IT – Capítulo Dois encerra bem a trama de Pennywise

Pennywise está de volta! 27 anos depois dos eventos que aconteceram em It – A Coisa, Mike Hanlon é o único dos Losers que ainda está em Derry e percebe que crianças estão sumindo misteriosamente e corpos estão aparecendo de novo, que nem da última vez. Ele convoca os antigos amigos para honrar a promessa de infância e acabar com o inimigo de uma vez por todas. Chegando em Derry, os membros do antigo clube dos Losers percebem que terão de enfrentar o seu passado e lutar contra os seus traumas que voltam a tona.

O capítulo que encerra a nova adaptação do clássico de Stephen King é bastante coeso e redondinho. Algumas obras do autor são difíceis de serem adaptadas e podem acabar dando tragicamente errado se não feitas do jeito correto, o que não é o caso aqui. Com quase 3 horas de duração, acompanhamos os Losers, dessa vez adultos, tendo que enfrentar os seus fantasmas do passado. Embora um pouco arrastado de começo, não demora muito para pegar o ritmo e acelerar com a narrativa para fechar direitinho a trama de Pennywise. As mudanças do livro para os filmes, inclusive, foram muito bem feitas.

Se o primeiro filme trazia uma sensação de nostalgia com os anos 80, algo que estava particularmente em moda na época e ainda serviu para se aproveitar do hype da série Stranger Things trazendo o ator Finn Wolfhard (que interpreta um dos personagens principais da série da Netflix) para o seu elenco, o sentimento “nostálgico” aqui é para com o primeiro filme, já que ver os personagens crescidos faz não só as personagens mas também o público se lembrar de acontecimentos do passado e “reviver” as memórias que foram partilhadas em 2017, quando It estreou nos cinemas.

O elenco adulto é competente em seus respectivos papeis, mas não consegue chegar no nível das crianças, curiosamente. Muitas vezes parece que eles não estão fazendo as versões adultas de Eddie, Richie, Mike, Ben, Bill, Stanley e Beverley, mas sim estão interpretando as próprias crianças, apenas com uma roupagem nova. Mesmo assim, o cuidado da direção com as personagens é bem nítido e essa essência permanece no elenco, o que é muito bacana de se ver, muito embora a química dos adultos não se compare com a das crianças e seja um dos aspectos negativos do filme, já que o clímax acaba perdendo um pouco do seu impacto por conta desse detalhe. Não só isso mas os sustos também não empolgam tanto quanto no primeiro, que acaba sendo muito mais assustador, no fim das contas, do que esse. Mesmo assim, há sequências empolgantes e com um visual maravilhoso, o que acaba por mascarar um pouco isso.

A verdade é que, após o Capítulo Dois, é perceptível que esse filme deveria ter sido um produto só, unificando as duas partes e não dependendo de flashbacks para poder situar o público na história e muito do que foi perdido teria sido resolvido com isso. O diretor prometeu que sairia uma versão sem cortes com os dois filmes juntos e com certeza deve ser o melhor jeito de experienciar It e a trama completa de Pennywise. Ainda assim, é um bom filme e te prende durante as 3 horas, o que é bom para um filme dessa duração e também para sequências de terror, que não tem o hábito de serem exatamente eficazes em continuar com uma história e seguir com a narrativa. Estreia hoje, dia 5 de setembro, nos cinemas.