Four Seasons é Taeyeon na sua maior forma inexpressiva

Viajando de gênero em gênero na sua jornada como artista solo, Taeyeon – originalmente líder do super grupo de k-pop Girl’s Generation – tem se marcado como um dos grandes nomes do mercado fonográfico sul-coreano. Talvez pela sua fama já existente, mas principalmente pela sua vontade de agradar uma audiência vasta de cidadãos que gostam de ouvir o tipo de música que ela lança: amigável. Desde “I” – seu single debut – até seu mais recente, “Four Seasons”, a vocalista está servindo um propósito muito claro de fazer seu nome, consolidando seu legado mas não necessariamente lançando faixas boas. “Four Seasons” é uma mid-tempo que repete seus acordes muitas vezes, com um refrão mediano e a vontade de nos deixar preso em uma só estação.

Remetendo muitas vezes à uma trilha sonora cansada dos filmes do James Bond, a mid-tempo mais recente de Taeyeon vem logo após o lançamento do seu terceiro EP “Something New”, onde a solista realmente estava explorando um som mais “r&b” sofisticado para os padrões que ela mesmo estabeleceu no começo de sua discografia solo. Mas sem tanto sucesso comercial quanto seus lançamentos prévios, acredito que a necessidade para se reafirmar como grande vocalista “amiga de todo o público” tenha voltado a ser uma questão para Taeyeon.

Dessa vez mais “comportada” sem ir muito além do que ela era como artista no início de sua carreira, remetendo aos seus grandes hits como “I” e “Fine”, Taeyeon lança a mid-tempo inexpressiva “Four Seasons”. Parecendo mais um retrocesso do que um progresso sonoramente, o single digital. lançado ao lado de uma faixa chamada “Blue”, conta com os vocais da ex-SNSD sendo explorados daquela maneira de sempre, com firulas aqui e ali, para seu nome ser mais uma vez firmado como o de uma “grande vocalista”. A música conta com acordes cansados que me lembraram muito ao que seria uma faixa original feita para um remake ruim do James Bond – ou 007 como preferirem -, exatamente porque “Four Seasons” parece falar de todas as estações do ano durante seu refrão, mas na realidade nunca nos leva até uma dela.

“Four Seasons” parece um outono permanente de folhas caídas e chás quentes, repetindo-se até o momento em que se esgota – lá pelo segundo refrão. Taeyeon até tenta entregar algo “fora do circuito” de músicas assim ao repetir o seu refrão de forma acapella bem no início da música, mas nem isso é suficiente para compensar o fato que a faixa não evolui daí. Ironicamente a letra de “Four Seasons” brinca com o fato de um casal que esteve evoluindo de acordo com as estações do ano, Taeyeon diz que doou ao seu par “seu verão e seu inverno”, mas agora ela se questiona se realmente amou aquela pessoa. O mesmo acontece com a sonoridade da música, até o primeiro refrão você acha ela razoável, mas depois é só inexpressiva.

As metáforas com as estações são bem usadas na música, o jogo de palavras que se estabelece é bem sucedido em suas instâncias, mas nada faz para de fato melhorar o entretenimento da música. A faixa inclusive lembra bastante aos lançamentos prematuros de solistas como IU e Baek A Yeon – ou até mesmo Lee Hi -, mas em nenhum momento grita “Taeyeon”. Inofensiva, feita para agradar à todos como ela sempre faz, “Four Seasons” nunca cruza a linha de ser uma música energética, ou uma balada dramática, é uma mid-tempo sobre um casal que se amava tal qual um faria nas peças de Shakespeare, mas nunca entrega a mesma dramaturgia de uma.

Como artista Taeyeon explora bastante diferentes gêneros, mas “Four Seasons” é um lançamento de quase 5 anos de sua carreira solo, as expectativas pelos seus novos materiais estarão sempre lá em cima. E claro que agora, marcada como um nome que agrada ao público “conservador” da Coreia do Sul e também as outras massas do K-pop, seu status artístico se resume aos acordes chatos de “Four Seasons”, uma música com uma temática igualmente inexpressiva já explorada com outra perspectiva pelo “FROOT” de Marina and The Diamonds (na faixa “Savages“, por exemplo).