TRACK REVIEW: Gwen Stefani – Hollaback Girl

No dia 6 de maio de 2005, o terceiro single solo de Gwen Stefani, Hollaback Girl, atingiu o número 1 na Billboard Hot 100, um enorme feito para a cantora, sendo esse o seu primeiro (e único) #1 de sua carreira.

Após o lançamento da coletânea de singles do No Doubt em 2003, que deu início ao hiatus do grupo que durou cerca de 9 anos, Gwen Stefani estava livre para se lançar em sua carreira solo, algo que estava sendo premeditado desde a colaboração com a rapper Eve em Let Me Blow Ya Mind. Apoiada pela Interscope, a gravadora do No Doubt, Gwen resolveu embarcar nessa jornada e começou a compôr, gravando com diversos compositores e produtores.

Durante todo o período de produção do álbum, Gwen sofreu diversas vezes de bloqueio criativo, principalmente por conta da pressão imposta em cima do “material solo da frontrunner do No Doubt”. Quando sentiu que tinha terminado, percebeu que ainda estava faltando algo. Gwen queria dar uma resposta para quem estava duvidando dela. Ela queria uma música de atitude, mas que ao mesmo tempo fosse divertida. Se enfiou no estúdio para trabalhar com os Neptunes e então foi daí que nasceu Hollaback Girl.

Em uma entrevista para a Seventeen, a vocalista do Hole, Courtney Love, comparou o mundo da música ao ensino médio, dizendo que Gwen Stefani era a líder de torcida e ela era da galera estranhona e que não estava interessada em ser uma líder de torcida. Levando esse comentário a máxima, a letra de Hollaback Girl acaba sendo uma resposta direta para Courtney, trazendo toda a atitude necessária e que Gwen estava buscando.

Com uma letra extremamente divertida, Gwen assume o papel de líder de torcida e vai para cima de Courtney, que a subestimou e não esperava que ela fosse contra-atacar, com a cantora sempre fazendo alusão ao ensino médio na música. A bridge da música acaba sendo um dos pontos altos da música, onde a inner cheerleader de Gwen soletra B-A-N-A-N-A-S e diz que aquela situação toda é simplesmente ridícula e ela está mesmo tirando sarro da cara de Love. A produção hip-hop da música, que traz influência dos anos 80, principalmente da dance music, se apoia nesse tema colegial, principalmente com a forte presença de instrumentos de sopro e percussão, se assemelhando a instrumentos de uma banda de escola.

Extremamente icônica do começo ao fim, Hollaback Girl se tornou um grande sucesso, tanto comercialmente quanto de crítica. Hollaback foi a primeira música no mundo a vender mais de um milhão de cópias digitalmente, o que acabou por ser um grande feito em um mercado que estava apenas começando a se instaurar e não tinha tanto impacto na música como nos dias de hoje. Isso acabou colocando o nome de Gwen Stefani lá em cima na lista de grandes popstars, um marco na carreira de Gwen, que antes era tida apenas como a vocalista do No Doubt e agora tinha algo somente dela para poder se orgulhar.

Além de virar a signature song da carreira solo da Gwen, o grande sucesso de Hollaback ainda serviu para inspirar a mesma a lançar outro álbum solo quando a intenção real era de apenas um álbum. Rendeu performances maravilhosas, como a do Teen Choice Awards, onde Gwen elevou todo o charme quirky da música ao máximo e lotou o palco com cheerleaders e uma banda de sopro e percussão com mais integrantes que no AKB48. Não só isso como foi indicada para 2 Grammys e 4 VMAs (na época que ainda era uma premiação de relevância) e ainda conseguiu o feito de ser eleita como a música mais irritante do mundo em uma revista masculina, o que confirma ainda mais a sua iconicidade. É uma das masterpieces do pop da década passada e permanece perfeita mesmo depois de 14 anos.