e o “Trouble” de 2014, renderam alguns dos momentos mais legais da música pop nesta última década. E o grande destaque desses trabalhos é o primeiro single do Trouble, uma faixa incendiária e cheia de malícia chamada “Problem“. Sem nenhuma pretensão de hitar já naquela época, Natalia embarcou em uma sonoridade mais obscura e subversiva (mas sem deixar o pop de lado), trazendo nessa canção riffs lo-fi de guitarra que lembram uma releitura pop dos instrumentais do Sleigh Bells e incorporando a isso beats do hip-hop e vocais misteriosos e cheios de reverb. “Problem” soa futurista até hoje, parecendo um trabalho que as cantoras mais edgy do nosso mainstream (como a Halsey, por exemplo) matariam pra ter em sua discografia.

82. My Chemical Romance –  Na Na Na (Na Na Na Na Na Na Na Na Na)

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Em algum momento em 2010 o My Chemical Romance resolveu deixar as viúvas da estética Emo de lado, tacar aquele vermelhão Rihanna – LOUD 6.66 no cabelo do vocalista e embarcar em um visual camp, colorido e pós-apocalíptico que abriu as portas para a era “Danger Days”. Não foi particularmente uma era proveitosa, mas ao menos ela começou com força total com o single “Na Na Na” (cujo subtítulo gigante parece existir meramente pra irritar o público). A canção é, sem muita dúvida, o último grande momento desse estilo de rock pós-adolescente nos últimos anos – antes desse nicho se metamorfosear nos The 1975s da vida -, e traz um som pop punk “futurista” em alta velocidade que começa e termina tão rápido quanto um furacão. O destaque aqui é pra performance vocal do Gerard Way, que é explosiva e fluida na medida certa, entoando com maestria os versos rápidos cheios de trocadilhos e o refrão antêmico, feito minuciosamente pra ser cantado em coro por um público amplo em um show de estádio. Somando tudo isso a uma ponte memorável (“Todo mundo quer mudar o mundo, mas nem todo mundo quer morrer [por isso]”), um solo de guitarra incendiário e uma introdução arrepiante (a do clipe, claro), Na Na Na consegue trazer a dualidade de soar bastante atual ao mesmo tempo em que carrega uma pura nostalgia daquilo que o pop punk foi nos anos 2000.

81. Ladies’ Code – GALAXY

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Após um acontecimento trágico que vitimou duas integrantes do grupo em 2014, o Ladies’ Code ficou um tempo longe dos holofotes e passou por uma reforma que durou até o seu recente disband. Funcionando agora como um trio, a dinâmica do grupo foi reformulada e a sonoridade saiu do pop chiclete para um bem-vindo R&B lânguido e reconfortante. Foi com essa exata gama musical que elas voltaram em 2016 com o single “GALAXY”, uma mescla do R&B com elementos do jazz que situou o Ladies’ Code num nicho do kpop que até então era inexplorado. A música é inundada por infusões bem inspiradas desses dois gêneros, pontuada por graves reverberantes, sons estelares de carrilhões e, claro, levada pelos vocais impecáveis das três integrantes – afinal, o Ladies’ Code sempre foi um grupo de ótimas vocalistas. “GALAXY” também foi o abre-alas da triologia incompleta do grupo com os singles “Myst3ry” e “Strang3r”, repletos de faixas produzidas por músicos da MonoTree e que representam com certeza alguns dos melhores momentos musicais do kpop na última década.

80. Christina Aguilera – Elastic Love

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Em 2010 rolou um acontecimento musical que entrou pros anais da música pop americana: o lançamento do álbum “Bionic” da Christina Aguilera. O álbum foi, por muito tempo, o maior sinônimo de um fracasso mainstream de grandes proporções: rejeitado pelo público e pela crítica e transformado numa piada recorrente nos anos que se seguiram (até surgir o “ARTPOP”). Estranhamente, da metade da década pra cá, o Bionic começou a ganhar um leve status de “clássico cult”, com o público mais nostálgico de música pop finalmente redescobrindo o álbum e criando campanhas engraçadinhas pela internet como o “#JusticeForBionic”. A própria Aguilera sempre foi muito irredutível sobre o disco, citando que ele estava “à frente de seu tempo” (uma frase que também virou piada) – e, bom, no fim das contas ela até que não estava tão errada… ao menos em partes. Uma das provas de que o Bionic talvez tenha estado “à frente de seu tempo” é a faixa “Elastic Love“, o ponto alto do disco e que foi escrita em parceria com a musa anti-vacina M.I.A.. A canção é um synthpop inspirado nos anos 80 muito antes da sonoridade oitentista virar a grande queridinha dos artistas pop, e traz um instrumental quase “sensorial”, com sons que lembram plástico, borracha e elástico – algo que anos depois viraria a marca registrada de produtoras “futuristas” como a SOPHIE.

