Anna: o perigo tem nome

Anna Poliatova (Sasha Luss) é a protagonista do mais novo filme de Luc Besson, diretor de Leon e Lucy. Ela é uma modelo famosa e muito requisitada pelas marcas de luxo ao redor do mundo, mas o maior segredo que esconde é que ela é uma das assassinas mais perigosas e bem treinadas da KGB.

Para quem gosta de filmes de espiões, o filme é um deleite. Anna não traz uma história exatamente nova ou inovadora. O próprio diretor já trabalhou com o tema em diversas outras oportunidades, sendo o tema de mulheres espiãs extremamente recorrente em sua filmografia, sendo La Femme Nikita um dos exemplos mais primordiais. O que chama a atenção no filme é a forma como a sua história é contada, através de uma narrativa que conta passado e presente ao mesmo tempo, esconde detalhes e os mostra na hora certa, trazendo plot twists a torto e a direito, garantindo o divertimento, até mesmo nas horas mais nonsense possíveis, onde não parecia ter uma saída mas o que estava acontecendo na tela naquele momento era a própria saída de alguma outra situação.

Embora vá e volte até demais, a narrativa não atrapalha o fluxo do filme e serve, inclusive, para ajudar na constituição da personagem principal e ajuda a criar empatia por ela. Acompanhamos Anna por todas as suas etapas e como ela foi parar no mundo da espionagem e tudo acaba por fazer sentido e Sasha Luss está excelente em seu papel, conduzindo a trama maravilhosamente bem. Luc Besson sempre teve um apreço por histórias com personagens femininas fortes e Anna é mais uma adição a uma enorme lista que percorre a sua filmografia desse exemplo de protagonista. As outras personagens também são boas adições a trama, sendo Helen Mirren a atriz que mais encarna com gosto o papel que lhe foi dado, como uma das chefonas da KGB. É ótimo ver Helen fazendo papeis que se distanciem mais do que tem feito em seus últimos anos de carreira e sua Olga acaba por ser um destaque a parte, entrando muito bem na categoria de personagens femininas fortes de Besson.

Embora seja um filme de espionagem, não há muita ação direta, mas as sequências de luta são empolgantes o suficiente para fazer o público vibrar e pedir mais, especialmente uma que envolve a primeira missão de Anna, vista em um flashback. É um dos pontos mais fracos de Anna, que acaba sendo um pouco inferior a outros filmes do mesmo nicho nesse quesito. Mesmo assim, acaba divertindo muito mais que filmes como Atômica, por exemplo, e vale a pena ser assistido. Estreia dia 29 de agosto.