John Wick Chapter 3 – Parabellum: A Pancadaria Bonita aos Olhos

Da visão noturna e brutal de Chad Stahelski chega às telas “John Wick: Chapter 3 – Parabellum”, o terceiro filme da franquia homônima estrelada pelo valentão monossilábico Keanu Reeves – que, desde o primeiro volume da saga de foras da lei, acabou se encontrando muito bem nessas poucas palavras. Dando continuidade às peripécias do assassino John Wick, já favorito de muita gente desde sua primeira aparição em 2014, “Parabellum” vai de Nova York às areias do Oriente Médio para provar que sim, ainda há muitos socos e frases de efeito disponíveis na fonte de onde vieram os anteriores.

Aqui, o enredo retoma o exato ponto no qual acompanhamos John pela última vez, no anterior “Chapter 2”. Após quebrar algumas regras aqui e ali como todo bom protagonista que movimenta a narrativa de sua história, Wick está foragido, sendo caçado, e precisa desesperadamente de um plano para despistar as centenas de assassinos buscando por sua cabeça numa bandeja ao redor da cidade. Cada vez mais imerso nas tramoias que jurou nunca mais fazer parte, John novamente deve atirar em Deus e o mundo para se manter vivo – ou o menos morto possível – em meio ao caos de seus muitos inimigos. Acompanhado de cada vez menos aliados, Wick parte então em mais um capítulo para garantir sua aposentadoria como matador… ou para voltar ao jogo de uma vez?

A produção é mais uma empreitada para o currículo de uma nova onda que tem ascendido, quase um sub-gênero contemporâneo, um tipo de primo prepotente da ação caricata dos ditos “filmes de pai”. Recheados de luzes neon e violência colorida em tons de azul e roxo por cenários urbanos, filmes como esse vem conquistando um público fiel.
Além de John Wick, a espiã fancha e abusada de Charlize Theron em “Atômica”, dirigido por David Leitch, também toma a frente desse novo movimento, meio cyberpunk, meio “Duro de Matar”, que dá seus primeiros, porém firmes passos no cinema mainstream – e como utilidade pública, informo que “Atômica” está prestes a ganhar sua sequência. Stahelski e Leitch, inclusive, estão tão próximos quanto Keanu e Charlize nesse novo cenário, visto que os rapazes colaboraram no primeiro dos filmes sobre John Wick. A visão é conjunta, o sucesso já se provou possível para ambos os projetos, e pelo andar de “Parabellum”, o universo de Wick permanecerá crescendo.

Uma das características mais cativantes da franquia, e aqui dou minha humilde opinião de stan número #1, é justamente a habilidade com a qual escritores e diretor expandem locais, personagens e regras do mundo de assassinos e caçadores de recompensa do qual John faz parte. Anjelica Huston, por exemplo, a lendária Mortícia Addams, aqui empresta seu charme frio a uma professora de ballet, diretora de uma academia de dança extremamente estilosa e diferentona que você certamente não espera encontrar no meio de tanto tiro, porrada e bomba. Tal expansão também nos traz Halle Berry, pela primeira vez agraciando a franquia com toda a sua pose de ícone atemporal e oscarizado, como uma inusitada aliada de Wick em uma inusitada localidade – não, eu não falarei mais que isso, pois quero que você vá ao cinema descobrir, e de quebra garantir ao Keanu e seus amigos mais uma refeição e uns trocados.

A ação do filme, repleta de pancadarias mirabolantes e sequências eletrizantes estendidas até o momento em que você não mais consegue prender a respiração, mescla o absurdo do gênero com o carisma metalinguístico da franquia que, em apenas uma tacada, consegue referenciar seus predecessores, não se levar tão a sério, e se destacar como uma personalidade única. A coreografia dos movimentos de ataque, defesa, e interação entre todas as partes que se chocam ainda impressiona para além de uma violência superficial: 1) como eles estão fazendo isso?, e 2) quem pensou nessa doideira extremamente acreditável?

O filme estreia em salas nacionais no dia 16 de maio, com todas as suas balas, seus pontapés, perseguições a cavalo e a infindável habilidade de John Wick em matar qualquer pessoa, com qualquer coisa – não diga que eu não avisei.

Texto produzido pelo nosso guest poster Gabriel Folena (@folenodrama) e editado e revisado pelo @worshipoz.