Elsa e Anna são princesas do novo século em Frozen 2.

É difícil imaginar que um raio caia no mesmo lugar duas vezes, e a Disney – produtora da animação “Frozen 2” – sabe as artimanhas necessárias para que não sintamos falta desse “raio” em particular. A sequência do hit infantil que conta com a jornada de duas irmãs “seguindo suas intuições” não teve momentos musicais tão majestais quanto o primeiro filme, infelizmente muitos números são esquecíveis e não vimos Elsa majestosamente na voz de Idina Menzel ser o destaque do filme com “Into The Unknown”, mas será que um filme de princesas musical da Disney conseguiria viver sem esse momentum? A resposta não é tão exata quanto parece, mas sem dúvidas, “Frozen 2” consegue viver em todas as expectativas continuando a história de duas irmãs que salvam uma a outra.

Quando você pensar na tal “boneca Frozen”, os cabelos loiros trançados de Elsa esvoaçantes gritando suas cordas vocais em um hino de libertação – “Let It Go” ou “Livre Estou” em português – logo vem à cabeça. Mantendo essa imagem, tentaram fazer com que essa nova ferramenta imagética se repetisse aqui. O que não foi bem o caso. Independentemente disso, a agenda de empoderamento do que seriam princesas da Disney no Séc. XXI continua preservando um legado fortíssimo na mão das personagens Elsa e Anna que agora estão partindo em busca de uma libertação ainda maior: saber mais sobre as origens do passado de sua família. De volta à infância de Elsa e Anna, as duas garotas descobrem uma história do pai, quando ainda era príncipe de Arendelle. Ele conta às meninas a história de uma visita à floresta dos elementos, onde um acontecimento inesperado teria provocado a separação dos habitantes da cidade com os quatro elementos fundamentais: ar, fogo, terra e água. Esta revelação ajudará Elsa a compreender a origem de seus poderes.

Você pode não gostar dos filmes que a Disney produz, ou achar que tudo que eles fazem tem um “quê” de liberalismo norte-americano por trás não muito interessante, mas é inegável que pela hegemonia cultural do seu país de origem, quase todos os filmes de princesa fizeram parte das nossas infâncias. E como toda boa criança viada – ou simplesmente menina, menine -, era de praxe acompanhar a história das princesas e os dvd’s não tão bem produzidos de suas sequências. Filmes como “Cinderela 2” e “Cinderela 3”, “Pequena Sereia 2” e “Pocahontas 2”, não eram projetados para serem grandes sucessos de box office como seus primeiros, mas ainda davam uma chance da Disney poder expandir a história dessas personagens que mal tinham falas em seus próprios filmes. Diferentemente disso, “Frozen 2”, tem toda produção de um grande filme e ele não deixa a desejar quando estamos falando de roteiro, mesmo que aborde certos clichês já conhecidos também é preciso ressaltar grandes ousadias do projeto: Anna e Elsa precisam salvar não a si mesmas, mas também seu legado, sua cidade e pagar uma dívida histórica com povos nativos.

É engraçado como Olaf – na dublagem maravilhosa do Fábio Porchat – serve de grande filósofo existencial dentro do universo de Elsa e Anna, por sua vez estão muito ocupadas para prestar atenção ou muito desesperadas para salvarem-se de gigantes de pedras e camaleões pegando fogo, por vezes dando até mesmo um “foreshadowing” do que vem nos próximos minutos, se tornando um dos melhores “sidekicks” de princesas da produtora. Também é interessante como em “Frozen 2” estamos diante de um dilema quase-moral entre as duas irmãs, passaram tanto tempo separadas como vimos no primeiro filme que qualquer perigo se torna grandioso e desesperador. Anna não quer perder Elsa, Elsa quer resolver seus problemas identitários sozinha ao mesmo tempo que não quer colocar Anna em perigo. Ficamos em um impasse clichê mas que reflete bastante no modelo princesa-disney de fazer filmes, onde um precisa estar ao lado do outro. É o “poder da independência” que resolve os problemas aqui, e mesmo que não tenhamos um bom solo musical independente, ainda conseguimos ver “Frozen 2” pelo que o filme é: uma expansão mitológica do folclore criado pelo filme e as respostas esperadas sobre o que Elsa realmente é.

O impacto cultural da Disney é inegável, o impacto cultural de Frozen nos últimos anos é mais inegável ainda, e devo me arriscar ao dizer que o impacto de Frozen 2 pode não ser tão grande quanto o primeiro – afinal o raio não cai no mesmo lugar duas vezes -, mas ainda assim a sequência é uma das únicas realmente boa da produtora do pequeno rato norte-americano, e vai viver para sempre na história do cinema.

 

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