TRACK REVIEW: DUDA BEAT – CHEGA (ft. Mateus Carrilho, Jaloo)

Depois de arrebatar uma legião de sofredores alternativos, DUDA BEAT continua reformulando seu dance-pop brasileiro às beiradas do mainstream. “CHEGA”, seu lançamento mais recente, conta com a participação de Mateus Carrilho e Jaloo, criando uma aura tropical que tem a cara do pop brasileiro. Em um jogo de sedução, DUDA revoluciona o seu próprio som, não fugindo do alternativo/indie mas agregando ele à uma estética sonora diferente. Muito parecido com o que já fez na parceria com Omulu“Meu Jeito de Amar” -, aqui conseguimos ver uma cantora com outra faceta, determinada a mostrar um outro lado seu, mais sedutor e ao mesmo tempo grudado às suas raízes tropicais nordestinas.

O axé embutido dentro de “CHEGA” pode até passar despercebido, mas o refrão é tão grudento que deixa bem claro suas influências no ritmo que embala a Bahia. O single é divertido, despretensioso e cumpre seu propósito: introduzir DUDA à novos temas, mostrar que a cantora tem versatilidade e não fica presa à um nicho só. E as parcerias da música traduzem muito bem o que ela quer enquanto artista. Unir Jaloo, um cantor famoso por ser do nicho alternativo, e Mateus Carrilho, ex-membro da Banda Uó que ficou conhecida por suas paródias pop-brega, sintetiza exatamente que DUDA BEAT não deixará de lado suas raízes alternativas mas que ela está interessada em explorar novos ritmos, e quem sabe, criar grandes hits do mainstream brasileiro.

Não chocaria se em algum momento “CHEGA” se tornasse um desses grandes hits. Ela tem a cor, o ritmo e a essência brasileira que o revival do pop nacional tanto pede, com uma composição da própria cantora ao lado de Tomás Tróia – também produtor da faixa -, DUDA BEAT se afasta da sofrência do seu primeiro álbum, se aprofundando em um jogo de sedução e apostas com o seu parceiro. “Chega de tanta bobagem, de tanta besteira”, ela pede ao seu ouvinte, aos poucos envolvendo-se ainda mais com as batidas tropicais contidas na faixa, do início até o final. É como se DUDA BEAT nos convidasse à um mundo de sonoridades novas, indo do axé até o pop dance, com instrumentos peculiares e frutos maduros do seu trabalho com o “Sinto Muito”.

A evolução de DUDA BEAT começa de forma despretensiosa, em uma metamorfose da música popular, onde ela insiste não querer ser marcada como cantora indie e de fato estourar como uma grande artista a nível nacional. “CHEGA” tem muito desse propósito singular. A estrutura da música, sua melodia, e o seu tema, são fáceis e divertidos, além de mostrar esse lado novo da cantora, garantem que ao menos todas as pessoas que derem de cara com a faixa vão basicamente lembrar de seus versos e suas pontes cinco minutos depois. Muito diferente de “Bixinho”, sua faixa mais famosa, aqui DUDA se aproxima um pouco mais da sua paródia de “High By The Beach” da Lana Del Rey, usufruindo dos ritmos que fizeram sua infância no Estado que nasceu, chamando saxofones e trompetes para perto da produção.

O que mais nos faz pensar sobre a ambição de DUDA BEAT de ser uma grande estrela, além da produção impecável de “CHEGA”, é a junção de Mateus Carrilho e Jaloo, dois artistas tão opostos que cumprem um propósito interessante aqui: fazer com que a cantora seja uma ponte entre o “mainstream” e os nichos de música alternativa independente. A divindade que Jaloo aparenta ser dá um toque ainda mais apimentado na música, sua participação é ao final, depois do segundo refrão, onde ele chega com sua voz suave em uma ponte um tanto transcendental que destoa um pouco do resto da faixa por ser menos up-tempo. Já Mateus Carrilho nos introduz uma narrativa LGBTQ em seu breve verso onde concretiza esse jogo de sedução.

Independentemente das polêmicas bobas que envolveram DUDA BEAT, “CHEGA” prova que a cantora é uma força a ser reconhecida no mercado, e que o seu show no Lollapalooza foi apenas o começo da sua carreira. A canção é divertida, inofensiva e envolvente, o que vai agradar todos os públicos e não deixará de mostrar as raízes que DUDA fez no seu nicho inicial.