JESUSWORECHANEL GOES CAMP: Os Melhores looks do MET GALA 2019

Se tem um evento capaz de unir não só os amantes de moda como os espectadores da cultura pop é o MET GALA, nada mais do que uma “solenidade” extravagante promovida pelo Museu Metropolitano de Nova York e que reúne um sem-número de celebridades em evidência. O intuito do evento é angariar doações para o Costume Institute do museu e também marcar a abertura da exposição anual do espaço, que sempre elenca um tema importante e que une a indústria da moda ao âmbito da alta arte (muito sobre o evento foi explicado na edição #5 do POCCAST junto com uma culturalmente relevantíssima discussão sobre a artisticidade da Selena Gomez).

A última edição do MET GALA aconteceu nesta última segunda-feira e elencou como tema o Camp , ou Camp: Notes on Fashion, inspirado no artigo “Notes On “Camp”” de 1964 da escritora e crítica de arte Susan Sontag. O tema é bem mais amplo do que parece, mas em resumo o Camp pode ser definido como uma estética com extremo apego pelo exagero e pela exuberância (para um melhor entendimento da questão eu sugiro esse vídeo aqui e também esse aqui). Dentre celebridades que seguiram o tema à risca e gente que não deu uma mínima foda para o dress code da noite (sim, porque sempre existem umas celebridades pseudosubversivas), lewks foram servidos e o evento mostrou mais uma vez que possui o poder de fazer até gente que não liga muito para o universo da moda prestar atenção nos modelos extravagantes que passeiam pelo seu tapete rosa. Como somos um blog com CHANEL no nome, claro que não poderíamos perder a oportunidade (tardia) de listar os 10 visuais mais boca-de-confusão do evento. Vem com a gente acompanhar essa relevantíssima lista de figurinos que deixariam Lady Kate com água na boca:

VIOLET CHACHKI

Inicialmente cotada como uma das celebridades que estariam fora do tema pois literalmente não era possível ver o seu traje inteiro nas fotos profissionais do evento, Violet Chachki desfilou no tapete rosa do MET GALA com um vestido preto da Moschino com cauda em formato de luva. A maior fashion queen do programa Rupaul’s Drag Race complementou a campness do look com uma maquiagem com sombra azul – que de acordo com ela sempre vai ser algo camp e clássico ao mesmo tempo – e ainda abusou da estética pin-up burlesca que é a marca registrada do seu trabalho como drag e também claramente inspirada na maior referência atual do assunto, a icônica Dita Von Teese.

MICHAEL URIE

Abrindo a aba do empoderamento dessa edição, o ator Michael Urie (conhecido por trabalhos em séries como Ugly Betty e The Good Wife) utilizou a temática da noite como justificativa para apresentar um look genderfuck que une estéticas-comuns do masculino e do feminino. A criação utilizada, assinada pelo estilista Christian Sariano, uniu um tuxedo listrado preto a um vestido de baile rosa e dispôs de elementos complementares dos gêneros binários em lados opostos, como a maquiagem no lado masculino e barba no lado feminino. As manas da federal deram muitos likes.

LUPITA NYONG’O

Em alta com o thriller-blockbuster “Us“, Lupita Nyong’o serviu um vestido Versace com criações multicoloridas de penas que pareceram remeter diretamente ao texto da Susan Sontag em “Camp: Notes on Fashion”, especialmente na parte onde a escritora fala que “Camp é o espírito da extravagância, Camp é uma mulher andando num vestido com três milhões de penas“. Além do look extremamente chamativo, Lupita optou por um hairstyle afro alto com pentes de garfo presos e por uma maquiagem que faz referência direta à lendária drag queen e ícone do estilo camp Divine, conhecida por obras como “Pink Flamingos” e “Problemas Femininos”.

EMILY RATAJKOWSKI

Eu não sei muita coisa sobre a Emily Ratajkowski além de que ela é uma modelo americana conhecida pelo crocantíssimo feito de ter participado do clipe do pior single do século (leia-se: Blurred Lines do Robin Thicke) e também pelo fato de que seu user no twitter lembra a @ da criadora de conteúdo fan favorite desse blog, a @rata_inc. Apesar do histórico não muito favorável, a gata trouxe sofisticação ao Camp com um vestido prateado assinado pelo estilista Peter Dundas que faz referência a alguns looks icônicos da Cher – que afinal também é uma das rainhas desse tipo de estética. O vestido, com cortes ousados, combinado com o headpiece de asas/barbatanas da gata deu um ar de elfa-aquática à modelo e também deve ter sido claramente inspirado pelas icônicas gostosonas do mundo otaku Kazemon e Zephyrmon.

