TRACK REVIEW: Kim Petras – Broken

O lançamento de “Broken”, da queridinha Kim Petras, marca não só o início do processo de seu primeiro álbum de estúdio, mas também o fim da jornada da cantora/produtora/compositora nas paletas de cores neons que iluminavam sua discografia de singles (e que andava rendendo capas idênticas, ou será que você realmente sabe diferenciar as capas de “Heart to Break” e “If U Think About Me…”?). Independentemente do rumo que quer tomar com sua originalidade artística, Petras não deixa de lado sua marca registrada de ser uma porta voz alternativa para os milleniais. Claro que “Broken” não é nenhuma nova “I Don’t Want It At All” – single responsável por revelar a artista para uma legião de seguidores e sinceramente o maior cut de pop perfection dos últimos anos -, e também não se compara os lançamentos de seu EP comemorativo do Halloween, “Turn The Lights Off, Vol.1”, mas mostra que Kim Petras talvez queira seguir uma linha “r&b”/trap reformulando essa tendência para seus próprios moldes.

Mais melancólica do que nunca, quebrando-se em pedacinhos, a queridinha do pop alternativo nos apresenta um lado mais intimista do que todas as outras músicas lançadas até então. “Broken” explora os sentimentos de Petras ao ser trocada por outra garota, com um mistro de rancores que são passados de forma suave na canção. Em tom ressentido e tendo como sustentação uma batida trap que até agora apareceu apenas timidamente na singlegrafia da cantora, Kim Petras deseja que essa nova parceira quebre o coração do seu ex na mesma medida que ele quebrou o seu próprio, em uma linearidade que não chega a ser cansativa – muito pelo motivo das intervenções vocais de Petras – mas que acaba não fazendo muito pelo single.

Com a voz muito similar à Charli XCX (digamos… é a voz da Charli caso a Charli soubesse cantar direitinho), Kim tenta também recuperar seus “raps” divertidos no meio da música. O seu clássico “woo-ah” não fica de fora da produção, sendo esse uma “trademark” sua, dando a certeza ao ouvinte que “Broken” é uma KimPetras-original. Petras também parece referenciar uma nova onda de rappers que surgiram do movimento que mistura o emo ao hip-hop com seus versos e o refrão que não exige muito vocalmente da cantora, além de ter uma essência catchy que faz o ouvinte lembrar muito bem do seu primeiro lead single.

E como lead single, talvez “Broken” não tenha sido uma boa escolha. Independentemente de ser uma boa música, cumprindo seu objetivo de mostrar Kim Petras ressentida, petty e abraçando uma nova onda do trap, ela não evoluiu muito para algo além disso, não alcança um ápice vocal ou instrumental, não rende um “momentum”. “Broken” segue em linha reta e sem grandes progressões, repetindo-se muitas vezes e se segurando nas mesmas batidas em diferentes momentos de sua duração. Talvez esse seja um fator positivo para os ouvintes que simpatizem de cara com o intuito da canção, mas com certeza não soa muito interessante diante das expectativas que a Kim rendeu como futuro da música pop nos últimos anos.

Mesmo que catchy e radio-friendly, “Broken” pode não ter sido uma escolha sábia para uma cantora que já teve “I Don’t Want It At All” e “Close Your Eyes” em seu repertório. Entendemos que para se apresentar oficialmente à indústria fonográfica mainstream, certos requerimentos são necessários, mas ainda assim sinto que esse cartão de visita não é o dos mais jeitosos para o potencial de Kim Petras. Independentemente, “Broken” parece entender as tendências musicais, abraçando novas interpretações e estilos drásticos do emo-rap e ainda rendendo aquele hininho pras cornas modernas de plantão.