'A Morte te dá Parabéns 2' é a sequência perfeita

Happy Death Day, ou A Morte Te Dá Parabéns, se provou um sucesso imenso após quase 10 anos de engavetamento desde a primeira tentativa de fazer o roteiro de Scott Lobdell chegar no cinema. Com uma premissa não exatamente original mas divertida e fresh para um gênero saturado como o do terror, principalmente o do slasher, o filme acabou se tornando um sucesso de crítica e de público.

Não demorou muito para que a Blumhouse, produtora responsável pelo primeiro filme, confirmar uma sequência, trazendo Langdon de volta na direção e assumindo o cargo de roteirista dessa vez. Muito se especulou sobre essa sequência ser apenas um filme caça-níquel, explorando em cima de um tema já batido (o primeiro filme parece bem fechado por si só) para poder lucrar no cinema. Os materiais promocionais não pareciam animar muito e parecia que o filme ia ser uma sequência ruim e bem mais do mesmo. A novidade aqui é que: tava todo mundo errado. A Morte Te Dá Parabéns 2 (Happy Death Day 2U) consegue se igualar ao nível do primeiro filme em termos de absolutamente tudo, sendo uma sequência extremamente necessária e divertida.

O filme começa exatamente do ponto em que deixamos o filme passado mas dessa vez estamos acompanhando a história a partir do ponto de vista de Ryan (Phi Vu), o colega de quarto de Carter (Israel Broussard). Acordando no seu carro, ele passa por um dia comum, até que começa a receber mensagens de texto de um número desconhecido com fotos suas recém tiradas, dando a entender que tem alguém na sua cola. Ele acaba sendo assassinado por alguém mascarado com a mesma máscara de bebê que matava Tree (Jessica Rothe) no primeiro filme. Quando ele começa a reviver o mesmo dia pela primeira vez, ele conta para Tree e Carter o que está acontecendo e é então que Tree percebe que o seu loop deve apenas ter passado dela para outra pessoa e ela precisa, novamente, fazer com que isso acabe de uma vez por todas.

Por mais simples que essa premissa possa parecer, o filme se desdobra de uma maneira incrível logo nos primeiros minutos, indo direto ao ponto e sendo extremamente sucinto em sua abordagem. Não há enrolação aqui, pois Landon sabe o que estamos querendo ver e o seu roteiro é eficiente em criar uma atmosfera envolvente logo de começo. Há uma grande expansão na mitologia inteira da franquia que faz com que as coisas vão se conectando e comecem a fazer sentido, por mais que não pareçam fazer sentido.

(Esse parágrafo contém pequenos spoilers da trama)
Nada é o que parece ser e quando um plot twist acontece logo no começo, que faz com que Tree volte a reviver o seu aniversário novamente, as coisas parecem bem diferentes e é com essas possibilidades de multiversos e dimensões paralelas que o filme parece querer trabalhar e acaba dando muito certo. O mesmo cuidado com os detalhes está presente nessa sequência e vale muito a pena prestar atenção em tudo, ainda mais se você assistiu ao primeiro filme e sabe das coisas que vão acontecendo ao redor deles. Há também uma sequência ao som de Hard Times do Paramore que merece todo o crédito por ser uma das coisas mais engraçadas e engenhosas do filme.

O elenco todo está incrível aqui nesse filme e todos funcionam muito mais do que no primeiro filme. Ninguém poderia prever que Ryan seria um bom personagem por sua pouca e não tão efetiva participação no primeiro filme e Phi Vu acaba sendo uma grande adição à trama principal. Jessica Rothe continua incrível e carrega consigo grande parte da carga humorística e dramática do filme, dando um show e elevando a sua personagem a um nível ainda maior do que no do filme passado. Dre (Sarah Yarkin) e Samar (Suraj Sharma), colegas de laboratório de Ryan, também são ótimos e movimentam a trama rendendo excelente momentos. Lori (Ruby Modine) faz sua participação valer a pena, principalmente por todo o mistério por trás disso, e Danielle (Rachel Matthews) rende excelente risadas com suas cenas, especialmente as que ela está de óculos escuro.

Por fazer valer a pena o preço do ingresso e o tempo gasto, a sequência de A Morte Te Dá Parabéns merece muito ser vista e revista, por se mostrar um excelente produto e ainda dar panos para manga de uma outra sequência que pode ser melhor ainda (preste atenção na cena pós-crédito). Estreia amanhã, dia 21 de janeiro, nos cinemas de todo o Brasil.