Butterfly e o efeito borboleta do LOONA

O super-grupo sul-coreano finalmente fez seu primeiro comeback. Com a narrativa de que todos podem voar como “borboletas”, “Butterfly”, single oficial do relançamento de seu primeiro EP – agora com o nome “XX” -, representa a celebração ao redor do mundo pela união do grupo. E para celebrá-las nada melhor que uma track sustentada por um future bass que toma o espaço do refrão e configura a continuação do legado do LOONA: um grupo cuja trajetória é repleta de nuances sonoras.

Em um twist de 180º, muito parecido com o que aconteceu com a sub-unit ODD EYE CIRCLE e seus releases “Girl Front” e “Sweet Crazy Love”, estamos agora observando uma diferente faceta do grupo como um todo, com uma música mais madura, focada muito mais em ser um espetáculo audiovisual, já que “Butterfly” foi feita para ser uma música centrada em sua coreografia, com o MV deixando bem claro isso já que absolutamente todos os takes em que as meninas aparecem são de cenas de dança, não dando espaço para nenhum outro momento solo.

“Butterfly” é algo de novo no pop sul-coreano. O future bass que rege a música em toda sua extensão nunca foi trabalhado antes a não ser pelo próprio grupo em “Stylish”, faixa presente em seu antigo EP, “[++]”. É por isso que a faixa soa tão “fresh” nas vozes das 12 meninas. A música eletrônica do LOONA continua evoluindo, mesmo que antes elas tenham lançado algo como “Hi High” que dialoga muito mais com lançamentos sul-coreanos, tendo uma estrutura de produção bem parecida com os grandes hits de girlgroups. “Butterfly” tenta destacar o LOONA pelo que o grupo quer ser, um ato de k-pop que não é definido pelas tendências que fazem a indústria sul-coreana de música respirar, mas sim um grupo inovador, representando todas as “loonas ao redor do mundo”.

Por isso no clipe de “Butterfly” vemos muito pouco das meninas e muito mais diversidade. Com a ideia de mandar uma mensagem para as “loonas” ao redor do mundo, as meninas do grupo dançam ao som de um refrão totalmente instrumental (com apenas alguns ad-libs) enquanto a história que foi contada por elas, ao longo desses dois anos pré-debut, se repete na pele de outras meninas. Los Angeles, Hong Kong, Islândia e a própria Coreia do Sul, são cenários que já vimos serem pintados pelas 12 meninas, mas dessa vez são representados por pessoas de outras etnias, sem serem usadas como “acessórios” – algo que também é novo para o k-pop.

O efeito borboleta causado pelo LOONA, representado através da sua música infectada pelo “future bass” e seu clipe celebrativo de outras culturas, é o que elas tem tentado traduzir para suas composições pop: achar sua voz interior, se “empoderar” e trazer sua consciência para algo importante. Por isso, o LOONA pede para seus fãs, e seus ouvintes, voarem como borboletas, porque independentemente elas estarão ao lado deles. “Butterfly” captura o sentimento de liberdade ao redor do mundo, para mostrar que o LOONA não é só uma revolução musical, mas também cultural – ao abordar temas crescentes na Coreia do Sul.

A onda progressista sul-coreana pode ter ganhado um grande aliado no LOONA e “Butterfly” é a concretização dessa parceria. Produzida pelo mesmo time de “Hi High”, MonoTree e amigos, a musicalidade do grupo não poderia deixar de ser tão progressista quanto sua composição. “Voe como uma borboleta”, “use as suas asas”, palavras de encorajamento que mesmo aparecendo aqui e ali – em musicas como “Female President” do Girl’s Day – nunca foram tratadas com a mesma grandiosidade, dando nomes aos movimentos. O efeito borboleta da teoria do Caos, toma vida na pele do LOONA e faz com que o grupo reforce cada vez mais seu legado. O future bass acompanha os temas de empoderamento em uma progressão natural para o grupo, mostrando que as meninas podem representar muito mais que um simples “ato de k-pop”.

Uma das grandes reclamações dos fãs com o release passado também foi finalmente resolvida com “Butterfly”, uma das provas que a BBC é realmente cadelinha de fã internacional, que é a distribuição de linhas. Aqui todas as garotas tem a chance de brilhar e tem um destaquezinho, desde o conceito da música, baseado no animal que a rapper Gowon representa, até a música em si, com membros como Hyunjin e Haseul ganhando centro de coreografia e solos maiores.

Em suma, “Butterfly” é um ótimo lançamento para LOONA provar ainda mais a sua dualidade inovadora no mercado sul-coreano, extremamente saturado e cheio de coisa repetida, e se consagrar como um dos grupos mais experimentais do cenário atual. Mesmo depois desse 180º ainda fica a dúvida do que esperar para os comebacks seguintes, já que tudo parece imprevisível a esse ponto, o que deixa tudo ainda mais gostoso de se acompanhar.