SHAZAM!: O coming of age super-heroico de Billy Batson

Quem nunca sonhou em ser um super-herói quando criança? “Shazam!”, novo longa a integrar o universo cinematográfico da DC, pega as fundações das fantasias infantis e as torna realidade. O “coming of age”, completamente diferente do que foi feito no gênero “super-heróis” até então, de David F. Sandberg faísca suas mensagens de forma prematura, com um velho mago segurando um cajado e um órfão perdido que faz de tudo para reencontrar sua mãe biológica, mas logo que uma palavra mágica é pronunciada por Billy Batson- aqui interpretado por Asher Angel- a entidade que se personifica carrega o filme que continua o legado de “Mulher Maravilha (2017)” e “Aquaman (2018)” para reestruturar o universo cinematográfico da DC, mostrando que eles conseguem continuar fazendo filmes bons.

Integrando esse vasto universo que não agradava à todos há uns anos atrás, “Shazam!” – assim como no filme – foi a palavra necessária para fazer com que a opinião pública se tornasse uma outra completamente diferente. O longa de David F. Sandberg é uma grande jornada de autoconhecimento para crianças, assim como a primeira cena de Billy Batson (Asher Angel) sugere, o malandro de 14 anos que vira um grande herói interpretado por Zachary Levi. É como se todos os “coming of age” que você conhece sobre pré-adolescentes órfãos tivessem um twist super-heróico mas que no fundo querem passar a mesma mensagem: família não é uma condição biológica.

David F. Sandberg (“Annabelle 2 – A Criação do Mal”) dirige Shazam!, da New Line Cinema, que conta a origem do super-herói homônimo da DC, vivido por Zachary Levi (série de TV “Chuck”). O elenco também conta com Mark Strong (filmes “Kingsman”) no papel do supervilão Dr. Thaddeus Sivana e Asher Angel (série de TV “Andi Mack”) como Billy Batson. Peter Safran (filmes “Aquaman”, “Invocação do Mal” e “Annabelle”) é produtor do filme.

Todos temos um super-herói dentro de nós; só é preciso um pouco de magia para que ele ganhe vida. No caso de Billy Batson (Angel), basta gritar uma palavra – SHAZAM! – para que o jovem malandro de 14 anos seja tomado pelas forças de um antigo mago e se transforme no super-herói adulto Shazam (Levi). Um menino em sua essência – dentro de um corpo sarado, como o de um deus – Shazam se esbalda nesta versão adulta dele mesmo fazendo aquilo que qualquer adolescente faria com superpoderes: divertir-se com eles! Ele é capaz de voar? Tem visão de raio-X? Consegue soltar raios pelas mãos? Pode perder a prova de estudos sociais? Shazam começa a testar os limites de suas habilidades com a despreocupação típica de uma criança. Contudo, ele precisará dominar estes poderes rapidamente para lutar contra as forças do mal controladas pelo Dr. Thaddeus Sivana (Strong).

David F. Sandberg não é o primeiro diretor de terror que assume a responsabilidade de trazer um super-herói para o cinema no universo da DC. James Wan, diretor de “Aquaman”, fez um belo trabalho incorporando sua experiência nas aventuras subaquáticas do diplomata de Atlântida. Mas para Sandberg o desafio era ainda maior. O diretor de “Annabelle 2” ainda teve a oportunidade de extrapolar em suas produções quando o assunto eram os aspectos fantasioso de “Shazam!”, mas o grande desafio para ele nos faz comparar com o nosso próprio herói tentando aprender seus super poderes: fazer um roteiro de super-herói caminhar lado a lado com o coming of age de Billy Batson. Sandberg nos engana na primeira impressão, afinal começamos em uma atmosfera assustadora e trágica, fantasiosa em alguns momentos mas que define o tom do nosso vilão – um dos melhores do DCEU até então -, mas ainda consegue misturar todos esses elementos para fazer o que deveria ser um “Deadpool” para crianças.

O alívio cômico de “Shazam!” traduz-se também na sua trilha sonora, e mesmo que ele seja um dos pontos altos do filme, sua mensagem central não é sufocada. Ainda nos moldes dos filmes super-heróicos, onde temos um super vilão que quer acabar com o mundo e automaticamente com o nosso mocinho, Sandberg e o “twist” do coming of age colocam o longa metragem como uma parada fora do circuito. A relação que Billy Batson (Angel) tem com Freddy (Jack Dylan Grazer) constrói-se desde o primeiro momento em que eles se encontram, começando com um pé atrás, mas lentamente evoluindo em nossa frente. Existem cenas e cenas onde vemos ambos em conflitos, assim como os vemos construir uma relação de irmãos que vem a calhar em um terceiro ato emocionante.

E as relações familiares não param por aí. Nosso “delinquente” de 14 anos também tem outros quatro irmãos compondo sua família adotiva, e uma ligação muito emocionante com sua mãe biológica. “Shazam!” guarda todos seus segredos para a lógica do filme – da metalinguagem com o universo DC até seus poderes – nessa família que de início não significa nada para o rebelde Batson, cujos sentimentos sobre esse assunto tem lá suas dualidades. É como se estivéssemos desenvolvendo uma relação ao lado de todos eles, e fossemos parte da família adotiva de um menino que se perdeu de sua mãe com poucos anos de idade.

Shazam! também faz o universo cinematográfico da DC ter sua mais nova prova concreta que todo o seu aspecto emocional está internalizado nas relações maternas. Sendo um contraponto ao grande nome que movimenta esse gênero há 10 anos, onde as relações – quando existem – estão sempre marcadas pelos pais, em “Aquaman”, “Mulher Maravilha” e até mesmo “Batman vs Superman”: o Amanhecer da Justiça” podemos ver um padrão se repetindo: a necessidade de fazer do “amor de mãe” um grande catalisador de momentos cruciais para nossos heróis. Ironicamente vários desses momentos foram criticados por diferentes motivos, mas não tira o fato de ser um aspecto novo e relevante para se basear.

Também esperamos que esse seja a continuação de várias outras coisas boas que estão vindo por aí. O terceiro ato de “Shazam!” é tão eletrizante quanto é emocionante, algumas surpresas estão espalhados por ele, muitos fãs dos quadrinhos irão amar o que está sendo preparado por Sandberg, assim como outros irão questionar se essa foi realmente uma boa ideia. Mas o fato é que respeitaram toda a mitologia do Shazam nos dando um twist incrível e bastante ousado.

Mesmo que não faça muito para sair dos moldes narrativo dos filmes de super-herói – afinal ele só tem o aspecto de “coming of age” como catalisador forte -, “Shazam!” é um filme tão divertido quanto é emocionante, de um herói que todos achávamos que estava esquecido. É bom ver as “novas faces” do universo da DC, é bom sair da mesmice das narrativas que já conhecemos, e essa jornada de autoconhecimento de Billy Batson faz exatamente isso. “Shazam!” chega nos cinemas dia 04 de Abril pela distribuidora New Line Cinema.