PRIDE MONTH: 10 desenhos com representatividade LGBTQ+

O público infantil está destinado a crescer em um ambiente ainda mais evoluído do que antes. Os desenhos da geração passada, onde usavam muitas vezes pessoas da comunidade LGBTQ+ como forma de chacota, hoje em dia não tomam vez com esses novos jovens. Mas não só de crianças vivem essas animações, os amantes do gênero crescem cada vez mais entre pessoas de maior idade e principalmente os jovens adultos. Dessa forma, é indiscutível que essas animações abordem cada vez mais a representatividade da comunidade em suas narrativas. Desde os anos 90 com “Sailor Moon”, lá no Japão, até desenhos norte-americanos mais recentes como “Clarêncio, o otimista”, essa forma de normalizar a comunidade nas narrativas dos desenhos ficam cada vez mais aparentes.

Por isso, neste mês do orgulho, o JESUSWORECHANEL não podia deixar de fora essas séries que se tornam aliadas da causa, normalizando pessoas LGBTQ+ de todas as formas e apresentando-as de diferentes maneiras.

Clarêncio, o otimista

Celebrando a infância e o que há de melhor nas crianças, o desenho de 2014 da emissora Cartoon Network, ficou ainda mais conhecido por conta de sua normalização ao retratar um casal lésbico de mães em um de seus episódios. Nesse desenho, Jeff, um personagem amigo de Clarêncio, se destacou por ser uma criança ansiosa porém leal, estando ao lado do protagonista em várias situações, e o que chamou atenção de todos os telespectadores foi o fato dele ter duas mães. No meio da primeira temporada, temos a “revelação” de que os responsáveis por Jeff são EJ e Sue Randell, duas mulheres que queriam ajuda de Clarêncio para levantar a autoestima de seu filho em uma competição de receitas, ao mesmo tempo que o episódio não sente a necessidade de explicar o fato de ser um casal de mulheres, normalizando a representação dessas famílias fora do padrão institucional para uma audiência mais jovem.

Steven Universo

Mostrando uma das personagens mais “descoladas” dos desenhos atualmente, Steven Universo expõe sua representatividade LGBTQ+ através de Garnet, uma personagem que é originada de uma fusão entre duas gems que vivem um romance Ruby e Sapphire. Além de Garnet ser uma das mais poderosas entre os personagens principais, ela é a personificação do amor LGBTQ+ e está ali desde o primeiro episódio. Aliás, Garnet, é tão normalizada que em apenas um episódio eles revelam a história completa, em um pedido de Steven que fica interessado em saber de onde elas vem. Recentemente na série tivemos um episódio onde Ruby e Sapphire tem uma cerimônia de casamento na cidade onde moram, contando com a participação de vários outros personagens que celebram essa união sem nenhum choque ou perguntas indevidas.

Avatar: A Lenda de Korra

Estreando em 2012 como uma sequência da renomada série “Avatar: A Lenda de Aang”, Korra serviu como segunda avatar já viva, mas também nos mostrava o crescimento da personagem como pessoa, e o desenvolvimento de sua personalidade. Mesmo depois de vários impedimentos com a emissora Nickelodeon – que não permitiu o beijo final ir ao ar -, Korra é uma personagem bissexual confirmada, pois em seu último capítulo conseguimos ver um envolvimento romântico entre ela e Asami. Além disso, mesmo sem o beijo, a cena final da série conta com as duas meninas de mãos dadas viajando para uma próxima dimensão espiritual. Quer par mais romântico que esse? – mais tarde, nos quadrinhos da série, o romance entre as duas foi confirmado.

Sailor Moon/Sailor Moon Crystal

Podíamos fazer um artigo todo só sobre as representações LGBTQ+ durante as temporadas desse anime. Temos lésbicas, trans, bissexuais e genderfluids, além de alguns pontos feitos por personagens sobre a comunidade. Mas aqui podemos fazer um recorte e falar mais precisamente do casal Sailor Urano e Netuno. Haruka Tennou (Sailor Urano) e Michiru Kaiou (Sailor Netuno) são de fato, um casal na versão japonesa de Sailor Moon e também no mangá que originou a série de TV, mesmo que tenham sido mudadas para “primas” na versão norte-americana do desenho não é justo dizer que essa representatividade não existiu. Logo na terceira temporada de Sailor Moon, essas duas personagens apareceram misteriosamente como uma dupla de bastante sucesso em atividades distintas (Michiru é uma famosa violinista e Haruka, normalmente “lida” como um homem, é uma piloto de corrida em ascensão). Além disso, quando as duas entram em cena, uma com sua aparência masculina e a outra mais feminina com traços inconfundíveis, a dinâmica entre as personagens tende a se tornar flertante, cheio de piadinhas interessantes que nos permitem perceber o impacto do casal lésbico.

Shoujo Kakumei Utena

As origens de Shoujo Kakumei Utena (ou “Revolutionary Girl Utena”) remetem diretamente a Sailor Moon, já que um dos integrantes da equipe de criação de Utena foi o diretor Kunihiko Ikuhara, que dirigiu vários episódios do anime da guerreira lunar e também foi responsável pela direção-geral da terceira temporada da série e de seu primeiro filme. Utena bebe muita influência visual de Sailor Moon e também influência conceitual de clássicos como Evangelion e o mangá shoujo seminal Rosa de Versalhes. A narrativa é centrada na personagem-título Utena Tenjou, uma garota que perdeu os pais em um acidente quando criança e que depois disso esbarra com um misterioso príncipe – que a acolhe, enxuga suas lágrimas e pede que ela se mantenha nobre pois um dia eles irão se reencontrar. A questão é que Utena não resolve virar uma princesa esperando passivamente pelo tal príncipe, ela resolve virar o príncipe, adotando uma postura galante e usando uniforme masculino na escola. A partir daí a personagem entra em um estranho ciclo de duelos de esgrima em que é desenvolvida a sua relação de amizade e amor com a submissa e duvidosa Anthy Himemiya. Além do casal principal, boa parte do elenco da série também é composto por personagens abertamente LGBT (especialmente bissexuais) ou ao menos que insinuam sê-lo. Com um visual surrealista e contando também com um filme-sequência que eleva o relacionamento das protagonistas a um novo nível, Shoujo Kakumei Utena é o melhor momento que a representatividade lésbica/bissexual teve na TV japonesa e melhor ainda: sem grandes presepadas de objetificação ou male gaze.

