TRACK REVIEW: BANKS – Gimme

Carregada pela determinação da cantora BANKS em ser chamada de “that bitch”, o gostinho do que teremos no novo material da própria é perfeito. “Gimme” vem anos depois de canções como “Underdog” e “Crowded Places”, singles avulsos que não sabíamos bem o propósito na época, provando para nós que a BANKS nua e crua ainda está entre nós, e segue sendo uma bruxa poderosíssima. Sustentadas por synths pesados, e uma heavy bass extremamente envolvente, se “Gimme” for o que realmente podemos esperar de um novo material da cantora, é fato que estaremos muito bem servidos, em uma vibe sedutora que ao mesmo tempo pode ser fatal.

Com as tetas para a fora na capa do single, BANKS convida o ouvinte em uma jornada sexual, onde ela se coloca como uma predadora sexual de uma forma sutil, mas que não perca o sentido “direto” de suas composições e a dualidade de ainda ser uma canção pesada de sentimento. Em “Gimme”, BANKS canta sobre os sentimentos de ser a outra em uma relação de possessão que parte dela própria. Pedindo o que ela quer, e também o que ela merece, a intérprete de “Gemini Feed” nos presenteia com um possível lead single cheio de emoções conturbadas, mas que no final de tudo ainda conseguem ser synths assustadoramente perfeitos.

O tema pode ser até um choque para os ouvintes da cantora, afinal para quem conhece seus lançamentos mais populares nunca pensou que talvez ela fosse essa succubus obsessora que possui um parceiro. Mas ela também pode estar cantando de outra perspectiva. A produção de Buddy Ross, ao lado das instrumentações ferozes de Hudson Mohawke e BJ Burton, fazem BANKS navegar entre seu self sensual e triste dando dois lados de uma medida perigosa. As construções baseadas instrumentos eletrônicos distorcidos, synths em modo de gatilho e baterias intensas formam um terreno caótico onde Banks se sobressai e cria sua própria narrativa que não abre mão de disposições soturnamente sexuais.

BANKS explora seu desejo mais visceral de ter um parceiro sexual, se aproveitar dele e deixa claro que o vê como um tipo de “prêmio” a ser conquistado. Toda a sua “esque” de viúva negra – a aranha, não a personagem heroína da Marvel -, se apresenta como um elemento novo em “Gimme”, mas os synths pesados já não são estranhos à cantora. Desde o “Goddess”, seu primeiro álbum, vemos BANKS trilhar um caminho arriscado de produções, onde ela explora e sabe muito bem seu alicerce musical. Dessa forma, o lançamento do seu single mais recente parece ter sido nada além da naturalidade de sua carreira, e percebemos isso ao notar que “Gimme” possui a produção meticulosa e glitchy de faixas como “Traiwreck”, o que demarca fortemente a identidade artística da gata, que nessa ocasião opta por ser sustentada por vozes alteradas ao longo da música que parecem estar até pedindo por ar – “gimme air” que parece ecoar ao final da música.

A cantora mais vampiresca do alternativo ainda nos prova que a fé nos synths tem esperanças. Depois de anos em silêncio, produzindo mais de 45 músicas, em um hiatus que vem acontecendo desde 2016 – o The Altar foi seu último corpo de trabalho -, parece que tudo nos preparou para o aperfeiçoamento de BANKS como a conhecemos em “Gimme”. Seu catálogo de músicas sem dúvidas tem uma adição rica com seu lead single, e ainda que esse mesmo estilo musical tenha sido explorado em seus lançamentos passados, esse aqui soa mais como uma versatilidade evolutiva do que BANKS fazendo mais do mesmo, ou BANKS esquecendo completamente o que construiu sua originalidade. Mas muito mais voraz que seus lançamentos passados, “Gimme” é visceral, é sensual, sexual e ainda por cima divertida por vermos uma dualidade de BANKS aberta à interpretações.

BANKS provou que ainda tem o que é necessário para ser uma grande cantora do seu nicho, e ainda entregar músicas mais interessantes que o mainstream. Sua simplicidade temática é extremamente enriquecedora quando percebemos a dualidade em que a “grande gostosa” BANKS também pode ser a “grande obsessiva” BANKS. A cantora brinca, se chama de vadia, assume um papel diferente do que ela vinha fazendo e nos presenteia com um dos melhores lançamentos do ano até então. O que ainda nos faz pensar sobre como será a sonoridade do tão esperado da cantora.