BICHAFORK: Ashley Tisdale – Symptoms

De uns tempos para cá, tem se tornado cada vez menos tabu falar sobre saúde mental, especialmente na arte e principalmente na música. Ansiedade e depressão tem sido cada vez mais temas comuns para alguns artistas e o mais novo lançamento de Ashley Tisdale, o seu terceiro álbum de estúdio, Symptoms, é tematicamente inspirado nisso.

Ashley Tisdale prometia o seu retorno efetivo para a carreira musical, abandonada no fim de 2009 junto ao fim das promoções de seu segundo álbum Guilty Pleasure, desde meados de 2012. Um terceiro álbum estava nos planos de Tisdale, que confirmou em diversas entrevistas da época que estava em processo de gravar músicas. Em 2013, lançou a insossa You’re Always Here como single, desistiu de todo o álbum porque não estava gostando dos resultados e essa foi a última vez que ouvimos algo de Ashley por um tempo.

Depois de um tempo se aventurando no ramo empresarial, Ashley voltou em 2016 lançando covers acústicos no Youtube, um deles tendo até mesmo a participação de sua BFF de anos, Vanessa Hudgens. Mas foi somente em 2018 que ela resolveu voltar a trabalhar em seu terceiro álbum, quando entrou em estúdio e escreveu a música “Symptoms”. Ashley descreveu todo o período que passou no estúdio como terapêutico e ela queria compartilhar com o público toda a sua jornada lutando contra a depressão e a ansiedade. As faixas do álbum são ditas como “sintomas” do que Ashley vivenciou durante todo esse tempo, quando aprendeu o que era aquilo que ela teria que lidar.

Temos aqui o álbum mais maduro de Ashley Tisdale, já que seus dois primeiros álbuns, lançados pelo selo da Warner Bros, ainda carregavam uma pegada muito mais teen e Disney, já que a cantora assinou com a Warner na época de High School Musical. Aqui, estamos ouvindo a sua voz e vendo o que Ashley quer nos dizer de verdade, conhecendo a sua história. O Symptoms se distancia bastante do material antigo da cantora, tanto em letra quanto em produção. “Symptoms”, que abre o álbum, já dá o tom do que virá a seguir: é um pop dançante, soa bastante atual (algo que você poderia ouvir em alguma outra artista pop atual, lembrando bastante o material mais recente da Halsey misturado com algo da Astrid S), com uma produção bem simples e dançante e uma letra bem pessoal.

Por todos os seus (poucos) 25 minutos de duração, seguimos em um álbum bastante coeso e linear, principalmente com a proposta. O álbum ter sido inteiramente produzido por John Feldmann e co-escrito pelo mesmo grupo de pessoas com certeza ajudou nisso. Temos músicas como “Looking Glass”, que fala sobre redes sociais e a busca pela perfeição; “Love Me & Let Me Go”, que foi lançado como segundo single do álbum, e fala sobre auto aceitação ao lidar com ansiedade; e o tema continua sendo discorrido em músicas como “Under Pressure” e “Insomnia”. Tudo isso embalado por um pop dançante e batidas envolventes, que faz até mesmo que músicas mais ou menos, como “Vibrations”, acabem se encaixando no meio de tudo e não ficando muito por baixo.

A sequência que encerra o álbum é um dos pontos altos. “Voices in My Head”, o carro-chefe do álbum, traz a letra mais pessoal do cd, onde Ashley discorre sobre as vozes de sua cabeça que a deixam para baixo e como ela constantemente luta para parar de ouvi-las. No refrão ela canta sobre como essa vai ser a última vez que ela irá ouvi-las e em “Feeling so Good”, a música que encerra o álbum, temos uma Ashley bem mais otimista, com uma mensagem positiva e bonitinha, sobre como ela está se sentindo bem melhor e consegue ver as coisas direito agora. Ashley Tisdale finalmente encontrou sua voz e em seu terceiro álbum ela consegue nos mostrar um pouco mais sobre quem ela é de verdade e sobre sua jornada com sua saúde mental. Por mais curto que seja, é um bom álbum, que retrata sua luta contra a depressão e a ansiedade de forma otimista e dançante. Não reinventou a roda, mas com certeza vale a pena dar uma ouvida e ver como a Sharpay Evans cresceu.

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Ashley Tisdale, “Symptoms” (2019)

Gênero: Pop, Dance

Destaques: “Symptoms”, “Love Me & Let Me Go”, “Voices in My Head”

Nota: 7,5

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