Cardcaptor Sakura

Sendo um clássico dos animes de garotas mágicas e uma das obras mais populares do coletivo de autoras CLAMP, Cardcaptor Sakura também traz uma sutil mas notória representatividade LGBTQ que abrange a maioria de seus personagens mais importantes. Tanto o anime quanto o mangá, ambos idealizados para um público feminino pré-adolescente, deixam subentendidas as sexualidades ou identidades de gênero de certos personagens, mas qualquer leitor ou espectador mais atento pode catar as pistas sem muitas dificuldades. O caso mais interessante é o da Tomoyo Daidouji, melhor amiga da protagonista e que nutre claros sentimentos amorosos por ela, apesar de nunca ambicionar que esses sentimentos sejam correspondidos de forma recíproca. Além disso existe o relacionamento entre os personagens Touya e Yukito, que evolui de uma forte amizade para um grande dramalhão amoroso #discreto e #foradomeio, e também a identidade de gênero da personagem Ruby Moon, um ente mágico que normalmente deveria ser lido como alguém do gênero masculino (visto que todos os seus companheiros mágicos na série são lidos dessa forma) mas acaba por decidir que se sente mais confortável como mulher. Bem prafrentex para um desenho de garotas mágicas do final dos anos 90, não é mesmo?

She-ra

A série da Netflix que promove um “renascimento” do ícone da TV dos anos 90, traz consigo um “twist” que só faz agregar à comunidade LGBTQ+: duas personagens lésbicas são citadas, um casal de pais gays e um romance subentendido de personagens principais como Catra e Adora. Mesmo que não seja oficial, essa dinâmica entre as arqui inimigas existe depois de uma delas nutrir muito sentimento por outra e ficar extremamente decepcionada com as decisões tomadas, e adiciona um sabor a mais na narrativa da série, podendo até mesmo crescer em um romance. Na série também conseguimos ver a existência de duas princesas que são um casal romântico, mas que não tem muito destaque, só que tudo muda quando na segunda temporada somos apresentados aos pais do “Arqueiro”. Há um mistério gigantesco sobre o que ele ta tentando esconder de suas amigas, e o que é mais engraçado é que os escritores propositalmente colocam outro elemento que ele queria esconder, retirando o fato do casal de dois homens da jogada. Eles são tratados com muita normalidade, o que reverbera muito bem na audiência mais jovem que assiste esse programa.

Paradise Kiss

Paradise Kiss é um anime que adapta o mangá homônimo de autoria da Ai Yazawa, responsável posteriormente por um dos grandes sucessos do mercado japonês dos anos 2000, a obra Nana. ParaKiss conta a história de Yukari Hayasaka, uma vestibulanda que se vê obrigada a escolher um destino profissional cedo demais assim como muitos adolescentes no Japão e não aguenta as pressões que seus pais e a sociedade no geral aplicam nela. Eventualmente a garota conhece a “grife” Paradise Kiss, formada por um grupo de estudantes de moda que imploram para que ela seja modelo de um de seus projetos. Dentre os integrantes da grife estão o protagonista masculino George Koizumi, abertamente bissexual, e a personagem transsexual Isabella, que apesar de nunca ser realmente aprofundada na série, tem sua identidade de gênero abordada com uma sensibilidade ímpar por parte da autora e também uma background story muito interessante.

Drawn Together

Drawn Together deve ser o desenho mais polêmico da lista e não podíamos deixar de falar dele justamente por isso. Conhecido aqui no Brasil como Casa Animada, o desenho foi pioneiro em parodiar reality shows, tanto competitivos (como Big Brother) como não competitivos (como Real World), que estavam em alta na época em que o desenho estreou, em 2004. Os 8 personagens principais funcionam como paródias de personagens de desenhos animados já conhecidos e toda a estrutura do cartoon é para parodiar acontecimentos comuns de reality shows, elevando isso a máxima no humor mais ofensivo possível. Dentre esses personagens, Xandir é gay, o que acabou por gerar diversos episódios centrados no personagem e em sua homossexualidade, tratando até mesmo de temas como casamento gay. Além dele, Foxxy é descrita como um espírito de alma livre e o Captain Hero é pansexual. O desenho teve 3 temporadas e um filme que serviu como series finale.

Adventure Time

Adventure Time, ou Hora da Aventura, foi um grande hit durante todo o seu período de exibição e meio que deu início a nova era dos cartoons. Duas de suas personagens principais, Princesa Jujuba e Marceline, sempre tiveram indícios de já ter se relacionado, tendo isso aparecido em diversos episódios durante a série toda. Isso movimentou o fandom e o casal já era um dos mais queridos do cartoon, mesmo sem confirmação de ser canon. Essa confirmação veio, finalmente, no último episódio de Adventure Time, quando Marceline e Jujuba se beijaram pela primeira vez, confirmando o casal e aquecendo o coração dos shippers. Além disso, outro personagem da série, BMO, não tem gênero definido.

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