TRACK REVIEW: Taylor Swift – You Need To Calm Down

Ainda em sua jornada de negações e grandes atos narcisistas, Taylor Swift dá progresso aos trabalhos de seu novo álbum com o single “You Need To Calm Down”. Pedindo para as pessoas que a odeiam “se acalmarem”, a intérprete do álbum “Reputation” parece estar determinada em limpar a sua imagem a todo custo por meio de produções pacíficas e mensagens vazias, usufruindo de um bubblegum pop proveniente de seus trabalhos passados para combinar com os propósitos pessoais dessas composições. “You Need To Calm Down” fala para todos os clichês-pop que já sabemos, mas além de tentar apagar um pouco o passado da cantora, também tenta marcar seu nome como uma grande aliada da comunidade LGBTQ+ justamente no mês do orgulho.

Não, isso não é uma crítica sobre pink money. Obviamente Swift sabe que sua legião de fãs é formada por membros da comunidade, e obviamente ela já fez alguma alegação tentando proteger os direitos da comunidade. Porém, “You Need To Calm Down” é muito mais sobre as mensagens que todos os internautas mandam para a cantora, do que uma mensagem de aviso aos homofóbicos – que aparecem no vídeo do single. O “follow-up” de seu single “ME!”, uma música infantil que não fala nada sobre o disco de Taylor mas que diz muito sobre sua originalidade artística, é uma canção que continua traçando os caminhos de amor próprio e aceitação, tentando empoderar sua audiência para que todos consigam respeitar as individualidades alheias e realmente abafar os haters que vivem para comparar as artistas na internet.

Com um produtor já familiarizado com seu trabalho – Joel Little trabalhou também em ME! -, “You Need To Calm Down” é melhor do que sua antecessora, mas sua mensagem acaba sendo perdida por ser tão vazia e não configurar nada que Taylor Swift já tenha feito em sua carreira. O tema batido de empoderamento, e aceitação, é sempre bom ser repetido, mas é o segundo single seguido de Swift que aborda a mesma temática. A perspectiva é diferente, o pop é mais envolvente e divertido, não tem aquela sensação de estarmos ouvindo uma trilha-sonora do filme “Dora, a Aventureira”, mas também não fica muito bem nas contas da cantora que fez um álbum inteiro alimentando a máquina retroativa das rivalidades que ela se colocou ao longo de sua carreira.

O pop de “You Need To Calm Down” é sem vida, seu refrão é esquecível, e suas opções foram bastante pobres. Todos nós lembramos quando ela fez um clipe inteiro sobre seu “feud” com Katy Perry e vendeu como uma história de gangues rivais, e agora temos sua composição dizendo que todas essas pessoas que aplaudiram-a durante esse tempo – que são exatamente as pessoas que alimentam essas rivalidades -, precisam “se acalmar”. É como se Taylor Swift estivesse mais uma vez tentando se isentar dos seus erros, em uma trilha que ela chama de “intimista” apenas pelo fato de se encontrar em uma escassez artística típica do esvaziamento que ela tem quanto aos seus temas – e estamos falando de um produtor que tem “Ribs” da Lorde e “Young Dumb & Broke” do Khalid em seu currículo.

Mais uma vez encontramos Swift tentando de qualquer jeito mostrar que ela evoluiu, sua personalidade do “Reputation” morreu completamente e agora ela é uma nova mulher. Mas não podemos deixar de notar o quão engraçado são esses novos passos na carreira dela, contraditórios e que ainda nos fazem pensar: “ei, ela está mandando essa mensagem para ela mesma?”. Pelo menos agora sua produção e a sua composição não está tão infantil quanto “ME!”, mas convenhamos que para superar seu primeiro single desse novo ciclo ela só precisava se esforçar mais um pouco.

Não tem nada de errado com as visões políticas de Taylor Swift, muitos gostam de levantar rumores sobre a veracidade dela ser republicana ou democrata – a cantora já se declarou democrata uma vez através do seu instagram -, mas o problema com seu nome não vem daí. Se aliar à comunidade LGBTQ+ é uma ótima maneira de apoiar o movimento, colocando gírias como “shade”, “gay” e “glaad” (uma instituição voltada para a comunidade), mas nada disso apaga a vontade de Swift de limpar sua barra sem assumir o que ela fez durante dois anos inteiros, em mais uma carta narcisista e vazia.

A faixa “You Need To Calm Down” é um avanço desde “ME!”, mas prova o que todos nós já sabíamos: o compromisso que Swift tem com seus erros e a progressão de sua carreira é quase nulo. O pop bubblegum, aliado à uma mensagem que se torna vazia – afinal, todos seus atos pesam o lado contrário da balança – fazem desse segundo single uma farsa completa, e ainda nos deixa preocupados com os rumos que seu álbum “Lover” está tomando.