TRACK REVIEW: Red Velvet – Sappy

Ainda em sua jornada para dominar o mercado musical nipônico, depois de umas derrotas no mercado sul-coreano, o Red Velvet lança a colorida e vívida, “Sappy”. O título da música significa alguém extremamente doce ou sentimental, dessa forma não poderíamos esperar outra coisa além do pop-bubblegum que o grupo vem lançando há tempos, mas como um bom follow-up para “Cookie Jar” o segundo single japonês das meninas tem um twist interessante: um synthpop que rege a música sutilmente em seus versos. O Red Velvet prova, mais uma vez, que pode sim unir os dois mundos, ainda estando dentro de sua marca musical.

Com uma capa para deixar a ministra Damares confusa – já que temos o azul e rosa aqui -, o Red Velvet volta com mais uma de suas canções sobre como o amor de alguém as faz sentir, juntamente com um clipe completamente estranho que nos faz perceber como o grupo e o time de produção seguem essa linha estética desde sempre para atiçar ainda mais as discussões sobre a música. “Sappy” faz um ótimo trabalho sendo follow-up de “Cookie Jar”, preservando o legado – mesmo que pequeno – do grupo em lançamentos japoneses.

Grupos sul-coreanos quando lançados na indústria fonográfica japonesa tem um estranho twist de lançar músicas afastadas do que já estão acostumados. Girls Generation, Twice e KARA foram nomes que por vezes distanciaram-se dos conceitos que faziam no país natal para abraçar novas ondas e atender demandas do mercado nipônico. O Red Velvet faz diferente. Talvez pelo sucesso viral de suas músicas no país como “Red Flavor” ou até mesmo a bem sucedida turnê das garotas, mas o fato é que o Red Velvet é o grupo que consegue manter a sua “originalidade artística” na terra do sol nascente.

Esse padrão não foi diferente com “Sappy”. O segundo single do grupo em japonês, lançado de surpresa, não teve que suprir nenhuma expectativa e ainda assim fez o seu papel: avançou a carreira das meninas no país. “Sappy” pode não soar tão “japonesa” quando “Cookie Jar” – uma imensa referência às músicas coreanas das meninas como “Rookie” -, mas tudo está no seu lugar. O refrão catchy, os versos bem construídos e o saxofone que o grupo resolveu adotar como seu.

De primeira, “Sappy” pode não agradar aos ouvintes, mas para quem gostou dos últimos lançamentos de Red Velvet, vai ser uma grande vitória. Ainda assim, “Sappy” consegue ser bem dosada em todos seus aspectos. Temos o synth contínuo nos versos, a fofura “viral” do Red Velvet e do seu 8-bit não está “infectando” a música como um todo, e as meninas cantam em sua melhor forma. No geral, “Sappy” poderia muito bem ser uma follow-up sul-coreana para “Really Bad Boy” ao mesmo tempo que é uma “Cookie Jar” mais maturada.

Irene e Yeri fazem um rap muito bem dosado logo após o refrão, para acontecer essa quebra da “fofura extrema”, assim como Joy e Seulgi são responsáveis por puxar uma bridge mais sultry, quase-sensual da música. Os saxofones no refrão podem ser irritantes mas casam perfeitamente com o refrão após algumas ouvidas. Uma combinação perfeita feito pelo Red Velvet em uma produção up-tempo que flerta com o synthpop ao mesmo tempo que faz o mesmo com o bubblegum 8-bit de “Power Up”.

“Sappy” pode não ser a música perfeita, mas sem dúvidas preenche seu papel como segundo single surpresa do grupo no japão. E analisando o histórico do grupo no país, não seria nenhum espanto se virasse um hit instantâneo para o grupo. Pouco a pouco, Red Velvet vai dominando as paradas nipônicas e fazendo sucesso para além da sua Coreia do Sul, e que ela possa marcar mudanças para o grupo que não vem lançando material satisfatório no país desde seu comeback com “Power Up”.