TRACK REVIEW: Ariana Grande – 7 Rings

Ariana Grande tem estado em uma sequência de lançamentos que só a beneficiam, com o segundo single do seu quinto álbum isso não seria diferente. Seja por plágio ou por choque, a polêmica “7 Rings” é um hino pop-trap que mesmo destoante dos singles prévios da gata, ainda cumpre seu papel em seguir com o legado da cantora desbravando por novos sons. O hip-hop/trap da música incorporado em um sample do número musical “My Favorite Things” – da peça “A Noviça Rebelde” – ao lado de toda a “ostentação” de Ariana Grande, fazem com que a música seja despretensiosa ao mesmo tempo que viciante.

Apagando toda o “adocicado” de “thank u, next” ou até mesmo do seu álbum anterior, “sweetener”, o segundo single do álbum de Grande chega com um sub bass pesado incorporando sua voz em uma rota totalmente guiada pelo “rap”, com um flow típico de cantora pop. E não é ruim, muito pelo contrário, a atitude dita por alguns como “fútil” e “esnobe”, é também divertida e revigorante. Somos embalados por uma Ariana Grande bêbada que acaba de comprar 7 anéis de diamantes na loja da Tiffany’s, esbanjando o resultado de seus hits merecidos nos últimos anos de sua carreira. O que ela quer, ela consegue, e não tem nada mais empoderador que uma mulher bem sucedida na indústria podendo estar cantando sobre as mesmas coisas que rappers como Drake.

Recentemente ultrapassando o rapper em ouvintes mensais na plataforma de streaming do Spotify, Ariana vem se mostrando como uma das artistas femininas mais bem sucedidas ultimamente. Com álbuns, ou singles, a única ex-act da Nickelodeon consegue se manter em uma montanha-russa de emoções onde sua vida profissional está cada vez mais alta. “7 Rings” é a consolidação de Grande como uma dessas cantoras, e por quê não esbanjar isso? Cantores como Bruno Mars, Drake e entre outros rappers, estão repetidamente dizendo o quão “rico” eles são, e aclamados por tais letras, com Ariana Grande esse tratamento não pode ser diferente.

“I want it, I got it, I want it, I got it/I want it, I got it, I want it, I got it/You like my hair? Gee, thanks, just bought it”, pode não ser o refrão ideal quando você ouve pela primeira vez, a cantora que acostumou seus ouvintes com letras mais elaboradas, co-escrevendo todas elas – inclusive as do novo álbum -, dessa vez mostra seu poderio financeiro com poucas palavras de forma repetida, entrando na onda de refrões mais “desconstruídos”, uma escolha arriscada. Mas nem sempre escolha arriscadas são ideais, “7 Rings” carece de um refrão mais bem estruturado, mesmo que isso não tenha apagado todo o resto do single. O interessante na composição é toda a construção dos versos, do sample de “My Favourite Things” da Julie Andrews ao Notorious B.I.G. em “Gimme The Loot”, até a repetição de palavras na batida tap do Social House, ao lado do TBHits – ambos produtores de músicas anteriores de Ariana.

Com versos escritos por 4 de suas amigas íntimas, também cantoras e compositoras, o que Ariana Grande tem em mãos é um hino pop gerado em uma “girls night out” de pura ostentação e riqueza. O que explica o grave pesado e as referências à músicas de rap na faixa. A construção de “7 Rings” compensa sua carência de um refrão convencional pelos versos cheios de ritmo e flow, fazendo releituras de hinos clássicos, sampleando-os e transformando em algo completamente novo. Ariana Grande sempre foi uma criança da broadway, seu canto foi treinado por eles e por isso algumas vezes sua dicção era criticada, e nada mais natural para uma “theater kid” do que incorporar um musical clássico em uma de suas músicas. “My Favourite Things” coube tanto no contexto, quanto na sonoridade. O “do, ré, mi” original do número e a letra onde a noviça rebelde fala de suas coisas favoritas, casam perfeitamente com a roupagem trap de Ariana Grande, ao lado da produção do Social House, mostrando que mesmo em uma letra cheia de gírias “mileniais” ainda há espaço para um histórico diferente.

Ariana Grande segue em sua jornada artística se desvinculando do fato de ter sido uma “artista teen” em algum momento, entrando em um novo patamar e “7 Rings” apenas consolida isso. Os temas de suas composições não devem ser apenas sentimentais, se suas letras forem “fúteis” por ela esbanjar o dinheiro que conseguiu enquanto uma artista feminina numa indústria repleta de homens que continuem desse jeito. A verdade é que Grande chegou a um patamar que ninguém imaginaria, se consolidando cada vez mais como um dos maiores nomes da música pop e por isso suas composições vão passar a incomodar cada vez mais.