O filme da Dora a Aventureira é a surpresa do ano

Adaptar é sempre uma tarefa complicada. Dependendo do tipo de material fonte e para onde você está adaptando, muita coisa não consegue ser traduzida e acaba sendo perdida, o que causa revolta. Adaptar desenhos famosos, que possuem diversos episódios e uma mitologia completa, para filmes live-action então é uma tarefa quase que impraticável e são poucos os filmes que conseguem êxito nisso. Dora e a Cidade Perdida acaba sendo um desses poucos filmes.

Dora (Isabella Moner) agora tem 16 anos. Ainda está acompanhada de Botas, seu macaco falante, e vive explorando a selva onde mora, junto com seus pais arqueólogos (Eva Longoria e Michael Peña). Quando seus pais vão viajar para uma expedição de exploração, Dora é obrigada a ir para a cidade grande, nos Estados Unidos, onde tem que aprender a se virar no ensino médio.

O filme é completamente absurdo, o que acaba funcionando muito bem dentro da proposta de ser um live-action de um desenho infantil, e traduz bem as coisas tanto para um público que ainda assiste o desenho quanto para um público que um dia já assistiu ou apenas conhece. Ele é capaz de unificar esses dois nichos a partir de sua narrativa envolvente e piadas divertidas. Indo na mesma vertente de Scooby-Doo 2: Monstros à Solta, o filme tem um humor completamente meta. Ele traz referências e zoa com o desenho a todo o momento, com um timing cômico completamente auto-consciente com o material original, o que faz com que as piadas saiam de forma ainda mais natural e engraçada.

Todos os personagens aqui funcionam muito bem, principalmente Dora, que é brilhantemente interpretada por Moner e que acaba carregando o filme, não somente pelo fato de ela estar interpretando a personagem título mas sim porque assistir Moner como Dora é exatamente ver como seria se a Dora crescesse e fosse para o ensino médio. Toda a essência da Dora original dos cartoons está ali presente e é uma interpretação muito meticulosa. O resto da trupe que acaba fazendo parte das aventuras que Dora tem que viver também são carismáticos e acabam adicionando bastante a história em si, especialmente Diego (Jeffrey Wahlberg), que parece um pouco descaracterizado do personagem original mas tudo faz sentido dentro da trama.

O filme é uma boa opção para quem quer algo mais leve e ainda assim extremamente divertido. Estreou hoje, dia 14 de novembro, nos cinemas.