JANELLE MONÁE

Injustiçada no Grammy meses atrás após ter perdido o prêmio de álbum do ano pra rainha do Country Kacey Musgraves (que também esteve no MET GALA mas não aparece nessa lista porque eu não quis), Janelle Monáe usou uma criação cubista e com formas pós-bauhausianas com tons predominantes de preto, rosa e branco e aquela leve subversão de gêneros com o ar tomboy do pescoço para cima para demonstrar a sua própria interpretação do Camp. A criação, assinada por Christian Sariano, é tudo que um tema desses poderia pedir, e ainda contou com um olho mecânico (!) no seio da Janelle que eventualmente piscava enquanto a cantora desfilava pelo tapete rosa – algo que faz sentido diante das predileções futuristas e robóticas da artista.

CELINE DION

Showgirli-ism foi o mote da Celine Dion nessa edição do MET GALA e a sua própria interpretação exuberante do que é o Camp. O look, assinado pela equipe da grife Oscar de la Renta, é basicamente Cher ano 2k79, com franjas prateadas quase furta-cor descendo por toda a composição do vestido, pernas à mostra e um headpiece luxuoso e também meio franjado que lembra um dente de leão. Claro que a pose da cantora foi parte muito importante para que o traje funcionasse, e ela não poupou em caras e bocas e corporalidades de musa para vender o conceito.

CARDI B

A Cardi B é meio que Camp por si só e eventualmente precisou de mais espaço de tela nesse post porque bom… o look dela foi tudo isso. Com um vestidão vermelho pombagiresco de cauda circular acolchoada e adornos com plumas onde quer que fosse possível, a rapper teve o visual assinado pelo estilista Thom Browne – que por sinal é acostumado a criar estilos dramaticamente mais sóbrios do que esse. O segundo ano da artista no evento já foi o suficiente para que o seu histórico de visuais do MET GALA seja bem sólido e sem muitas dúvidas infinitamente superior ao da sua rival direta e que nem merece ser citada de forma nominal nesse texto.

EZRA MILLER

A quebração de estereótipos de gênero no MET GALA, que já tinha ganhado destaque com o Michael Urie, simplesmente atingiu o seu ápice no visual do ator Ezra Miller. O traje, assinado pelo estilista (e sonho de papaizão) Ricardo Tisci, foi um tuxedo listrado com cauda e um corset metálico que… foi bem competente… mas no final das contas foi extremamente ofuscado pela melhor parte do look: a maquiagem dramática e hipnótica com vários olhos tão fotograficamente realísticos que a simples atenção a alguma das fotos oficiais do evento é capaz de deixar a pessoa meio confusa. Para complementar o #lacre da #mana, ele também utilizou uma máscara realística ao estilo do carnaval de veneza.

BILLY PORTER

Em uma noite em que todo mundo se digladiou para ter o look mais chamativo possível, o veterano Billy Porter (Pose, American Horror Story) sem sombra de dúvidas foi o que mais se esforçou para conseguir esse feito – e a atitude compensou bastante. Com um traje de corpo inteiro totalmente ornamentado de dourado e incluindo asas suntuosas e que lembram sem muito esforço a imagética egípcia (ele até chegou no evento carregado de forma extremamente temática nesse sentido), o ator teve seu visual inteiramente assinado pela grife The Blonds e deu o tom da exuberância dessa edição do MET GALA.

LADY GAGA

Claro que a madrinha dos gays (risos) não poderia faltar nessa lista! Lady Gaga foi co-hostess do MET GALA esse ano e basicamente um dos grandes baluartes da noite, sendo responsável pelo hype desta edição da solenidade. Para provar que é merecedora dessa posição, a atriz e eventual cantora serviu não apenas um mas sim QUATRO looks transformativos em uma entrada performática que percorreu todo o tapete rosa do evento deixando peça por peça para trás durante um intervalo de 15 minutos. Todos os looks foram assinados pelo estilista Brandon Maxwell, e englobaram um vestido rosa gigante de baile com laço na cabeça, um vestido noturno preto com corte de busto assimétrico, um vestido de perua rosa com direito a um tijolophone de complemento visual e por último um biquini de lantejoulas com meia-arrastão e saltos gigantes extremamente periguéticos. Susan Sontag deve estar em algum lugar da outra vida abraçada com a tia Joanne nesse momento e cheia de orgulho.