JESUS WORE MARISA: Carnaval Edition

Com um comeback mais esperado que o retorno da Lady Gaga à música pop e com o compromisso de sempre servir o público do JESUSWORECHANEL com pop nacional de (hum) qualidade, a coluna JESUS WORE MARISA está de volta com uma edição especialíssima e bem buzzfeedica de carnaval. Aqui vamos listar os maiores concorrentes a hit do carnaval esse ano, uma fase de um desespero e volume de lançamentos que nunca decepciona quem é um bom fã daquele brega/funk/reggae/150bpm indispensável para tornar o carnaval curtível. Claro que vamos ignorar eventuais gores na lista e filtrar só o que é mais importante e culturalmente relevante na nossa cena carnavalesca pois prezamos pelo bem-estar dos nossos leitores (será?). Vamos aos candidatos:

MC Loma e as Gêmeas Lacração – Malévola

As Pussycat Dolls brasileiras estão de volta com a tentativa de repetir seu feito com “Envolvimento” do carnaval de 2018. Depois de se envolver com uma polêmica FEDERAL com o Governo, onde a gatinha-mirim foi proibida de cantar nos palcos se não voltasse para a escola, MC Loma teve ajuda de Felipe Neto para não cair totalmente no esquecimento e voltar aos holofotes do bubbling under brasileiro. “Malévola” é envolvente, chiclete e tem aquela essência tecnobrega na medida, muito do hit pode ser resumido como uma tentativa bem clara de repetirem a fórmula de envolvimento, tanto que MC Loma repete as mesmas frases pelas quais foi marcada ao emplacar o grande hit do carnaval do ano passado. Independente de qualquer coisa, a Nicole Sherzinger mirim merece o reconhecimento pelo seu funkão que vai de Chapeuzinho Vermelho até Malévola, agora é só torcer para o processo da Disney não chegar.

Gloria Groove – Coisa Boa

Surfando na onda do 150bpm que hoje em dia toma o Rio de Janeiro, Gloria Groove (nascida exatamente nesse Estado) resolve unir todas as gírias do LDRV que podem ser encontradas na última coleção da Renner e não decepciona com o teor catchy do seu single de carnaval. Ano passado a drag queen e rapper nas horas vagas lançou “Bumbum de Ouro” e ela veio sedenta pelo hit supremo do carnaval nesse início de ano. “Coisa Boa” mostra Groove em seu elemento (sendo uma grande drag queen rapper) ao mesmo tempo que entrega tudo que um hit de carnaval precisa: uma paradinha no refrão, um beat agitado, coreografia pra virar “viral” e referências a outros hits brasileiros. Além de samplear alguns elementos dos grandes hits de funk do Brasil, a drag queen insere sua própria identidade musical deixando tudo mais interessante. “Coisa Boa” é um grande resumo do que o cenário pop musical é aqui no Brasil.

Lexa – Só Depois do Carnaval / Lexa feat. Gloria Groove – Provocar

A ~~hitmaker~~ sem nenhum hit (mentira pois Sapequinha é pelo menos um hit top 30 – Kelvyn) aproveitou a queda de sua maior concorrente para emplacar alguma coisa durante esse carnaval e enfim conseguir seu primeiro smash hit. A primeira das faixa é “Só Depois do Carnaval”, que é uma tentativa mais óbvia de hit pronto do carnaval e que segue um pouco os mesmos padrões sonoros de “Sapequinha” (inclusive citando ela dentro da música). Já “Provocar” invoca todas as etnias da Arábia para que Lexa e Gloria Groove misturem o rap com o pop-infectado das batidas de algum lançamento do Diplo. O hit da gatinha do funk usa e abusa da famosa “flautinha da cobra” para fazer um duplo sentido sexual com as palavras, embalando assim tudo que uma singela poc deve gostar de dançar no carnaval. Além disso, a adição de Gloria Groove é o que há de mais precioso nessa música, pois a drag emula grandes rappers internacionais para fazer um verso extremamente memorável e que embrulha a música muito bem. “Provocar” conta com as duas gatinhas belting for their lives no seu último refrão e é uma experiência completamente transformadora.

DUDA BEAT – Chapadinha

O “Carnabeat” – como ela mesmo nomeu em seus shows – continua firme e forte com a adição oficial de “Chapadinha” em seu repertório. DUDA BEAT finalmente lança, no Youtube, sua versão paródia da música “High By The Beach”, da norte-americana Lana Del Rey. A identidade musical de DUDA BEAT escorre por toda a faixa, é como se ela unisse a sofrência da cantora original à sua, misturasse com um brega delicioso e entregasse tudo que uma música de verão precisa ter. “Chapadinha” exala verão, carnaval e tropicália, ainda mais com um refrão extremamente catchy onde a cantora serve o propósito meme friendly de repetir “tudo que eu mais quero é ficar chapadinha na praia” várias vezes.

