Annabelle 3 é um grande episódio de Goosebumps

Annabelle está de volta! O spin-off da franquia Invocação do Mal acaba de ter o seu terceiro filme lançado nos cinemas. A franquia de Annabelle parece ter ganhado fôlego com o lançamento do segundo filme, A Criação do Mal, em 2017. Extremamente melhor do que o primeiro filme, com uma história mais envolvente e ainda a participação de Lulu Wilson, o filme fez com que a fé pudesse ser depositada novamente na boneca maligna e suas pilantragens.

A história aqui é uma continuação direta do caso das enfermeiras com a boneca, que foi mostrado pelo menos 3 vezes durante os filmes da franquia inteira. Ed e Lorraine Warren (Patrick Wilson e Vera Farmiga) resolvem guardar a boneca em sua sala de artefatos em um vidro protetor especial porque a boneca consegue atrair outros tipos de demônios e entidades malígnas. Tudo parece bem, até que um dia a boneca consegue se soltar e ameaça a vida da filha do casal, Judy Warren (McKenna Grace).

O grande trunfo do filme é usar Ed e Lorraine para poder trazer mais confiança para o que Annabelle 3 está para abordar. Em papeis quase que reduzidos, já que toda a ação do segundo e terceiro ato acontecem quando eles não estão presentes, somente a presença de Patrick Wilson e Vera Farmiga é o suficiente para fazer com que a ambientação do filme seja bem-sucedida logo de início, principalmente com o descobrimento de como Annabelle atrai outros tipos de entidade e as cenas que mostram como que ela foi parar na sala de artefatos dos Warren. É tenso e envolvente na medida certa.

A partir daí, o filme começa a ser carregado pelo carisma de McKenna Grace. A atriz mirim é competente com sua Judy e faz com que torçamos por ela o filme inteiro, principalmente pelo fato do filme ter um foco principal nela. Judy é uma menina que aparenta ser muito misteriosa e sombria, mas é na verdade apenas uma menina que sofre com seus demônios (pessoais ou de verdade) e é bastante solitária, além de sofrer bullying na escola. O estereótipo é bem encaixado e nada parece forçado aqui.

Mary Ellen (Madison Iseman) e Daniela (Katie Sarife) são outros dois grandes nomes do filme, interpretando as meninas que estão cuidando de Judy enquanto Ed e Lorraine estão fora de casa. Junto com Judy, elas são as que realmente participam de toda a ação e da perseguição demoníaca trazida por Annabelle. Há dois subplots envolvendo cada uma das personagens, um que envolve a morte de um ente querido e outro que envolve um possível relacionamento amoroso, que fazem com que elas não sejam somente “babás” ou coisa do tipo e dá uma dimensão maior para ambas. Enquanto um serve diretamente para a trama principal e ajuda na narrativa, o outro serve de alívio cômico e acaba rendendo boas sacadas.

O problema todo é que Annabelle 3 parece muito mais um grande episódio de Goosebumps misturado com o plot de Scooby-Doo: Monstros a Solta do que realmente um filme de terror de uma franquia derivada de filmes de James Wan. Isso não é algo exatamente ruim mas há uma sensação de que muito mais poderia ser feito e aproveitado, especialmente com cenas que são boas no contexto mas acabam não surtindo o efeito necessário. Faltou muito pouco para que o filme beirasse o ridículo, como o primeiro de 2014, e não há exatamente um clima de medo que paire pelo filme. Até mesmo os jumpscares são, em sua maioria, ineficazes, principalmente por não serem inovadores e apelarem bastante para o clichê do som alto que prenuncia o impacto. É claro que a ideia de parecer um grande episódio de Goosebumps soe bastante atrativa para mim, mas não é o que estava esperando ao entrar na sala de cinema.

Por fim, Annabelle 3 não é um filme ruim e acaba sendo uma proposta interessante dentro da franquia toda de focar na Warren filha ao invés de seus pais, para poder trazer um público mais jovem para a sala do cinema. É regular, mas funcional. Estreia hoje, dia 27 de junho, nos cinemas de todo o Brasil.