TRACK REVIEW: GFRIEND – Sunrise

Após tentarem desesperadamente recuperar a fanbase com vários lançamentos aleatórios (Summer Rain e derivados), o GFRIEND parece ter conseguido voltar a sua relevância com a excepcional “Time For The Moon Night”. E para continuar o seu legado, o grupo que debutou em 2016 volta mais uma vez com “Sunrise”. A música que parece uma abertura digna de anime pode ter exercido a sua tarefa inofensivamente, mas ainda não nos mostrou o que realmente interessa: se o GFRIEND conseguem se provar versáteis sem apelar para o mesmo gênero de música.

O nada bubblegum-pop do grupo formado por 6 meninas, nos mostra que ainda há espaço para músicas “j-pop inspired” no mercado fonográfico da Coreia do Sul. “Sunrise” pode chatear as pessoas que esperavam algo mais “edgy” como “Fingertip” – que um dia já deu esperanças a essa camada da fanbase -, mas GFRIEND beira o mesmo momento da discografia do APink quando as meninas decidiram lançar algo mais maduro, refinando os seus conceitos visuais. Basicamente, GFRIEND deixou seus uniformes colegiais pendurados em seus armários, e partiram para algo mais jovem-adulto, não apenas na sua sonoridade – que ainda é um flerte com as aberturas de anime pop-rock -, mas também em sua produção conceitual como um todo.

O lead-single do segundo álbum de estúdio do grupo, “Time For Us”, nos mostra o claro legado do seu último hit “Time For The Moon Night” agindo sobre a discografia do grupo. As claras influências no refrão “anti-climax” são marcas originais das meninas desde o começo de suas carreiras, mas em “Sunrise” o hook que vem logo depois deixa muito claro o quanto a primeira citada foi uma influência boa para as mesmas, tentando replicar uma coisa ou outra da melodia, pelo apelo catchy que a música teve. Por isso, a faixa pode decepcionar alguns fãs que esperavam algum ritmo diferente nesse comeback.

Mas músicas com um apelo “ocidental” nunca foram a marca artística do GFRIEND. O grupo que sempre teve um “feel” mais clássico do pop sul-coreano prova-se como um dos únicos que ainda não cedeu às demos europeias que rondam pelos estúdios de produção da Coreia do Sul. A “grandiosidade” das músicas de GFRIEND nunca se deram pelo fato dos synths presentes em algumas bsides das mesmas, elas se apropriam de orquestras, violinos, e até elementos do r&b em algumas partes bem destoantes da própria faixa, para criarem uma experiência musical “conservadora” no k-pop: te levam até o ápice da música, mas o “ápice” nunca chega, tendo um refrão em tons mais baixos, sendo assim catchy sem o bubblegum-pop que domina as paradas atuais.

Para quem realmente não gosta desse tipo de música, o GFRIEND nunca vai acontecer. A discografia do grupo é cheio de faixas desse estilo, com uma ou outra bside mais “ocidental” onde vemos o synthpop e o dancepop – raridades no catálogo das meninas. Mas o fato é que quando elas tentaram, em “FINGERTIP”, o feedback que tiveram não foi dos melhores, resultando em um grupo que estava em seu auge, voltar para os dias em que quase nada de suas músicas vendiam bem, lançando singles atrás de singles, para recuperar a fanbase que realmente gosta do “k-pop clássico”.

Para quem gosta, o GFRIEND não decepciona. Talvez as músicas soem a mesma coisa, as habilidades de dança das 6 meninas pode compensar ou não, afinal, elas são ótimas performers e suas músicas não influenciam nesse aspecto, muito pelo contrário, impulsionam o time de dança a serem cada vez mais criativos em encaixar uma coreografia “viral” com elementos sonoros tão clássicos como a orquestra “dramática” de “Sunrise”.

A questão toda é como o GFRIEND ao mesmo tempo que se mostra como uma das únicas “instituições” do k-pop que ainda lançam esse tipo de música, pode ou não pode se mostrar versátil. Os girlgroups que antes lançavam música assim, hoje em dia se “entregaram” para uma produção mais ocidental, apropriando-se disso para torná-las mais “oriental”. O GFRIEND parece não querer sair desse lugar confortável onde elas se encontram – devido a experiência passada eu também não sairia. Vale perguntar se quando o prazo de validade desse gênero bater na porta das garotas, elas vão ter o necessário para se aventurarem em novas produções, ou irão desgastar as suas imagens até o encerramento do projeto.

Independente disso, “Sunrise” carrega o legado de “Time For The Moon Night” nas costas, de uma forma que serve também para marcar uma mudança visual na trajetória do GFRIEND. Pendurando os uniformes escolares em seus armários e trazendo novos conceitos visuais, basta esperar que daqui para frente o GFRIEND continue seguindo a forma musical e conceitual que elas estão construindo.