ROSALÍA e Ozuna são um casal cigano em "Yo x Ti, Tu x Mi"

Apostando todas suas fichas no número sete, ROSALÍA e o porto-riquenho Ozuna lançam uma parceria extremamente viciante, viajando entre o reggaeton através de um xilofone atmosférico. “Yo x Ti, Tu x Mi” marca a primeira vez que a sensação das palminhas encontra a sensação do reggaeton conhecido por suas milhares de outras parcerias. O encontro improvável – ou mais provável que muito de nós imaginávamos -, rende à dupla uma faixa sensual onde um canta para o outro como é gratificante estar em uma relação de confiança. ROSALÍA e Ozuna, ao fundo com uma faixa reggaeton que mistura ritmos latinos conhecidos mas que não deixa de trazer coisas novas para a mesa, não querem saber de terceiros, apostam tudo naquele sentimento de amor que sentem um pelo outro e estão dispostos a fazer as coisas mais malucas em prol dessa confiança, o que dá um tom ainda mais dramático para o single.

“Yo x Ti, Tu x Mi” é o quarto single de ROSALÍA nessa nova fase onde a vencedora de dois Grammys latinos se encontra. Explorando ritmos diferentes, mostrando sua versatilidade e se certificando de que suas palminhas sejam projetadas em vários outros lançamentos, a sensação do nicho alternativo – cuja ascensão foi tão rápida que já foi até adotada pelo mainstream vide suas nomeações ao VMA – faz um ótimo par com Ozuna, trazendo sua calmaria típica carregada em sua voz um tanto mística de cigana espanhola, à medida que ele contribui na balança com seus versos rápidos. Muitas pessoas podem ter estranhado a aproximação do “genérico” que a faixa teve, mas só de ter a marca original de ROSALÍA, e sua presença imponente que contagia, infesta e muda completamente os versos, o single foge um pouco das mesmices estruturais do que andamos vendo por aí.

Os rumos tomados em “Yo x Ti, Tu x Mi” são diferentes dos que estamos acostumados em alguns momentos. Aqui somos presenteados mais uma vez pelo oasis musical produzido pelo time já conhecido pela intérprete de “MALAMENTE”, El Guincho, Frank Dudes e “la ROSALÍA”, nas pontes estruturadas dentro da faixa. Desde a letra co-composta pelos dois artistas, até o uso de um xilofone atmosférico, os produtores da faixa parecem ter uma vontade incansável de continuar uma exploração por novos sons, e a agregação de diferentes formas de interpretação em ritmos que já conhecemos como o reggaeton. De qualquer maneira, ROSALÍA nos mostra que o gênero marcante da década não tem apenas uma forma de ser feita, expondo que é possível brincar, mudar e refazer tudo que já entendemos sobre música.