TRACK REVIEW: Red Velvet – Zimzalabim

Revisitando um pouco sua trajetória até o dia de hoje, Red Velvet lança a divertida faixa, despretensiosa e edm “Zimzalabim”. Na faixa conseguimos perceber como o grupo conseguiu unir seu lado “playful” que as garantiu muitos hits, com a personalidade ambígua (“girl-crush”) que sempre chamou atenção da sua legião de fãs. Tentando se consolidarem como “summer queens”, o Red Velvet faz seu terceiro comeback seguido na estação mas dessa vez resolvem inovar um pouco no conceito, até porque “Power Up” não falava nada sobre o grupo em si, mesmo que tenha sido um sucesso estrondoso, não fez muito bem à carreira das meninas que tem um legado derivado de seus lançamentos. Não decepcionando, e até surpreendendo, o Red Velvet conseguiu finalmente sua redenção com “Zimzalabim”.

A title-track de seu novo ep “’The ReVe Festival’ Day 1” traz consigo uma batida viciante, inovadora, com uma bateria incansável ao lado de uma melodia bastante agradável. Meio estranha aos ouvidos em uma primeira ouvida, mas que vai crescendo enquanto nosso subconsciente pede por mais, “Zimzalabim” nos leva para vários lugares do pop-edm do começo dos anos 2000. Um break que nos lembra da eterna “Satisfaction” de Benny Benassi, as baterias rítimicas que nos remete também à “Tokyo Drift” música da dupla Teriyaki Boyz, parte da trilha-sonora do filme “Velozes e Furiosos 3”, o single de Red Velvet é diversificado em suas referências nos obrigando a lembrar que o conceito de percurssão quase-carnavalesca já havia sido abordado por elas mesmas em “Hit That Drum” – faixa que fez parte do seu último EP de verão, “Summer Magic“.

Co-composta pelos mesmos produtores do smash hit “Red Flavor”, as meninas trazem a mesma “refrescância” do verão, inovando bastante na forma como elas lidam com as estruturas de versos e refrão. Na primeira temos as garotas cantando de forma bem rápida, quase engajando em um rap, enquanto o refrão é só a repetição de uma palavra com a confusão rítimica acontecendo ao fundo, com um ótimo objetivo de nos deixar ainda mais interessados nesse acontecimento todo que é “Zimzalabim”. Além da letra também ser uma carta de empoderamento aos sul-coreanos nesse verão de 2019, uma tendência que vem crescendo bastante entre essas composições sul-coreanas e surpreendendo pela inovação, já que até há um tempo atrás todas as canções eram sobre amor ou decepção amorosa.

O eletropop de “Zimzalabim” que nos transporta para vários lugares não deixa de preservar também o “fator viral” que levou as meninas ao sucesso com “Power Up”. A repetição da palavra durante o refrão deixa garantido que as pessoas vão ficar repetindo-a por todos os cantos, sem contar com os vários “nanana” espalhados pela música. Provando que estão afastadas das produções bagunçadas que não dão certo – como “Really Bad Boy” foi -, elas partem para um novo capítulo na história delas, unindo os conceitos Red e Velvet, mostrando essa ambiguidade original do grupo, e aquilo que sempre aproximou todas da discografia do Red Velvet.

Mostrando a todos que conseguem reforçar que são as detentoras do verão por um terceiro ano consecutivo, sem deixar de lado seu conceito original e ainda assim explorando uma nova perspectiva sobre a época do ano, o Red Velvet faz um bom trabalho com “Zimzalabim” que tem grande potencial para se tornar um dos maiores hits do Red Velvet. Muitos podem ter achado ela estranha, e ela pode ter dividido muitas pessoas, mas é exatamente essa “esque” misteriosa que continua atraindo as pessoas de volta para a faixa. Ela cresce com cada ouvida, prova que não fica velha e garante para o Red Velvet seu primeiro single decente desde “Bad Boy”, que aconteceu no começo de 2018.