TRACK REVIEW: Taylor Swift – ME!

O narcisismo infantil de Taylor Swift atinge novos picos em “ME!”, novo lead single da cantora-cobra que tem uma reputação. Em uma composição extremamente infantil, ao lado do ex-emo Brendon Urie – líder da banda Panic! At The Disco -, e os instrumentos militares pegos dos resquícios de “Kill This Love” do BLACKPINK, Taylor dá um primeiro passo para longe da sua “grande reputação”. “ME!”, o single hypado pela equipe da cantora por um mês inteiro, decepcionou muitos pela expectativa que se criou ao redor do nome dela. A volta ao country, a continuidade do bubblegum pop ou até mesmo um catálogo de jóias da rommanel, qualquer uma dessas alternativas seriam extremamente melhores que essa música sem sal, sem personalidade e sem propósito.

Com uma marchinha militar que nos lembra bastante de seu antigo smash “Shake It Off”, Taylor Swift com quase 30 anos de idade canta como é divertido “soletrar” fazendo trocadilhos pouco-ricos com a presença da sufixo “me” – “eu” em inglês – em “awesome”. Para quem acompanhou a última era da cantora, onde ela gritava aos quatro cantos que ela realmente tinha uma “reputação”, essa música consegue ser ainda mais infantil de que suas produções infectadas de synths e alguns rappers. Se antes ela cantava como era uma “bad girl” por causa de tantas trolladas da mídia, em “ME!” ela busca todo seu narcisismo interior e junta isso ao fato de que precisa limpar sua imagem desesperadamente. E o que é melhor do que um single com marchinhas militares que parecem que acabaram de sair de um dos programas repetidos da programação do discovery kids?

Se divertir com suas composições é justo, embarcar em novos trabalhos também. Mas “ME!” não se encaixa em nenhuma dessas duas alternativas, já que é uma junção descarada do útil ao agradável (a necessidade de limpar sua imagem e a inclinação de Taylor Swift para composições baixas e infantis). A mensagem tenta muito ser uma de “auto aceitação” e amor próprio, o que é extremamente válido com as discussões progressistas norte-americanas, tentando alcançar seu público para uma conscientização de que abraçar suas individualidades é ótimo. Mas na boca de Swift e a forma com que ela faz, deixa tudo tão datado que o que realmente fica é a infantilidade dessa jornada conjunta em “ME!”.

Por mais que o mérito da produção seja dela ao lado de Joel Little – chocantemente produtor de Royals e Team, da cantora Lorde -, essa música narcisista não é apenas de Taylor Swift. Brendon Urie, vocalista da banda ex-emo Panic! At The Disco, presta sua contribuição sendo o par romântico da cantora na narrativa duplamente péssima. A escolha é tão aleatória que o não-encaixe do cantor aqui se traduz de forma desconfortável quando ele começa cantar no que parece ser direcionado à Taylor depois de um término. A música quase-obsessiva da ex-cantora de country prova que tudo que ela realmente quer é o primeiro lugar na hot 100 e a sua imagem de queridinha da america mais limpa do que nunca.

E como nada vem fácil, Taylor Swift ainda tenta esconder as falhas de sua produção infantil com uma super produção visual sustentada pelos melhores computadores da indústria, resultando em um show visual de cgi cansativo. O mesmo que ela vem fazendo em seus singles da era “Reputation”. Mas nada consegue esconder o fato de que “ME!” é a pior música já lançada por Taylor, sem conseguir chegar em qualquer lugar que a própria deve ter visualizado em um de seus brainstormings antes da produção disso aqui.

Para quem odiava as investidas infantis de Taylor Swift, “ME!” com certeza surpreenderá, pois conta com a própria com quase trinta anos gritando “Hey kids!” e uma composição completamente boba, sem propósito e infantil. De fato não dá para esperar uma volta ao country, já que nessa época Taylor Swift contava com várias de suas melhores composições, onde ela tinha no máximo 17 anos e não aparentava pelo seu amadurecimento musical. Já hoje em dia, parece que a superestrela do pop perdeu suas maneiras e se esconde por trás de grandes produções performáticas e visuais.