Cópias – De Volta à Vida tem um dos roteiros mais sem vida do sci-fi

Keanu Reeves está batalhando por uma jornada que o traga de volta para a aclamação que ele tinha no começo dos anos 90. Mesmo que seus esforços tenham sido muito bem reconhecidos nos filmes do matador de aluguel “John Wick”, algumas de suas escolhas são muito questionáveis. “Cópias – De Volta à Vida” é uma dessas escolhas. O longa dirigido por Jeffrey Nachmanoff segue uma história complexa “frankensteinizada” que reflete muito em seu roteiro suplicando para ser um thriller intrigante, unindo elementos sci-fi à sua bagagem, mas que consegue apenas ser um drama confuso que não sabe realmente a sua originalidade.

Na pele de Will Foster, um homem que perde tragicamente sua esposa e seus filhos num acidente de carro, Keanu Reeves – em uma de suas piores performances até hoje – vive um neurocientista cujo trabalho envolve a transferência da consciência humana para um hospedeiro robótico. Juntamente com um colega, Ed (Thomas Middleditch), Will consegue criar réplicas de sua família, mas enfrenta desafios morais, além da interferência das autoridades e seus obscuros empregadores. Co-estrelado por Alice Eve (de “Além da Escuridão – Star Trek”) que vive a esposa de Will, Mona Foster, o longa tem roteiro de Chad St. John. e Stephen Hamel e direção de Jeffrey Nachmanoff (roteirista do filme “O Dia Depois de Amanhã” e produtor de “O Turista”) que seguem sem saber realmente o que eles estão fazendo com aquele filme.

“Cópias – De Volta à Vida” tem uma premissa cheia de potencial para ser um grande thriller sci-fi que vai chocar a todos os seus telespectadores. Infelizmente esse potencial é todo perdido quando encontramos um filme que brinca de transferir consciências neurológicas de um corpo para o outro, mas nem sequer tem a consciência do que ele é. Sem vida, nada inspirador e equivalente à um especial da TV de Walcyr Carrasco, o longa começa a construção de seu primeiro ato rispidamente, mostrando como a vida de Will Foster (Reeves) é com a sua família de comercial de margarina. Até que o acidente começa a mover as coisas e você se anima com o quão arriscado as coisas podem ser para o nosso personagem principal.

Como um Dr Frankenstein do blockbuster, Will Foster que já trabalha com experiências científicas começa a perder a sua cabeça para trazer sua família de volta à vida, e é nesse processo que tudo começa a piorar para o roteiro. Em momentos cruciais ele tenta entregar piadas que nem sequer fazem sentido, com feições de Keanu Reeves dignas de um momento socialmente “awkward” onde só conseguimos observar sem saber o intuito daquelas falas dentro da situação toda. Chad St. John e Stephen Hamel podem até ter tido ideias ousadas para o roteiro, mas suas execuções beiraram o tédio, pulando de cabeça em um completo marasmo de escolhas que não deixaram o filme respirar de verdade.

Talvez tenham sido as mãos inexperientes de Nachmanoff, cujos filmes passados também não foram lá tão maestrais, que não souberam aproveitar o “thriller sci-fi” que teve em mãos. Na verdade eu mal senti a esque thriller sci-fi que estavam tentando vender ao longo do filme, apenas menções entre os dois “heróis” cientistas que não tiveram nenhum sentido no momento em que aconteceu – mais um erro de roteiro.

Todos esses erros ainda é coroado por uma atuação inexpressiva de Keanu Reeves que anda cambaleando de blockbuster em blockbuster tentando deixar sua “marca original” em algum trabalho que nos remeta aos seus tempos de ouro. Mesmo que ele esteja se concretizando ainda mais como a face a interpretar “John Wick”, suas atuações são quase-risíveis em outros filmes, e “Cópias” é um desses. O ator que já foi um dos mais cobiçados no seu auge, hoje se mostra completamente perdido no que fazer, sem mostrar seu carisma verdadeiro que deve ter ficado com a franquia Matrix lá nos anos 2000.

O longa metragem estrelado por Keanu ainda conta com um terceiro ato que condiz muito pouco com toda a construção do filme. O ritmo muda completamente para um que nem parece o mesmo dos outros dois atos, com direito a perseguição de carros, armas e elementos mirabolantes feitos por computação gráfica, tentando incorporar um pouco da carreira do protagonista nessa história de grandes mafiosos da ciência. Ainda somos entregues à uma conclusão pobre de conteúdo, comparável apenas aos finais de novela de Walcyr Carrasco e os especiais da lifetime – canal de TV norte-americano.

As peças do roteiro mal-construído de “Cópias – De Volta à Vida” montaram um monstro que não sabia muito bem o que era de verdade, muito parecido com as ideias iniciais do nosso personagem principal. Tudo aqui parece que foi feito sem muita revisão, ou alguma peça para poder alcançar o resultado que eles bem esperavam, foram elementos largados ao longo de uma hora e meia, formando um final ainda mais desconexo. Infelizmente uma grande perda de tempo que tinha tudo para ser incrível. “Cópias” estreia dia 18 nos cinemas brasileiros.