79. Chairlift – Crying In Public

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Todo mundo hoje em dia meio que conhece a Caroline Polachek agora que ela finalmente lançou um projeto solo com o próprio nome e entrou em todas as playlists dos mais entusiastas do pop alternativo com o álbum “Pang”. O que nem todo mundo sabe é que ela integrou por uma década o grupo Chairlift, que já foi um trio e posteriormente um duo, emplacou uma música no lendário álbum autointitulado da Beyoncé em 2013 e lançou três álbuns do mais puro suprassumo indie pop. Deste último álbum, o “Moth”, de 2016, saiu aquela que é a melhor música deles, “Crying In Public“, um número singelo e um tiquinho melodramático de um pop emotivo e cheio de sensibilidade. Com um synthpop pulsante e minimalista no instrumental, a composição da faixa (e os vocais cristalinos da Caroline) se sobressai, expressando aquele sentimento embaraçoso mas meio arrepiante que surge quando você percebe que está se apaixonando por alguém.

78. BoA – Shattered

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Não acho que a última década tenha sido particularmente favorável pra BoA. Ela continua sendo o maior parâmetro que a gente pode ter de uma “rainha do kpop” junto com a Uhm Jung Hwa, mas com tantos grupos de novinhas surgindo e tanta coisa mudando na indústria musical sul-coreana fica difícil pra uma solista veterana se sobressair – e assim o público acaba ignorando alguns dos melhores momentos recentes da artista, como “One Shot, Two Shot” e “Woman”. Ainda assim a qualidade musical da BoA quase sempre se mantém constante e não só nas suas faixas de divulgação, mas também em b-sides e faixas regulares de discos. Uma dessas faixas regulares que se destacou foi “Shattered“, quarta canção do álbum “Kiss My Lips”, de 2015. Produzida pelo duo The Underdogs, responsáveis por “Mr.Mr.” do Girls’ Generation, e com composição da própria BoA, a faixa é um número synthpop envolvente, com crescimento progressivo e um combo de pré-refrão, refrão e pós-refrão memorável em que a gata explora várias texturas de seus vocais. O destaque também vai para a ponte da música, que dá um leve twist na sonoridade trazendo um rápido e inesperado toque latino pra coisa toda.

77. AOA – Miniskirt

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Se teve um grupo que se beneficiou da onda de fazer sexy sendo um pouco vulgar esse grupo certamente foi o AOA. Debutando com um conceito de anjo e tendo até mesmo uma sub-unit de banda de rock, o grupo acabou por abandonar completamente a sua faceta Avril Lavigne e se jogou de vez no pop dançante porque a FNC estava desesperada por um hit. Tentaram algo com “Confused” mas a mudança não foi brusca o suficiente e não chocou ninguém, até porque ninguém viu essa música mesmo. Foi então que veio Brave Brothers com a salvação: “Miniskirt“. Essa música é uma das tantas que servem de exemplo para a famosa estrutura do Brave Brothers (leia-se: uma intro com tag do Brave Brothers, versos, pré-refrão, refrão, pós-refrão, rap, pré-refrão, refrão, pós-refrão, bridge… e tudo terminava ou com um outro ou com o pós-refrão mas NUNCA tinha um terceiro refrão, isso era quase um crime) e é uma das tantas que ele produziu entre 2014-2015 que são extremamente semelhantes. Mas “Miniskirt” foi uma das primeiras a utilizar da fórmula com louvor e merece destaque. Um sopro de ar fresco na carreira do AOA, acabou por impulsionar o grupo para o (breve) estrelato e foi um dos poucos grupos que conseguiu fazer um sexy mais “agressivo”, utilizando até mesmo de cenas com leitinho descendo pelos peitos das membros e mesmo assim hitar.

76. Allie X – Catch

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Sem ar mas com poesia para descrever, “Catch”, tal qual sua premissa, entra em nossas veias como um remédio para curar todas as dores de um término e uma vez que ela contaminou seu corpo, é difícil de se livrar. O synth quase-melancólico da primeira música de trabalho de Allie X chega como um abraço para quem necessita, com um refrão épico onde todos os instrumentos chegam juntos para criar um momentum pop transcendental. Mas “Catch” não gasta todo seu potencial clímax nesse momento, ela nos leva até uma ponte ao final da música onde mágica sintética acontece, a batida quase plástica da faixa vai se repetindo com os vocais angelicais de Allie X, que chega provando ser uma grande potência para a história do pop cult e infelizmente nichado – aliás, Allie X merecia todo reconhecimento do mundo.

E aí, curtiu, discordou, concordou com a nossa lista até então? Diz aí nos comentários ou no twitter mesmo quem você achou que rankeou baixo demais, quem você achou que nem devia ter entrado aqui e quem você crê que vai rankear alto nas próximas três partes dessa lista. Aproveita e dá play também na playlist desse primeiro post e não esquece de compartilhar ele!

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