TRACK REVIEW: IZ*ONE – Violeta

Depois de um debut bem sucedido onde a vida era “rosa” – só que em francês -, o IZ*ONE parece querer aprofundar sua paleta de cores com o single novo, “Violeta”. Para aqueles que gostaram da marca registrada do grupo mostrada logo na sua estreia – roubar músicas do CLC – seu lead single do segundo EP, “HEART*IZ”, pode parecer uma progressão do que foi mostrado inicialmente. E realmente é. “Violeta” é uma faixa EDM inofensiva, divertida mas que dificilmente consegue transparecer a “essência” cuja cantam sobre na composição clichê do grupo. Automaticamente o IZ*ONE se marca como porta-voz do EDM na Coreia do Sul, mas pelo preço da ausência de uma personalidade para suas faixas.

Com a proposta quase geopolítica de unir o Japão e a Coreia do Sul através de um reality show eliminatório – e automaticamente serem vítimas de vários comentários xenofóbicos -, o IZ*ONE tenta sempre emular o que seria essa mistura cultural em suas faixas. Promovendo como um agente duplo, tanto em um país quanto no outro, as faixas que são lançadas em japonês – até mesmo em seus EPs Coreanos – parecem pertencer à um dos supergrupos do AKB48, enquanto seus singles sul-coreanos encaram um horizonte EDM completamente diferente. A junção muito clara do j-pop modernão que usa e abusa da música eletrônica, com os moldes de um girlgroup de k-pop aparece muito clara em “Violeta” – follow up de “La Vie en Rose” -, mas a personalidade do IZ*ONE não pode ser abordar uma paleta de cores a cada comeback.

Claro que abordar cores diferentes para um grupo “multi-cultural” é uma boa perspectiva, mas isso não é muito bem transparecido em suas músicas. O EDM de “Violeta” é bom, mas não ultrapassa os limites do que essa junção Japão e Coreia do Sul poderia ser, se de fato fosse melhor trabalhada. O refrão onde se encontra um break é bem melhor construído que o de “La Vie en Rose”, mas nada além disso supera os outros pontos meia boca que a música oferece para nós.

Já vimos, já ouvimos e provavelmente alguém do bubbling under da Melon já fez melhor. Mas não significa que ninguém vai gostar, até porque é uma produção “ok”, e talvez esse seja o propósito do IZ*ONE na Coreia do Sul. Distanciando-se dos passos do IOI, grupo originado do mesmo reality que o de 2018, as músicas não tomam riscos mas ainda sim possuem uma solidez presente que faz a discografia do IZ*ONE ser mais consistente. Talvez pelo fato de ser um grupo multinacional – por conta das meninas do Japão – os produtores sintam a necessidade de as colocarem na mesma fórmula que as presenteou com o hit “La Vie en Rose”. Mas isso também pode ser por conta da falta de criatividade e a “fórmula pronta” que “Violeta” acaba de estabelecer para as 12 meninas: lead singles inofensivos, divertidos, mas que ao mesmo tempo poderiam ser uma b-side de qualquer outro grupo.

Enquanto na sua letra “Violeta” clama uma unicidade de essência, cheiros e lembranças – porque as meninas cantam sobre isso o tempo todo -, a produção não é algo único como a inspiração botânica da faixa. As meninas falam sobre um amor que foi “predestinado” para elas, em um cenário onde elas já vem procurando por isso há muito tempo. Um tema clichê no k-pop, mas que combina com os riscos tomados da produção de “Violeta”. Mas a música ainda é boa, como eu disse, ela só desesperadamente precisa de uma personalidade sonora, algo que grite “IZ*ONE” que nem o próprio time pareceu entender ainda.

Com a junção Japão e Coreia do Sul muito poderia ter sido feito até o momento. Mas pouquíssimas das oportunidades possíveis são tomadas aqui. “Violeta” é inofensiva, ainda que divertida, mas não faz nenhum tipo de “marco” na carreira das meninas. Além do fato de que o IZ*ONE se torna um porta voz para o EDM que já vinha sendo feito por grupos que nem figuravam o top 100 das paradas digitais, e o refrão divertido que “Violeta” nos proporciona, gostaria de ver o grupo de 12 meninas progredindo para produções melhores até o tempo do fim do contrato delas.

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