TRACK REVIEW: CLC – "ME"

Mostrando versatilidade sem sair de sua estética artística, o CLC volta aos holofotes sul-coreanos poucos meses após o lançamento de “No”, com o single reggae-eletrônico “ME”. É engraçado que há um tempo atrás tenhamos falado sobre a grande jornada confusa do grupo quando se trata de músicas e estilos, elas mudaram diversas vezes sem estabelecerem uma marca original, mas isso finalmente mudou já que estamos há três lançamentosna mesma estética. Mas diferentemente das outras músicas, o CLC mostra sua versatilidade tão duvidosa com a inclinação reggae da música e o break dubstep da faixa que toma conta do mesmo refrão, em uma carta de amor narcisista escrita por elas para elas mesmas.

Se “No” foi uma tentativa de se desconectar dos padrões impostos pelos internautas sul-coreanos, “ME” é o reforço de que mesmo nesse momento onde elas fazem o que querem, elas continuam com uma beleza incomparável. E isso não vai só para a estética das integrantes do CLC, mas também para as próprias músicas que as gatas vem lançando. É a terceira vez que vemos o grupo seguir um caminho sólido sondando o EDM com diferentes tendências, “Black Dress” e as outras citadas marcam uma trajetória muito promissora pro grupo que parece ter acordado depois de vários anos sem um rumo.

O CLC explora batidas de reggae em “ME” que perduram ao longo da duração do single, a produção de Mospick – também produtor de “Black Dress” – lembra um pouco do que seu grupo-irmã 4Minute fez no último lançamento da carreira delas com “Hate”, e mesmo que o dubstep seja inegavelmente parecido, as estruturas de ambas as faixas são completamente diferente. “ME” se distancia ainda mais da outra música citada quando prestamos atenção nas referências que são construídas ao longo do single, conseguimos ouvir um pouco das produções pop ocidental tendo forte influência sobre ela mas ainda tem sua “marca sul-coreana” quando esses dois mundos são fundidos.

Além disso, o CLC continua em uma jornada de empoderamento que dialoga abertamente com as produções que o grupo vem apresentando. Inovadoras, refrescantes e diferentes do circuito, em “ME” elas se apresentam um pouco narcisistas até quando dizem que são belas desde o momento em que nasceram, e quase nada consegue superar a beleza delas. Essa energia combina perfeitamente com a onda progressista que vem crescendo na Coreia do Sul e tem dado bastante atenção ao grupo, já que “No. 1” – seu último EP – foi o mais vendido na carreira das meninas.

Em meio à tantas produções que beiram o total tédio no k-pop, “ME” soa como algo refrescante e inovador. As batidas de reggae ressaltam muito bem as diferenças da produção de Mospick e ainda mostra que o CLC consegue alcançar a versatilidade, sem perder sua originalidade artística. Aliás, as influências do pop ocidental aqui funcionam muito bem uma vez que o grupo consegue se sobressair ainda mais unindo o reggae tímido nos versos, caminhando com a gente para um refrão infectado de heavy bass. É bom ver que o CLC se encontrou em meio à tantos lançamentos, e a sua imagem está melhor do que nunca.