Rainhas do Crime: potencial desperdiçado

O selo da Vertigo, pertecente a DC Comics, possui histórias mais adultas e que fogem um pouco da linha popular e atual da DC. Histórias como Constantine, iZombie e Lucifer tiveram suas adaptações para TV ou cinema realizadas nos últimos anos. A aposta da vez é The Kitchen, que veio aqui para o Brasil com o título de Rainhas do Crime, uma história limitada lançada em 2015 com 8 volumes.

O ano é 1978. Os maridos de Kathy (Melissa McCarthy), Ruby (Tiffany Haddish) e Claire (Elisabeth Moss) são mafiosos irlandeses que comandam os negócios em Hell’s Kitchen. Quando eles são presos em uma emboscada feita pela polícia, o novo chefão local começa a se recusar a dar o dinheiro necessário para o sustento das famílias do trio. Com isso, Kathy, Ruby e Claire decidem unir forças para criar sua própria “família”, oferecendo apoio e proteção a pequenos comerciantes locais.

O filme, escrito e dirigido por Andrea Berloff, é extremamente problemático quanto a sua narrativa e o seu tom. As histórias das três mulheres aqui são completamente interpoladas. Nós conhecemos Kathy, Ruby e Claire mas não parece o suficiente para um filme com tamanha complexidade e que lide com assuntos tão sérios como a máfia. Em 100min de duração parece não haver espaço para desenvolver nenhuma de forma adequada, além de passar de uma maneira arrastada e não conseguir manter um ritmo bom por muito tempo. The Kitchen também não parece saber muito bem se é um filme de drama, de comédia, de suspense ou de ação justamente por causa disso.

Tudo parece acontecer ao mesmo tempo e parecem ter pesado muito a mão no que colocar dos quadrinhos no roteiro. Tem muito elemento que é adicionado do nada e depois largado como se nada tivesse acontecido só para depois de um tempo trazerem de novo porque tinha uma ligação com outra coisa que disseram lá atrás. O roteiro acaba parecendo um emaranhado de coisas dos gibis que Andrea tenta interligar e fazer sentido e falha miseravelmente, principalmente porque muita coisa fica sem explicação e o filme faz parecer que só quer que você entenda que é assim que as coisas são e fim. O fluxo da história parece que facilita o modo como as coisas funcionam, até porque as mulheres do nada estão no comando e do nada são miradas e do nada e do nada recebem informações privilegiadas e do nada isso e do nada aquilo. É tudo do nada.

The Kitchen te deixa com uma sensação de que muito mais poderia ter sido aproveitado ali, do elenco para a história. Por mais que as três mulheres estejam boas e você acabe realmente simpatizando com, pelo menos, Kathy e Claire, todo o resto parece meio jogado. Até mesmo o jeito que Domhnall Gleeson faz sua primeira aparição no filme é jogado e do nada. Confio que se deixassem Andrea ter trabalhado no material original mas adaptado para o formato de minissérie as coisas teriam se saído bem melhor, principalmente por ser uma história complexa, embora limitada. Adaptar os quadrinhos para um filme foi um tiro no pé porque muito acabou sendo perdido e esse muito acabou custando, especialmente na conclusão do filme, que parece forçada e anti climática.

Rainhas do Crime estreia essa quinta, dia 8 de agosto, nos cinemas de todo o Brasil.