Pabllo Vittar – Buzina

Se consagrando como uma grande gostosa intergaláctica, Pabllo Vittar vai longe demais no clipe de “Buzina” e nos entrega todas as fantasias certeiras de carnaval. A música de abertura do seu álbum mais recente, “Não Para Não”, é na verdade uma grande mistura de referências que a gata teve ao longo do processo de criação. Antes de lançada, a drag queen A-List do Brasil disse que misturava (algo parecido com o) “k-pop” e “tecnobrega” de uma forma que só ela poderia fazer, e não é que ela estava certa? “Buzina” pode não ter todas as referências certeiras de pop sul-coreano, mas sem dúvidas entrega um hit pronto. Quando Pabllo diz para apertarmos o cinto e aproveitar a viagem, ela nos leva a outros patamares em sua carreira, incorporando uma artista excepcional que pode sim entregar hits e ainda assim trazer algo diferente, respeitando suas raízes ao mesmo tempo que faz uma releitura de seus elementos musicais passados. “Buzina” é um smash hit tão pronto que é quase embalada em um embrulho, dada de presente para o ouvinte, ainda mais pela sua versão do clipe que conta com um break de música eletrônica delicioso.

Lia Clark – Taca Raba (feat. PANKADON)

Provando que a drag music é realmente o nicho da música nacional mais engajado na busca pelos hits de carnaval, Lia Clark se juntou ao PANKADON para lançar “Taca Raba” nessa reta final antes do fervo do Rei Momo começar. Lia já é dona de um dos crossover hits do carnaval de 2017, a icônica “Chifrudo” com a Mulher Pepita, mas agora aposta as fichas em música mais repetitiva e de fato carnaval-friendly, já que o ritmo da faixa é um brega-funk reminiscente das músicas do MC Troia. Infelizmente “Taca a Raba” não é tão carismática quanto os outros singles da moça, mas consegue funcionar pelo clipe cheio de referências ao pop nacional e que converge muito bem o humor escrachado e acessível da Lia, contando com mini-paródias de clipes de outras artistas e também a participação de personalidades das mídias sociais como a Blogueirinha de Merda.

Tropkillaz, J Balvin, Anitta & Mc Zaac – Bola Rebola

“Vai Malandra” com um gingadinho do reggaeton, a mesma temática de favela (trocando biquini de fita isolante por tapa-seio e tanga de crochê) e basicamente as MESMAS participações. Não tem muita coisa nova para se debruçar em “Bola Rebola”: a música é uma tentativa tão descarada de reprisar o último grande hit da Anitta em solo nacional que consegue deixar o público de má-vontade já na primeira ouvida. O Tropkillaz praticamente sampleia “Vai Malandra” na faixa com o uso dos mesmos samples vocais de fundo (aquele “ahn ahn” repetitivo que só mudou o espaçamento), além de dar umas quebradas mó estranhas na faixa, especialmente naquela parte mais pop/eletrônica quando a Anitta começa a cantar em inglês aleatoriamente. O J Balvin era a única esperança de algo novo para a faixa (até porque aliás ele é o único feat. aí no meio que não tinha participado do single anterior), mas traz só uns versos de reggaeton no piloto automático que não adicionam muito ao resultado final. Imemorável/Immemorable.

High Hill – Não Vou Casar

O grupo de b-pop (sim… tipo k-pop… só que brasileiro…) High Hill também entrou na corrida pelo hitzinho do carnaval com o single “Não Vou Casar”. Diferente do que é esperado de um grupo que tem estéticas e sonoridades reminiscentes do k-pop, o High Hill apostou numa mistura de funk carioca com música pop e um 150bpm de leve, rendendo uma faixa que é facilmente assimilável e tem realmente a cara de algo que um grupo brasileiro lançaria. O problema do single é provavelmente a letra que, em linhas gerais, é uma colagem de frases de efeito do LDRV (incluindo vocábulos como “raba”, “vale” etc), o que talvez estrague um pouco a experiência. Mas unhh… a gente parabeniza o esforço pelo menos.

Lady Gaga, Bradley Cooper – Shallow (Versão Forró/Versão brega)

O desespero para emplacar algo no carnaval também acontece em vias internacionais, com a versão forró de “Shallow”, parceria entre Lady Gaga e Bradley Cooper para o filme Nasce Uma Estrela. Jogando o country da música original para escanteio (mas mantendo alguns elementos do instrumental, como os violinos que surgem de fundo do nada), a incorporação do instrumental de forró leva “Shallow” a outro nível, servindo para aquela música se sofrência que vai embalar os fins de noite depois de todo o fervo, degradação e ressaca moral que o carnaval geralmente traz. Para quem não curte muito o forró, “Shallow” também foi agraciada com uma versão soft-arrocha/brega recifence pela icônica banda pernambucana himaker Musa, onde ganha ainda mais expressividade nos vocais impecáveis do ícone Priscila Senna. Pena que não rolou uma vocalização feroz na voz da deusa também.