As Panteras (2019) vale MUITO a pena

Uma missão quase que impossível dos tempos modernos seria essa de fazer novos filmes de As Panteras funcionarem, ao menos para mim como fã incondicional dos primeiros filmes que adaptaram a série ao cinema, principalmente sem o elenco que acabou virando a face da marca (Cameron Diaz, Lucy Liu e Drew Barrymore).

O que Elizabeth Banks faz aqui com o reboot é um trabalho incrível de conseguir inserir o conceito de panteras em uma narrativa completamente atual ao mesmo tempo que não faz com que todo o passado seja esquecido. Tudo o que acontece nos dois primeiros filmes dão palco para que esse filme aconteça, o que acaba deixando as coisas com mais cara de sequência do que de reboot propriamente dito. No filme de 2019, as panteras tem que deter o lançamento de um dispositivo que produz energia própria de ser lançado pois, por causa de uma falha no seu sistema, ele pode ser usado como uma arma letal. Kristen Stewart, como Sabina, e Ella Balinska, como Jane, fazem o papel das panteras iniciais e são designadas para a missão, que consiste principalmente em salvar Elena (Naomi Scott), que foi quem denunciou o que estava acontecendo dentro de sua empresa para a agência Townsend. Quando os rumos da missão mudam drasticamente, Elena acaba se juntando ao time e acaba se tornando a 3ª pantera não-oficial.

Não tinha como esse filme dar certo se o elenco não funcionasse. Quando anunciado, muitos olharam torto para quem foi elencado, principalmente para Kristen Stewart, um nome que certamente causa muita polêmica por conta de sua “fama” de não ter expressões, algo que deveria ser deixado em 2009, já que não cabe mais aqui. Todo mundo está muito bem nesse filme e todas as personagens são individualmente incríveis. Kristen acabou ficando com a personagem mais divertida e provou ter um timing cômico excelente. A novata Ella tem a personagem badass e ela é convincente e poderosa, principalmente nas cenas que exigem mais de sua atuação. Naomi tem a personagem inocente e que não sabe muito onde está inserida, mas aproveita da sua situação e usa toda sua inteligência para tentar se virar. As três funcionam muito bem separadas e principalmente juntas, com uma química que somente quem é pantera de verdade pode compartilhar. Elizabeth Banks, que acabou ficando como a Bosley oficial, é competente e se entrosa muito bem com as meninas, tendo mais trabalho em campo do que os Bosleys passados.

O desenrolar da história é divertido de se acompanhar e todos os plot twists parecem fazer sentido de alguma forma, o que é um ponto positivo para um filme que está tentando se reinventar, principalmente pelo fato de ter sido dosado com temas feministas para poder se adequar ainda mais ao que estamos vivendo em 2019. Um filme de ação escrito, dirigido e estrelado por mulheres é uma dádiva. É engraçado, pois a série original vem de um meio completamente machista (só foi criada para poder espalhar mulheres com roupas curtas e sem sutiãs como uma pornografia saudável) e o filme não transmite isso de forma alguma. Aqui, as mulheres são empoderadas e independentes e não servem de objeto.

O filme é um filme de As Panteras legítimo e quem não gosta dos primeiros filmes provavelmente também não vai gostar desse aqui, o que é uma pena pois é entretenimento do começo ao fim e muita mulher dando soco e chute de salto alto. Estreou hoje, dia 14 de novembro, nos cinemas do Brasil.